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Notícias
19
dez
2011
(GERAL)
Macaco-prego ataca florestas de pinus
O macaco-prego, um bichinho ágil e inteligente, descobriu no pinus uma fonte de alimento no inverno. O hábito, que teve os primeiros registros nos anos 50 no Brasil, se intensificou na última década e tem provocado dor de cabeça entre os silvicultores. O ataque chega a causar a morte da árvore e, para um setor que depende da produtividade das florestas plantadas, o primata, que pesa menos de 4,5 quilos, virou um inimigo.
Mas, nem por isso, o controle pode ser feito sem critérios. O abate, por exemplo, é crime ambiental. “O macaco-prego é natural da Mata Atlântica e não pode ser chamado de praga para a silvicultura”, afirma o biólogo e supervisor de Gestão Sócio-Ambiental da Remasa, em Bituruna, Dieter Liebsch.
O Paraná tem 12% de mata nativa, segundo o Instituto Paranaense de Desenvolvimento Econômico e Social (Ipardes), e é nessa faixa que as famílias de macaco-prego vivem. Entre os meses de maio e novembro, como lembra Liebsch, falta alimento na floresta nativa e os bichos saem em busca de comida. Para não correr o risco de ser caçado por uma jaguatirica, o primata evita atravessar a floresta pelo chão. Eles pulam de galho em galho até alcançar o terço superior dos pinus.
A casca do pinus é arrancada com os dentes pelo macaco-prego. Seu objetivo é degustar a seiva, que circula pelo caule para levar alimento à planta. “A retirada da casca pode ser parcial, onde ele retira apenas uma lasca, comumente chamada de janela, ou total, quando o descascamento se dá ao longo de toda a circunferência do caule, causando um anelamento”, acrescenta Liebsch. O biólogo explica que o anelamento é o mais prejudicial ao pinus, pois mata a copa da árvore ou fragiliza a planta, que se torna porta de entrada para pragas florestais, como a vespa da madeira.
Árvores com mais de 4 anos são as preferidas dos primatas. Como o corte florestal pode ocorrer entre 6 e 14 anos, conforme o uso da matéria-prima, o ataque compromete a qualidade e o desenvolvimento da planta. Os danos podem ser vistos claramente em florestas já formadas. Árvores secas entre e fileiras irregulares denunciam as perdas de produtividade causadas pela invasão do primata.
Especialistas tentam entender bandos e medir prejuízos
A série de motivos que leva o macaco-prego a invadir as florestas de pinus ainda está sendo decifrada pelos pesquisadores, bem como os prejuízos causados pelos bandos. O trabalho tem sido mais difícil do que se imaginava.
No caso do projeto Desenvolvimento de Propostas de Manejo para Minimizar os Danos Causados pelo Macaco-Prego a Plantios Florestais, coordenado pela pesquisadora Sandra Bosmikich (Embrapa Florestas), os esforços começaram há nove anos. O estudo, relata Sandra, começou a partir de uma demanda do setor produtivo e hoje engloba não somente o Paraná, mas Santa Catarina e, futuramente, o Rio Grande do Sul e São Paulo, que também registram ataques.
“Nós vemos o macaco-prego com muita preocupação”, afirma o presidente do Conselho Deliberativo da Associação Paranaense de Empresas de Base Florestal (Apre), Gilson Geronasso. Ele é administrador da Remasa Reflorestadora, em Bituruna, na região Sul do estado.
“Já fizemos uma pré-análise na empresa e notamos que as árvores, em sua grande maioria, não chegam a morrer, mas perdem a capacidade de produzir mais. Esse estresse gerado na planta é propício para o ataque da vespa da madeira”, aponta.
Em Santa Catarina, a situação é semelhante. “Estamos fazendo o balanço e não temos dados concretos sobre isso (os prejuízos)”, lembra o presidente da Associação Catarinense de Empresas Florestais, Epitágoras Oliveira Costa.
Novos hábitos
O supervisor de Gestão Sócio-Ambiental da Remasa em Bituruna, Dieter Liebsch, lembra que o preocupante é que os hábitos desenvolvidos pelos primatas são repassados de geração em geração. Os macacos-pregos são considerados os mais inteligentes entre os primatas. Eles até utilizam pedras como ferramentas. Para o biólogo, o novo comportamento se explica mais pela inteligência do animal, que busca as áreas com alimentação farta, do que com o desmatamento das florestas originais. Os bandos podem ter descoberto que é mais fácil encontrar alimentação nas florestas de pinus do que nas matas nativas.
Mas, nem por isso, o controle pode ser feito sem critérios. O abate, por exemplo, é crime ambiental. “O macaco-prego é natural da Mata Atlântica e não pode ser chamado de praga para a silvicultura”, afirma o biólogo e supervisor de Gestão Sócio-Ambiental da Remasa, em Bituruna, Dieter Liebsch.
O Paraná tem 12% de mata nativa, segundo o Instituto Paranaense de Desenvolvimento Econômico e Social (Ipardes), e é nessa faixa que as famílias de macaco-prego vivem. Entre os meses de maio e novembro, como lembra Liebsch, falta alimento na floresta nativa e os bichos saem em busca de comida. Para não correr o risco de ser caçado por uma jaguatirica, o primata evita atravessar a floresta pelo chão. Eles pulam de galho em galho até alcançar o terço superior dos pinus.
A casca do pinus é arrancada com os dentes pelo macaco-prego. Seu objetivo é degustar a seiva, que circula pelo caule para levar alimento à planta. “A retirada da casca pode ser parcial, onde ele retira apenas uma lasca, comumente chamada de janela, ou total, quando o descascamento se dá ao longo de toda a circunferência do caule, causando um anelamento”, acrescenta Liebsch. O biólogo explica que o anelamento é o mais prejudicial ao pinus, pois mata a copa da árvore ou fragiliza a planta, que se torna porta de entrada para pragas florestais, como a vespa da madeira.
Árvores com mais de 4 anos são as preferidas dos primatas. Como o corte florestal pode ocorrer entre 6 e 14 anos, conforme o uso da matéria-prima, o ataque compromete a qualidade e o desenvolvimento da planta. Os danos podem ser vistos claramente em florestas já formadas. Árvores secas entre e fileiras irregulares denunciam as perdas de produtividade causadas pela invasão do primata.
Especialistas tentam entender bandos e medir prejuízos
A série de motivos que leva o macaco-prego a invadir as florestas de pinus ainda está sendo decifrada pelos pesquisadores, bem como os prejuízos causados pelos bandos. O trabalho tem sido mais difícil do que se imaginava.
No caso do projeto Desenvolvimento de Propostas de Manejo para Minimizar os Danos Causados pelo Macaco-Prego a Plantios Florestais, coordenado pela pesquisadora Sandra Bosmikich (Embrapa Florestas), os esforços começaram há nove anos. O estudo, relata Sandra, começou a partir de uma demanda do setor produtivo e hoje engloba não somente o Paraná, mas Santa Catarina e, futuramente, o Rio Grande do Sul e São Paulo, que também registram ataques.
“Nós vemos o macaco-prego com muita preocupação”, afirma o presidente do Conselho Deliberativo da Associação Paranaense de Empresas de Base Florestal (Apre), Gilson Geronasso. Ele é administrador da Remasa Reflorestadora, em Bituruna, na região Sul do estado.
“Já fizemos uma pré-análise na empresa e notamos que as árvores, em sua grande maioria, não chegam a morrer, mas perdem a capacidade de produzir mais. Esse estresse gerado na planta é propício para o ataque da vespa da madeira”, aponta.
Em Santa Catarina, a situação é semelhante. “Estamos fazendo o balanço e não temos dados concretos sobre isso (os prejuízos)”, lembra o presidente da Associação Catarinense de Empresas Florestais, Epitágoras Oliveira Costa.
Novos hábitos
O supervisor de Gestão Sócio-Ambiental da Remasa em Bituruna, Dieter Liebsch, lembra que o preocupante é que os hábitos desenvolvidos pelos primatas são repassados de geração em geração. Os macacos-pregos são considerados os mais inteligentes entre os primatas. Eles até utilizam pedras como ferramentas. Para o biólogo, o novo comportamento se explica mais pela inteligência do animal, que busca as áreas com alimentação farta, do que com o desmatamento das florestas originais. Os bandos podem ter descoberto que é mais fácil encontrar alimentação nas florestas de pinus do que nas matas nativas.
Fonte: Gazeta do Povo
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