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Notícias
13
ago
2010
(GERAL)
Estudo socioeconômico revela: cacau nativo é melhor opção no Purus
* Ecio Rodrigues
Com apoio do CNPq, por meio de recursos oriundos da Secretaria de Agricultura Familiar, vinculada ao Ministério do Desenvolvimento Agrário, uma equipe de pesquisadores vem, desde 2007, pesquisando o extrativismo do cacau nativo localizado nas margens do Rio Purus.
O projeto é fruto de um consórcio formado pela Universidade de Viçosa, que se responsabilizou pelo mapeamento da dispersão do cacau nativo ao longo da margem do Rio Purus, no trecho entre a foz do Iaco, em Sena Madureira, no Acre, e a cidade de Lábrea no Amazonas, com emprego de imagem de satélite de média resolução. Esse estudo, já publicado em monografia, permitiu saber onde e em quais condições o cacau nativo aparecia.
Já a Unesp se envolveu no estudo da logística necessária para fazer com que o cacau fosse extraído e colocado no mercado. Todos os passos necessários ao processamento primário da semente e seu transporte até o destino final foram minuciosamente detalhados para sua otimização.
O projeto conta ainda com apoio fundamental da Agência de Cooperação Alemã, GTZ, e da Universidade de Freiburg, que concluiu estudos de Inventário Florestal, reprodução do cacau e sobre a fauna silvestre que consome o cacau.
Com 3 anos de duração e orçado em R$ 200.00,00 o projeto se encerra com a elaboração do Plano de Manejo Florestal Comunitário do cacau nativo, que permitirá aos produtores associados à Cooperativa dos Extrativistas do Purus e Mapiá, Cooperar, ampliar sua produção de sementes de cacau nativo, para atender uma demanda cada vez maior.
Ocorre que a necessidade de se elaborar o plano de manejo surgiu a partir de um acordo comercial firmado entre a Cooperar e a empresa alemã Hachez produtora de um chocolate de alta qualidade. A empresa resolveu investir na oferta de um chocolate obtido de um cacau primitivo e selvagem, com o sabor diferenciado do cacau nativo da Amazônia. O produto fez sucesso no mercado alemão e a demanda inicial de 9 toneladas teve que ser ampliada para 40 toneladas de sementes de cacau.
Como ampliar a produtividade sem apelar para a domesticação e o cultivo, afinal o cacau teria que ser selvagem, foi o desafio trazido pela Cooperar para a Engenharia Florestal da Universidade Federal do Acre, UFAC, que se incumbiu pela concepção dos protocolos de manejo necessários à ampliação da produção em ambiente florestal.
O que foi possível com a conclusão do estudo de socioeconomia dos extrativistas envolvidos na produção de cacau nativo do Purus, objeto de monografia do Engenheiro Florestal Israell Ricardo Melo, graduado na UFAC, que mostrou a realidade do cotidiano daquela comunidade, e, o mais importante, permitiu conceber inovações tecnológicas adequadas à essa realidade.
O denso estudo socioeconomico, que teve por base de dados a realização de mais de 800 entrevistas com os ribeirinhos do Purus, também revelou a importância da produção de cacau nativo para dinâmica econômica local.
Com a extração do cacau e processamento das sementes o extrativista pode conseguir, durante a safra, o equivalente a R$ 50,00 por dia de produção. É a atividade que melhor remunera o trabalho daqueles produtores.
Além dessa importância econômica, como afirma Israell, o manejo comunitário do cacau nativo é a atividade produtiva mais adequada ao ecossistema florestal do Purus e aos ideais de sustentabilidade atualmente preconizados para Amazônia.
Somente isso devia bastar para receber atenção de políticas públicas.
* Professor da Universidade Federal do Acre (Ufac), Engenheiro Florestal, Especialista em Manejo Florestal e Mestre em Economia e Política Florestal pela Universidade Federal do Paraná (UFPR) e Doutor em Desenvolvimento Sustentável pela Universidade de Brasília (UnB).
Com apoio do CNPq, por meio de recursos oriundos da Secretaria de Agricultura Familiar, vinculada ao Ministério do Desenvolvimento Agrário, uma equipe de pesquisadores vem, desde 2007, pesquisando o extrativismo do cacau nativo localizado nas margens do Rio Purus.
O projeto é fruto de um consórcio formado pela Universidade de Viçosa, que se responsabilizou pelo mapeamento da dispersão do cacau nativo ao longo da margem do Rio Purus, no trecho entre a foz do Iaco, em Sena Madureira, no Acre, e a cidade de Lábrea no Amazonas, com emprego de imagem de satélite de média resolução. Esse estudo, já publicado em monografia, permitiu saber onde e em quais condições o cacau nativo aparecia.
Já a Unesp se envolveu no estudo da logística necessária para fazer com que o cacau fosse extraído e colocado no mercado. Todos os passos necessários ao processamento primário da semente e seu transporte até o destino final foram minuciosamente detalhados para sua otimização.
O projeto conta ainda com apoio fundamental da Agência de Cooperação Alemã, GTZ, e da Universidade de Freiburg, que concluiu estudos de Inventário Florestal, reprodução do cacau e sobre a fauna silvestre que consome o cacau.
Com 3 anos de duração e orçado em R$ 200.00,00 o projeto se encerra com a elaboração do Plano de Manejo Florestal Comunitário do cacau nativo, que permitirá aos produtores associados à Cooperativa dos Extrativistas do Purus e Mapiá, Cooperar, ampliar sua produção de sementes de cacau nativo, para atender uma demanda cada vez maior.
Ocorre que a necessidade de se elaborar o plano de manejo surgiu a partir de um acordo comercial firmado entre a Cooperar e a empresa alemã Hachez produtora de um chocolate de alta qualidade. A empresa resolveu investir na oferta de um chocolate obtido de um cacau primitivo e selvagem, com o sabor diferenciado do cacau nativo da Amazônia. O produto fez sucesso no mercado alemão e a demanda inicial de 9 toneladas teve que ser ampliada para 40 toneladas de sementes de cacau.
Como ampliar a produtividade sem apelar para a domesticação e o cultivo, afinal o cacau teria que ser selvagem, foi o desafio trazido pela Cooperar para a Engenharia Florestal da Universidade Federal do Acre, UFAC, que se incumbiu pela concepção dos protocolos de manejo necessários à ampliação da produção em ambiente florestal.
O que foi possível com a conclusão do estudo de socioeconomia dos extrativistas envolvidos na produção de cacau nativo do Purus, objeto de monografia do Engenheiro Florestal Israell Ricardo Melo, graduado na UFAC, que mostrou a realidade do cotidiano daquela comunidade, e, o mais importante, permitiu conceber inovações tecnológicas adequadas à essa realidade.
O denso estudo socioeconomico, que teve por base de dados a realização de mais de 800 entrevistas com os ribeirinhos do Purus, também revelou a importância da produção de cacau nativo para dinâmica econômica local.
Com a extração do cacau e processamento das sementes o extrativista pode conseguir, durante a safra, o equivalente a R$ 50,00 por dia de produção. É a atividade que melhor remunera o trabalho daqueles produtores.
Além dessa importância econômica, como afirma Israell, o manejo comunitário do cacau nativo é a atividade produtiva mais adequada ao ecossistema florestal do Purus e aos ideais de sustentabilidade atualmente preconizados para Amazônia.
Somente isso devia bastar para receber atenção de políticas públicas.
* Professor da Universidade Federal do Acre (Ufac), Engenheiro Florestal, Especialista em Manejo Florestal e Mestre em Economia e Política Florestal pela Universidade Federal do Paraná (UFPR) e Doutor em Desenvolvimento Sustentável pela Universidade de Brasília (UnB).
Fonte: Ecio Rodrigues
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