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Notícias
09
ago
2010
(COMÉRCIO EXTERIOR)
Exportação de produtos florestais despenca
As exportações brasileiras de madeiras continuam degringolando, e os volumes de compra de seu maior cliente, os Estados Unidos, dificilmente voltarão aos níveis anteriores à crise econômica global, mostra relatório da agência das Nações Unidas para a Agricultura e a Alimentação (FAO).
Os mercados de produtos florestais estão realmente globalizados, segundo a entidade. Não é mais necessário ter florestas para fazer esse tipo de produto. O maior exemplo disso é a ascensão meteórica da China como grande produtor, consumidor e comerciante, o que já afeta produtores tradicionais de móveis, como a Itália.
O relatório não fornece um valor total do mercado global de produtos florestais. A maior demanda vem da construção civil e da indústria de móveis. Apenas a produção global de móveis alcançou US$ 376 bilhões em 2009 e o comércio internacional, US$ 92 bilhões após retração de 20%.
Depois da queda de 11,6% no consumo global de madeira e produtos de papel em 2009, a expectativa é de modesta recuperação este ano. Mas Ed Pepke, principal autor do relatório, estima que a demanda da construção residencial nos EUA não deve voltar aos níveis pré-crise. Isso afeta o Brasil. Nada menos de 70% da madeira que o país exporta segue ao mercado americano. As exportações do item madeiras (compensados, portas e janelas, folhas serradas, perfilados, painéis de fibra, outros painéis, mas não móveis) caíram de US$ 3,3 bilhões para US$ 1,6 bilhão entre 2007 e 2009.
No caso dos compensados, categoria em que o Brasil é o terceiro maior exportador, atrás da Malásia e Tailândia, as vendas diminuíram 50% em valor desde 2007. Isso em razão da maior demanda interna, valorização do real, concorrência de produtores asiáticos, como China e Indonésia, além de menor quantidade de madeira no rastro de combate ao corte ilegal na Amazônia.
As exportações de portas, janelas e outros produtos caíram 54,7%, de US$ 522 milhões para US$ 236 milhões no período. Mesmo as compras chinesas de perfilados de madeira caíram pela metade. Pequim importa o produto bruto, fabrica móveis e depois os vende para a Europa e EUA. O Brasil não faz a industrialização "porque os chineses não compram", diz Vasco Flandoli, da Associação Brasileira de Produtores e Exportadores de Madeira.
"Estamos perdendo terreno para os asiáticos porque eles cortam tudo de madeira tropical, e aqui é proibido", afirma. "Mas estamos perdendo espaço também na exportação de pinos, que representa 80% do que vendemos. Neste caso, para países como o Chile".
A produção chinesa de produtos florestais alcançou US$ 232 bilhões em 2009, alta de 9,8%, enquanto houve queda de 11,6% globalmente. O avanço chinês foi impulsionado pela maior demanda doméstica, já que as exportações caíram. Em todo caso, o país continuou a importar madeira, principalmente da Europa, para produzir móveis e exportá-los aos mercados industrializados. Só essas vendas renderam US$ 7,6 bilhões em 2009.
Agora, porém, Pequim enfrenta maior concorrência de vizinhos mais competitivos, como Indonésia, Malásia e Vietnã. Companhias da Europa e dos EUA, sob pressão da concorrência chinesa, tendem a aumentar investimentos também na América do Sul para reduzir custos e manter a competitividade.
Além da globalização, o relatório aponta mais três razões para a mudança estrutural no mercado de produtos florestais. Começa com o forte declínio no consumo, produção e comércio, no rastro da recessão global, que leva a fusões, aquisições e fechamento de fábricas num ritmo superior aos ciclos normais de negócios. No setor de papel e celulose, as versões "digitais" erodiram a demanda por papel, por exemplo.
Além disso, políticas de combate a mudanças climáticas têm intensificado o uso de madeira para produzir energia, sendo uma das razões para a alta do preço da mercadoria.
Há o efeito ainda do controle da origem da madeira importada, principalmente nos EUA e na Europa, e que deve atingir China e outros asiáticos. Além de provar que o produto é legal, é preciso atestar critério de sustentabilidade e outras obrigações na cadeia de suprimento, da floresta até a fábrica. Até agora, porém, apenas 9% das florestas foram certificadas, sendo 88% nos países ricos. No Brasil, a certificação cresceu.
Para a FAO, o comércio ilegal de produtos de madeira continua e joga "sombras" no setor florestal. Nesse cenário, Ed Pepke vê chances para o Brasil "ser muito ativo na nova situação do mercado, se controlar as condições exigidas", podendo recuperar vendas no segmento de compensados, por exemplo.
Os mercados de produtos florestais estão realmente globalizados, segundo a entidade. Não é mais necessário ter florestas para fazer esse tipo de produto. O maior exemplo disso é a ascensão meteórica da China como grande produtor, consumidor e comerciante, o que já afeta produtores tradicionais de móveis, como a Itália.
O relatório não fornece um valor total do mercado global de produtos florestais. A maior demanda vem da construção civil e da indústria de móveis. Apenas a produção global de móveis alcançou US$ 376 bilhões em 2009 e o comércio internacional, US$ 92 bilhões após retração de 20%.
Depois da queda de 11,6% no consumo global de madeira e produtos de papel em 2009, a expectativa é de modesta recuperação este ano. Mas Ed Pepke, principal autor do relatório, estima que a demanda da construção residencial nos EUA não deve voltar aos níveis pré-crise. Isso afeta o Brasil. Nada menos de 70% da madeira que o país exporta segue ao mercado americano. As exportações do item madeiras (compensados, portas e janelas, folhas serradas, perfilados, painéis de fibra, outros painéis, mas não móveis) caíram de US$ 3,3 bilhões para US$ 1,6 bilhão entre 2007 e 2009.
No caso dos compensados, categoria em que o Brasil é o terceiro maior exportador, atrás da Malásia e Tailândia, as vendas diminuíram 50% em valor desde 2007. Isso em razão da maior demanda interna, valorização do real, concorrência de produtores asiáticos, como China e Indonésia, além de menor quantidade de madeira no rastro de combate ao corte ilegal na Amazônia.
As exportações de portas, janelas e outros produtos caíram 54,7%, de US$ 522 milhões para US$ 236 milhões no período. Mesmo as compras chinesas de perfilados de madeira caíram pela metade. Pequim importa o produto bruto, fabrica móveis e depois os vende para a Europa e EUA. O Brasil não faz a industrialização "porque os chineses não compram", diz Vasco Flandoli, da Associação Brasileira de Produtores e Exportadores de Madeira.
"Estamos perdendo terreno para os asiáticos porque eles cortam tudo de madeira tropical, e aqui é proibido", afirma. "Mas estamos perdendo espaço também na exportação de pinos, que representa 80% do que vendemos. Neste caso, para países como o Chile".
A produção chinesa de produtos florestais alcançou US$ 232 bilhões em 2009, alta de 9,8%, enquanto houve queda de 11,6% globalmente. O avanço chinês foi impulsionado pela maior demanda doméstica, já que as exportações caíram. Em todo caso, o país continuou a importar madeira, principalmente da Europa, para produzir móveis e exportá-los aos mercados industrializados. Só essas vendas renderam US$ 7,6 bilhões em 2009.
Agora, porém, Pequim enfrenta maior concorrência de vizinhos mais competitivos, como Indonésia, Malásia e Vietnã. Companhias da Europa e dos EUA, sob pressão da concorrência chinesa, tendem a aumentar investimentos também na América do Sul para reduzir custos e manter a competitividade.
Além da globalização, o relatório aponta mais três razões para a mudança estrutural no mercado de produtos florestais. Começa com o forte declínio no consumo, produção e comércio, no rastro da recessão global, que leva a fusões, aquisições e fechamento de fábricas num ritmo superior aos ciclos normais de negócios. No setor de papel e celulose, as versões "digitais" erodiram a demanda por papel, por exemplo.
Além disso, políticas de combate a mudanças climáticas têm intensificado o uso de madeira para produzir energia, sendo uma das razões para a alta do preço da mercadoria.
Há o efeito ainda do controle da origem da madeira importada, principalmente nos EUA e na Europa, e que deve atingir China e outros asiáticos. Além de provar que o produto é legal, é preciso atestar critério de sustentabilidade e outras obrigações na cadeia de suprimento, da floresta até a fábrica. Até agora, porém, apenas 9% das florestas foram certificadas, sendo 88% nos países ricos. No Brasil, a certificação cresceu.
Para a FAO, o comércio ilegal de produtos de madeira continua e joga "sombras" no setor florestal. Nesse cenário, Ed Pepke vê chances para o Brasil "ser muito ativo na nova situação do mercado, se controlar as condições exigidas", podendo recuperar vendas no segmento de compensados, por exemplo.
Fonte: Valor Econômico/Portal Madeira Total
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