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REVISTA DA MADEIRA - EDIÇÃO N°69 - FEVEREIRO DE 2003

Especial China

Novos mercados ampliam oportunidades

O desenvolvimento brasileiro, frente a outros pases da Amrica Latina, vem chamando a ateno de mercados externos no convencionais. Em todo o mundo mercados alternativos mostram-se favorveis a negcios com o Brasil, especialmente em segmentos promissores como o madeireiro e mobilirio. Pases do Oriente Mdio e da sia vem se tornando importantes consumidores e querem ampliar as relaes comerciais com empresas de nosso pas.

Apesar dos pases rabes terem ampliado significativamente as negociaes com o Brasil no ltimo ano, principalmente no segmento moveleiro e papeleiro, com a China que surge o maior otimismo para o setor de base florestal, hoje grande importador de madeira, compensados e, principalmente, celulose. O governo chins rigoroso nas questes ambientais e as florestas existentes na China tm o corte proibido, levando exportao.

Com uma populao mdia de 1,3 bilho de pessoas e um PIB per capita de US$ 850, o pas sinaliza oportunidades para o setor. Apesar de seus 9.600.000 km de extenso territorial, a China no possui muitas florestas porque 1/3 das terras destinada agricultura.

O governo da China previu investimentos da ordem de US$ 1,4 bilho, de 2001 at 2005. A verba incentivar o comrcio com o Brasil, segundo o cnsul geral da Repblica Popular da China em So Paulo, Zhang Jisan. O intercmbio comercial entre os dois pases cresceu 28,5% de 2000 para 2001, atingindo US$ 3,6 bilhes. Apesar da evoluo do intercmbio nos ltimos anos e considerando que os dois paises lideram o ranking dos pases em desenvolvimento, h espao para melhorar esses nmeros, afirma o cnsul.

Alm dos investimentos do governo chins a atual poltica do pas, focada na captao de investimentos externos, proporcionar incentivo adicional para negcios com empresas brasileiras. As reas onde os investimentos externos so permitidos vo ser ampliadas na China e a assessoria para viabilizar os investimentos externos tambm ser melhorada. O governo chins est voltado principalmente para os investimentos em indstrias de transformao e de alta tecnologia. Jisan informou, ainda, que o governo chins est disposto a ajudar empresas estrangeiras a obter vistos ou facilitar outros processos burocrticos.

Na China, est se desenvolvendo uma idia chamada de Wuxi Projeto Cidade Brasil, onde o governo disponibilizar uma rea entre 14 e 20 km para receber empresas brasileiras de diversas reas. Wuxi est localizada na provncia de Jingsu, no leste da China, s margens de um grande lago. uma das 12 cidades tursticas e a regio tem uma populao de 200 milhes de pessoas. Embora o setor seja bem-vindo naquela regio, a preferncia por importar madeira ao invs de ter estas empresas instaladas l, porque a reserva de madeiras chinesas escassa.

A regio Centro-Oeste da China dez provncias com 5,4 milhes de quilmetros quadrados e 280 milhes de habitantes (20% da populao total) est tendo toda a ateno do governo chins para receber empresas estrangeiras por meio de parcerias, fuses, aquisies. As regras locais que no estiverem de acordo com as regras da Organizao Mundial do Comrcio (OMC) tero as mudanas providenciadas. Depois de um processo de negociao que durou 15 anos, a China ingressou na OMC, em dezembro de 2001.

Nas ltimas dcadas, o mais populoso dos pases vem atraindo um nmero expressivo de investidores estrangeiros. Em 1980, por exemplo, tinha apenas uma empresa do exterior, hoje so 370 mil estrangeiras com um total de US$ 216,5 bilhes de investimentos externos.

O interesse de estrangeiros na China se deve ainda pelo aumento do poder aquisitivo da populao. Em 1950, logo aps a revoluo cultural chinesa, o Produto interno Bruto (PIB) era de 70 bilhes de RMB (moeda local 1 dlar equivale a 8 RBM), no ano passado o PIB atingiu 95, 933 trilhes de RMB. O total de reservas cambiais do pas de US$ 200 bilhes.

Entidade orienta setor

O presidente da Cmara de Comrcio e Indstria Brasil-China, Charles Tang, recomenda as empresas de base florestal, interessadas em importar para a China, que entrem em contato com o escritrio da Cmara Brasil-China, no Rio de Janeiro, para informaes. Ele afirma que existe uma demanda gigantesca por madeira na China, principalmente madeiras duras como ip, cumaru, maaranduba e outros. As madeiras menos nobres a China importa da Indonsia e Malsia, com baixo custo de frete.

A relao comercial Brasil - China tem crescido muito nos ltimos anos, passando de US$ 1.54 bilhes em 1999 para 2.5 bilhes em 2000 e 3.23 bilhes em 2001.Um dos motivos a prioridade que o atual governo brasileiro est dando para as exportaes. Apesar do esforo do governo, as medidas adotadas ainda no so suficientes para transformar o Brasil num pas exportador.

Tang sugere, ao Brasil, a criao de zonas de processamento de exportaes (ZPE). A China possui oito ZPEs. Somente a cidade de Xenzen, prxima a Hong Kong, que h 22 anos era um vilarejo de pescadores, hoje exporta 50% do que produz para o Brasil.

Com a entrada da China na OMC, Tang acredita que o valor das exportaes podem ultrapassar US$ 5 bilhes. Atualmente o comrcio entre os dois paises representa 1 % do comrcio bilateral chins e cerca de 4,5 % do Brasil.

Existe por parte da China uma poltica oficial de incentivar suas empresas a investirem mais no exterior. Quanto aos novos pases investidores, o governo oferece facilidades como reduo de impostos e financiamentos.

A Cmara de Comrcio e Indstria Brasil-China (CCIBC) vem promovendo tambm outras aes para aproximar os dois pases. Nas metas consta um programa de feiras brasileiras na China a cada ano par e chinesas no Brasil a cada ano mpar; a montagem de um showroom do Brasil em Shanghai e em Beijing e showrooms da China em So Paulo e Rio de Janeiro e outros.

Em abril ltimo foi realizada, em Xangai, a Brasil-China Trade Fair, que despertou o interesse de oito delegaes de empresas que devem visitar o Brasil nos prximos meses, visando comprar, vender e analisar investimentos e parcerias. H 16 anos no era realizada uma feira de negcios brasileira naquele pas.

O evento foi realizado com os objetivos de reconstruir a imagem do Brasil no mercado chins e recuperar o espao pela longa ausncia brasileira naquele mercado bem como aproveitar a entrada da China na OMC, que deve abrir ainda mais o leque de negociaes. Outra pretenso da Cmara atrair para o Brasil investimentos da China que hoje possui (incluindo Hong Kong) a soma de US$ 300 bilhes em reservas de divisas. Isso no to difcil se considerar que o governo chins incentiva as empresas de seu pas a investirem em outros pases.

Esta iniciativa da CCIBC contou com o apoio do governo brasileiro que, atravs dos departamentos de comrcio exterior, organizou uma comitiva de 120 empresrios brasileiros para a Trade Fair. Na programao do evento foram promovidas aes como rodadas de negcios setoriais, palestras e seminrios. Associaes comerciais de vrias regies do Brasil tambm participaram da feira, que contou, tambm, com o apoio do governo chins.

Outro evento importante foi a Feira Internacional de Mveis Index, realizada em outubro do ano passado, em Dubai, nos Emirados rabes. A organizao ficou a cargo da Cmara rabe, contou com 17 empresas alm de entidades e sindicatos ligados ao segmento moveleiro e recebeu a visita de 27 mil pessoas. At 2003, a indstria moveleira nacional quer saltar de US$ 485 milhes em vendas externas para US$ 1 bilho. O mercado rabe visto como grande potencial para se atingir essa meta.

Entre os pases rabes, a Sria o que mais compra do Brasil, apresentando um incremento de 173% nas importaes brasileiras, at agosto do ano passado em relao ao mesmo perodo do ano anterior. Em agosto de 2001, foi realizada a 48 Feira de Damasco, na Sria, contando com 3.705 expositores. O Brasil foi representado pelo estande da Cmara rabe. Entre os produtos brasileiros que mais despertaram o interesse dos visitantes estava o papel e seus derivados. O produto apresentou um crescimento de 214% nas exportaes para Arbia, at agosto de 2001, em comparao com o mesmo ms de 2000.

Maio/2002