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REVISTA DA MADEIRA - EDIÇÃO N°68 - DEZEMBRO DE 2002

Qualidade

Qualidade

Estima-se que, no cenrio macroeconmico nacional, os setores de madeira, papel e celulose tenham representado em 2000, 2% do PIB. Isto caracteriza um montante de aproximadamente US$12 bilhes. Deste montante, o setor madeireiro responde por aproximadamente US$ 5,5 bilhes, enquanto que US$ 6,5 bilhes correspondem ao setor de celulose, papel e papelo.

A indstria de mveis experimentou mudanas significativas em sua base produtiva. O salto tecnolgico possibilitou o crescimento expressivo das exportaes que atingiram um patamar superior a US$300 milhes a partir de 1995, alcanando US$ 508 milhes em 2001. Sete plos moveleiros regionais esperam alcanar a marca de US$ 2,5 bilhes em exportaes nos prximos 3 anos. A indstria de madeira compensada, por sua vez, atingiu US$ 360 milhes em exportaes no ano de 2001 e a industria de madeira processada mecanicamente atingiu a marca de US$1,49 bilho

Neste contexto os produtos oriundos da atividade florestal, pela explorao de madeira como matria-prima, tornam a atividade auto-sustentvel, tendo em vista que o recurso madeireiro renovvel, o consumo de energia para elaborao de produtos menor, quando comparada com outros produtos como ferro, ao tijolos e ainda, ambientalmente corretos, j que so reciclveis e biodegradveis.

Com as tendncias mundiais de valorizao ambiental e cobranas da sociedade por alternativas menos danosas ao ambiente a atividade industrial madeireira tender a consolidar-se e a fortalecer-se. Ainda neste contexto, a explorao adequada dos recursos florestais torna-se obrigatrio por dois motivos bvios: o primeiro relativo a valorizao ambiental dos recursos florestais, e o segundo estritamente econmico uma vez que, a viabilizao de produo s ocorre com a racionalizao no uso integral de matria-prima e meios de produo.

Historicamente, a expanso das fronteiras agrcolas gerou o processo de destruio da cobertura florestal nativa dos Estados da regio Sul do Brasil. O processo de ocupao de terras vinculado ao incentivo a entrada de imigrantes europeus nesta regio tornou a cobertura florestal um entrave ao avano da agricultura nestas reas, num processo semelhante ao que ocorre hoje nas regies Centro-Oeste e Norte do Brasil, onde a atividade madeireira no constitui-se numa atividade econmica produtiva e sustentvel, mas simplesmente numa atividade extrativista.

A explorao madeireira no Sul do Brasil inicialmente esteve mais voltada a utilizao da madeira de pinho (Araucria angustifolia), em virtude da existncia de extensas florestas desta espcie e de sua qualidade e preferncia no mercado externo. Alm disto as madeiras de lei podiam ser encontradas em outras regies.

A explorao e exausto das reservas nativas provocaram a desmobilizao ou inviabilizao de alguns segmentos da indstria madeireira. Alguns destes segmentos, comprometidos com o suprimento de matria-prima, passaram a recorrer a outros estados, buscando madeiras j inexistentes no Sul do pas, marcadamente no Paraguai, Centro-Oeste e Norte do Brasil.

A lei de incentivos fiscais, criada em 1966, permitiu que as empresas aplicassem parte de seu imposto devido em reflorestamentos. O resultado desta iniciativa foi a imediata ampliao da rea de florestas plantadas no pas, especialmente com espcies exticas como eucaliptos e pinus. Os primeiros reflorestamentos incentivados foram feitos com o objetivo de produzir matria-prima para a indstria de papel e celulose e a produo de energia, sob a forma de carvo vegetal para a metalurgia. A poltica de incentivos fiscais voltou-se especialmente para as espcies exticas, com destaque para o pinus. Antes dos anos 60 o setor madeireiro se desenvolvia a partir da disponibilidade natural de matria-prima. Posteriormente ocorreu uma reverso de tendncias. A indstria procurou a reconstituio de reservas florestais, recompondo sua matria-prima.

Atualmente a disponibilidade de matria-prima para as indstrias reside basicamente nos plantios oriundos da poltica de reflorestamento ou em plantios prprios. Devido as condies favorveis de desenvolvimento encontradas no pais, as rvores de florestas plantadas com exticas atingem dimenses comercializveis em menor idade que em condies naturais de desenvolvimento. As propriedades da madeira cultivada so diferentes daquelas de florestas naturais. Os principais problemas relacionados com o processamento e a utilizao de florestas manejadas no Brasil esto relacionadas principalmente com as diferentes propriedades devido ao crescimento acelerado.

Para se alcanar xito no uso dos recursos florestais, provenientes de reflorestamentos, os conceitos tradicionais devem ser modificados e adaptados s caractersticas da matria-prima disponvel. Estas adaptaes devem ser feitas especialmente no que concerne aos crescentes ndices percentuais de lenho juvenil existente no lenho das rvores de rpido crescimento, que foram absorvidos pela indstria de papel e celulose, mas que precisa ser analisada com cautela quando da produo de madeira serrada para mveis, laminados, faqueados e produtos com finalidade estrutural, para construo civil.

O conceito genrico atual de que a madeira de pinus, oriunda de reflorestamentos, do sul do Brasil de qualidade muito pobre, em termos de resistncia. Os fatores que afetam as propriedades mecnicas da madeira, ainda no esto suficientemente estudados para espcies oriundas de reflorestamentos. Estas caractersticas dependem das praticas silviculturais e de manejo adotadas, voltadas para os aumentos de rendimento e reduo de custos em detrimento das propriedades de resistncia. Neste sentido, torna-se necessrio o estudo destes fatores e de sua influncia sobre madeiras de plantios artificiais, visando sua utilizao estrutural.

Valores Mdios de Propriedades de Resistncia Flexo Esttica de Pinus taeda e Pinus elliottii., Lenhos Juvenil e Adulto, em rvores com 18 e 30 anos de idade crescidos no Brasil e nativo dos EUA.

Principais Problemas Tecnolgicos

O uso efetivo da madeira de pinus ocorre na forma de madeira serrada, na forma de laminados e faqueados compondo chapas compensadas, na forma de fibras para produo de polpa e papel e constituindo os painis MDF (medium density fiberboard), na forma de madeira particulada na composio de chapas aglomeradas e mais recentemente como partculas orientadas na composio de chapas OSB (oriented strand board).

O uso da madeira na forma macia tem como principal problema herdar os defeitos inerentes da madeira que foi obtida em programas de manejo voltados eminentemente para produo de celulose. Programas de podas e desbastes visando a produo de "madeira limpa" foram desconsiderados nestes projetos, com raras excees. Com o aumento da demanda por matria-prima em substituio s madeiras nativas, a indstria de laminao tendo como requisitos bsicos toras de grande dimetro e isentas de ns, foi a primeira a enfrentar problemas de obteno de toras de qualidade. A indstria moveleira tendo nos plos de Bento Gonalves e So Bento do Sul os maiores produtores e exportadores de mveis de madeira macia, tambm sente os reflexos da compra de madeiras de plantios de pinus manejados nas mais diversas formas.O uso da madeira na forma de partculas ou fibras no requer qualidade dos plantios, nos moldes exigidos pelos demais segmentos do setor moveleiro.

Dois aspectos devem ser considerados no uso da madeira de pinus; o primeiro relativo a matria-prima, especialmente a presena de ns, a susceptibilidade ao ataque de insetos e fungos, e a baixa resistncia devido ao rpido crescimento das rvores, e o segundo relativo aos problemas de processamento, especialmente a secagem, colabilidade e usinabilidade. Estes problemas tecnolgicos podem ser controlados diretamente na floresta, atravs de planos de manejo florestal voltado para produo de madeira macia ou laminada, no melhoramento gentico e em prticas silviculturais como a desrama. Industrialmente, o uso adequado de programas de secagem e tcnicas e equipamentos adequados para processamento da madeira podem resultar em maior rendimento e qualidade. O aspecto relacionado com a alta capacidade produtiva da espcie tambm deve ser explorado como uma vantagem pelos diversos segmentos do setor industrial madeireiro na busca de aumento de exportaes de produtos com qualidade.



Qualificao da Madeira de Pinus

Os principais aspectos a serem considerados na seleo de madeiras de pinus para mveis so o custo, a disponibilidade, a aparncia, as propriedades e a durabilidade.

Atualmente o custo da madeira mostra-se compatvel, mas este item est diretamente relacionado com a disponibilidade. As projees de falta de matria-prima nos prximos anos preocupam os empresrios do setor. Como parte desta realidade, no polo moveleiro de So Bento do Sul j se adquire matria-prima oriunda da Argentina.

No aspecto aparncia, sendo madeira clara pode ser tratada com produtos qumicos que lhe conferem aspectos os mais diversificados. Inclusive com excelente aceitao no mercado americano e europeu.



Na seleo de madeira de pinus para uso na construo civil, existem dois caminhos; a seleo criteriosa de peas atravs de aspectos visuais ou mtodos no destrutivos, ou a reconstituio em produtos estruturais como vigas laminadas coladas, painis compensados estruturais, painis de lminas paralelas ou LVL (laminated veneer lumber) e ainda os painis OSB e as vigas em I. A gerao de produtos "engenheirados" permite um maior controle de qualidade dos elementos estruturais a serem usados em situaes crticas. Tratamentos preservantes em autoclave conferem durabilidade e resistncia a agentes patognicos.

Com seu rpido crescimento favorecido pelas condies encontradas no Brasil, a madeira de pinus apresenta uma alta capacidade produtiva. Esta capacidade confere uma vantagem competitiva ao setor que procura expandir-se com qualidade. Com as exigncias mundiais de certificao de procedncia de plantios manejados, a tendncia de expanso das reas reflorestadas e uma maior aceitao no mercado mundial de produtos oriundos desta espcie. Localmente tem-se uma reduo da presso sobre as florestas nativas, o que repercute nos mercados externos, at mesmo pela atribuio de um "selo ecolgico".

Jorge Luis Monteiro de Matos

Universidade Federal do Paran

Departamento de Eng. e Tecnologia Florestal

jmatos@floresta.ufpr.br