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REVISTA DA MADEIRA - EDIÇÃO N°68 - DEZEMBRO DE 2002

PMVA

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A expanso das florestas plantadas, iniciada em 1967, favoreceu dois importantes segmentos do mercado de madeira: celulose e papel e madeira processada mecanicamente.

Entretanto, mudanas na estrutura dos mercados e no perfil de comercializao das madeiras de reflorestamento tm ocorrido ao longo dos anos. Tais mudanas so devidas s flutuaes na oferta e demanda de matria-prima e produto, e ocorrem tanto no mercado nacional quanto internacional, e tm feito com que os mercados se desdobrem em diferentes sub-setores e nichos mais especializados de usos para as madeiras de florestas plantadas, especialmente o Pinus.

Um bom exemplo visto nas variaes que ocorrem ciclicamente no setor de celulose e papel, resultando em aumento e reduo dos volumes de polpa e papel produzidos, que resultam no aumento ou reduo da rea de florestas plantadas e s vezes, at mesmo na substituio das essncias utilizadas.

O setor visualizou oportunidade de diversificao da produo e passou a conduzir parte de suas florestas com diferentes espcies ou variedades, sob distintos sistemas de manejo, visando produzir tambm madeira slida. A produo pode destinar-se ao fornecimento de toras a terceiros ou avanando na cadeia produtiva, produzir madeira serrada e seca em estufa para comercializao, ou ainda, o produto final.

Mudanas mais evidentes existem quando h um redirecionamento radical no destino da floresta, como de carvo para madeira serrada. O resultado de tais mudanas que tradicionais mercados se redimensionam, criando segmentos e nichos especficos de usos para as madeiras cultivadas em florestas plantadas.



Mveis

A indstria moveleira, especialmente a de mveis seriados, se caracteriza por alta velocidade e grandes volumes de produo. Para manter tais caractersticas, tpicas do segmento, e que garantem a sua competitividade, as empresas moveleiras requerem matrias-primas que apresentam propriedades uniformes, especialmente no que se refere densidade, cor e caractersticas tecnolgicas.

Qualquer variao substancial de caractersticas e propriedades da matria-prima usada afeta diretamente a produtividade dos processos industriais de produo e a qualidade do produto final.

Outras caractersticas requeridas pela indstria moveleira referem-se ao suprimento industrial de matrias-primas, que deve ser constante, a preos competitivos, atendendo aos requisitos de dimenso e volumes.

Neste segmento, as caractersticas das matrias-primas so encontradas na madeira slida, proveniente de reflorestamento, principalmente pinus, mas tambm nos painis base de madeira: compensados, sarrafeados, aglomerados, chapas de fibras, MDF ou OSB.

Da produo brasileira de madeira serrada, estima-se que 15% sejam destinados indstria de mveis, sendo deste total, cerca de um tero originrio de florestas plantadas, especialmente pinus. Assim o setor moveleiro se utiliza de madeira slida, especialmente para mveis destinados exportao, de no mnimo, 1 milho de m /ano de madeira de reflorestamento, principalmente pinus, com caractersticas uniformes e mnimos defeitos.

A madeira de pinus est presente no mercado de exportao, na forma de mveis de madeira, frequentemente certificada em cadeia de custdia. Exemplos marcantes podem ser vistos nos plos moveleiros de So Bento do Sul (SC) e, embora ainda incipiente, em Bento Gonalves (RS).



Construo civil

A escassez de madeiras nativas para a construo civil, seja em conseqncia do alto preo ou de presses ambientais, faz com que o mercado busque substituir estas espcies por outras, mais abundantes, disponveis a preos competitivos ou ambientalmente corretas. Tais caractersticas so encontradas nas madeiras de florestas plantadas, homogneas e de rpido crescimento, em especial no pinus.

Respeitando-se as caractersticas da madeira, com relao s suas propriedades. Vantagens e limitaes, a madeira de pinus tem se prestado admiravelmente bem ao uso como material de construo, especialmente na forma de tbuas, pontaletes e vigotas, caibros e ripas. Esta madeira, em vigas laminadas e coladas, tem sido empregada tambm na construo de edifcios multiuso, com estruturas do tipo prtico leve, destinados a centros de reunio, escolas, escritrios, salas de aulas e outras finalidades. Estes edifcios contam com componentes de estruturas fabricados em madeira, com peas delgadas, formando estruturas leves, que transmitem os esforos e as cargas s fundaes atravs de uma nica base.

Nichos de mercado mais sofisticados e especficos podem ser encontrados tambm na rea estrutural, que pode absorver madeiras de menor densidade e resistncia mecnica, para estruturas de prticos leves, trelias, vigas laminadas e coladas, compostas com painis compensados, componentes estruturais e outros.



Valor agregado

De comercializao recente, a madeira sem defeitos e de pequenas dimenses ( clear blocks & blanks) surgiu no mercado no incio das exportaes de pinus serrado, por volta de 1994/95. Embora no definido em normas tcnicas nacionais, mas conhecido no mercado como "clear blocks" ou "clears", o produto refere-se s peas de madeira serrada de pequenas dimenses, isentas de defeitos (ns e imperfeies visuais).

A comercializao dos clear blocks d-se principalmente no mercado de exportao. Destinam-se molduras, esquadrias, revestimentos, partes e peas aparentes de mveis, ou so vendidos diretamente aos consumidores para uso prprio (do-it-yourself) ou bricolagem. Os clears, quando emendados nos topos por finger joint, formam peas mais longas - blanks.

O mercado requer homogeneidade das peas e iseno de defeitos. Os clears so obtidos por re-beneficiamento da madeira serrada, com ajuste de dimenses e eliminao de defeitos, ns e outras imperfeies. Defeitos proibitivos so ns, medula, variao de cor, empenamentos e rachaduras de qualquer tipo. A secagem em estufa e a equalizao da umidade 12% (base seca) so condies impostas pelo mercado, alm de sobre-medida para absorver o ajuste s dimenses finais.

As dimenses dos clears so bastante flexveis: espessuras desde 33,3 mm (1.5/16") at 38,1 mm (1.1/2"); larguras desde 46,9 mm (1.7/8") at 142,9 mm (5.5/8"); e comprimentos acima de 150 mm (6"). O aproveitamento da madeira serrada na fabricao deste produto alto. Experimento recente, desenvolvido para viabilizar a produo de clears para exportao, aproveitou 75% do volume total de madeira serrada seca em estufa obtido.

A produo brasileira de clears est em franca expanso, assim como sua exportao. Um exemplo pode ser visto nas importaes de clear blocks & blanks de pinus (Pinus elliottii e P. taeda) pela Boise Cascade dos Estados Unidos, a partir dos portos de So Francisco do Sul e Itaja (SC), no perodo entre abril de 1999 e maro de 2000. As importaes alcanaram aproximadamente 16.300 m ao valor de US$ 6,37 milhes, ou sejam, cerca de US$ 390/m (CIF).

Os clears so produzidos principalmente com pinus, favorecido pelo mercado por ser leve e de cor clara.

Com preos internacionais entre US$ 200 e US$ 300/m FOB verificados, a exportao de clears ainda apresenta variaes, mas sua aceitao pelo mercado encorajadora.

A produo de madeira serrada beneficiada apresenta grandes oportunidades para agregar valor aos seus produtos, especialmente aqueles destinados a exportao. Isto representa um conjunto novo de oportunidades e nichos de mercado, at agora apenas explorados de maneira incipiente, para as madeiras de reflorestamento.

Os mercados operam em crescimento para outros produtos de maior valor agregado, como os painis colados lateralmente (edge glued panels - egp), exportados a US$ 510 a 570/m , molduras, com preos variveis de US$ 150 a 296/m, tbuas para cercas (fencing boards), em mdia a US$ 175/m (CIF), e janelas, portas e esquadrias, alm de vigas laminadas e outros produtos.

Uma viso rpida dos mercados para produtos de maior valor agregado de madeiras de florestas plantadas, especialmente pinus, mostra sua diversidade, as possibilidades de expanso e desdobramento, e a capacidade de absorver quaisquer quantidades produzidas.

evidente que o produto, nas suas mais variadas formas pode ser bem remunerado, desde que seja atendida a condio de que os mercados favorecem a agregao de valor e de qualidade.

Marcio Augusto R. Nahuz, PhD IPT So Paulo