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Notícias
24
out
2011
(CARBONO)
ONGs pedem o fim da compensação de carbono florestal
A utilização de créditos florestais é frequentemente considerada um dos recursos para ajudar a compensar as emissões de carbono responsáveis pelas mudanças climáticas. Mas uma nova análise de entidades europeias indica que esses mecanismos podem não ajudar realmente na redução das emissões.
O documento, intitulado ‘Um fim para as compensações florestais! Por que as florestas não devem ser parte do mercado de carbono’, foi produzido por seis ONGs europeias: Amigos da Terra (França), Associação Floresta e Conservação da Vida Selvagem (Alemanha), Euronatura (Portugal), Terra da Noruega, Fundação pela Floresta Tropical (Reino Unido) e FERN (Bélgica).
A análise começa criticando o sistema cap-and-trade de comercialização de carbono e fala brevemente sobre a história do comércio da poluição, que foi idealizado pelo economista Ronald Coase na década de 1960. Após a criação do conceito, os também economistas John Dales e Thomas Crocker modificaram um pouco a ideia, estabelecendo que os governos deveriam colocar limites nos níveis de poluição.
Mas mais tarde, os próprios Dales e Crocker criticaram o funcionamento de um sistema ‘cap-and-trade’ de carbono. “Não acredito que o cap-and-trade é a forma mais eficiente de regular o carbono”, declarou Crocker em uma entrevista ao Wall Streel Journal em 2009. “Não é uma cura para tudo. Há muitas situações em que não se aplica”, afirmou Dales sobre o sistema em 2001.
O documento corrobora com essa visão, dizendo que “a compensação de carbono não pretende reduzir emissões. Mesmo no melhor cenário, a compensação pretende deslocar emissões de um lugar para outro”. Assim como esse relatório das ONGs, algumas instituições brasileiras lançaram na semana passada a Carta do Acre, em que também se posicionavam contra esses mecanismos. http://www.institutocarbonobrasil.org.br/reportagens_carbonobrasil/noticia=728692
De acordo com a análise europeia, a mitigação das emissões de gases do efeito estufa (GEEs) não pode ocorrer através de mecanismos florestais de sequestro de carbono em primeiro lugar porque as escalas territoriais para isso estão erradas. Isso significa que não há terra suficiente no mundo para plantar a quantidade de árvores que seriam necessárias para absorver as atuais emissões de CO2.
Em segundo lugar, as escalas de tempo estão incorretas, ou seja, o carbono liberado pelo petróleo e pelo carvão fica retido em uma árvore por um tempo indeterminado, sendo novamente liberado na atmosfera quando a árvore cai ou morre.
O relatório também critica o mecanismo de Redução de Emissões por Desmatamento e Degradação florestal (REDD), alegando que este não pode prever o desmatamento de um país, e, por isso, não pode gerar compensações de carbono a partir da comparação entre um cenário com ou sem a atuação do REDD, já que este panorama é hipotético.
O documento se mostra cético em relação aos benefícios destes programas para as comunidades dependentes das florestas e ao trabalho do Conselho de Manejo Florestal (FSC). “Tendo falhado em garantir o manejo florestal sustentável, a FSC está agora participando de eventos paralelos durante as negociações climáticas sugerindo que pode usar seus padrões para complementar aqueles que visam certificar os créditos de carbono de REDD+”.
No entanto, a análise ressalta que mesmo não servindo como sistema de compensação das emissões geradas a partir dos combustíveis fósseis, é vital preservar as florestas para manter o equilíbrio ecossistêmico e climático do planeta. “As razões para diminuir o desmatamento são claras, salvaguardar os meios de subsistência de comunidades que dependem dessas florestas, proteger a biodiversidade e ajudar a estabilizar o clima”.
“Mas diminuir o desmatamento em vez de reduzir drasticamente as emissões dos combustíveis fósseis simplesmente não vai funcionar. As temperaturas ainda irão subir, o que, em última análise, poderia significar o fim de muitas florestas… Essa é uma das razões chave pelas quais as compensações de carbono são uma solução falsa – defende-se a redução das emissões do desmatamento em vez da redução das emissões dos combustíveis fósseis, quando ambos os tipos de emissões precisam ser reduzidas”.
O relatório finaliza enumerando algumas iniciativas que podem ser tomadas para que as emissões geradas pelas fontes fósseis sejam reduzidas, como substituir os combustíveis fósseis, apoiar iniciativas e legislações positivas existentes como esquemas de tarifa de aquisição, mudar a medição de energia elétrica para tarifas que aumentam em vez de diminuir com o uso crescente, investimento público em mudanças estruturais e trabalhar com indústrias de combustíveis fósseis para começar a transferir empregos de uma economia de combustíveis fósseis para uma economia verde.
Ainda assim, as organizações garantem que não há maneira fácil de mitigar as emissões geradas pelos combustíveis fósseis e pelo desmatamento, e que a solução está na mudança de nossos padrões de vida. “Diminuir o desmatamento requer a mudança do nosso padrão de consumo e a redução das pressões que conduzem à destruição florestal. Não há atalhos”.
O documento, intitulado ‘Um fim para as compensações florestais! Por que as florestas não devem ser parte do mercado de carbono’, foi produzido por seis ONGs europeias: Amigos da Terra (França), Associação Floresta e Conservação da Vida Selvagem (Alemanha), Euronatura (Portugal), Terra da Noruega, Fundação pela Floresta Tropical (Reino Unido) e FERN (Bélgica).
A análise começa criticando o sistema cap-and-trade de comercialização de carbono e fala brevemente sobre a história do comércio da poluição, que foi idealizado pelo economista Ronald Coase na década de 1960. Após a criação do conceito, os também economistas John Dales e Thomas Crocker modificaram um pouco a ideia, estabelecendo que os governos deveriam colocar limites nos níveis de poluição.
Mas mais tarde, os próprios Dales e Crocker criticaram o funcionamento de um sistema ‘cap-and-trade’ de carbono. “Não acredito que o cap-and-trade é a forma mais eficiente de regular o carbono”, declarou Crocker em uma entrevista ao Wall Streel Journal em 2009. “Não é uma cura para tudo. Há muitas situações em que não se aplica”, afirmou Dales sobre o sistema em 2001.
O documento corrobora com essa visão, dizendo que “a compensação de carbono não pretende reduzir emissões. Mesmo no melhor cenário, a compensação pretende deslocar emissões de um lugar para outro”. Assim como esse relatório das ONGs, algumas instituições brasileiras lançaram na semana passada a Carta do Acre, em que também se posicionavam contra esses mecanismos. http://www.institutocarbonobrasil.org.br/reportagens_carbonobrasil/noticia=728692
De acordo com a análise europeia, a mitigação das emissões de gases do efeito estufa (GEEs) não pode ocorrer através de mecanismos florestais de sequestro de carbono em primeiro lugar porque as escalas territoriais para isso estão erradas. Isso significa que não há terra suficiente no mundo para plantar a quantidade de árvores que seriam necessárias para absorver as atuais emissões de CO2.
Em segundo lugar, as escalas de tempo estão incorretas, ou seja, o carbono liberado pelo petróleo e pelo carvão fica retido em uma árvore por um tempo indeterminado, sendo novamente liberado na atmosfera quando a árvore cai ou morre.
O relatório também critica o mecanismo de Redução de Emissões por Desmatamento e Degradação florestal (REDD), alegando que este não pode prever o desmatamento de um país, e, por isso, não pode gerar compensações de carbono a partir da comparação entre um cenário com ou sem a atuação do REDD, já que este panorama é hipotético.
O documento se mostra cético em relação aos benefícios destes programas para as comunidades dependentes das florestas e ao trabalho do Conselho de Manejo Florestal (FSC). “Tendo falhado em garantir o manejo florestal sustentável, a FSC está agora participando de eventos paralelos durante as negociações climáticas sugerindo que pode usar seus padrões para complementar aqueles que visam certificar os créditos de carbono de REDD+”.
No entanto, a análise ressalta que mesmo não servindo como sistema de compensação das emissões geradas a partir dos combustíveis fósseis, é vital preservar as florestas para manter o equilíbrio ecossistêmico e climático do planeta. “As razões para diminuir o desmatamento são claras, salvaguardar os meios de subsistência de comunidades que dependem dessas florestas, proteger a biodiversidade e ajudar a estabilizar o clima”.
“Mas diminuir o desmatamento em vez de reduzir drasticamente as emissões dos combustíveis fósseis simplesmente não vai funcionar. As temperaturas ainda irão subir, o que, em última análise, poderia significar o fim de muitas florestas… Essa é uma das razões chave pelas quais as compensações de carbono são uma solução falsa – defende-se a redução das emissões do desmatamento em vez da redução das emissões dos combustíveis fósseis, quando ambos os tipos de emissões precisam ser reduzidas”.
O relatório finaliza enumerando algumas iniciativas que podem ser tomadas para que as emissões geradas pelas fontes fósseis sejam reduzidas, como substituir os combustíveis fósseis, apoiar iniciativas e legislações positivas existentes como esquemas de tarifa de aquisição, mudar a medição de energia elétrica para tarifas que aumentam em vez de diminuir com o uso crescente, investimento público em mudanças estruturais e trabalhar com indústrias de combustíveis fósseis para começar a transferir empregos de uma economia de combustíveis fósseis para uma economia verde.
Ainda assim, as organizações garantem que não há maneira fácil de mitigar as emissões geradas pelos combustíveis fósseis e pelo desmatamento, e que a solução está na mudança de nossos padrões de vida. “Diminuir o desmatamento requer a mudança do nosso padrão de consumo e a redução das pressões que conduzem à destruição florestal. Não há atalhos”.
Fonte: Jéssica Lipinski, do Instituto CarbonoBrasil
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