Voltar
Notícias
19
set
2011
(BIOENERGIA)
Capim-elefante na produção de Carvocapim: de alimentação bovina à geração de energia
Afinal, o que é sustentabilidade? Segundo Relatório de Brundland, conhecido como Nosso Futuro Comum, da Organização das Nações Unidas (ONU), sustentabilidade é “o desenvolvimento que satisfaz as necessidades presentes, sem comprometer a capacidade das gerações futuras de suprir suas próprias necessidades.” Ou seja, trata-se de promover o desenvolvimento econômico contemporâneo buscando preservar o meio ambiente e a qualidade e a quantidade dos recursos naturais. Ao encontro dessa proposta, pesquisadores da Universidade Estadual do Norte Fluminense (Uenf), com o apoio do edital Prioridade Rio, da FAPERJ, estão produzindo um biocombustível sólido (briquetes) a partir da biomassa de capim-elefante, gramínea muito utilizada na alimentação de bovinos. Segundo Hernán Maldonado, pesquisador responsável pelo projeto, o Carvocapim, como foi nomeado, está sendo pensado para competir com o carvão vegetal tradicional, principalmente, com o que é feito a partir da exploração de florestas de eucalipto remanescentes e/ou reflorestadas. “Os briquetes de Carvocapim podem ser utilizados, por exemplo, em fornos de padaria, pizzarias, caldeiras industriais e na indústria de cerâmica. Esta última, inclusive, representa uma das atividades econômicas mais expressivas da região norte fluminense.”
Maldonado destaca que o principal diferencial do Carvocapim é o grande volume de sua produção anual: enquanto o corte final do eucalipto só acontece a partir do quinto ano após plantio, o capim-elefante após o primeiro ano de plantio pode-se obter dois cortes anuais para finalidades energéticas. “Além disso, diferente do capim-elefante usado para a alimentação bovina, alguns tipos genéticos da gramínea usada no projeto chegam a atingir cerca de quatro metros de altura, com a estimativa de produzir em média 70 toneladas de matéria seca por ano. Essa biomassa, submetida ao carvoejamento a 380ºC (processo de fabricação dos briquetes), produz entre 25% e 30% de briquetes de Carvocapim por hectare, a cada ano”, acrescenta o pesquisador.
Mais do que reduzir os desmatamentos florestais, o Carvocapim também diminui a dependência do consumo de combustíveis fósseis, como o carvão mineral, que são finitos e que emitem gases intensificadores do efeito estufa. O pesquisador ressalta, ainda, que o novo biocombustível sólido é uma fonte de energia limpa, já que o CO2 produzido com sua queima é reutilizado no ciclo de crescimento das novas plantações de capim-elefante.
Presente e Futuro
Em uma face do projeto, Maldonado conta que estão sendo feitas três avaliações importantes para verificar a viabilidade da aplicação industrial e comercial do Carvocapim. A primeira é o levantamento de todos os custos envolvidos desde a preparação do solo até a produção final. A outra é a quantificação do poder calorífico dos briquetes. Por último, uma análise dos gases desprendidos pela combustão do novo biocombustível. “Para ser viável e competitivo, temos que associar baixo custo de produção, alto poder de geração de energia e, claro, desenvolvimento sustentável”, sintetiza.
Até o momento, segundo Maldonado, os resultados são satisfatórios. Ele destaca ainda que, em outra parte do estudo, os pesquisadores estão trabalhando no aproveitamento das cinzas oriundas da queima do Carvocapim. “Essas cinzas estão sendo utilizados na fabricação de cerâmica vermelha e estamos observando uma melhora na plasticidade e na qualidade da argila. Isso caracteriza um fim ecologicamente correto dos resíduos”, comemora.
Para o futuro, o pesquisador adianta que o Carvocapim será produzido por outro método de carvoejamento, realizado acima de 400ºC e na presença de pouco ou nenhum oxigênio. “Esse modelo de produção, conhecido como Biochar, retém entre 30 a 50% do carbono presente na biomassa e nos permite outra utilização do Carvocapim: poderá ser utilizado como adubo a ser incorporado ao solo e os gases produzidos no processo podem ser utilizados como fonte energética”, explica Maldonado.
“Além de integrar especialistas com larga experiência no manejo do capim-elefante, o projeto conta com a participação do professor José Fernando Coelho da Silva, da área de Nutrição de Ruminantes; do professor Carlos Maurício Fontes Vieira, pesquisador do Laboratório de Materiais Avançados da Uenf, do professor Marcelo Silva Sthel, membro fundador do Núcleo de Energia Alternativa da Uenf e especialista na detecção de gases poluentes e do doutorando Lucival de Souza Júnior, do programa de Ciência Animal da Uenf”, agradece Maldonado.
De acordo com o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma), a destruição da natureza causa prejuízos anuais de, no mínimo, R$ 8 trilhões. Desse montante, cerca de R$ 4 trilhões são perdidos nos desmatamentos e queimadas florestais. “Portanto, é melhor investir em propostas de desenvolvimento sustentável, como a produção e as propostas de utilização do Carvocapim”, resume Maldonado.
Maldonado destaca que o principal diferencial do Carvocapim é o grande volume de sua produção anual: enquanto o corte final do eucalipto só acontece a partir do quinto ano após plantio, o capim-elefante após o primeiro ano de plantio pode-se obter dois cortes anuais para finalidades energéticas. “Além disso, diferente do capim-elefante usado para a alimentação bovina, alguns tipos genéticos da gramínea usada no projeto chegam a atingir cerca de quatro metros de altura, com a estimativa de produzir em média 70 toneladas de matéria seca por ano. Essa biomassa, submetida ao carvoejamento a 380ºC (processo de fabricação dos briquetes), produz entre 25% e 30% de briquetes de Carvocapim por hectare, a cada ano”, acrescenta o pesquisador.
Mais do que reduzir os desmatamentos florestais, o Carvocapim também diminui a dependência do consumo de combustíveis fósseis, como o carvão mineral, que são finitos e que emitem gases intensificadores do efeito estufa. O pesquisador ressalta, ainda, que o novo biocombustível sólido é uma fonte de energia limpa, já que o CO2 produzido com sua queima é reutilizado no ciclo de crescimento das novas plantações de capim-elefante.
Presente e Futuro
Em uma face do projeto, Maldonado conta que estão sendo feitas três avaliações importantes para verificar a viabilidade da aplicação industrial e comercial do Carvocapim. A primeira é o levantamento de todos os custos envolvidos desde a preparação do solo até a produção final. A outra é a quantificação do poder calorífico dos briquetes. Por último, uma análise dos gases desprendidos pela combustão do novo biocombustível. “Para ser viável e competitivo, temos que associar baixo custo de produção, alto poder de geração de energia e, claro, desenvolvimento sustentável”, sintetiza.
Até o momento, segundo Maldonado, os resultados são satisfatórios. Ele destaca ainda que, em outra parte do estudo, os pesquisadores estão trabalhando no aproveitamento das cinzas oriundas da queima do Carvocapim. “Essas cinzas estão sendo utilizados na fabricação de cerâmica vermelha e estamos observando uma melhora na plasticidade e na qualidade da argila. Isso caracteriza um fim ecologicamente correto dos resíduos”, comemora.
Para o futuro, o pesquisador adianta que o Carvocapim será produzido por outro método de carvoejamento, realizado acima de 400ºC e na presença de pouco ou nenhum oxigênio. “Esse modelo de produção, conhecido como Biochar, retém entre 30 a 50% do carbono presente na biomassa e nos permite outra utilização do Carvocapim: poderá ser utilizado como adubo a ser incorporado ao solo e os gases produzidos no processo podem ser utilizados como fonte energética”, explica Maldonado.
“Além de integrar especialistas com larga experiência no manejo do capim-elefante, o projeto conta com a participação do professor José Fernando Coelho da Silva, da área de Nutrição de Ruminantes; do professor Carlos Maurício Fontes Vieira, pesquisador do Laboratório de Materiais Avançados da Uenf, do professor Marcelo Silva Sthel, membro fundador do Núcleo de Energia Alternativa da Uenf e especialista na detecção de gases poluentes e do doutorando Lucival de Souza Júnior, do programa de Ciência Animal da Uenf”, agradece Maldonado.
De acordo com o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma), a destruição da natureza causa prejuízos anuais de, no mínimo, R$ 8 trilhões. Desse montante, cerca de R$ 4 trilhões são perdidos nos desmatamentos e queimadas florestais. “Portanto, é melhor investir em propostas de desenvolvimento sustentável, como a produção e as propostas de utilização do Carvocapim”, resume Maldonado.
Fonte: Matéria Elena Mandarim, da FAPERJ – Fundação Carlos Chagas Filho de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro
Notícias em destaque
Webinar da WMCO explorará mercados e recursos alternativos para exportação de produtos de madeira.
O Cluster de Fabricação de Madeira de Ontário apresentará um webinar intitulado “Mercados e Recursos...
(EVENTOS)
Só marretadas e encaixes “macho e fêmea”, nada de pregos ou fixadores metálicos
Só marretadas e encaixes “macho e fêmea”, nada de pregos ou fixadores metálicos: como são feitas as casas...
(CONSTRUÇÃO CIVIL)
Pará pode aumentar exportações em até 50 por cento com novas rotas para o Pacífico, indicam economistas
Infraestrutura logística inédita deve reduzir custos, acelerar o acesso ao mercado asiático e impulsionar setores como...
(MERCADO)
Pinheiro-americano ameaça biodiversidade e recursos hídricos na Serra do Cipó
Pesquisadores da UFMG alertam para o avanço de espécie invasora que aumenta risco de incêndios e prejudica a...
(GERAL)
Com estrutura totalmente de madeira encaixada, ponte histórica atravessa um rio sem usar aço, concreto, pregos ou qualquer argamassa
Com estrutura totalmente de madeira encaixada, cinco arcos consecutivos e quase 200 metros de extensão, esta ponte histórica...
(MADEIRA E PRODUTOS)
Erva-mate fatura mais de R$ 1 bi e pode ter novo ciclo de crescimento no Paraná
Estado pretende implantar ações voltadas à rastreabilidade e ao padrão de qualidade do produto
A erva-mate...
(AGRO)














