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Notícias
03
ago
2010
(GERAL)
Alecrim pimenta inibe crescimento de bactéria alimentar
Testes realizados com o extrato vegetal de alecrim pimenta (Lippia sidoides Cham.) indicaram que a planta apresenta uma atividade inibitória do crescimento da bactéria Listeria monocytogenes. Essa bactéria, de caráter patogênico, consegue sobreviver em situações adversas e está associada a listeriose. A doença pode causar várias síndromes como infecções, gastroenterites, sendo bastante prejudicial em pacientes imunodeprimidos, e em crianças, idosos e gestantes (podendo causar abortos). A transmissão ocorre, principalmente, por alimentos contaminados.
“A Anvisa [Agência Nacional de Vigilância Sanitária] estabelece limites para a ocorrência de alguns microrganismos em alimentos; mas no caso de Listeria monocytogenes não há consenso sobre o limite máximo confiável. Nossa legislação estabelece ausência desta bactéria apenas para queijos de alta umidade, mas outros alimentos também apresentam potencial de contaminação, como, por exemplo, os pescados minimamente processados. Uma vez detectada a L. monocytogenes, mesmo em populações mínimas, o alimento deve ser descartado”, destaca a pesquisadora Fernanda Barbosa dos Reis, que estudou o uso de extratos de alecrim pimenta para controle da bactéria.
Os testes foram realizados com pescado, especificamente filé de surubim defumado (surubim Pseudoplatystoma sp), um produto pronto para consumo, disponível no comércio varejista. Além do alecrim pimenta, Fernanda também testou, para o controle da Listeria, a bactéria lática bacteriocinogênica (Carnobacterium maltaromaticum C2). Os resultados estão em sua dissertação de mestrado, apresentada na Faculdade de Ciências Farmacêuticas de Ribeirão Preto (FCFRP) da USP. Estudo é pioneiro no uso de alecrim pimenta para combate a "Listeria monocytogenes"
O alecrim pimenta é encontrado no sertão nordestino. “Vários trabalhos científicos apontam a planta como um antimicrobiano. Mas não encontramos na literatura nada referente a sua atuação em bactérias em alimentos”, diz a pesquisadora. Já a bactéria lática Carnobacterium maltaromaticum C2 é encontrada em surubins e em outros pescados, sendo conhecida da ciência por suas atividades antimicrobianas, graças à produção de uma substância da classe das bacteriocinas. Entre suas características, estão a resistência ao baixo pH, a enzimas, a altas e baixas temperaturas. “A bacteriocina atua sobre a membrana citoplasmática da célula bacteriana, mas não é nem ativa nem tóxica sobre as células eucarióticas (humanas)”, explica. Além da cepa C2 da Carnobacterium maltaromaticum, a pesquisadora também utilizou, para comparação, duas cepas extraídas de salmão, doadas por uma pesquisadora da Dinamarca: A9B+ (que produz bacteriocina) e A9B- (que não a produz).
Os testes foram realizados com amostras de filés de surubim defumado cortados (homogeneizados) e também em dois tipos de caldos de peixe: de laboratório (a partir de uma mistura de sal, extrato de levedura e peptona de peixe) e caldo feito com os filés de surubim. Todas as amostras foram inoculadas com a Listeria monocytogenes, e os antimicrobianos, sendo que a pesquisadora testou 14 diferentes combinações entre o extrato de alecrim pimenta e a bactéria lática. As análises foram realizadas no momento da inoculação, após 24 horas, e uma vez por semana, durante 5 semanas, num total de 35 dias.
Resultados
“De modo geral, os resultados indicaram que as amostras em que foi adicionado o alecrim pimenta sozinho apresentaram um efeito inibitório maior do crescimento de Listeria, mostrando que há potencial para o extrato da planta ser usada como um antimicrobiano frente a esta bactéria”, aponta a pesquisadora. Ela ressalta, no entanto, que ainda são necessários outros estudos envolvendo o alecrim pimenta, lembrando que o trabalho realizado para sua dissertação de mestrado é o primeiro que abordou o uso da planta para o combate a essa bactéria.
Fernanda comenta que as amostras que continham apenas as bactérias láticas também apresentaram um crescimento mais reduzido de Listeria. Aquelas em que houve adição tanto de bactérias láticas como de alecrim pimenta apresentaram o mesmo efeito inibitório das amostras com adição apenas da planta.
Segundo a pesquisadora, os antimicrobianos apresentam mecanismos de ação diferenciados e é mais interessante aplicá-los juntos e não isoladamente. “Se pensarmos em um alimento, é mais interessante um antimicrobiano aplicado em baixa concentração, mas que tenha um efeito maior. Uma concentração alta poderá, por exemplo, interferir no sabor”, explica.
A pesquisa de Fernanda contou com apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp). A orientação do trabalho foi da professora Elaine Cristina Pereira De Martinis, da FCFRP e os extratos de alecrim pimenta foram cedidos pelo professor Wanderley Pereira de Oliveira, também da FCFRP. A defesa aconteceu no último dia 26 de fevereiro.
“A Anvisa [Agência Nacional de Vigilância Sanitária] estabelece limites para a ocorrência de alguns microrganismos em alimentos; mas no caso de Listeria monocytogenes não há consenso sobre o limite máximo confiável. Nossa legislação estabelece ausência desta bactéria apenas para queijos de alta umidade, mas outros alimentos também apresentam potencial de contaminação, como, por exemplo, os pescados minimamente processados. Uma vez detectada a L. monocytogenes, mesmo em populações mínimas, o alimento deve ser descartado”, destaca a pesquisadora Fernanda Barbosa dos Reis, que estudou o uso de extratos de alecrim pimenta para controle da bactéria.
Os testes foram realizados com pescado, especificamente filé de surubim defumado (surubim Pseudoplatystoma sp), um produto pronto para consumo, disponível no comércio varejista. Além do alecrim pimenta, Fernanda também testou, para o controle da Listeria, a bactéria lática bacteriocinogênica (Carnobacterium maltaromaticum C2). Os resultados estão em sua dissertação de mestrado, apresentada na Faculdade de Ciências Farmacêuticas de Ribeirão Preto (FCFRP) da USP. Estudo é pioneiro no uso de alecrim pimenta para combate a "Listeria monocytogenes"
O alecrim pimenta é encontrado no sertão nordestino. “Vários trabalhos científicos apontam a planta como um antimicrobiano. Mas não encontramos na literatura nada referente a sua atuação em bactérias em alimentos”, diz a pesquisadora. Já a bactéria lática Carnobacterium maltaromaticum C2 é encontrada em surubins e em outros pescados, sendo conhecida da ciência por suas atividades antimicrobianas, graças à produção de uma substância da classe das bacteriocinas. Entre suas características, estão a resistência ao baixo pH, a enzimas, a altas e baixas temperaturas. “A bacteriocina atua sobre a membrana citoplasmática da célula bacteriana, mas não é nem ativa nem tóxica sobre as células eucarióticas (humanas)”, explica. Além da cepa C2 da Carnobacterium maltaromaticum, a pesquisadora também utilizou, para comparação, duas cepas extraídas de salmão, doadas por uma pesquisadora da Dinamarca: A9B+ (que produz bacteriocina) e A9B- (que não a produz).
Os testes foram realizados com amostras de filés de surubim defumado cortados (homogeneizados) e também em dois tipos de caldos de peixe: de laboratório (a partir de uma mistura de sal, extrato de levedura e peptona de peixe) e caldo feito com os filés de surubim. Todas as amostras foram inoculadas com a Listeria monocytogenes, e os antimicrobianos, sendo que a pesquisadora testou 14 diferentes combinações entre o extrato de alecrim pimenta e a bactéria lática. As análises foram realizadas no momento da inoculação, após 24 horas, e uma vez por semana, durante 5 semanas, num total de 35 dias.
Resultados
“De modo geral, os resultados indicaram que as amostras em que foi adicionado o alecrim pimenta sozinho apresentaram um efeito inibitório maior do crescimento de Listeria, mostrando que há potencial para o extrato da planta ser usada como um antimicrobiano frente a esta bactéria”, aponta a pesquisadora. Ela ressalta, no entanto, que ainda são necessários outros estudos envolvendo o alecrim pimenta, lembrando que o trabalho realizado para sua dissertação de mestrado é o primeiro que abordou o uso da planta para o combate a essa bactéria.
Fernanda comenta que as amostras que continham apenas as bactérias láticas também apresentaram um crescimento mais reduzido de Listeria. Aquelas em que houve adição tanto de bactérias láticas como de alecrim pimenta apresentaram o mesmo efeito inibitório das amostras com adição apenas da planta.
Segundo a pesquisadora, os antimicrobianos apresentam mecanismos de ação diferenciados e é mais interessante aplicá-los juntos e não isoladamente. “Se pensarmos em um alimento, é mais interessante um antimicrobiano aplicado em baixa concentração, mas que tenha um efeito maior. Uma concentração alta poderá, por exemplo, interferir no sabor”, explica.
A pesquisa de Fernanda contou com apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp). A orientação do trabalho foi da professora Elaine Cristina Pereira De Martinis, da FCFRP e os extratos de alecrim pimenta foram cedidos pelo professor Wanderley Pereira de Oliveira, também da FCFRP. A defesa aconteceu no último dia 26 de fevereiro.
Fonte: Envolverde/Agência USP de Notícias
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