Voltar
Notícias
28
nov
2011
(SETOR FLORESTAL)
Países desenvolvidos começaram a recuperar florestas no século 18, diz pesquisador da USP
Pesquisador do Instituto de Pesquisas Econômicas da Universidade de São Paulo (IPE- USP), Thiago Fonseca Morello é autor do paper Desmatamento e Desenvolvimento: O Que o Brasil Tem a Aprender com a História dos Países Desenvolvidos? Nele, mostra que os países hoje considerados desenvolvidos iniciaram a recuperação de áreas florestadas entre os séculos 18 e 20. Morello afirma que a discussão sobre o Código Florestal brasileiro está equivocada porque não há dicotomia entre desenvolvimento e conservação. Ele falou ao Estado. Entrevista de Karina Ninni, em O Estado de S. Paulo.
1- O que é transição florestal e como esse conceito pode jogar uma luz sobre as discussões acerca do aparente dilema entre desenvolvimento e conservação de recursos?
Transição Florestal é um conceito da geografia e diz respeito ao aumento de “agregados florestais”, ou seja, de áreas de floresta, genericamente falando. Embora seja um conceito que nos serve de parâmetro para entender a recuperação de áreas de floresta no mundo, tem suas limitações, pois os agregados florestais não representam a biodiversidade de uma região, ou país. Ou seja: o conceito permite saber se as áreas de floresta em determinado local aumentaram ou diminuíram, mas não se a cobertura vegetal recuperada tem a mesma riqueza ou biodiversidade daquela que se perdeu.
2 – O que se pode deduzir analisando dados sobre a transição florestal em países desenvolvidos?
As florestas sempre foram fruto da interação com o homem. Essa interação pode ser positiva ou negativa, como bem cedo perceberam os países desenvolvidos, porque acabaram usando as florestas intensivamente, sobretudo na época do capitalismo mercantil e na chamada primeira revolução industrial. Um caso emblemático é a Inglaterra, onde a revolução aconteceu em primeiro lugar. No século 15 eles já estavam preocupados com a perda de florestas. Passaram pela chamada Crise da Madeira ainda no século 17, quando os preços subiram muito. A revolução industrial só aconteceu lá porque eles conseguiram dar um salto tecnológico no sentido de se tornarem auto-suficientes no suprimento de matéria-prima, o que incluía a madeira. A indústria do aço dependia do carvão vegetal. Até que desenvolvessem tecnologia suficiente para usar o carvão mineral, passou-se um século. Eles não tinham um modelo eficaz de gestão florestal e, ao mesmo tempo em que buscavam novas tecnologias, começaram a construir um modelo para gerir racionalmente seus recursos florestais. Em praticamente todos os países desenvolvidos houve queda na produção de madeira. A própria Inglaterra importou da Suíça por muito tempo. Os países hoje chamados de desenvolvidos tiveram de lidar muito cedo com a questão florestal. E fizeram isso.
3 – Quem foram os primeiros?
A França, que começou seu reflorestamento em 1830. A Escócia, em 1730, e a Grã Bretanha, em meados do século 19, e pelos EUA, em 1920.
4 – Quer dizer que o discurso de que esses países se desenvolveram à custa do desmatamento não é correto?
Isso só vale para a chamada primeira revolução industrial – intensiva em uso de recursos – e para o período imediatamente anterior a ela, de capitalismo mercantil. Ou seja: para o período de transição entre o capitalismo mercantil e o industrial. A segunda revolução industrial já estava baseada em ciência e em seu uso prático – a descoberta de novas tecnologias. O Brasil, é bom lembrar, se industrializou em uma fase posterior, em que a tecnologia já era a sustentação da produção industrial.
5 – Mas, mesmo assim, usamos intensivamente nossos recursos, não?
Sim, usamos. Porque, apesar de nossa indústria ter sido montada sobre a premissa do uso de modernas tecnologias, no campo e na floresta não aconteceu o mesmo. Isso é uma característica dos países subdesenvolvidos: a tensão entre a produção não intensiva em uso de recursos e aquela que os utiliza em larga escala.
6 – E como isso influencia discussões como a do Código Florestal, por exemplo?
Resulta que nós temos uma visão equivocada do que foi a história desses países, no tocante a sua autonomia econômica. Ela não teve necessariamente como condição a supressão das florestas. Quando se fala em desenvolvimento, o que vem na cabeça das pessoas é o que foi feito no século 20. Quando o assunto é agricultura também. Agora, quando se fala em floresta, as pessoas lembram da época medieval. Temos de conectar as duas coisas: desenvolvimento e conservação.
Mas, para isso, o referencial tem de ser o mesmo. Portanto, se considerarmos a silvicultura do século 20, ao invés de nos voltarmos para a idade média e o início da revolução industrial, não há dilema entre produção e conservação. É isso que tinha de estar em pauta no Código Florestal. Precisamos otimizar o uso dos recursos. O que temos de resolver no Brasil é a baixa produtividade, tanto da agricultura e da pecuária quanto da silvicultura de espécies nativas.
7 – Além do uso indiscriminado de madeira e outros recursos, algo mais movem a transição florestal na Europa?
Há diferenças de país para país. Na suíça, por exemplo, foram deslizamentos de terra que levaram a adoção de uma política florestal.
1- O que é transição florestal e como esse conceito pode jogar uma luz sobre as discussões acerca do aparente dilema entre desenvolvimento e conservação de recursos?
Transição Florestal é um conceito da geografia e diz respeito ao aumento de “agregados florestais”, ou seja, de áreas de floresta, genericamente falando. Embora seja um conceito que nos serve de parâmetro para entender a recuperação de áreas de floresta no mundo, tem suas limitações, pois os agregados florestais não representam a biodiversidade de uma região, ou país. Ou seja: o conceito permite saber se as áreas de floresta em determinado local aumentaram ou diminuíram, mas não se a cobertura vegetal recuperada tem a mesma riqueza ou biodiversidade daquela que se perdeu.
2 – O que se pode deduzir analisando dados sobre a transição florestal em países desenvolvidos?
As florestas sempre foram fruto da interação com o homem. Essa interação pode ser positiva ou negativa, como bem cedo perceberam os países desenvolvidos, porque acabaram usando as florestas intensivamente, sobretudo na época do capitalismo mercantil e na chamada primeira revolução industrial. Um caso emblemático é a Inglaterra, onde a revolução aconteceu em primeiro lugar. No século 15 eles já estavam preocupados com a perda de florestas. Passaram pela chamada Crise da Madeira ainda no século 17, quando os preços subiram muito. A revolução industrial só aconteceu lá porque eles conseguiram dar um salto tecnológico no sentido de se tornarem auto-suficientes no suprimento de matéria-prima, o que incluía a madeira. A indústria do aço dependia do carvão vegetal. Até que desenvolvessem tecnologia suficiente para usar o carvão mineral, passou-se um século. Eles não tinham um modelo eficaz de gestão florestal e, ao mesmo tempo em que buscavam novas tecnologias, começaram a construir um modelo para gerir racionalmente seus recursos florestais. Em praticamente todos os países desenvolvidos houve queda na produção de madeira. A própria Inglaterra importou da Suíça por muito tempo. Os países hoje chamados de desenvolvidos tiveram de lidar muito cedo com a questão florestal. E fizeram isso.
3 – Quem foram os primeiros?
A França, que começou seu reflorestamento em 1830. A Escócia, em 1730, e a Grã Bretanha, em meados do século 19, e pelos EUA, em 1920.
4 – Quer dizer que o discurso de que esses países se desenvolveram à custa do desmatamento não é correto?
Isso só vale para a chamada primeira revolução industrial – intensiva em uso de recursos – e para o período imediatamente anterior a ela, de capitalismo mercantil. Ou seja: para o período de transição entre o capitalismo mercantil e o industrial. A segunda revolução industrial já estava baseada em ciência e em seu uso prático – a descoberta de novas tecnologias. O Brasil, é bom lembrar, se industrializou em uma fase posterior, em que a tecnologia já era a sustentação da produção industrial.
5 – Mas, mesmo assim, usamos intensivamente nossos recursos, não?
Sim, usamos. Porque, apesar de nossa indústria ter sido montada sobre a premissa do uso de modernas tecnologias, no campo e na floresta não aconteceu o mesmo. Isso é uma característica dos países subdesenvolvidos: a tensão entre a produção não intensiva em uso de recursos e aquela que os utiliza em larga escala.
6 – E como isso influencia discussões como a do Código Florestal, por exemplo?
Resulta que nós temos uma visão equivocada do que foi a história desses países, no tocante a sua autonomia econômica. Ela não teve necessariamente como condição a supressão das florestas. Quando se fala em desenvolvimento, o que vem na cabeça das pessoas é o que foi feito no século 20. Quando o assunto é agricultura também. Agora, quando se fala em floresta, as pessoas lembram da época medieval. Temos de conectar as duas coisas: desenvolvimento e conservação.
Mas, para isso, o referencial tem de ser o mesmo. Portanto, se considerarmos a silvicultura do século 20, ao invés de nos voltarmos para a idade média e o início da revolução industrial, não há dilema entre produção e conservação. É isso que tinha de estar em pauta no Código Florestal. Precisamos otimizar o uso dos recursos. O que temos de resolver no Brasil é a baixa produtividade, tanto da agricultura e da pecuária quanto da silvicultura de espécies nativas.
7 – Além do uso indiscriminado de madeira e outros recursos, algo mais movem a transição florestal na Europa?
Há diferenças de país para país. Na suíça, por exemplo, foram deslizamentos de terra que levaram a adoção de uma política florestal.
Fonte: EcoDebate
Notícias em destaque
A atividade industrial expande, enquanto os setores de madeira e móveis ficam para trás no último relatório do PMI.
A atividade econômica no setor manufatureiro expandiu em junho pelo sexto mês consecutivo, segundo executivos da cadeia de suprimentos...
(INTERNACIONAL)
Setor da erva-mate enfrenta pressão de preços e custos, e Embrapa defende eficiência e diversificação
O setor da erva-mate, tradicional no Sul do país, atravessa um período de forte pressão econômica. A...
(AGRO)
Celulose e bioeconomia impulsionam nova fase da industrialização no Nordeste
Polo florestal da Bahia reforça protagonismo da região, enquanto investimentos em biomassa e inovação ampliam...
(GERAL)
Relatório da FAO e da Bauhaus Earth quantifica como o aumento do uso de produtos de madeira na construção civil poderia impulsionar a demanda anual em 50 milhões de m³
Um relatório da FAO e da Bauhaus Earth quantifica como o aumento do uso de produtos de madeira na construção civil poderia...
(INTERNACIONAL)
Aeroporto premiado em madeira maciça concluído
A segunda e última fase da expansão do terminal principal do Aeroporto Internacional de Portland (PDX), aclamada internacionalmente,...
(MADEIRA E PRODUTOS)
BNDES aprova R$ 43,8 milhões para planta de carvão vegetal da Ferbasa na Bahia
Unidade será instalada em Maracás (BA), terá capacidade de 20 mil toneladas por ano e usará madeira de florestas...
(BIOENERGIA)














