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REVISTA DA MADEIRA - EDIÇÃO N°69 - FEVEREIRO DE 2003

Transporte

Mecanizao florestal mostra evoluo

As mquinas de colheita e transporte florestal apresentam hoje avanos na eletrnica e automao, com a introduo de novos sistemas de controle suportados por softwares e novas unidades de monitoramento dos sistemas.

Em uma anlise sobre o desenvolvimento tecnolgico de mquinas e equipamentos de colheita florestal no Brasil, nas ltimas dcadas, constata-se uma evoluo bem distinta em pocas que marcaram uma necessidade de aumento de produtividade e otimizao de custos. A partir do ano 2000 as mquinas mais utilizadas pela maioria das empresas para corte e processamento passaram a ser os novos modelos de cabeotes e mquinas base, alm de cavaqueadores. Para extrao os novos modelos de Forwarders, Clambunks, skilines e track skidder e para carregamento os novos modelos de gruas florestais com joysticks e garras montadas em escavadeiras.

O principal objetivo da mecanizao florestal a obteno do menor custo de produo no processo de colheita florestal, que composto por corte, extrao e transporte. Entre os benefcios da mecanizao esto: reduo de mo de obra; facilidade de gerenciamento do processo, aumento da produtividade, aumento da qualidade, aumento da eficincia, reduo dos custos operacionais, reduo dos impactos ambientais, possibilidade de operao 24 horas em condies climticas, reduo dos acidentes de trabalho e melhores condies ergonmicas para o trabalhador.

A tecnologia empregada nas mquinas atuais continua se desenvolvendo com uma maior aplicao da mecatrnica, avano na eletrnica e automao com a introduo de novos sistemas de controle suportados por softwares e novas unidades de monitoramento dos sistemas.

A absoro da alta tecnologia das mquinas pelos supervisores, mecnicos e operadores, est diretamente ligada ao esforo realizado na capacitao desses profissionais. Quando no realizado este esforo a alta tecnologia se torna ociosa.

O foco principal do momento o treinamento, priorizando a capacitao dos mecnicos e supervisores de operao e manuteno. O realinhamento do foco fundamental na criao de condies para enfrentar os avanos tecnolgicos impostos pelo mercado.

Nos anos recentes houve uma identificao das competncias necessrias para ser operador, incluindo a mobilizao de conhecimentos, habilidades e atitudes profissionais necessrias ao desempenho de atividades, segundo padres de qualidade e produtividade requeridos pela natureza do trabalho. As competncias devem compreender aspectos como: capacidades tcnicas, organizativas, sociais e metodolgicas.

As capacidades tcnicas permitem operar eficientemente objetos e variveis que interferem diretamente na criao do produto. Implicam o domnio de contedos no mbito do trabalho e de conhecimentos e habilidades.

Capacidades organizativas so as que permitem coordenar as diversas atividades de trabalho, participar na organizao do ambiente e administrar racional e conjuntamente os aspectos tcnicos, sociais e econmicos implicados, bem como utilizar de forma adequada e segura os recursos materiais e humanos colocados a disposio.

Sociais so as capacidades que permitem responder a relaes e procedimentos estabelecidos na organizao do trabalho e integrar-se com eficcia, em equipe horizontal ou vertical, cooperando com outras pessoas de forma comunicativa e construtiva.

As capacidades metodolgicas permitem pessoas responder a situaes novas e imprevistas que se apresentam no trabalho, com relao a procedimentos, seqncias, equipamentos e servios, encontrar solues apropriadas e tomar decises de forma autnoma.

Alm disso, um dos requisitos importantes para operar o equipamento florestal so as habilidades psicomotoras, de percepo sensorial e cognitiva. Outros requisitos pessoais especiais importantes para operar o equipamento de colheita florestal so: ateno concentrada, ritmo de trabalho, iniciativa, capacidade de adaptao, inteligncia no verbal, bom trato interpessoal, flexibilidade de planejamento imediato, rapidez e exatido de clculo, autoconfiana e outros.

Alm das caractersticas o operador precisa ter conhecimentos como: sistemas de colheita florestal, micro planejamento e preservao do meio ambiente. Precisa entender os princpios da mecnica, da hidrulica, da eletricidade, da eletrnica e da mecatrnica, bem como ter capacidade de realizar pequenos reparos e diagnosticar problemas nessas reas. Na automao necessrio que saiba fazer ajustes, regulagens e programao da mquina. ideal que tenha conhecimento em informtica, logstica, economia e finanas.

Estas referncias, porm, devem ser usadas como estabelecimento de metas progressivas ao colaborador, com o apoio da empresa. A implantao desse conceito ainda um desafio para a maioria das empresas.

A competncia do operador deve ser avaliada atravs do estabelecimento de critrios de desempenho que considerem a produtividade e a produo, envolvimento com a manuteno da mquina, atitude adequada com a tecnologia da mecanizao florestal.



Logstica e manuteno

A gesto de manuteno e operao para equipamentos mecatrnicos deve considerar, em primeiro lugar, a integrao dos departamentos de manuteno e operao. Para articular os departamentos preciso um planejamento prvio, seguindo alguns critrios, entre eles a capacitao e treinamento dos envolvidos, principalmente dos mecnicos, supervisores e operadores.

preciso uma boa estrutura de campo com abastecimento gil, um bom estoque de peas, disponibilidade e rapidez de suprimento. So importantes tambm a estrutura ferramental, o sistema de gesto de informaes da operao e a manuteno da colheita florestal e softwares de controle e monitoramento.

No planejamento de gesto de manuteno e operao de mquinas de colheita florestal todo o planejamento deve ser realizado supondo que a mquina est quebrada na rea de colheita de maior distncia e difcil acesso.

O sucesso do processo de mecanizao da colheita florestal a alta eficincia da mquina. A logstica de peas de reposio um fator determinante neste processo.

O setor de logstica deve contar com pessoas que possam administrar o estoque de forma cientfica utilizando ponto de pedido, lote econmico de ressuprimento, custo de ordem de compra, estoque de segurana, anlise de retorno do investimento em peas de reposio e outros.



Maquinrio da ltima dcada

Muitas empresas, principalmente as pequenas e mdias ainda enfrentam dificuldades para acompanhar os avanos tecnolgicos, mas contam com exemplos de empresas que superam essa fase com sucesso. De 1990 a 2000 a tecnologia mais usada pela maioria das empresas para corte e processamento foi: feller bunchers de discos Delimbers Slachers e Harvesters de pneu e mquinas base de esteiras com cabeotes processadores. Para extrao as Skidders e Forwarders e para o carregamento as gruas florestais com Joysticks e Garras montadas em escavadeiras.

Neste perodo ocorreu a fabricao dos Forwarders Valmet 636 e Harvester 601 no Brasil com componentes nacionais e importados. Com a abertura de mercado pelo governo brasileiro ocorreu um acrscimo no nmero de empresas que passaram a utilizar equipamentos importados de alta tecnologia agregada na colheita florestal.

Foram adotados os sistemas de madeira longa, tree lenght system oriundos da Amrica do Norte e o sistema de madeira curta Cut-to lenght dos pases Escandinavos. As mquinas eram de alta tecnologia, e seus conjuntos grua, motor, transmisso hidrosttica, bombas hidrulicas de vazo varivel, comandos hidrulicos de alta sensibilidade, solenides pilotados por joystick hidrulicos e eletrnicos, vlvulas proporcionais com caractersticas de curso e corrente fora x corrente e controles de presso e vazo.

As tecnologias dos cabeotes processados eram os sistemas computadorizados de controle monitorados por unidades eletrnicas, sensores de comprimento, dimetro de avano do sabre. Os cabeotes tambm agregavam sistemas de monitoramentos de falhas (Trouble shooting) e de medio de volume.

Neste cenrio de evoluo tecnolgica os pesquisadores constataram que a maioria dos operadores no absorveu a tecnologia, por causa da grande velocidade da introduo das mquinas mecatrnicas de alta tecnologia no mercado. Isso afetou o chamado sistema homem-mquina.

O desempenho das mquinas neste estgio necessitava da combinao operativa entre homem e a mquina, com uma integrao entre o operador e a mquina para possibilitar todo o potencial de produtividade que a alta tecnologia proporciona mquina.

At 1990, para corte e processamento, a maioria das empresas utilizam moto serras, Feller Bunchers tipo triciclos de tesoura e de sabre com o auxlio de grades para o desgalhamento. Para extrao, os mais usados eram os tratores agrcolas com pinas hidrulicas denominados Mini skidders e os tratores autocarregveis. Para o carregamento, as gruas florestais montadas em tratores agrcolas eram as mais usadas.

A grande diferena das mquinas utilizadas at 1990 em relao as da ltima dcada que as mais recentes necessitaram novas formas de trabalhar e pensar, exigindo uma nova postura do homem, uma mudana cultural.



Gap tecnolgico

A desproporo entre tecnologia e conhecimento chama-se Gap tecnolgico, problema que teve origem na dcada passada e ainda comum nos dias atuais. As razes do Gap tecnolgico so: velocidade do desenvolvimento tecnolgico das mquinas; velocidade do ciclo de mudana das mquinas de baixa tecnologia para as de baixa tecnologia; mquinas no adaptadas s condies operacionais brasileiras; sistema operacional com pouca informao sobre as mquinas; treinamento da mo-de-obra com alto custo e grande tempo; baixo nvel de escolaridade e inexistncia de centros de treinamentos adequados nova realidade, entre outras.

As conseqncias do Gap tecnolgico so: uma baixa na eficincia operacional, na produtividade, na disponibilidade mecnica e na satisfao com a mecanizao. E, alta no custo de manuteno, no consumo de leo diesel, no custo operacional e na frustrao com o processo de mecanizao.

As caractersticas da operao com Gap tecnolgico do processo de mecanizao florestal no Brasil demandaram uma mudana no perfil dos operadores. A partir desse perodo iniciaram experincias na tentativa de definio do perfil do operador. Houveram vrias formas bem como a promoo dos operadores de baixa tecnologia, contratao de tcnicos para operar as mquinas, assessoria de psiclogos e outros. Foi constatado que uma das variveis do sucesso no processo de mecanizao da colheita florestal o operador mantenedor (operador ideal).

Porm, a introduo no mercado nacional de equipamentos florestais com alta tecnologia gerou o GAP tecnolgico em toda a pirmide dos envolvidos no processo de colheita florestal, incluindo supervisores, gerentes e diretores.

A primeira tentativa de reduo deste problema ocorreu no topo da pirmide, atravs de uma busca dos conhecimentos da aplicao destas mquinas por parte dos diretores e gerentes. Esses profissionais comearam a participar de seminrios e feiras nacionais e internacionais, como tambm na visitao de empresas fabricantes e usurias de equipamentos.

Logo surgiu a deciso de focar o operador, copiando o modelo operador mantenedor, em vigor nos pases Escandinavos naquele perodo, acreditando que os fornecedores de equipamentos seriam suficientes para oferecer e realizar o suporte de assistncia tcnica. Foi constatado que os operadores aprenderam a operar num curto prazo de tempo. Porm, no solucionou os problemas de eficincia operacional e disponibilidade mecnica. Isso porque no foi considerado que nos pases escandinavos naquele perodo estavam na terceira gerao de operadores, sendo empresas familiares e 60% dos operadores eram os prprios donos das mquinas.



Tendncias tecnolgicas

Os fabricantes das mquinas usadas na colheita florestal no Brasil tendem a dar continuidade de evoluo e incorporao de sistemas de controle suportados por softwares, alm de avanos nos sistemas de auto diagnstico Devem apresentar melhorias tambm, na comunicao e nos controles com novos sistemas de monitoramento das atividades das mquinas e nos sistemas de transmisso de informaes.

Estima-se uma evoluo nos avanos tecnolgicos da computao, da eletrnica e de elementos de mquinas e hidrulica. Outra preocupao a integrao das mquinas com a preservao do ambiente e a certificao. Para isso, preciso usar alguns cuidados como: leo hidrulico biodegradvel (vegetais e sintticos); alarmes preventivos contra incndios; menores taxas de emisso de gases poluentes, menor compactao do solo; maior qualidade no povoamento remanescente, menor altura do toco, menos eroso e outras.

O cuidado com a sade do operador tambm fundamental, evitando danos ao trabalhador e desperdcio para a empresa. Por isso, a ergonomia das mquinas um fator preventivo fundamental. Detalhes como a reduo dos rudos, a melhoria da climatizao e iluminao, maior segurana atravs do monitoramento de situaes inseguras, como operaes em declividades, tendem a decidir a escolha de uma mquina para colheita florestal.

Maio/2003