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REVISTA DA MADEIRA - EDIÇÃO N°68 - DEZEMBRO DE 2002

Colheita

Colheita

A colheita da madeira e o transporte florestal em florestas plantadas so consideradas como uma das principais atividades na definio de custo de matria prima para as fbricas transformadoras de produtos, e representam em mdia 60% a 70% dos custos da madeira colocada no ptio das empresas.

Pode-se dizer que Paran, Santa Catarina e Rio Grande do Sul, possuem juntos aproximadamente 30% dos reflorestamentos no Brasil.

Na dcada de 60, comearam a surgir no Brasil as primeiras motosserras e iniciou-se tambm a utilizao de pequenos tratores agrcolas para o arraste de toras, e rudimentares carregadores florestais. No perodo de 1970, j com vrias fbricas de papel e celulose instaladas na regio, houve um incio no processo de melhorias dos equipamentos existentes, como o aumento de potncia e a diminuio do peso das motosserras, tratores agrcolas equipados com guinchos e garras (Miniskidders), e equipamentos hidrulicos para o carregamento de toras e de toretes em caminhes.

A dcada de 80 ficou marcada com o incio da utilizao de tratores derrubadores (Feller Bunchers) de faca e sabre em Pinus, procurando-se diminuir o contato do homem com a rvore e desta forma reduzir o risco de acidentes, melhorar as condies ergonmicas de trabalho e maximizar a disponibilidade operacional dos equipamentos em relao s condies climticas. Este perodo pode ser caracterizado como uma grande fase de racionalizao da mo de obra florestal, devido a sua escassez causada pela migrao de parte da mo de obra rural para as grandes cidades.

Os tratores de arraste tiveram tambm o seu grande impulso, pois a atividade com Feller proporcionava um pr-empilhamento das rvores, diminuindo assim o tempo gasto para o carregamento e aumentando sua produtividade. Surgiram tambm mtodos de desgalhamento com a utilizao de grades desgalhadoras. A qualidade das gruas utilizadas para o carregamento de caminhes aumentou, adquirindo cada vez mais capacidade de peso e agilidade. Esta dcada marcou um grande salto na histria da extrao de madeira no Brasil, a qual passou a ser chamada Colheita de Madeira quando referida a povoamentos de Pinus sp. e Eucaliptus sp. Porm, a dcada de 90 foi marcada pelos maiores avanos tecnolgicos na rea.

Em paralelo ao que ocorria no Brasil durante as pocas referidas, pases desenvolvidos do hemisfrio norte tomavam dianteira no desenvolvimento de equipamentos para colheita de madeira, surgindo assim basicamente dois grandes mercado produtores e consumidores de mquinas com filosofias de colheita de madeira bastante distintas. O primeiro corresponde aos pases escandinavos, voltados para os sistemas de colheita de madeira curta (Cut to Lenght), ou seja, com mquinas que efetuam a corte, desgalhamento e traamento no prprio local onde a rvore se encontra (cabeote de Harvesters e Harvesters), com o posterior baldeio da madeira para as beiras de estradas com tratores auto-carregveis (Forwarders) . O segundo corresponde aos pases da Amrica do Norte, com a filosofia de sistemas de colheita de madeira longa (Tree lenght), onde tratores derrubadores (Feller Bunchers) cortam as rvores e fazem feixes com as mesmas preparando-as para os tratores arrastadores (Skidders) que as levam para a beira das estradas onde as mesmas sero desgalhadas, traadas e carregadas sobre o caminho com a utilizao de tratores carregadores acoplados com equipamentos desgalhadores e traadores (Delimbers e Slashers).

A facilitao das importaes em 1993, fez com que alguns fabricantes e revendedores de equipamentos para colheita de madeira se voltassem ao mercado brasileiro, pois o mesmo representava o 6 maior mercado produtor de madeira do mundo, entre conferas e folhosas. A busca de equipamentos compatveis com as necessidades das empresas brasileiras levou abertura do mercado para os dois sistemas de colheita e, em apenas cinco anos, as maiores empresas do Paran e Santa Catarina, j usufruem destas novas tecnologias ou esto em estudo para a sua implantao. Maiores rendimentos, custos mais baixos, segurana nas operaes, menor dependncia da mo de obra e das condies climticas, refletindo em autonomia e independncia para o abastecimento com matria prima, so as grandes vantagens procuradas pelas empresas e oferecidas por estes sistemas com os novos equipamentos.

Sistemas de Colheita

De acordo com as condies locais, existe uma combinao de atividades manuais e mecnicas dentro de cada sistema de colheita de madeira. Estas condies baseiam-se essencialmente no comprimento das toras a serem retiradas da floresta. Desta forma no Brasil, possui-se basicamente 3 sistemas de colheita no que se refere matria prima:

1) Sistemas de toras curtas

Este sistema caracteriza-se pela realizao de todos os trabalhos complementares ao corte (desgalhamento, destopo, toragem ou traamento, e descascamento quando necessrios) no prprio local onde a rvore foi derrubada. As toras produzidas apresentam variaes de 1 a 6 metros, dependendo do ndice de mecanizao empregado. Para facilitar a mecanizao do sistema necessrio que a topografia seja favorvel. Este sistema tem grande utilizao nos pases europeus.

Entre as suas vantagens quando mecanizado, esto a facilidade de deslocamento a pequenas distncias, a baixa agresso ao meio ambiente principalmente em relao aos solos, e a possibilidade de utilizao em desbastes. Podemos citar como desvantagem o fato de tendncias futuras de aproveitamento de galhos, folhas e tocos para energia, polpa e papel, que ao invs de ficarem concentrados para seu posterior carregamento, ficariam dispersos, espalhados pelo talho.

2) Sistemas de toras longas ou fustes

Nesse caso, no local do corte da rvore faz-se o desgalhamento bem como o destopo da rvore. As operaes complementares de toragem (traamento) e o descascamento eventual so realizados a beira das estradas que circundam o talho, ou em ptios intermedirios de processamento. So sistemas desenvolvidos para terrenos mais acidentados, tanto que o transporte fsico das toras exige equipamentos sofisticados em razo do peso e da dimenso da madeira.

Este pode ser considerado como o sistema mais barato quando mecanizado, e sua principal raiz encontra-se nos pases norte americanos. As principais justificativas seriam a alta eficincia mecnica dos equipamentos quando comparados ao sistema anterior, o menor custo por tonelada de madeira posta no ptio das empresas e por permitirem uma maior maleabilidade na definio das atividades por mquinas em funo das condies do stio.

3) Sistemas de rvores inteiras

A utilizao desta alternativa implica na remoo da rvore para fora do talho, como operao subsequente ao corte. O processamento completo feito em local previamente escolhido. Esse sistema implica em elevado ndice de mecanizao e pode ser utilizado tanto nos terrenos planos como nos acidentados.

No caso de uma futura utilizao de biomassa para energia ou processo, o sistema poder ser muito utilizado pois, devido concentrao dos restos das rvores em determinado local, elimina o retrabalho do amontoamento que seria necessrio fazer em rea no sistema de madeira curta e parcialmente no sistema de toras longas ou fustes.

A aquisio e introduo de qualquer equipamento deve ser precedida de detalhado estudo referente aos custos e rendimentos envolvidos, infra-estrutura de assistncia tcnica dos fornecedores, logstica de planejamento e trabalho, e treinamentos dos operadores. Tambm deve ser acompanhada de servio de manuteno, avaliaes peridicas de resultados.

Na definio dos ndices de mecanizao nas diferentes atividades utilizadas em um sistema de colheita de madeira, geralmente se faz necessria a elaborao de relaes benefcio-custo (B/C) entre os diferentes equipamentos e at a nvel de sistema como um todo.

Procurando sempre aumentar esta relao (B/C) que os equipamentos de colheita de madeira evoluram. As principais fontes de anlise para elaborao destas relaes, so: condies climticas, produtividade, eficincia, disponibilidade mecnica, custo por unidade volumtrica de madeira em atividades equivalentes, assistncia tcnica, disponibilidade de peas e manuteno, impacto ambiental, danos floresta remanescente, treinamento e segurana, etc.

Os diferentes pontos analisados no tm necessariamente um mesmo peso sobre o total, devendo cada um sempre ser ponderado de acordo com os objetivos e necessidades de cada empresa.

Atividades dos Sistemas de Colheita

Corte

Incluem-se aqui as operaes de derrubada, desgalhamento, traamento, preparo da madeira para o arraste na forma de amontoamento, potencial descascamento no sistema de madeira curta, j no sistema de fuste, somente corte e desgalhamento e no sistema de rvore inteira somente a derrubada.

Em sistemas mecanizados, o corte em pinus no sul do Brasil, hoje j pode ser feito com diversos equipamentos nacionais e importados que se encontram disponveis no mercado. As principais linhas de equipamentos podem ser divididas em 2 grupos: tratores derrubadores empilhadores feller bunchers e tratores derrubadores com cabeotes processadores harvesters.

Desgalhamento e Traamento

A atividade de desgalhamento quase sempre vem acompanhada do traamento. No sul do Brasil, as formas mais comuns de desgalhamento e traamento so: manual com machado e motosserra, grade desgalhadora com motoserra, cabeote de harvester, desgalhador e traador mecnico. No sistema de fuste ou rvore inteira estas atividades ocorrem normalmente em ptios ou na beira da estrada.

A principal varivel de influncia no desgalhamento a qualidade do fuste exigida pela indstria consumidora.

Extrao

As operaes de extrao podem ser feitas por arraste, baldeao ou ser suspensa. A diferena est na forma como a carga extrada. Se a carga est em contato total ou parcial com o terreno, denomina-se arraste, caso de arraste animal, guinchos ,trator com barra e corrente, Miniskiderse Skiders e Climbank.. No caso em que a carga suspensa do solo, pode ser baldeio, havendo tambm as opes para madeira suspensa atravs de telefricos, helicpteros e bales.

Em condies topogrficas favorveis, vantajosa a utilizao do chamado transporte direto, onde o caminho do transporte principal entra diretamente na floresta, reduzindo o manuseio da madeira, pois as etapas de baldeio e transbordo so eliminadas. Porm , nem sempre a topografia favorece esse tipo de trabalho, pois esta atividade acarreta maiores danos superfcie do solo e so prejudiciais a sustentabilidade do ambiente e que hoje tem srias restries quando se procura a certificao de produtos.

No que se refere ao Brasil, o sistema de extrao de pinus mais utilizado desde o incio da dcada de 80 foi com o miniskidder (trator agrcola convencional modificado).

Carregamento

No sul do Brasil em escala de evoluo, podemos citar os seguintes sistemas de carregamento:

-carregamento manual;

-gruas hidrulicas acopladas a tratores agrcolas;

-carregadores frontais com mquinas base de rodas;

-escavadeiras com garras.

O carregamento pode ser distinguido em trs tipos, de acordo com o sistema de colheita de madeira empregado:

Carregamento do veculo na rea de corte para baldeio

Carregamento do veculo na rea pr-determinada ou em ptios, para transporte a longa distncia

Carregamento direto na rea de corte para o veculo que faz o transporte a longa distncia.

Descascamento

O descascamento mecnico tem sido realizado na rea de corte ou em ptios, ou beira de estradas estradas, sendo frequentemente efetuado por descascadores mveis do tipo anelar.

Atualmente, grande a preocupao de qualquer empresa na diminuio de custos atravs da racionalizao e otimizao das operaes existentes, a substituio de tecnologias se houver aumento significativo na relao custo-benefcio.

Outro aspecto importante nesta discusso, que nossas florestas (povoamentos de Pinus), possuem rotaes curtas e baixa qualidade quando comparadas com as florestas da Amrica do Norte, Finlndia, Sucia e outros (maiores centros mundiais produtores de madeiras de conferas). Sendo assim, o valor da madeira produzida por eles maior que a nossa, j que seus custos de colheita de madeira percentualmente so pequenos. Ou seja, para que as empresas nacionais possam trabalhar com maior folga, ou padres de custos mais elevados para colheita de madeira, necessrio aumentar a qualidade da madeira por ns produzida, e tambm agregar maior valor a estas florestas atravs de tcnicas de manejo mais adequadas.

Muito importante tambm a sustentabilidade do meio ambiente, analisando-se a colheita de madeira como parte de um todo e no como uma atividade separada. Para isto deve-se planejar desde a implantao do povoamento, o regime de manejo e a colheita visando a reimplantao, com meta para a qualidade da madeira produzida e a garantia dos mesmos padres de produtividade dos stios nas prximas rotaes.

Especificamente dentro do processo de mecanizao florestal no Brasil, observa-se que o perodo de maior evoluo ocorreu na dcada de 90, onde metade das empresas florestais do sul, que utilizam pinus, investiram em novos equipamentos.

Os principais fatores que esto acelerando este processo de mecanizao so a busca da diminuio do nmero de pessoas na atividade de colheita, e consequentemente do risco de acidentes, a reduo da dependncia da operao s condies climticas, aumento da produtividade /dia, diminuio dos custos alm da grande vantagem da garantia de abastecimento e da facilidade de planejamento.

A curto e mdio prazo, a colheita no Brasil ainda visar o baixo custo, porm, existe a tendncia para mudanas que diminuam principalmente as atividades que deformam o solo e que concentram restos de rvores (galhos e acculas) em determinados locais para queimas, visando mtodos que possibilitem o plantio direto. Os maquinrios mais promissores para este tipo de atividade so harvesters, forwarders e mquinas de esteiras, com fortes presses para o desaparecimento da grade desgalhadora que grande causadora de compactao.

Perspectivas a longo prazo so muito vulnerveis, contudo os sistemas de colheita de madeira iro depender do nvel de conscientizao e planejamento das empresas, tomadas com a visualizao da insero de seus produtos nos futuros mercados. No se pode deixar de citar que presses econmicas para vender produtos ambientalmente sadios j so um dos principais pontos que devem ser levados em considerao.

Os maquinrios futuros, provavelmente atentaro cada vez mais para a versatilidade, principalmente para a colheita de madeira em regies com declividade acentuada e em regies plantadas em curva de nvel.

Rafael Alexandre Malinovski

Jorge Roberto Malinovski - UFPR MAIO/2003