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Notícias
26
jul
2010
(CARBONO)
Qual o futuro dos créditos de carbono?
Metas de Kyoto vencem em 2012, o que traz incerteza para o mercado de créditos de carbono.
A proximidade de 2012 - quando vencem as metas de redução de emissão de poluentes do Protocolo de Kyoto - e a indefinição sobre o futuro põem o mercado de créditos de carbono em xeque.
Sem novas metas, afinal, o interesse do setor privado no segmento é ameaçado. A expectativa recai sobre as decisões dos negociadores internacionais na próxima reunião do clima da ONU (COP-16), em novembro, no México.
O mercado internacional de créditos de carbono sentiu o baque da crise. Há expectativa de recuperação em 2010?
Eu definiria o mercado de créditos de carbono com otimismo moderado. Todos estão à espera de sinais claros dos negociadores internacionais, para que haja confiança e o setor privado possa trabalhar.
De toda maneira, o importante é que a recuperação econômica global vai melhor que o esperado, o que faz aumentar as emissões das empresas e, consequentemente, a demanda por créditos de carbono.
Não acredito que haverá uma redução do mercado global de carbono. É importante lembrar, no entanto, que os créditos de carbono oriundos de projetos são mais dependentes dos sinais emitidos pelos negociadores internacionais.
Nesse segmento, talvez possamos continuar vendo deterioração enquanto não houver clareza.
Qual é a perspectiva para o Brasil?
O Brasil tem mantido de 3% a 5% do mercado de crédito de carbonos e deve seguir assim até 2012. É o terceiro maior vendedor, atrás de China e Índia. Mas não há mágica. Tem quem questione porque não possuímos uma participação maior.
O MDL (Mecanismo de Desenvolvimento Limpo, segmento do mercado que se refere aos créditos de carbono gerados por projetos de baixo carbono) espelha a realidade econômica e os níveis de investimento de um país.
O Brasil está numa situação econômica privilegiada, mas há uma diferença de recursos financeiros que entram aqui e em países como a China, onde o investimento estrangeiro (IED) é muito maior.
Por isso, a fatia da China no mercado de carbono foi de 84% em 2008 e de 72% em 2009. Além disso, a matriz energética do Brasil é muito mais limpa que, por exemplo, a chinesa ou indiana, o que limita o potencial de redução de emissões nos setores comerciais. Enquanto a China produz energia à base de carvão, o Brasil produz a partir da água.
Um potencial ainda pouco explorado no Brasil é o mercado voluntário de antecipação de legislações federais.
As empresas mais poluentes em algum momento terão de estabilizar suas emissões para que o Brasil possa cumprir com suas metas internacionais.
A título de comparação: em 2009, o mercado de créditos de carbono que mais cresceu no mundo foi o dos Estados Unidos.
Foi um crescimento de mais de 1.000% no chamado Regional Greenhouse Gas Initiative (RGGI), que atingiu um valor superior a US$ 2 bilhões, na expectativa de que o governo federal venha a divulgar alguma legislação que obrigue as indústrias a reduzir os níveis de emissão.
Existem dúvidas sobre a continuidade do mercado de carbono pós-2012, já que ainda não há clareza do que acontecerá após encerrado o prazo das metas do protocolo de Kyoto. Na sua visão, o que deve acontecer daí para frente?
Sou mais otimista para o pós-2012 do que para o período até lá. Na medida em que não há mais dúvidas sobre a realidade do aquecimento global e a sua origem, não consigo acreditar que o mercado de carbono vá acabar.
Talvez seja conduzido com mecanismos e instrumentos diferentes, mas não acredito que vá deixar de existir. Houve um custo para construir essa estrutura, não há razão para que seja desmantelada. Efetivamente, no entanto, passaremos por dois anos difíceis até que se resolva essa questão, fundamental para o mercado de créditos de carbono oriundos de projetos.
O que deve mover o mercado de carbono no pós-2012?
Ironicamente, acredito que serão os mesmos fatores que vêm contraindo o mercado de carbono baseado em projetos.
Com a crise, não só a oferta de créditos de projetos foi menor, como também a demanda, pois as empresas produziram menos e emitiram menos poluentes.
À medida que a crise passar, os dois lados voltarão a crescer. Mas sinais claros e metas ambiciosas dos países são vitais para concretizar esse cenário.
A parceria entre os setores público e privado é fundamental para que o mercado possa fazer frente à urgência e à escala dos desafios da mudança climática.
A proximidade de 2012 - quando vencem as metas de redução de emissão de poluentes do Protocolo de Kyoto - e a indefinição sobre o futuro põem o mercado de créditos de carbono em xeque.
Sem novas metas, afinal, o interesse do setor privado no segmento é ameaçado. A expectativa recai sobre as decisões dos negociadores internacionais na próxima reunião do clima da ONU (COP-16), em novembro, no México.
O mercado internacional de créditos de carbono sentiu o baque da crise. Há expectativa de recuperação em 2010?
Eu definiria o mercado de créditos de carbono com otimismo moderado. Todos estão à espera de sinais claros dos negociadores internacionais, para que haja confiança e o setor privado possa trabalhar.
De toda maneira, o importante é que a recuperação econômica global vai melhor que o esperado, o que faz aumentar as emissões das empresas e, consequentemente, a demanda por créditos de carbono.
Não acredito que haverá uma redução do mercado global de carbono. É importante lembrar, no entanto, que os créditos de carbono oriundos de projetos são mais dependentes dos sinais emitidos pelos negociadores internacionais.
Nesse segmento, talvez possamos continuar vendo deterioração enquanto não houver clareza.
Qual é a perspectiva para o Brasil?
O Brasil tem mantido de 3% a 5% do mercado de crédito de carbonos e deve seguir assim até 2012. É o terceiro maior vendedor, atrás de China e Índia. Mas não há mágica. Tem quem questione porque não possuímos uma participação maior.
O MDL (Mecanismo de Desenvolvimento Limpo, segmento do mercado que se refere aos créditos de carbono gerados por projetos de baixo carbono) espelha a realidade econômica e os níveis de investimento de um país.
O Brasil está numa situação econômica privilegiada, mas há uma diferença de recursos financeiros que entram aqui e em países como a China, onde o investimento estrangeiro (IED) é muito maior.
Por isso, a fatia da China no mercado de carbono foi de 84% em 2008 e de 72% em 2009. Além disso, a matriz energética do Brasil é muito mais limpa que, por exemplo, a chinesa ou indiana, o que limita o potencial de redução de emissões nos setores comerciais. Enquanto a China produz energia à base de carvão, o Brasil produz a partir da água.
Um potencial ainda pouco explorado no Brasil é o mercado voluntário de antecipação de legislações federais.
As empresas mais poluentes em algum momento terão de estabilizar suas emissões para que o Brasil possa cumprir com suas metas internacionais.
A título de comparação: em 2009, o mercado de créditos de carbono que mais cresceu no mundo foi o dos Estados Unidos.
Foi um crescimento de mais de 1.000% no chamado Regional Greenhouse Gas Initiative (RGGI), que atingiu um valor superior a US$ 2 bilhões, na expectativa de que o governo federal venha a divulgar alguma legislação que obrigue as indústrias a reduzir os níveis de emissão.
Existem dúvidas sobre a continuidade do mercado de carbono pós-2012, já que ainda não há clareza do que acontecerá após encerrado o prazo das metas do protocolo de Kyoto. Na sua visão, o que deve acontecer daí para frente?
Sou mais otimista para o pós-2012 do que para o período até lá. Na medida em que não há mais dúvidas sobre a realidade do aquecimento global e a sua origem, não consigo acreditar que o mercado de carbono vá acabar.
Talvez seja conduzido com mecanismos e instrumentos diferentes, mas não acredito que vá deixar de existir. Houve um custo para construir essa estrutura, não há razão para que seja desmantelada. Efetivamente, no entanto, passaremos por dois anos difíceis até que se resolva essa questão, fundamental para o mercado de créditos de carbono oriundos de projetos.
O que deve mover o mercado de carbono no pós-2012?
Ironicamente, acredito que serão os mesmos fatores que vêm contraindo o mercado de carbono baseado em projetos.
Com a crise, não só a oferta de créditos de projetos foi menor, como também a demanda, pois as empresas produziram menos e emitiram menos poluentes.
À medida que a crise passar, os dois lados voltarão a crescer. Mas sinais claros e metas ambiciosas dos países são vitais para concretizar esse cenário.
A parceria entre os setores público e privado é fundamental para que o mercado possa fazer frente à urgência e à escala dos desafios da mudança climática.
Fonte: Brasil Econômico
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