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Notícias
09
mar
2011
(GERAL)
Equador faz sua escolha entre floresta e petróleo
Festa no Yasuní: uma das mais altas taxas de biodiversidade do planeta sobre 20% das reservas de petróleo do país
"El Torto" espera a canoa na curva do rio. Tem um olho só. Se jacarés não fossem de domesticação improvável seria suspeito o aparecimento repentino do caolho: arma de marketing para impressionar turistas na Amazônia equatoriana? Mas não é assim: jacarés são jacarés, e "El Torto" submerge rápido no lago Anangucocha, sem esperar pela foto. Em um hectare desta mata dizem que há quase a mesma variedade de árvores que no Canadá e Estados Unidos juntos, mais de 100 mil espécies de insetos, 50 de palmeiras e 44% do total de aves da bacia amazônica.
O Parque Nacional Yasuní, onde vive o jacaré de um olho só, é praticamente uma Arca de Noé da biodiversidade, com uma particularidade: tudo sobre 20% das reservas de petróleo do Equador. Neste pedaço de Amazônia discute-se ativamente o que vale mais - petróleo ou floresta?
Para os indígenas da comunidade quechua Añangu, que administram um projeto de ecoturismo e se dedicam a cuidar de 21.400 hectares de floresta, não há dúvida. "A Texaco? Que benefício deixou para a comunidade?", questiona o líder comunitário Jiovanni Rivapeneira referindo-se à Chevron-Texaco, que operou na Amazônia durante 26 anos e é protagonista de um famoso processo por danos ambientais e sociais na região. "Uma herança de doenças e poluição", reclama Rivapeneira. Ele conta que foi para ter alternativa ao trabalho nas grandes petroleiras que a comunidade quis, há 13 anos, erguer um lodge naquele trecho encantado de bosque. Entre os rios Napo e Tiputini surgiu o Napo Wildlife Center Ecolodge - assim mesmo, grafado em inglês na placa de boas-vindas aos visitantes. São 12 cabanas, lugar para apenas 24 hóspedes. Chega-se viajando algumas horas de canoa motorizada pelo Napo até os igarapés. Continua-se por duas horas em canoa a remo para dentro da Amazônia no estreito braço de rio, vendo borboletas azuis e macacos escolhendo cipós. No fim do dia, com sorte, aparece o jacaré famoso.
A poucos quilômetros estão poços de petróleo de todas as grandes empresas do mundo. No Napo, largo como costumam ser os rios amazônicos, a floresta também domina a paisagem, mas é fácil ver o fogo das torres queimando no meio das copas das árvores e cruzar balsas transportando caminhões-tanque. Em uma clareira acontece a feira de Pompeya, com barraquinhas que vendem vermes fritos em espetinhos, os "gusanos" (quem é corajoso diz que têm gosto de camarão). Os trabalhadores das empresas e gente das comunidades se abastecem de lenços de papel, cola branca, açúcar, latas de atum, xampus e cachaça. O entorno, de rio e de floresta, é magnífico, mas Pompeya tem atmosfera decadente e uma tensão no ar.
Cecilia Puebla/Oxfam
"El Torto" espera a canoa na curva do rio. Tem um olho só. Se jacarés não fossem de domesticação improvável seria suspeito o aparecimento repentino do caolho: arma de marketing para impressionar turistas na Amazônia equatoriana? Mas não é assim: jacarés são jacarés, e "El Torto" submerge rápido no lago Anangucocha, sem esperar pela foto. Em um hectare desta mata dizem que há quase a mesma variedade de árvores que no Canadá e Estados Unidos juntos, mais de 100 mil espécies de insetos, 50 de palmeiras e 44% do total de aves da bacia amazônica.
O Parque Nacional Yasuní, onde vive o jacaré de um olho só, é praticamente uma Arca de Noé da biodiversidade, com uma particularidade: tudo sobre 20% das reservas de petróleo do Equador. Neste pedaço de Amazônia discute-se ativamente o que vale mais - petróleo ou floresta?
Para os indígenas da comunidade quechua Añangu, que administram um projeto de ecoturismo e se dedicam a cuidar de 21.400 hectares de floresta, não há dúvida. "A Texaco? Que benefício deixou para a comunidade?", questiona o líder comunitário Jiovanni Rivapeneira referindo-se à Chevron-Texaco, que operou na Amazônia durante 26 anos e é protagonista de um famoso processo por danos ambientais e sociais na região. "Uma herança de doenças e poluição", reclama Rivapeneira. Ele conta que foi para ter alternativa ao trabalho nas grandes petroleiras que a comunidade quis, há 13 anos, erguer um lodge naquele trecho encantado de bosque. Entre os rios Napo e Tiputini surgiu o Napo Wildlife Center Ecolodge - assim mesmo, grafado em inglês na placa de boas-vindas aos visitantes. São 12 cabanas, lugar para apenas 24 hóspedes. Chega-se viajando algumas horas de canoa motorizada pelo Napo até os igarapés. Continua-se por duas horas em canoa a remo para dentro da Amazônia no estreito braço de rio, vendo borboletas azuis e macacos escolhendo cipós. No fim do dia, com sorte, aparece o jacaré famoso.
A poucos quilômetros estão poços de petróleo de todas as grandes empresas do mundo. No Napo, largo como costumam ser os rios amazônicos, a floresta também domina a paisagem, mas é fácil ver o fogo das torres queimando no meio das copas das árvores e cruzar balsas transportando caminhões-tanque. Em uma clareira acontece a feira de Pompeya, com barraquinhas que vendem vermes fritos em espetinhos, os "gusanos" (quem é corajoso diz que têm gosto de camarão). Os trabalhadores das empresas e gente das comunidades se abastecem de lenços de papel, cola branca, açúcar, latas de atum, xampus e cachaça. O entorno, de rio e de floresta, é magnífico, mas Pompeya tem atmosfera decadente e uma tensão no ar.
Cecilia Puebla/Oxfam
Fonte: Por Valor Econômico - SP - Daniela Chiaretti
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