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Notícias
26
jul
2011
(GERAL)
Concessão de selo florestal será feita com mais rigor
Das caixas de suco e leite às embalagens de pizza, cadernos, livros, papéis para imprimir, móveis, utensílios domésticos e madeira para a construção civil, são cada vez mais numerosos os produtos que chegam às vitrines estampando o selo da árvore verde, conferido pelo Forest Stewardschip Council (FSC). O emblema, que se torna popular também no Brasil, é reconhecido no mundo por diferenciar itens fabricados a partir da exploração de florestas com baixo impacto e critérios socioambientais. Nos últimos três anos, a quantidade de artigos com o atestado pulou de 11,1 mil para 20,8 mil, em todos os continentes. "Para que o brusco crescimento da certificação não afete a sua credibilidade, novas medidas estão sendo tomadas para maior rigidez e controle da origem", revela Maurício Voivodic, secretário-executivo do Instituto de Manejo e Certificação Florestal e Agrícola (Imaflora).
O desafio, segundo ele, centralizou os debates na última assembleia geral do FSC, realizada na Malásia, em junho, com participação de ambientalistas, empresas, movimentos sociais e outros grupos de interesse na questão florestal. A certificação envolve mudanças produtivas que interferem no mercado, balizam políticas públicas e, em muitos casos, moldam a agenda de investimentos das empresas. É vista como ferramenta estratégica para diferenciação no mercado, na perspectiva de melhores preços e conquista de maior espaço e competitividade - esse cenário se reflete nos resultados da balança comercial dos países produtores e consumidores. A complexidade de interesses é retratada nas reuniões globais do FSC, nas quais são debatidas e votadas moções capazes de influenciar a exploração florestal naturais ou plantadas em todo o planeta.
As decisões tomadas na Malásia incluem mudanças no sistema de controle da madeira. A questão se refere ao conceito de "fontes mistas", que permite misturar em um mesmo produto material obtido de floresta certificada com o proveniente de outras áreas, desde que submetido a uma política de controle da própria empresa junto a seus fornecedores. Critérios mínimos, como cumprimento da lei e redução de impactos sociais, precisam ser obrigatoriamente aplicados na auto-avaliação. "O modelo foi criado para dar flexibilidade e atrair para práticas socioambientais setores produtivos que, por falta de escala, não podiam abastecer o mercado apenas com matéria-prima certificada", explica Voivodic. Ele completa: "o problema é que o sistema flexível se mostrou frágil, com falta de transparência, representando grande risco à reputação do FSC".
Após questionamento de organizações ambientalistas, ficou decidido que as instituições certificadoras independentes, credenciadas pelo FSC, serão responsáveis pela avaliação dos fornecedores - e não a empresa compradora do insumo. A regra entra em vigorar no fim de 2012. A medida teve o apoio de grandes corporações que investiram na certificação e não desejam amargar perdas em função de problemas de credibilidade do sistema.
A mudança dará maior garantia para o consumo responsável na ponta final da cadeia. Cresce a consciência de que a decisão de compra nas cidades tem conexão direta com a realidade da floresta tanto sob o ponto de vista ambiental como econômico e social. Em um ano e meio, o número de produtos industrializados de origem florestal com o selo verde dobrou no Brasil, atingindo em junho um total de 671.
O manejo florestal deverá se integrar aos esforços contra o agravamento das mudanças climáticas. Para a certificação, a empresas florestais terão que implementar medidas para reduzir gases do efeito estufa. "As novas decisões fortalecem a certificação como instrumento de mercado e de transformações ambientais e sociais", afirma Fabíola Zerbini, secretária-executiva do FSC Brasil. A entidade vai direcionar energia e recursos para tornar o selo acessível a extrativistas e pequenos produtores e, até novembro deste ano, será concluída uma nova versão mais restritiva e exigente para as regras socioambientais.
A polêmica proposta de se permitir o selo socioambiental para produtos transgênicos, antigo pleito do setor de papel e celulose no sentido de aumentar a produtividade dos plantios de eucalipto, acabou não sendo aprovada. Mas a assembleia do FSC, da qual o Brasil participou com a maior de todas as delegações nacionais, não descartou totalmente a questão, sinalizando para a continuidade dos estudos. O mesmo aconteceu com a possibilidade de certificação para florestas plantadas em áreas desmatadas após 1994. "Foi criado um grupo de trabalho para definir, nos próximos anos, qual rumo adotar frente a esse tema polêmico", esclarece Zerbini.
O desafio, segundo ele, centralizou os debates na última assembleia geral do FSC, realizada na Malásia, em junho, com participação de ambientalistas, empresas, movimentos sociais e outros grupos de interesse na questão florestal. A certificação envolve mudanças produtivas que interferem no mercado, balizam políticas públicas e, em muitos casos, moldam a agenda de investimentos das empresas. É vista como ferramenta estratégica para diferenciação no mercado, na perspectiva de melhores preços e conquista de maior espaço e competitividade - esse cenário se reflete nos resultados da balança comercial dos países produtores e consumidores. A complexidade de interesses é retratada nas reuniões globais do FSC, nas quais são debatidas e votadas moções capazes de influenciar a exploração florestal naturais ou plantadas em todo o planeta.
As decisões tomadas na Malásia incluem mudanças no sistema de controle da madeira. A questão se refere ao conceito de "fontes mistas", que permite misturar em um mesmo produto material obtido de floresta certificada com o proveniente de outras áreas, desde que submetido a uma política de controle da própria empresa junto a seus fornecedores. Critérios mínimos, como cumprimento da lei e redução de impactos sociais, precisam ser obrigatoriamente aplicados na auto-avaliação. "O modelo foi criado para dar flexibilidade e atrair para práticas socioambientais setores produtivos que, por falta de escala, não podiam abastecer o mercado apenas com matéria-prima certificada", explica Voivodic. Ele completa: "o problema é que o sistema flexível se mostrou frágil, com falta de transparência, representando grande risco à reputação do FSC".
Após questionamento de organizações ambientalistas, ficou decidido que as instituições certificadoras independentes, credenciadas pelo FSC, serão responsáveis pela avaliação dos fornecedores - e não a empresa compradora do insumo. A regra entra em vigorar no fim de 2012. A medida teve o apoio de grandes corporações que investiram na certificação e não desejam amargar perdas em função de problemas de credibilidade do sistema.
A mudança dará maior garantia para o consumo responsável na ponta final da cadeia. Cresce a consciência de que a decisão de compra nas cidades tem conexão direta com a realidade da floresta tanto sob o ponto de vista ambiental como econômico e social. Em um ano e meio, o número de produtos industrializados de origem florestal com o selo verde dobrou no Brasil, atingindo em junho um total de 671.
O manejo florestal deverá se integrar aos esforços contra o agravamento das mudanças climáticas. Para a certificação, a empresas florestais terão que implementar medidas para reduzir gases do efeito estufa. "As novas decisões fortalecem a certificação como instrumento de mercado e de transformações ambientais e sociais", afirma Fabíola Zerbini, secretária-executiva do FSC Brasil. A entidade vai direcionar energia e recursos para tornar o selo acessível a extrativistas e pequenos produtores e, até novembro deste ano, será concluída uma nova versão mais restritiva e exigente para as regras socioambientais.
A polêmica proposta de se permitir o selo socioambiental para produtos transgênicos, antigo pleito do setor de papel e celulose no sentido de aumentar a produtividade dos plantios de eucalipto, acabou não sendo aprovada. Mas a assembleia do FSC, da qual o Brasil participou com a maior de todas as delegações nacionais, não descartou totalmente a questão, sinalizando para a continuidade dos estudos. O mesmo aconteceu com a possibilidade de certificação para florestas plantadas em áreas desmatadas após 1994. "Foi criado um grupo de trabalho para definir, nos próximos anos, qual rumo adotar frente a esse tema polêmico", esclarece Zerbini.
Fonte: Sérgio Adeodato - Valor Econômico
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