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Notícias
22
nov
2005
(GERAL)
Produtos não madeireiros da Mata Atlântica buscam certificação.
Programa de Sustentabilidade e Certificação, coordenado pelo Conselho da Reserva da Biosfera, profissionaliza manejo de erva-mate, palmito e piaçava.
Um programa de sustentabilidade e certificação de produtos florestais não madeireiros da Mata Atlântica está transformando pequenos extrativistas em produtores racionais de erva-mate, palmito e piaçava, ao mesmo tempo em que promove a recuperação de fragmentos de floresta. Iniciado em outubro de 2000, o programa é coordenado pelo Conselho Nacional da Reserva da Biosfera da Mata Atlântica (CNRBMA) e realizado em parceria com as entidades ambientalistas Fundação SOS Mata Atlântica, Instituto de Manejo e Certificação Florestal e Agrícola (Imaflora) e Instituto de Estudos Sócio Ambientais do Sul da Bahia (IESB).
Juntos, eles lançaram, hoje (26/8), em Registro, no interior paulista, a cartilha “Recursos Naturais da Mata Atlântica: Manejo Sustentável e Certificação”, organizada por Luciana Lopes Simões e Maurício Sedrez dos Reis, que orienta os produtores a buscar o selo verde e profissionalizar o extrativismo, seguindo parâmetros socioambientais. “No sul do Brasil, o manejo da erva mate (Ilex paraguaiensis), sombreada pela floresta, já foi certificado. Agora estamos trabalhando com este objetivo também com os palmiteiros do Vale do Ribeira, em São Paulo, e produtores de piaçava, da região de Canavieiras e Ilhéus, no sul da Bahia”, conta o gerente executivo do programa, o biólogo Domingos Bernardi Neto, do CNRBMA.
No Vale do Ribeira, cerca de 50 palmiteiros de 4 comunidades quilombolas – Ivaporunduva, Pedro Cubas, - estão aprendendo a enriquecer a floresta, plantando sementes e mudas de palmito juçara (Euterpe edulis). Eles querem chegar a uma densidade de 700 plantas de palmito por hectare, que seria o natural para aquela região, se não houvesse exploração predatória. “Com esta densidade é possível fazer um manejo sustentável e ainda favorecer a recuperação da floresta, pois o palmito é um incentivo direto a toda a cadeia alimentar ou ecológica, servindo de alimento para vários animais, que por sua vez dispersam outras sementes nativas”, diz Bernardi. Ele observa, que os produtores também estão aprendendo a garantir a diversidade genética, ao plantar sementes de várias matrizes, e a seguir um plano estratégico de mercado, para assegurar maior valor agregado ao produto final.
“O grande problema ainda é o roubo de palmito”, continua o gerente do programa. “Por isso preferimos trabalhar com comunidades, que têm mais condição de controlar a entrada de gente de fora nas matas, mas mesmo assim ainda é um desafio”. Já com a piaçava (Attalea funifera), na Bahia, o problema de roubo é menor, assim como o impacto da extração, pois a árvore não é cortada, como o palmito, e o produtor volta a colher da mesma planta, a cada safra. “A piaçava é ainda mais interessante para a recuperação da mata, por ser uma pioneira e favorecer o crescimento de várias outras espécies nativas. Normalmente a planta macho fica dentro do remanescente florestal e as fêmeas na borda da mata. Como estas são muito visitadas por aves e roedores, dispersores de sementes, acabam ajudando a mata a ganhar terreno, mesmo sobre antigas pastagens degradadas”, afirma Domingos Bernardi.
Cerca de 50 a 60 pequenos produtores de piaçava já estão no programa de certificação, em vias de obter um selo verde semelhante ao da erva mate. Com isso, poderão negociar melhor seus produtos no mercado. O quilo da erva mate vendida no sul do país fica em torno de R$1,70, enquanto na exportação, com selo verde e garantia de produto orgânico, a mesma quantidade chega a alcançar 3 euros.
Liana John
Fonte: Estadão
27/ago/03
Um programa de sustentabilidade e certificação de produtos florestais não madeireiros da Mata Atlântica está transformando pequenos extrativistas em produtores racionais de erva-mate, palmito e piaçava, ao mesmo tempo em que promove a recuperação de fragmentos de floresta. Iniciado em outubro de 2000, o programa é coordenado pelo Conselho Nacional da Reserva da Biosfera da Mata Atlântica (CNRBMA) e realizado em parceria com as entidades ambientalistas Fundação SOS Mata Atlântica, Instituto de Manejo e Certificação Florestal e Agrícola (Imaflora) e Instituto de Estudos Sócio Ambientais do Sul da Bahia (IESB).
Juntos, eles lançaram, hoje (26/8), em Registro, no interior paulista, a cartilha “Recursos Naturais da Mata Atlântica: Manejo Sustentável e Certificação”, organizada por Luciana Lopes Simões e Maurício Sedrez dos Reis, que orienta os produtores a buscar o selo verde e profissionalizar o extrativismo, seguindo parâmetros socioambientais. “No sul do Brasil, o manejo da erva mate (Ilex paraguaiensis), sombreada pela floresta, já foi certificado. Agora estamos trabalhando com este objetivo também com os palmiteiros do Vale do Ribeira, em São Paulo, e produtores de piaçava, da região de Canavieiras e Ilhéus, no sul da Bahia”, conta o gerente executivo do programa, o biólogo Domingos Bernardi Neto, do CNRBMA.
No Vale do Ribeira, cerca de 50 palmiteiros de 4 comunidades quilombolas – Ivaporunduva, Pedro Cubas, - estão aprendendo a enriquecer a floresta, plantando sementes e mudas de palmito juçara (Euterpe edulis). Eles querem chegar a uma densidade de 700 plantas de palmito por hectare, que seria o natural para aquela região, se não houvesse exploração predatória. “Com esta densidade é possível fazer um manejo sustentável e ainda favorecer a recuperação da floresta, pois o palmito é um incentivo direto a toda a cadeia alimentar ou ecológica, servindo de alimento para vários animais, que por sua vez dispersam outras sementes nativas”, diz Bernardi. Ele observa, que os produtores também estão aprendendo a garantir a diversidade genética, ao plantar sementes de várias matrizes, e a seguir um plano estratégico de mercado, para assegurar maior valor agregado ao produto final.
“O grande problema ainda é o roubo de palmito”, continua o gerente do programa. “Por isso preferimos trabalhar com comunidades, que têm mais condição de controlar a entrada de gente de fora nas matas, mas mesmo assim ainda é um desafio”. Já com a piaçava (Attalea funifera), na Bahia, o problema de roubo é menor, assim como o impacto da extração, pois a árvore não é cortada, como o palmito, e o produtor volta a colher da mesma planta, a cada safra. “A piaçava é ainda mais interessante para a recuperação da mata, por ser uma pioneira e favorecer o crescimento de várias outras espécies nativas. Normalmente a planta macho fica dentro do remanescente florestal e as fêmeas na borda da mata. Como estas são muito visitadas por aves e roedores, dispersores de sementes, acabam ajudando a mata a ganhar terreno, mesmo sobre antigas pastagens degradadas”, afirma Domingos Bernardi.
Cerca de 50 a 60 pequenos produtores de piaçava já estão no programa de certificação, em vias de obter um selo verde semelhante ao da erva mate. Com isso, poderão negociar melhor seus produtos no mercado. O quilo da erva mate vendida no sul do país fica em torno de R$1,70, enquanto na exportação, com selo verde e garantia de produto orgânico, a mesma quantidade chega a alcançar 3 euros.
Liana John
Fonte: Estadão
27/ago/03
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