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Notícias
27
nov
2011
(GERAL)
Embalagem superecológica
A proposta, desenvolvida pela estudante de 19 anos Ana Gabriela Person, da Escola Técnica Conselheiro Antônio Prado, em Campinas (SP), pode ajudar a solucionar ao mesmo tempo dois problemas ambientais. O primeiro é o descarte de resíduos orgânicos no ambiente, sem que lhes seja dado um destino útil.
O outro é que os plásticos usados para embalar mudas de plantas nem sempre são retirados antes do plantio, principalmente em grandes plantações. Além de levar cerca de 400 anos para se decompor, o plástico ainda atrapalha o crescimento do vegetal.
“Minha ideia foi substituir os sacos plásticos por embalagens ecológicas, feitas com resíduos da matéria orgânica, que se decompõem rapidamente”, conta Ana Gabriela. A criatividade do projeto lhe rendeu o primeiro lugar na categoria Ensino Médio do Prêmio Jovem Cientista, que este ano tratou do tema ‘cidades sustentáveis’ e cujos vencedores foram anunciados no dia 8 deste mês em Brasília.
Receita simples
Ana Gabriela produziu diversos tipos de embalagens usando resíduos variados – como serragem, casca de coco, bagaço de cana-de-açúcar e jaca madura. Cada um deles foi misturado a componentes diferentes (amido de milho, cola, papel, argila, calcário, entre outros) para dar forma aos vasos ecológicos.
Ana Gabriela produziu diversos tipos de embalagens usando resíduos variados
As receitas das embalagens são simples e muito parecidas – apenas os ingredientes mudam. Para mostrar que qualquer pessoa pode produzir os vasos ecológicos, a estudante ensina como fazê-los com bagaço de cana.
Primeiro, basta coletar os resíduos e mergulhá-los por algumas horas em água sanitária. Essa etapa serve para diminuir a quantidade de microrganismos responsáveis pela decomposição da matéria orgânica e dar maior vida útil ao produto. “Essa, aliás, foi a minha maior dificuldade no início do projeto: o vasinho é tão ecológico, que ele começava a se decompor antes da hora”, brinca a premiada.
Após o tratamento com água sanitária, é necessário esperar os resíduos secarem (no Sol ou em estufa) para iniciar a próxima etapa, a trituração. Apenas aí o processo pode exigir mais recursos: “Depois de seco, o material fica um pouco rígido, por isso é preciso triturá-lo com a ajuda de uma máquina especial”, ressalta Ana Gabriela.
Para agregar os resíduos, adicionam-se cola, amido de milho e argila. O passo seguinte é colocar a mistura em um molde e esperar secar, para então usar o produto no lugar das embalagens convencionais. “Além de evitar o emaranhamento das raízes e não agredir o ambiente, a embalagem ecológica ainda serve de nutriente para a planta, já que é feita de resíduos orgânicos”, avalia.
Da sala de aula para o ‘laboratório’
O projeto foi desenvolvido por Ana Gabriela ao longo do último ano do curso técnico em meio ambiente. A ideia foi sugestão da professora da disciplina química e meio ambiente, Erica Bortolotti, que a estudante considera a grande responsável pelo resultado final.
Ana Gabriela Person, primeira colocada na categoria ensino médio do Prêmio Jovem Cientista, exibe duas amostras das embalagens ecológicas para mudas de plantas que confeccionou com a ajuda de sua professora. (foto: Ricardo Marques)
“É sempre um desafio para o professor trabalhar com projetos, porque a gente nunca sabe qual será o resultado”, avalia Bortolotti. “Geralmente vamos pesquisando e descobrindo junto com os alunos”, diz.
Para a professora – que acompanhou todas as fases do desenvolvimento do projeto –, a premiação foi uma surpresa, já que o trabalho é relativamente simples. Por outro lado, ela reconhece que a pesquisa teve o diferencial de resultar em um bom produto.
Bortolotti ainda aposta no incentivo dos professores para que trabalhos como o de Ana Gabriela – agora motivada a investir na carreira acadêmica – sejam levados adiante.
“A gente tem que incentivar essa cultura de desenvolvimento de projetos, mostrando que é possível colocá-los em prática”, defende. “E esse estímulo tem que partir sempre do professor, que é quem vai guiar os estudantes.”
Carolina Drago*
Ciência Hoje On-line
*A jornalista viajou a Brasília a convite do Prêmio Jovem Cientista.
O outro é que os plásticos usados para embalar mudas de plantas nem sempre são retirados antes do plantio, principalmente em grandes plantações. Além de levar cerca de 400 anos para se decompor, o plástico ainda atrapalha o crescimento do vegetal.
“Minha ideia foi substituir os sacos plásticos por embalagens ecológicas, feitas com resíduos da matéria orgânica, que se decompõem rapidamente”, conta Ana Gabriela. A criatividade do projeto lhe rendeu o primeiro lugar na categoria Ensino Médio do Prêmio Jovem Cientista, que este ano tratou do tema ‘cidades sustentáveis’ e cujos vencedores foram anunciados no dia 8 deste mês em Brasília.
Receita simples
Ana Gabriela produziu diversos tipos de embalagens usando resíduos variados – como serragem, casca de coco, bagaço de cana-de-açúcar e jaca madura. Cada um deles foi misturado a componentes diferentes (amido de milho, cola, papel, argila, calcário, entre outros) para dar forma aos vasos ecológicos.
Ana Gabriela produziu diversos tipos de embalagens usando resíduos variados
As receitas das embalagens são simples e muito parecidas – apenas os ingredientes mudam. Para mostrar que qualquer pessoa pode produzir os vasos ecológicos, a estudante ensina como fazê-los com bagaço de cana.
Primeiro, basta coletar os resíduos e mergulhá-los por algumas horas em água sanitária. Essa etapa serve para diminuir a quantidade de microrganismos responsáveis pela decomposição da matéria orgânica e dar maior vida útil ao produto. “Essa, aliás, foi a minha maior dificuldade no início do projeto: o vasinho é tão ecológico, que ele começava a se decompor antes da hora”, brinca a premiada.
Após o tratamento com água sanitária, é necessário esperar os resíduos secarem (no Sol ou em estufa) para iniciar a próxima etapa, a trituração. Apenas aí o processo pode exigir mais recursos: “Depois de seco, o material fica um pouco rígido, por isso é preciso triturá-lo com a ajuda de uma máquina especial”, ressalta Ana Gabriela.
Para agregar os resíduos, adicionam-se cola, amido de milho e argila. O passo seguinte é colocar a mistura em um molde e esperar secar, para então usar o produto no lugar das embalagens convencionais. “Além de evitar o emaranhamento das raízes e não agredir o ambiente, a embalagem ecológica ainda serve de nutriente para a planta, já que é feita de resíduos orgânicos”, avalia.
Da sala de aula para o ‘laboratório’
O projeto foi desenvolvido por Ana Gabriela ao longo do último ano do curso técnico em meio ambiente. A ideia foi sugestão da professora da disciplina química e meio ambiente, Erica Bortolotti, que a estudante considera a grande responsável pelo resultado final.
Ana Gabriela Person, primeira colocada na categoria ensino médio do Prêmio Jovem Cientista, exibe duas amostras das embalagens ecológicas para mudas de plantas que confeccionou com a ajuda de sua professora. (foto: Ricardo Marques)
“É sempre um desafio para o professor trabalhar com projetos, porque a gente nunca sabe qual será o resultado”, avalia Bortolotti. “Geralmente vamos pesquisando e descobrindo junto com os alunos”, diz.
Para a professora – que acompanhou todas as fases do desenvolvimento do projeto –, a premiação foi uma surpresa, já que o trabalho é relativamente simples. Por outro lado, ela reconhece que a pesquisa teve o diferencial de resultar em um bom produto.
Bortolotti ainda aposta no incentivo dos professores para que trabalhos como o de Ana Gabriela – agora motivada a investir na carreira acadêmica – sejam levados adiante.
“A gente tem que incentivar essa cultura de desenvolvimento de projetos, mostrando que é possível colocá-los em prática”, defende. “E esse estímulo tem que partir sempre do professor, que é quem vai guiar os estudantes.”
Carolina Drago*
Ciência Hoje On-line
*A jornalista viajou a Brasília a convite do Prêmio Jovem Cientista.
Fonte: Carolina Drago
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