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Notícias
24
jan
2011
(SETOR FLORESTAL)
Conservando florestas, mas também o sustento
Durante vários anos, as campanhas para o uso sustentável das florestas tropicais em Ruanda simplesmente ignoravam a realidade de pessoas como Pascal Segatashya. Mas um novo e ambicioso projeto finalmente o levou em conta, e transformou sua vida e forma de sustento. A maioria de seus vizinhos em uma comunidade rural do distrito de Gisagara é de fazendeiros, mas este pai de cinco filhos se dedicava ao corte ilegal de árvores em sua terra de cinco hectares para vender como lenha.
Noventa por cento dos habitantes de Gisagara participam de algum tipo de agricultura nas terras férteis localizadas nas encostas das montanhas. Como em muitas outras partes do país, a população aqui foi afetada pelo regresso demais de três milhões de exilados em razão do genocídio de 1994. A crescente população rural está faminta de terra para plantar e de madeira para combustível e construção, o que ameaça as florestas.
Dados reunidos pelo portal ambiental Mongabay mostram que o uso de madeira como combustível cresceu 60-% entre 1990 e 2005. O corte industrial também aumentou nesse período. A análise de Mongabay, com base em informação da Organização das Nações Unidas para a Agricultura e a Alimentação e do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente, parece indicar aumento no desmatamento em Ruanda. Mas, a cobertura florestal neste país cresceu de 10% a 20%.
Isso porque o governo fez da proteção das áreas verdes uma prioridade, e estabeleceu a meta de conseguir cobertura de 30% até 2020, podendo, inclusive, alcançá-lo antes. A floresta de Gishwati foi quase totalmente destruída pelos refugiados do último genocídio, mas isto é compensado pela agressiva campanha governamental contra o uso insustentável das florestas e a favor da plantação de árvores no resto do país.
Um dia, há quase dois anos, quando voltava para casa em um caminhão lotado de lenha, Segatashya foi preso por corte ilegal de árvores. Ficou preso vários dias acusado de degradação ambiental, segundo as regulações governamentais. Mas hoje, graças ao apoio do novo Projeto de Conservação de Florestas, ele pode se dedicar à indústria agroflorestal. Sua terra agora mantém uma área para plantar eucalipto, e no restante cultiva manga e abacate.
Segatashya disse que sua renda mensal, de US$ 200, equivale ao que ganhava antes com o corte de árvores, mas agora pode usar a terra de forma sustentável. “A tarefa de manter as árvores é muito fácil e posso ganhar dinheiro vendendo a fruta mais facilmente e sem complicações”, disse à IPS. A partir de 2009, o governo ruandês enviou especialistas para trabalharem em nível local em todo o país, capacitando os camponeses sobre como melhorar o uso da terra no contexto de um programa de reflorestamento.
O plano prevê restaurar a cobertura em áreas desmatadas das regiões mais afetadas deste país montanhoso. O governo dá ênfase na indústria agroflorestal porque acredita que pode ser uma importante fonte de alimentos além de aumentar a renda nas aldeias. O objetivo é “criar riqueza para os ruandeses, embora plantar árvores será o objetivo principal do governo e de seus sócios”, disse o ministro de Terras, Meio Ambiente, Águas e Minas de Ruanda, Christophe Baxivamo.
Mas um pesquisador ambiental da Universidade Nacional de Ruanda, que preferiu manter o anonimato, destacou que o sucesso do plano depende do enfoque que o governo adotar. “O mais importante é incentivar a propriedade e promover a participação social em lugar de dar ênfase na aplicação da lei”, disse à IPS, referindo-se ao tipo de controle que levaram Sengatashya a passar várias noites na prisão. Além disso, alertou que o financiamento para o programa de reflorestamento é inadequado.
Fabien Kayitare também expressou suas reservas. Este especialista do Projeto Catalist, do Centro Internacional de Desenvolvimento de Fertilizantes, disse que as comunidades locais devem adquirir novos conhecimentos se querem ter êxito. “Não há ninguém a se culpar pelos desmatamento, mas é importante introduzir novas alternativas para consumir menos combustíveis”, afirmou.
O Projeto Catalist trabalha com organizações de agricultores, grupos da sociedade civil e doadores em Ruanda, Burundi e República Democrática do Congo para impulsionar a produção de alimentos básicos, com destaque em uma administração ambiental sã e proteção da biodiversidade. Destacou a necessidade de apropriadas tecnologias para reduzir a pressão sobre as terras reflorestadas, oferecendo fogões melhorados à população, por exemplo, que usam menos madeira e de forma mais eficiente.
Noventa por cento dos habitantes de Gisagara participam de algum tipo de agricultura nas terras férteis localizadas nas encostas das montanhas. Como em muitas outras partes do país, a população aqui foi afetada pelo regresso demais de três milhões de exilados em razão do genocídio de 1994. A crescente população rural está faminta de terra para plantar e de madeira para combustível e construção, o que ameaça as florestas.
Dados reunidos pelo portal ambiental Mongabay mostram que o uso de madeira como combustível cresceu 60-% entre 1990 e 2005. O corte industrial também aumentou nesse período. A análise de Mongabay, com base em informação da Organização das Nações Unidas para a Agricultura e a Alimentação e do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente, parece indicar aumento no desmatamento em Ruanda. Mas, a cobertura florestal neste país cresceu de 10% a 20%.
Isso porque o governo fez da proteção das áreas verdes uma prioridade, e estabeleceu a meta de conseguir cobertura de 30% até 2020, podendo, inclusive, alcançá-lo antes. A floresta de Gishwati foi quase totalmente destruída pelos refugiados do último genocídio, mas isto é compensado pela agressiva campanha governamental contra o uso insustentável das florestas e a favor da plantação de árvores no resto do país.
Um dia, há quase dois anos, quando voltava para casa em um caminhão lotado de lenha, Segatashya foi preso por corte ilegal de árvores. Ficou preso vários dias acusado de degradação ambiental, segundo as regulações governamentais. Mas hoje, graças ao apoio do novo Projeto de Conservação de Florestas, ele pode se dedicar à indústria agroflorestal. Sua terra agora mantém uma área para plantar eucalipto, e no restante cultiva manga e abacate.
Segatashya disse que sua renda mensal, de US$ 200, equivale ao que ganhava antes com o corte de árvores, mas agora pode usar a terra de forma sustentável. “A tarefa de manter as árvores é muito fácil e posso ganhar dinheiro vendendo a fruta mais facilmente e sem complicações”, disse à IPS. A partir de 2009, o governo ruandês enviou especialistas para trabalharem em nível local em todo o país, capacitando os camponeses sobre como melhorar o uso da terra no contexto de um programa de reflorestamento.
O plano prevê restaurar a cobertura em áreas desmatadas das regiões mais afetadas deste país montanhoso. O governo dá ênfase na indústria agroflorestal porque acredita que pode ser uma importante fonte de alimentos além de aumentar a renda nas aldeias. O objetivo é “criar riqueza para os ruandeses, embora plantar árvores será o objetivo principal do governo e de seus sócios”, disse o ministro de Terras, Meio Ambiente, Águas e Minas de Ruanda, Christophe Baxivamo.
Mas um pesquisador ambiental da Universidade Nacional de Ruanda, que preferiu manter o anonimato, destacou que o sucesso do plano depende do enfoque que o governo adotar. “O mais importante é incentivar a propriedade e promover a participação social em lugar de dar ênfase na aplicação da lei”, disse à IPS, referindo-se ao tipo de controle que levaram Sengatashya a passar várias noites na prisão. Além disso, alertou que o financiamento para o programa de reflorestamento é inadequado.
Fabien Kayitare também expressou suas reservas. Este especialista do Projeto Catalist, do Centro Internacional de Desenvolvimento de Fertilizantes, disse que as comunidades locais devem adquirir novos conhecimentos se querem ter êxito. “Não há ninguém a se culpar pelos desmatamento, mas é importante introduzir novas alternativas para consumir menos combustíveis”, afirmou.
O Projeto Catalist trabalha com organizações de agricultores, grupos da sociedade civil e doadores em Ruanda, Burundi e República Democrática do Congo para impulsionar a produção de alimentos básicos, com destaque em uma administração ambiental sã e proteção da biodiversidade. Destacou a necessidade de apropriadas tecnologias para reduzir a pressão sobre as terras reflorestadas, oferecendo fogões melhorados à população, por exemplo, que usam menos madeira e de forma mais eficiente.
Fonte: (IPS/Envolverde)
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