Voltar
Notícias
22
nov
2005
(GERAL)
Desmatamento na Amazônia altera clima da América do Sul
As já poluídas grandes cidades do Sudeste e Sul do país podem se tornar ainda mais inóspitas. Cientistas prevêem uma possível redução no regime das chuvas. A origem do problema não está nas chaminés das indústrias ou nos escapamentos de carros, mas bem mais longe, na maior floresta do planeta, a Amazônia.
As queimadas que comem a Amazônia pelas bordas já começam a alterar o regime de chuvas localmente, mas estudos sugerem que em algum tempo, o impacto será sentido no Sudeste e no Sul. A Amazônia pode não ser o pulmão do mundo. Tampouco contribui significativamente para a absorção de dióxido de carbono (CO2). De fato, as queimadas a transformaram numa grande emissora de CO2.
Mas a floresta é fundamental para regulação das chuvas, não só no Brasil. O muito estudado e ainda pouco compreendido clima amazônico será tema na próxima semana de uma das maiores conferências sobre a floresta já realizadas e um dos principais eventos de climatologia do ano.
A III Conferência Científica do LBA (sigla para Experimento de Grande Escala da Biosfera-Atmosfera na Amazônia) reunirá em Brasília alguns dos maiores especialistas brasileiros e estrangeiros. “O clima está mais instável. A conferência apresentará dados que sustentam esse cenário de desequilíbrio. A Amazônia é fundamental como fonte de vapor d’água e calor na atmosfera global. É extremamente significativa para o controle das chuvas. Há fortes indícios de que as queimadas e, o desmatamento de forma geral, podem reduzir as chuvas em toda a América do Sul”, disse Paulo Artaxo, da Universidade de São Paulo, um dos organizadores da conferência.
Seca
Os primeiros impactos já aparecem nas telas dos computadores que simulam os efeitos do clima e em análises feitas em campo. São pesquisas como as conduzidas por Maria Assunção Faus da Silva Dias, coordenadora-geral do Centro de Previsão de Tempo e Estudos Climáticos do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (CPTEC/Inpe) e da USP.
Ela explica que a conseqüência mais imediata do desmatamento é um aumento temporário da incidência de chuvas. Isso ocorre porque a temperatura aumenta localmente devido à perda de mata. Mas, à medida que o desmatamento avança, a estação seca torna-se mais severa e provoca uma mudança para um clima como o do Cerrado. “No sul, sudeste e leste da Amazônia, no chamado Arco do Desmatamento, o clima já se parece com o do Cerrado”, diz.
E é aí que podem começar os problemas para o resto do país. Ventos da Amazônia transportam todos os anos umidade que alimenta o regime de chuvas das regiões Sul e Sudeste. Com menos umidade, haveria menos chuva. Os estudos estão no início e são baseados principalmente em análises computacionais. Os cientistas dizem que novos dados emergirão com o prosseguimento das pesquisas na própria floresta.
Conferência
A III Conferência Científica do LBA reunirá em Brasília 800 cientistas de 70 instituições brasileiras, tais como Inpe, Embrapa, USP e Fiocruz, e mais de cem estrangeiras, como a Nasa e as universidades de Harvard e de Oxford e o instituto alemão Max-Planck. Serão apresentados resultados de 700 pesquisas de 27 a 29 de julho. No dia 23, haverá uma pré-conferência sobre a importância política do LBA.
A esperança dos especialistas é que toda essa massa de informação ajude na compreensão do verdadeiro papel da Amazônia na regulação climática e indique como a biodiversidade da maior floresta tropical do mundo pode ser protegida. A Amazônia pode abrigar até metade das espécies terrestres de seres vivos do planeta - de onças a bactérias - e é considerada uma floresta madura. As mudanças climáticas provocadas pelo homem, todavia, começam a minar o equilíbrio de uma mata que já teria alcançado sua melhor forma. “Esperamos também que essas informações contribuam para o desenvolvimento da Amazônia. Quase 20 milhões de brasileiros vivem na Amazônia. É preciso oferecer a essas pessoas uma chance real e viável de desenvolvimento”, diz Paulo Artaxo.
Social
O clima é o destaque da conferência e do próprio LBA, mas muitos dos estudos dizem respeito ao desenvolvimento social e econômico da região. Dentre eles, estão pesquisas sobre o aproveitamento agrícola de descobertas sobre a ecologia da floresta; os padrões de uso da terra; o papel das madeireiras e dos assentados.
Fonte: Amazônia.org.br – 20/07/2004
As queimadas que comem a Amazônia pelas bordas já começam a alterar o regime de chuvas localmente, mas estudos sugerem que em algum tempo, o impacto será sentido no Sudeste e no Sul. A Amazônia pode não ser o pulmão do mundo. Tampouco contribui significativamente para a absorção de dióxido de carbono (CO2). De fato, as queimadas a transformaram numa grande emissora de CO2.
Mas a floresta é fundamental para regulação das chuvas, não só no Brasil. O muito estudado e ainda pouco compreendido clima amazônico será tema na próxima semana de uma das maiores conferências sobre a floresta já realizadas e um dos principais eventos de climatologia do ano.
A III Conferência Científica do LBA (sigla para Experimento de Grande Escala da Biosfera-Atmosfera na Amazônia) reunirá em Brasília alguns dos maiores especialistas brasileiros e estrangeiros. “O clima está mais instável. A conferência apresentará dados que sustentam esse cenário de desequilíbrio. A Amazônia é fundamental como fonte de vapor d’água e calor na atmosfera global. É extremamente significativa para o controle das chuvas. Há fortes indícios de que as queimadas e, o desmatamento de forma geral, podem reduzir as chuvas em toda a América do Sul”, disse Paulo Artaxo, da Universidade de São Paulo, um dos organizadores da conferência.
Seca
Os primeiros impactos já aparecem nas telas dos computadores que simulam os efeitos do clima e em análises feitas em campo. São pesquisas como as conduzidas por Maria Assunção Faus da Silva Dias, coordenadora-geral do Centro de Previsão de Tempo e Estudos Climáticos do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (CPTEC/Inpe) e da USP.
Ela explica que a conseqüência mais imediata do desmatamento é um aumento temporário da incidência de chuvas. Isso ocorre porque a temperatura aumenta localmente devido à perda de mata. Mas, à medida que o desmatamento avança, a estação seca torna-se mais severa e provoca uma mudança para um clima como o do Cerrado. “No sul, sudeste e leste da Amazônia, no chamado Arco do Desmatamento, o clima já se parece com o do Cerrado”, diz.
E é aí que podem começar os problemas para o resto do país. Ventos da Amazônia transportam todos os anos umidade que alimenta o regime de chuvas das regiões Sul e Sudeste. Com menos umidade, haveria menos chuva. Os estudos estão no início e são baseados principalmente em análises computacionais. Os cientistas dizem que novos dados emergirão com o prosseguimento das pesquisas na própria floresta.
Conferência
A III Conferência Científica do LBA reunirá em Brasília 800 cientistas de 70 instituições brasileiras, tais como Inpe, Embrapa, USP e Fiocruz, e mais de cem estrangeiras, como a Nasa e as universidades de Harvard e de Oxford e o instituto alemão Max-Planck. Serão apresentados resultados de 700 pesquisas de 27 a 29 de julho. No dia 23, haverá uma pré-conferência sobre a importância política do LBA.
A esperança dos especialistas é que toda essa massa de informação ajude na compreensão do verdadeiro papel da Amazônia na regulação climática e indique como a biodiversidade da maior floresta tropical do mundo pode ser protegida. A Amazônia pode abrigar até metade das espécies terrestres de seres vivos do planeta - de onças a bactérias - e é considerada uma floresta madura. As mudanças climáticas provocadas pelo homem, todavia, começam a minar o equilíbrio de uma mata que já teria alcançado sua melhor forma. “Esperamos também que essas informações contribuam para o desenvolvimento da Amazônia. Quase 20 milhões de brasileiros vivem na Amazônia. É preciso oferecer a essas pessoas uma chance real e viável de desenvolvimento”, diz Paulo Artaxo.
Social
O clima é o destaque da conferência e do próprio LBA, mas muitos dos estudos dizem respeito ao desenvolvimento social e econômico da região. Dentre eles, estão pesquisas sobre o aproveitamento agrícola de descobertas sobre a ecologia da floresta; os padrões de uso da terra; o papel das madeireiras e dos assentados.
Fonte: Amazônia.org.br – 20/07/2004
Fonte:
Notícias em destaque
A árvore com a madeira mais resistente do mundo: quebracho-colorado (Schinopsis)
A árvore frequentemente apontada como a dona da madeira mais resistente do mundo é o quebracho, especialmente o quebracho-colorado,...
(GERAL)
Transformação digital ganha protagonismo na evolução sustentável da indústria florestal chilena
Integração de dados, inteligência artificial e modernização tecnológica despontam como fatores...
(TECNOLOGIA)
Para obter leituras precisas da umidade da madeira, é necessário utilizar o medidor e o método corretos
Para profissionais que dependem de medições de umidade para tomar decisões críticas, a precisão dos resultados...
(INTERNACIONAL)
Biomassa, compostagem e floresta: o que têm em comum?
A pergunta “biomassa, compostagem e floresta: o que têm em comum?” parece reunir temas de naturezas distintas. Na...
(BIOENERGIA)
Com 150 metros de comprimento e 3.500 m³ de madeira, os cogumelos gigantes se tornaram a maior estrutura de madeira do mundo em Sevilha
O panorama arquitetônico de Sevilha foi completamente transformado por uma das estruturas mais inovadoras de toda a Europa.
• 1A...
(MADEIRA E PRODUTOS)
Rastreabilidade da madeira reforça credibilidade do setor florestal brasileiro
Exigência por comprovação de origem fortalece o uso de tecnologias que conectam a produção ao consumidor...
(GERAL)














