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Notícias
23
jul
2010
(SETOR FLORESTAL)
Derrubada de árvores na Amazônia cria controvérsia
Pesquisa informou queda de 500 milhões de árvores. Um dos autores do estudo questiona a extrapolação dos resultados da área pesquisada para toda a bacia amazônica.
A conclusão de que pelo menos meio bilhão de árvores da floresta amazônica foi derrubado por uma linha incomum de tempestades, em janeiro de 2005, está gerando controvérsias entre os próprios autores do estudo. Bruce Nelson, do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), questiona a extrapolação dos resultados da área pesquisada – 5 km2 ao redor de Manaus – para toda a bacia amazônica.
É que, para estimar os danos, os cientistas utilizaram imagens de satelites Landsat e concluíram que, no entorno da capital amazonense, as tempestades derrubaram entre 300 e 500 mil árvores no período. Com base nesses dados, extrapolaram os resultados para toda a bacia amazônica – com 4,5 milhões de km2. Eles utilizaram imagens de satélite de cerca de 34 mil km2 da região a partir de 2004 e depois as compararam a imagens pós-tempestade.
A constatação foi de que o vento tinha cortado uma faixa enorme de floresta, correndo em direção nordeste, em toda a bacia amazônica (afetando possivelmente 70%). Depois de analisar as imagens de satélite, a equipe escolheu aleatoriamente 30 parcelas em cinco locais de Manaus para estudos de campo. Em boa parte, as árvores haviam sido devastadas. Ao longo desses quatro anos, os cientistas fizeram uma “contagem de corpos” das que foram derrubadas.
Foi a partir da combinação de imagens de satélite com estudos de campo que os cientistas chegaram ao número de 500 milhões de árvores da floresta inteira derrubadas. A questão, segundo Bruce Nelson, é se a extrapolação é confiável. Ele pondera se os danos causados por ventos convectivos, observados nestas outras cenas, podem ser atribuídos ao evento ocorrido em janeiro de 2005.
“Linhas de instabilidade transitam do leste para oeste na Amazônia com frequência, mas isto não significa que o dano observado em uma cena Landsat possa ser extrapolado para todas as cenas pelas quais o fenômeno transitou”, afirma Bruce Nelson. Alem disso, os dados, segundo ele, não coincidem com os da versão “original” – o cientista leu esta última após ser procurado pela reportagem de Época.
Na versão anterior, as conclusões apontavam 215 milhões de árvores derrubadas, menos da metade do divulgado. Qualquer que seja o resultado, para Bruce Nelson, ainda não está claro se toda a derrubada está associada à tempestade. “Precisamos de mais estudos”, diz. O cientista também questiona os números divergentes de imagens Landsat analisadas. “Foram 36 imagens, muito mais do que havia na última versão que recebi para comentários”.
O outro lado
O artigo é assinado por Jeffrey Chambers e Robinson Negrón-Juárez, ambos da Universidade de Tulane, em New Orleans, Louisiana, Estados Unidos, e cientistas de outras instituições, entre eles Niro Higushi e o próprio Bruce Nelson, do Inpa. O titulo original é “Widespread Amazon forest tree mortality from a single cross-basin squall line event” (em português, “Mortalidade em larga escala de árvores na floresta Amazônica causada por uma única linha de tempestades”, numa tradução livre).
A polêmica ocorreu depois que a reportagem da revista Época procurou Bruce Nelson para repercutir os dados. Aceito pela “Geophysical Research Letters”, o artigo está disponível no site da publicação (http://news.sciencemag.org/) desde o último dia 12, sob o titulo “Amazon Hit by Its Own Katrina”. O estudo foi financiado pela NASA e pela Universidade de Tulane, nos Estados Unidos.
De acordo com Chambers, três versões anteriores do mesmo estudo foram submetidas às revistas Science e Nature e para a PNAS (Proceedings of the National Academy of Sciences). Em todas, o número de árvores mortas foi estimado em torno de 803.6 milhões. “Em nossas revisões para GRL (Geophysical Research Letters) utlilizamos um método para fazer o ‘scaling’ conservador”, explica o cientista.
O método de extrapolação, segundo ele, estimou 500 milhões de árvores baseado na área total que foi atingida pelo tempestade, com dados de TRMM (Tropical Rainfall Measuring Mission). Os valores para a região de Manaus estãoo mais definidos com base em imagens Landsat e trabalhos no campo com Inpa.
Chambers diz que a qualidade do trabalho não está em questão e que é seguro falar que “centenas de milhões de árvores morreram por causa da tempestade”. “Ainda há muita coisa a fazer sobre os impactos dos tempestades na Amazônia. Ciência e sempre assim, não para, sempre tem muita coisa mais para fazer. Mas fizemos trabalhamos seriamente para este paper do GRL. Em nossos próximos papers esperamos avançar estass pesquisas com mais detalhes”.
Sobre os questionamentos de Bruce Nelson, Chambers diz que, depois de cinco anos de trabalho, ele e sua equipe concluíram que havia dados suficientes para publicar o artigo na Geophysical Research Letters. “Não quer dizer que este paper é a palavra final no assunto, mas acho que é um bom trabalho. Os itens que Bruce esta falando eram simplesmente coisa demais para publicar em um paper só. Mas vamos sim publicar mais sobre esse assunto”.
Chambers ressalta o aspecto positivo do artigo: “O paper gerou bastante mídia positiva também, incluindo Fantástico e Reuters afiliada no Rio”. Outro dado interessante do estudo diz respeito a causa da mortalidade das árvores. “Algumas pesquisas sugerem que a seca foi a principal causa de morte natural de árvores na floresta amazônica em 2005. Mas grande parte da área de Manaus não foi afetada pela seca naquele ano. Os resultados mostram claramente que as tempestades sim tomaram um pedágio enorme”.
A conclusão de que pelo menos meio bilhão de árvores da floresta amazônica foi derrubado por uma linha incomum de tempestades, em janeiro de 2005, está gerando controvérsias entre os próprios autores do estudo. Bruce Nelson, do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), questiona a extrapolação dos resultados da área pesquisada – 5 km2 ao redor de Manaus – para toda a bacia amazônica.
É que, para estimar os danos, os cientistas utilizaram imagens de satelites Landsat e concluíram que, no entorno da capital amazonense, as tempestades derrubaram entre 300 e 500 mil árvores no período. Com base nesses dados, extrapolaram os resultados para toda a bacia amazônica – com 4,5 milhões de km2. Eles utilizaram imagens de satélite de cerca de 34 mil km2 da região a partir de 2004 e depois as compararam a imagens pós-tempestade.
A constatação foi de que o vento tinha cortado uma faixa enorme de floresta, correndo em direção nordeste, em toda a bacia amazônica (afetando possivelmente 70%). Depois de analisar as imagens de satélite, a equipe escolheu aleatoriamente 30 parcelas em cinco locais de Manaus para estudos de campo. Em boa parte, as árvores haviam sido devastadas. Ao longo desses quatro anos, os cientistas fizeram uma “contagem de corpos” das que foram derrubadas.
Foi a partir da combinação de imagens de satélite com estudos de campo que os cientistas chegaram ao número de 500 milhões de árvores da floresta inteira derrubadas. A questão, segundo Bruce Nelson, é se a extrapolação é confiável. Ele pondera se os danos causados por ventos convectivos, observados nestas outras cenas, podem ser atribuídos ao evento ocorrido em janeiro de 2005.
“Linhas de instabilidade transitam do leste para oeste na Amazônia com frequência, mas isto não significa que o dano observado em uma cena Landsat possa ser extrapolado para todas as cenas pelas quais o fenômeno transitou”, afirma Bruce Nelson. Alem disso, os dados, segundo ele, não coincidem com os da versão “original” – o cientista leu esta última após ser procurado pela reportagem de Época.
Na versão anterior, as conclusões apontavam 215 milhões de árvores derrubadas, menos da metade do divulgado. Qualquer que seja o resultado, para Bruce Nelson, ainda não está claro se toda a derrubada está associada à tempestade. “Precisamos de mais estudos”, diz. O cientista também questiona os números divergentes de imagens Landsat analisadas. “Foram 36 imagens, muito mais do que havia na última versão que recebi para comentários”.
O outro lado
O artigo é assinado por Jeffrey Chambers e Robinson Negrón-Juárez, ambos da Universidade de Tulane, em New Orleans, Louisiana, Estados Unidos, e cientistas de outras instituições, entre eles Niro Higushi e o próprio Bruce Nelson, do Inpa. O titulo original é “Widespread Amazon forest tree mortality from a single cross-basin squall line event” (em português, “Mortalidade em larga escala de árvores na floresta Amazônica causada por uma única linha de tempestades”, numa tradução livre).
A polêmica ocorreu depois que a reportagem da revista Época procurou Bruce Nelson para repercutir os dados. Aceito pela “Geophysical Research Letters”, o artigo está disponível no site da publicação (http://news.sciencemag.org/) desde o último dia 12, sob o titulo “Amazon Hit by Its Own Katrina”. O estudo foi financiado pela NASA e pela Universidade de Tulane, nos Estados Unidos.
De acordo com Chambers, três versões anteriores do mesmo estudo foram submetidas às revistas Science e Nature e para a PNAS (Proceedings of the National Academy of Sciences). Em todas, o número de árvores mortas foi estimado em torno de 803.6 milhões. “Em nossas revisões para GRL (Geophysical Research Letters) utlilizamos um método para fazer o ‘scaling’ conservador”, explica o cientista.
O método de extrapolação, segundo ele, estimou 500 milhões de árvores baseado na área total que foi atingida pelo tempestade, com dados de TRMM (Tropical Rainfall Measuring Mission). Os valores para a região de Manaus estãoo mais definidos com base em imagens Landsat e trabalhos no campo com Inpa.
Chambers diz que a qualidade do trabalho não está em questão e que é seguro falar que “centenas de milhões de árvores morreram por causa da tempestade”. “Ainda há muita coisa a fazer sobre os impactos dos tempestades na Amazônia. Ciência e sempre assim, não para, sempre tem muita coisa mais para fazer. Mas fizemos trabalhamos seriamente para este paper do GRL. Em nossos próximos papers esperamos avançar estass pesquisas com mais detalhes”.
Sobre os questionamentos de Bruce Nelson, Chambers diz que, depois de cinco anos de trabalho, ele e sua equipe concluíram que havia dados suficientes para publicar o artigo na Geophysical Research Letters. “Não quer dizer que este paper é a palavra final no assunto, mas acho que é um bom trabalho. Os itens que Bruce esta falando eram simplesmente coisa demais para publicar em um paper só. Mas vamos sim publicar mais sobre esse assunto”.
Chambers ressalta o aspecto positivo do artigo: “O paper gerou bastante mídia positiva também, incluindo Fantástico e Reuters afiliada no Rio”. Outro dado interessante do estudo diz respeito a causa da mortalidade das árvores. “Algumas pesquisas sugerem que a seca foi a principal causa de morte natural de árvores na floresta amazônica em 2005. Mas grande parte da área de Manaus não foi afetada pela seca naquele ano. Os resultados mostram claramente que as tempestades sim tomaram um pedágio enorme”.
Fonte: Painel Florestal
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