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Notícias
22
nov
2005
(GERAL)
Cai índice nacional de queimadas.
Agosto encerrou-se com uma inusitada reversão nos índices de focos de fogo, registrados pelos satélites NOAA e processados pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) e Embrapa Monitoramento por Satélite (CNPM). Embora tenha havido um crescimento, em relação aos meses de junho e julho, o total de agosto foi bem inferior ao esperado, com base nos balanços de agosto dos anos anteriores: 29.778 focos ou 38% a menos do que os 48.182 focos de agosto de 2002 e 8% a menos do que os 32.503 focos de agosto de 2001. Ainda é cedo para generalizar a boa notícia, pois a temporada de fogo ainda se estende por mais três meses, pelo menos. Mas os sinais são alentadores, uma vez que não se registram chuvas fortes e, portanto, a redução pode ser atribuída a fatores humanos.
A queda mais significativa ocorreu no Pará, que passou de 16.120 focos, detectados em agosto do ano passado, para os 5.921 pontos de fogo deste ano. No Mato Grosso, também houve uma grande redução, de 14.722 para 9.447 focos. Os índices diminuíram igualmente no Maranhão e Tocantins e na maioria dos estados fora da Amazônia.
Na contramão da tendência geral, no entanto, houve aumento do número de focos nos estados do Acre e Rondônia. Neste mês de agosto, o total de pontos de fogo detectados no Acre foi de 725 contra apenas 233, em igual período do ano passado. Em Rondônia, a diferença é ainda maior: foram 4.174 focos, em agosto de 2003, contra 1.892, em agosto de 2002. Os locais de alta concentração de queimadas, em ambos os estados, não são de ocupação recente, mas o aumento das queimadas pode ser indicativo de intensificação da ocupação. No Acre, o fogo se concentrou ao longo das duas principais estradas, saindo de Rio Branco: a BR-364, que segue na direção oeste, para Sena Madureira e Cruzeiro do Sul e a BR-317, que segue para o sul, em direção a Xapuri e Brasiléia. Em Rondônia, as queimadas foram detectadas nas áreas de colonização, em torno de Ariquemes, Monte Negro, Ouro Preto D’Oeste e Jaru, mais ao norte, e na Chapada dos Parecis, a sudoeste de Pimenta Bueno.
Novas frentes
Outra alteração digna de nota vem ocorrendo no extremo sudeste do Amazonas, na divisa com Mato Grosso e Rondônia. Ali, onde praticamente não há estradas e a ocupação tradicional era incipiente, com alguns ribeirinhos espalhados nas margens dos cursos d’água, agora existe uma nova fronteira agrícola. E os índices de fogo refletem a mudança no uso da terra: em agosto passado, os satélites detectaram 254 focos naquela região, mais do que os 224 contabilizados nos seis meses de monitoramento da estação seca do ano passado (junho a novembro). “Há uma expansão da soja, nas áreas de campos, e uma pressão de migração, proveniente dos estados vizinhos”, reconhece Virgílio Viana, secretário de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável do Amazonas.
As novas frentes avançam sobre ecossistemas distintos, atingindo tanto uma mancha de cerrado natural - ao sul de um ramal rodoviário, que sai da BR-230 (Transamazônica) e liga Maful a Igarapé Preto – quanto a floresta repleta de nascentes, por onde passam os rios Aripuanã, Roosvelt, Guariba e Maracanã. Segundo o secretário, no zoneamento estadual, a mancha de cerrado foi considerada apta para a agricultura industrial, com desmatamentos autorizados de até 65% das propriedades. Já na área de floresta, ele pretende implantar um sistema de reservas de desenvolvimento sustentável e áreas de proteção, para tentar conter a degradação ambiental “Serão áreas de manejo florestal não madeireiro, com planos para aproveitamento econômico de castanha e cipó titica, usado no lugar da fibra de junco”, diz. Viana já anuncia amanhã (5/9), um primeiro pacote de unidades de conservação estaduais, totalizando 4,2 milhões de hectares a serem protegidos.
Liana John
Fonte: Estadão
05/set/03
A queda mais significativa ocorreu no Pará, que passou de 16.120 focos, detectados em agosto do ano passado, para os 5.921 pontos de fogo deste ano. No Mato Grosso, também houve uma grande redução, de 14.722 para 9.447 focos. Os índices diminuíram igualmente no Maranhão e Tocantins e na maioria dos estados fora da Amazônia.
Na contramão da tendência geral, no entanto, houve aumento do número de focos nos estados do Acre e Rondônia. Neste mês de agosto, o total de pontos de fogo detectados no Acre foi de 725 contra apenas 233, em igual período do ano passado. Em Rondônia, a diferença é ainda maior: foram 4.174 focos, em agosto de 2003, contra 1.892, em agosto de 2002. Os locais de alta concentração de queimadas, em ambos os estados, não são de ocupação recente, mas o aumento das queimadas pode ser indicativo de intensificação da ocupação. No Acre, o fogo se concentrou ao longo das duas principais estradas, saindo de Rio Branco: a BR-364, que segue na direção oeste, para Sena Madureira e Cruzeiro do Sul e a BR-317, que segue para o sul, em direção a Xapuri e Brasiléia. Em Rondônia, as queimadas foram detectadas nas áreas de colonização, em torno de Ariquemes, Monte Negro, Ouro Preto D’Oeste e Jaru, mais ao norte, e na Chapada dos Parecis, a sudoeste de Pimenta Bueno.
Novas frentes
Outra alteração digna de nota vem ocorrendo no extremo sudeste do Amazonas, na divisa com Mato Grosso e Rondônia. Ali, onde praticamente não há estradas e a ocupação tradicional era incipiente, com alguns ribeirinhos espalhados nas margens dos cursos d’água, agora existe uma nova fronteira agrícola. E os índices de fogo refletem a mudança no uso da terra: em agosto passado, os satélites detectaram 254 focos naquela região, mais do que os 224 contabilizados nos seis meses de monitoramento da estação seca do ano passado (junho a novembro). “Há uma expansão da soja, nas áreas de campos, e uma pressão de migração, proveniente dos estados vizinhos”, reconhece Virgílio Viana, secretário de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável do Amazonas.
As novas frentes avançam sobre ecossistemas distintos, atingindo tanto uma mancha de cerrado natural - ao sul de um ramal rodoviário, que sai da BR-230 (Transamazônica) e liga Maful a Igarapé Preto – quanto a floresta repleta de nascentes, por onde passam os rios Aripuanã, Roosvelt, Guariba e Maracanã. Segundo o secretário, no zoneamento estadual, a mancha de cerrado foi considerada apta para a agricultura industrial, com desmatamentos autorizados de até 65% das propriedades. Já na área de floresta, ele pretende implantar um sistema de reservas de desenvolvimento sustentável e áreas de proteção, para tentar conter a degradação ambiental “Serão áreas de manejo florestal não madeireiro, com planos para aproveitamento econômico de castanha e cipó titica, usado no lugar da fibra de junco”, diz. Viana já anuncia amanhã (5/9), um primeiro pacote de unidades de conservação estaduais, totalizando 4,2 milhões de hectares a serem protegidos.
Liana John
Fonte: Estadão
05/set/03
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