MENU
Carbono
Classificao do Pinus
Colheita
Desdobro
Espcies
Geoprocessamento
Habitao
Manejo
Meio ambiente
Melhoramento
Mercado
Mercado-Europa
Mercado-Oferta
Nutrio
Painis
Pinus Tropical
Plantio
PMVA
Pragas
Preservao
Preservao
Qualidade
Resduos
Resinagem
Secagem
Silvicultura
Sispinus
Usinagem
Anunciantes
 
 
 

REVISTA DA MADEIRA - EDIÇÃO N°68 - DEZEMBRO DE 2002

Resinagem

Resinagem

A resinagem uma atividade de grande significado no contexto econmico-social do Brasil. De importadores at a dcada de 80, passamos a grandes exportadores a partir de 1989.

A importncia econmica da resinagem de Pinus pode ser avaliada pelo volume de produo, pela facilidade de industrializao da resina bruta e ainda pelo valor e pela diversidade de aplicaes dos produtos obtidos a partir da industrializao.

No Brasil, a explorao de mais de 45 milhes de rvores, implica no emprego direto de mais de 10 mil pessoas. Juntamente com outras atividades florestais relativas explorao de madeira, a resina contribui para dar floresta um cunho altamente social.

uma tima forma de se ampliar as rendas de povoamentos de Pinus spp., que at bem pouco tempo eram restritas produo de madeira

Se bem realizada, a explorao da resina pode tornar-se mais do que uma fonte de renda complementar explorao da prpria madeira. Por exemplo: uma rvore com 10 nos de idade, produz de 2 a 3 kg de resina por ano; e as empresas resineiras normalmente pagam ao proprietrio da floresta, ao redor de 30% da resina produzida como aluguel das rvores. Como estas rvores podem produzir resina por 15 anos ou mais, o proprietrio da floresta recebe, de acordo com o valor da resina, um montante entre U$2,50 e U$5,00 por rvore resinada, e, ao final desse perodo, ainda teria a madeira. Essa rvore caso fosse abatida, seria vendida por U$2,00.

Entre os fatores que interferem na produo de resina pode-se destacar, por exemplo, a espcie.

Na regio sul do Brasil, a espcie mais plantada coincidentemente a que mais produz. o Pinus elliottii var.elliottii. Recentemente comeou-se a explorar resinas dos Pinus tropicais destacando-se o Pinus caribaea var. bahamensis e o Pinus caribaea var. hondurensis.

A carga gentica de cada rvore responsvel pela produtividade individual de resina. Nos trabalhos de melhoramento e de pesquisa, em que se acompanhou a produo individual de resina foram encontradas produes para Pinus elliottii da ordem de 7, 10 e 14 kg, em uma safra de 9 meses de explorao. Devido a essa grande variabilidade que os programas de seleo de rvores altamente produtoras de resina devem ser incrementados.

Idade da Planta

A planta desde cedo possui resina o que no quer dizer que a sua explorao seja economicamente vivel. A idade no pode ser considerada isoladamente, mas sim com os outros fatores que interferem na produo. Nas condies brasileiras, aps os dez anos de idade possvel extrair-se resina comercialmente, em Pinus elliottii.

Sanidade das rvores

rvores ss geralmente garantem uma produo estvel por um perodo de tempo maior.

A presena de pragas e doenas promove uma queda no rendimento, sendo por isso necessrio, manter as rvores livres de qualquer mal que possa interferir em sua produo.

Dimenses da Planta

A bibliografia sobre tcnicas de extrao de resina unnime em afirmar a influncia da dimenso da rvore na produo de resina.

Quanto maior o dimetro do fuste, maior ser a produo de resina. A porcentagem de copa, isto , a relao entre a altura total da rvore e altura do fuste (sem galhos) expressa em porcentagem, tambm influencia positivamente na produo de resina.

Fatores Climticos

Nesse aspecto deve-se ressaltar a temperatura, a precipitao e a umidade relativa do ar. Foi observado que quando ocorre precipitao, a exsudao diria de resina diminui.

As temperaturas baixas tornam a resina menos lquida, favorecendo a formao de raspa, chegando a impedir o escoamento da resina pelos canais resinferos. Entende-se por raspa a resina que se solidifica no tronco da rvore. A influncia da temperatura refere-se exclusivamente extrao de resina de Pinus elliottii var.elliottii, pois para Pinus tropicais, existem alguns trabalhos publicados que demonstraram resultados interessantes.

Solo e Espaamento

A fertilidade do solo provoca a elevao da taxa de crescimento das plantas; assim, a floresta alcana mais rapidamente um maior dimetro mdio que, por possibilitar uma abertura de painis mais largos, reflete diretamente na produo de resina, acelerando o incio da produo econmica destas rvores.

Sabe-se que quanto maior o nmero de indivduos em relao uma determinada rea, menor ser o seu crescimento em dimetro e em tamanho de copa das rvores. O tamanho da copa e o dimetro da rvore influenciam diretamente na produo de resina, na proporo de 16%.

Sistema Operacional

inegvel que a produo de resina vai ser influencia pela qualidade dos servios praticados, desde a escolha da rvore. O principal problema detectado o vazamento, quer seja pelos lados, devido ao mau direcionamento das estrias ou por vazamento, pela m colocao do saco plstico na rvore. Ainda em relao ao sistema operacional deve ser lembrado que a aplicao do estimulante qumico fundamental para uma boa produo. rvores sem estimulantes qumicos produzem at 2 vezes menos. O estimulante mais comum produzido a base de cido sulfrico.

Um modelo de manejo florestal visando a explorao de resina combinada com a produo de madeira, de forma que no haja prejuzo ao incremento mdio anual do povoamento florestal o sistema ideal. um manejo envolvendo resinagem e desbastes peridicos, apropriado para Pinus elliottii.

Modelo I de Manejo Florestal

Existem outros modelos que podem ser seguidos. Algumas empresas esto implantando povoamentos florestais visando somente a explorao de resina. Neste caso, o espaamento adotado 4mx4m e a resinagem se inicia aos oito nos de idade em todas as rvores do povoamento.

As 625 rvores por hectare sero resinadas durante 15 anos, no fim dos quais sero abatidas e a sua madeira poder ser aproveitada.

Qualquer que seja o modelo adotado importante que as florestas formadas tenham sido originadas de sementes melhoradas para a produo de resina.

Efeitos da Resinagem

A resinagem, quando praticada sob moldes preconizados, no acarreta qualquer efeito ao lenho da rvore; portanto, a madeira no prejudicada desde que seja aproveitada em seguida.

A pesquisa e experimentao tem demonstrado que as rvores que sofrem resinagem, mesmo por perodos longos, no apresentam qualquer defeito no lenho que venha a depreciar a madeira. Quando a rvore deixada na floresta por muito tempo pode ocorrer o apodrecimento do lenho no local da resinagem.

Na grande prtica observa-se que os serradores de rvores resinadas colocam restries, afirmando que a madeira dessas rvores fica mais dura. Visualmente percebe-se que a madeira de uma rvore resinada de espcie Pinus elliottii fica mais avermelhada, dando-lhe um aspecto mais bonito.

A resina bruta uma substncia inflamvel, de cor branco-amarelada, de boa fluidez (exceto algumas espcies), pelo alto contedo de terebentina, insolvel em gua e solvel em lcool etlico.

A resina ou goma resina ao sair de floresta acondicionada em tambores de 200 litros, envolvida em sacos plsticos, evitando assim o seu contato com as paredes do tambor. Em razo do mtodo de coleta, a resina contm impurezas tais como acculas, casca, gua, dentre outras, portanto requer uma filtrao prvia para dar incio ao processo industrial. A resina sob destilao se decompe em dois subprodutos: breu ou colofnia que slido e uma parte voltil chamada terebentina ou aguarrs.

Destilao da Resina

O breu usado na indstria de tintas e vernizes, cola para papel, na produo de plsticos, lubrificantes, adesivos, borracha sinttica e chicletes.

Uso do Breu na Industrializao

A terebentina, que um lquido oleoso, transparente, tem aplicao como solvente de certas tintas especiais, como matria-prima de indstrias orgnicas e farmacuticas. O principal componente da terebentina o pineno, utilizado como matria-prima para produo de cnfora sinttica, borneol, isoborneol e leo de pinho. Desses produtos obtm-se as resinas terpnicas. A terebentina transformada em leo de pinho, resinas terpnicas, inseticidas, aromatizantes, fragrncias, perfumes e solventes.

Material extrado do:

RESINAGEM: Manual Tcnico

Marco A. de O. Garrido, Rogrio dal Poz, Jos A. de Freitas, Fin T. Rocha, Leda M. do A. G. Garrido.

Instituto Florestal, CINP. Secretaria do Meio Ambiente, 1998.

Maio/2003