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REVISTA DA MADEIRA - EDIÇÃO N°68 - DEZEMBRO DE 2002

Painis

Painis

As plantaes florestais do gnero Pinus no Brasil comearam a ser implantadas na dcada de 60, por estmulo da lei de incentivos fiscais. O objetivo principal era oferecer alternativas de ofertas de madeira, tendo em vista as crescentes presses ambientais reduo de reservas nativas de Araucria angustifolia pinheiro do paran. As espcies escolhidas foram o Pinus taeda e Pinus elliottii na regio sul do pas, visando principalmente em abastecer as indstrias de papel e celulose em franca expanso. Estava dada a largada grande expanso em reas plantadas de pinus, no entanto, sem as aplicaes de tcnicas adequadas de prticas silviculturais e de manejo florestal. As espcies sendo originrias dos EUA, cresciam em condies diferentes no seu novo habitat e a madeira produzida apresentava caractersticas bem diferenciadas.

A nova madeira necessitava de estudos tecnolgicos para uso industrial nas mais variadas finalidades. Alm do seu rpido crescimento, gerando madeiras com anis de crescimento mais largos e lenho juvenil mais avantajado, a presena de ns era um fator prejudicial para produo de laminados e madeira serrada de qualidade. A partir da dcada de 80, comearam a ser intensificadas as prticas de poda, visando produzir madeiras mais limpas, livres ou com menor incidncia de ns, possibilitando assim, a oferta de madeiras de melhor qualidade para produtos de maior valor agregado como madeira serrada e beneficiada, lminas e compensados.

Atualmente, h uma dependncia significativa das indstrias de base florestal pela madeira de pinus. O pinus passou a ser matria-prima essencial nos setores de construo civil, indstria moveleira e de embalagens. A madeira de pinus sustenta, na Regio Sul, as indstrias de madeiras serradas e beneficiadas, de laminados e compensados, de painis reconstitudos de madeira (fibras e particulados), alm do grande volume demandado pelas indstrias de polpa e papel.

A grande presso ambiental sobre a utilizao de madeiras tropicais provenientes da floresta amaznica, faz aumentar ainda mais a demanda pelas madeiras provenientes de florestas plantadas. Dentro deste contexto, a madeira de pinus passa a ser uma base importante de suprimento de matria-prima para todos os segmentos das indstrias de base florestal, tendo em vista os conhecimentos j acumulados durante as ltimas dcadas, no que tange s tcnicas silviculturais, manejo florestal e tecnologias de processamento industrial.

Os plantios florestais de pinus esto localizados principalmente nas regies Sul e Sudeste do pas, alm do estado da Bahia que tem apresentado um crescimento significativo na rea plantada de pinus. De acordo com a ABRACAVE, em 1999, o total de rea plantada com espcies de pinus correspondia a 1.826.250 hectares. Deste total, o estado do Paran contribui com uma rea plantada de 605.130 ha, correspondendo a quase 1/3 da rea total. A participao significativa do Paran em reas plantadas pode ser atribuda principalmente concentrao de grandes indstrias de papel e celulose, aglomerados, MDF e OSB. Os estados de Santa Catarina, Bahia e So Paulo, ocupam respectivamente as trs posies seguintes. Pode-se verificar tambm que, a participao de outros Estados tm crescido significativamente nos ltimos anos.

Indstrias de painis

O compensado multilaminado foi o primeiro tipo de painis de madeira que comeou a ser produzido no Brasil no incio da dcada de 40. A principal madeira utilizada era a Araucria angustifolia, uma espcie com excelentes caractersticas tecnolgicas para produo de lminas e abundante na poca. Em 1955, foi instalada a primeira unidade industrial de chapas de fibras no estado de So Paulo, utilizando como matria-prima a madeira de eucalipto. As chapas de aglomerado comearam a ser produzidas em 1966, com a entrada em operao da unidade industrial da Placas do Paran em Curitiba. J em 1998, a empresa Duratex iniciou a produo de chapas MDF no Brasil. Finalmente, em 2001, o grupo Masisa colocou em operao a planta para produo de OSB. Cabe ressaltar que as indstrias de aglomerados, MDF e OSB instaladas na regio sul do pas, utilizam quase que exclusivamente a madeira de pinus como matria-prima.

Os principais tipos de painis de madeira produzidos no Brasil so:

Compensado multilaminado;

Compensado sarrafeado;

Chapas de fibras duras e isolantes;

Aglomerado;

Chapas MDF;

Chapas OSB.

O processo produtivo, as caractersticas tecnolgicas e as finalidades de uso so diferenciados para cada um destes painis. Os principais segmentos que utilizam os painis de madeira so: (1) indstria moveleira; (2) construo civil; e (3) embalagens. As madeiras utilizadas no processo de produo podem ser divididas em trs grupos: madeira tropical, pinus e eucalipto. A madeira de pinus, representa quase 40% do total consumido para produo de compensados e quase 100% para produo de aglomerados, incluindo-se o OSB. Quanto s chapas de fibras duras e isolantes, o uso de eucalipto predominante, no entanto, para chapas de fibras MDF, o pinus a madeira mais utilizada.

Cabe ressaltar que, a produo de chapas duras/isolantes altamente representativa em relao produo mundial (8,1%). No entanto, a matria-prima utilizada quase que totalmente de eucalipto. Pode-se observar tambm que, a produo brasileira de aglomerados volumetricamente significativo, mas a sua participao no total mundial ainda irrisria (1,9%). Quanto aos compensados, cabe relembrar que do total de produo, a participao da madeira de pinus atinge quase 40%, ou seja, em torno de 660.000 m/ano.

Com relao ao MDF, o valor apresentado se refere ao incio da produo da primeira unidade industrial brasileira no final de 1998. As projees para 2001, indicavam aumento no volume de produo para 750.000 m, de acordo com a capacidade instalada de trs novas unidades industriais de MDF no Brasil. A primeira unidade industrial de OSB, instalada em Ponta Grossa/PR, iniciou as operaes no incio de 2002 e tem a capacidade nominal de produo de 350.000 m/ano de painis.

O compensado o painel mais produzido no Brasil e apresenta ainda uma tendncia crescente em volume de produo. Vem a seguir o aglomerado, tambm com uma tendncia crescente e com participao significativa no mercado de painis de madeira. Por outro lado, as chapas de fibras duras e isolantes, tm apresentado nveis de produo mais ou menos constante nos ltimos anos. A partir de 1998, com a entrada em operao da primeira unidade industrial, a participao do MDF na produo de painis de madeira no Brasil vem crescendo significativamente fechando o ano de 2001 com volume de produo em torno de 750.000 m.

Os painis de madeira podem ser divididos conceitualmente em dois grupos bsicos de acordo com a sua constituio estrutural: (a) compostos laminados e (b) compostos particulados.

os compostos laminados se caracterizam pela estrutura contnua entre os elementos de madeira e a linha de cola. Exemplos de compensados multilaminados, sarrafeados, laminboard e LVL (laminated veneer lumber), cuja linha de cola entre duas peas de madeira orientada num plano;

os compostos particulados se caracterizam pela estrutura descontnua entre os elementos de madeira e a linha de cola. Exemplos de aglomerados e chapas de fibras, cujas partculas e fibras de madeira so sobrepostas de forma aleatria sem definio de um plano contnuo.

Cada um destes produtos possui caractersticas prprias e aplicaes mais adequadas. As propriedades requeridas, o local e forma de utilizao so a base para a escolha do produto mais adequado. Os fatores essenciais para que um produto reconstitudo de madeira possa se enquadrar dentro dos requisitos bsicos necessrios para uma determinada aplicao so: a espcie de madeira, tipo de adesivo e a tecnologia de produo.

A seguir so apresentados os principais tipos e sub-tipos de painis de madeira e aplicaes mais indicadas:

Compensados:

Compensado de uso geral (GER) uso interno; indstria moveleira.

Forma de concreto (FOR) uso exterior / prova dgua; construo civil.

Decorativo (DEC) uso intermedirio; revestidos com lminas decorativas naturais ou celulsicas; indstria moveleira.

Compensado industrial uso exterior / prova dgua; embalagens.

Compensado naval (NAV) uso exterior / prova dgua; construo naval.

Compensado sarrafeado (SAR) uso interior; miolo formado por sarrafos; indstria moveleira.

Compensado resinado (R) usos especficos; resistente gua na superfcie.

Compensado plastificado (P) usos especficos; revestidos com filme sinttico na superfcie.

(2) Aglomerados:

Aglomerado cru chapas sem revestimentos; uso interno / intermedirio; usos - indstria moveleira, construo civil (forros, paredes, divisrias, portas, pisos, etc.), embalagens.

Aglomerado revestido : chapas com revestimento superficial em lminas naturais, finish-foil, papel melamnico; usos indstria moveleira.

Chapas OSB uso externo / estrutural; usos - construo civil (forros, pisos, paredes, formas de concreto, tapumes, ...), embalagens e indstria moveleira.

(3) Chapas de fibras duras / isolantes:

Chapas duras chapas de alta densidade; colagem fenlica (FF); usos indstria moveleira (fundos de armrios, gavetas, componentes eletrnicos), construo civil e embalagens.

Chapas isolantes chapas de baixa densidade; usos construo civil (isolamento trmico / acstico).

(4) Chapas MDF:

MDF cru uso interior (UF) indstria moveleira (armrios, tampos de mesa, bases / estrutura de mveis, etc.); uso intermedirio (UF/MF) indstria moveleira, construo civil (pisos, portas, esquadrias, etc. ).

MDF revestidos chapas com revestimento superficial em lminas naturais, finish-foil, papel melamnico, revestimento plstico, etc.); usos indstria moveleira.

O controle de qualidade dos painis de madeira realizado sobre as variveis do processo de produo, avaliao qualitativa - visual das chapas e determinao das propriedades fsico-mecnicas. As principais propriedades fsico-mecnicas de painis produzidos com a madeira de pinus se referem aos resultados de pesquisas realizadas a nvel laboratorial e de chapas industriais e, portanto, so apenas indicativos como base de referncia, tendo em vista que os parmetros de produo so diferentes para cada situao.

O setor de indstrias de painis de madeira contribui de forma significativa na economia do pas, atravs da oferta de produtos para vrias aplicaes, gerao de empregos e receitas. A sua importncia se destaca tambm em termos de melhor aproveitamento de madeiras, uso de florestas plantadas e de resduos de explorao florestal e de outras indstrias de processamento da madeira, contribuindo para reduzir a presso ambiental sobre o uso de florestas nativas. Com exceo de chapas de fibras duras/isolantes, os painis compensados, aglomerados, MDF e OSB, apresentam perspectivas de crescimento da produo e consumo para os prximos anos. importante ressaltar que, a sua contribuio nas exportaes brasileiras deve ser incentivada, tendo em vista que o panorama atual indica participao ainda inexpressiva em relao ao cenrio mundial, mas com grande potencial de crescimento em funo da disponibilidade de matria-prima, mo de obra e recursos energticos.



Setsuo Iwakiri, professor titular do Depto. de Eng. e Tecnologia Florestal UFPR e-mail: setsuo@floresta.ufpr.br

Leopoldo Karman Saldanha, engenheiro florestal, mestrado em Tecnologia de Produtos Florestais UFPR