Voltar
Notícias
02
jun
2010
(MEIO AMBIENTE)
Rotação do solo pode amenizar danos ambientais na Amazônia
Modelo sustentável de cultivo reduz impactos da ocupação humana desordenada e da exploração predatória da região.
Sem dúvida toda a exuberância da Floresta Amazônica chama a atenção logo ao primeiro olhar. São 3.575.706,4 quilômetros quadrados de área e mais de 13 milhões de habitantes em uma região conhecida por sua riqueza cultural e biodiversidade. Ocupando cerca de 42% do território nacional, a área possui nada menos que um terço de todas as espécies vivas do planeta.
No Rio Amazonas e em seus mais de mil afluentes, estima-se que haja quinze vezes mais peixes que em todo o continente europeu. Apenas 1 hectare da floresta pode trazer até 300 tipos de árvore, segundo dados do IBAMA- Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais. Só para se ter uma ideia, a floresta temperada dos Estados Unidos possui 13% do número de espécies de árvores da Amazônia.
Porém, tanta biodiversidade esconde uma contradição: embora seja uma das maiores e mais ricas florestas do mundo, a Amazônia tem um solo pobre e pouco fértil, contendo apenas uma fina camada de nutrientes. O que parece um detalhe perto de da exuberância do lugar, se transforma em um impasse quando o assunto é a exploração da terra e a produção agrícola na região.
Atraídos pela promessa de enriquecimento no trabalho em madeireiras, garimpos, pecuária e lavouras de diversas culturas, migrantes, imigrantes e moradores da região chegam à floresta com a missão de explorar a terra.
Como o solo é pobre e frágil, a ocupação desordenada da região promovida pelas frentes de trabalho ocorridas desde o ciclo da borracha, associada ao uso extensivo da terra, colocam em risco todo o ecossistema comprometendo a vida de milhões de espécies e até mesmo dos moradores, que podem ficar sem alimento e água caso a exploração predatória continue.
O professor do departamento da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade da Universidade de São Paulo- FEA, Guilherme Leite Dias explica que toda grande elevação na densidade demográfica de uma região resulta na necessidade de criação de meios de produção para absorver a nova demanda de mão de obra, o que leva a exploração desordenada e predatória do local.
No caso da Amazônia, segundo ele, a situação é um pouco mais precária porque a quantidade de mão de obra que vem de fora é alta e nem sempre qualificada, levando a uma maior procura por atividades que exploram a terra e os recursos naturais: “É uma ocupação sem consciência. O uso da terra e dos recursos naturais não é previamente pensado para evitar prejuízos ambientais. Madeireiras, garimpos e principalmente pecuaristas devastam a região sem nenhuma cautela”, diz o professor. “A ocupação desordenada sem dúvida traz graves problemas ambientais, porém, as práticas agrícolas e agropecuárias usadas por estas pessoas também agridem a floresta de modo irreversível. É preciso pensar em um meio de vida sustentável para salvar a região”, continua.
Para Guilherme, a alternativa mais apropriada para reverter parte deste quadro é a implantação de um sistema de cultivo sustentável baseado na rotação do solo para evitar seu empobrecimento acelerado. A rotação de culturas consiste em alternar, anualmente, espécies vegetais, numa mesma área agrícola. As vantagens da rotação de culturas são inúmeras, segundo o professor.
Além de proporcionar a produção diversificada de alimentos e outros produtos agrícolas, se adotada e conduzida de modo adequado e por um período suficientemente longo, essa prática melhora as características físicas, químicas e biológicas do solo; auxilia no controle de plantas daninhas, doenças e pragas; repõe matéria orgânica e protege o solo da ação dos agentes climáticos, amenizando os efeitos da produção agropecuária sobre o meio ambiente como um todo.
Para a obtenção de máxima eficiência na produção, segundo dados fornecidos pela EMBRAPA- Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária, o planejamento da rotação de culturas deve considerar, preferencialmente, espécies que produzam grandes quantidades de biomassa e não esgotem o solo com rapidez.
Nesse planejamento, é necessário que o agricultor utilize todas as tecnologias à sua disposição, entre as quais se destacam: técnicas específicas para controle de erosão; calagem, adubação; qualidade e tratamento de sementes, época e densidade de semeadura, cultivares adaptadas, controle de plantas daninhas, pragas e doenças: “tem que tratar o solo primeiro e depois escolher espécies que se adaptem a região para evitar prejuízos ecológicos e financeiros”, explica Guilherme.Segundo o professor, a implantação do sistema sustentável pode recuperar parte do solo devastado da floresta em até 5 anos, porém, não pode ser aplicado em toda a região, já que existem áreas pouco exploráveis na floresta, o que demanda fiscalização de outros agentes que aceleram a devastação como o controle de entrada e saída de pessoas da região. Guilherme alerta para os riscos da não implantação do sistema e afirma que caso ela não aconteça rápido, a Amazônia poderá se transformar em um enorme campo devastado sem flores ou animais para contar história.
Sem dúvida toda a exuberância da Floresta Amazônica chama a atenção logo ao primeiro olhar. São 3.575.706,4 quilômetros quadrados de área e mais de 13 milhões de habitantes em uma região conhecida por sua riqueza cultural e biodiversidade. Ocupando cerca de 42% do território nacional, a área possui nada menos que um terço de todas as espécies vivas do planeta.
No Rio Amazonas e em seus mais de mil afluentes, estima-se que haja quinze vezes mais peixes que em todo o continente europeu. Apenas 1 hectare da floresta pode trazer até 300 tipos de árvore, segundo dados do IBAMA- Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais. Só para se ter uma ideia, a floresta temperada dos Estados Unidos possui 13% do número de espécies de árvores da Amazônia.
Porém, tanta biodiversidade esconde uma contradição: embora seja uma das maiores e mais ricas florestas do mundo, a Amazônia tem um solo pobre e pouco fértil, contendo apenas uma fina camada de nutrientes. O que parece um detalhe perto de da exuberância do lugar, se transforma em um impasse quando o assunto é a exploração da terra e a produção agrícola na região.
Atraídos pela promessa de enriquecimento no trabalho em madeireiras, garimpos, pecuária e lavouras de diversas culturas, migrantes, imigrantes e moradores da região chegam à floresta com a missão de explorar a terra.
Como o solo é pobre e frágil, a ocupação desordenada da região promovida pelas frentes de trabalho ocorridas desde o ciclo da borracha, associada ao uso extensivo da terra, colocam em risco todo o ecossistema comprometendo a vida de milhões de espécies e até mesmo dos moradores, que podem ficar sem alimento e água caso a exploração predatória continue.
O professor do departamento da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade da Universidade de São Paulo- FEA, Guilherme Leite Dias explica que toda grande elevação na densidade demográfica de uma região resulta na necessidade de criação de meios de produção para absorver a nova demanda de mão de obra, o que leva a exploração desordenada e predatória do local.
No caso da Amazônia, segundo ele, a situação é um pouco mais precária porque a quantidade de mão de obra que vem de fora é alta e nem sempre qualificada, levando a uma maior procura por atividades que exploram a terra e os recursos naturais: “É uma ocupação sem consciência. O uso da terra e dos recursos naturais não é previamente pensado para evitar prejuízos ambientais. Madeireiras, garimpos e principalmente pecuaristas devastam a região sem nenhuma cautela”, diz o professor. “A ocupação desordenada sem dúvida traz graves problemas ambientais, porém, as práticas agrícolas e agropecuárias usadas por estas pessoas também agridem a floresta de modo irreversível. É preciso pensar em um meio de vida sustentável para salvar a região”, continua.
Para Guilherme, a alternativa mais apropriada para reverter parte deste quadro é a implantação de um sistema de cultivo sustentável baseado na rotação do solo para evitar seu empobrecimento acelerado. A rotação de culturas consiste em alternar, anualmente, espécies vegetais, numa mesma área agrícola. As vantagens da rotação de culturas são inúmeras, segundo o professor.
Além de proporcionar a produção diversificada de alimentos e outros produtos agrícolas, se adotada e conduzida de modo adequado e por um período suficientemente longo, essa prática melhora as características físicas, químicas e biológicas do solo; auxilia no controle de plantas daninhas, doenças e pragas; repõe matéria orgânica e protege o solo da ação dos agentes climáticos, amenizando os efeitos da produção agropecuária sobre o meio ambiente como um todo.
Para a obtenção de máxima eficiência na produção, segundo dados fornecidos pela EMBRAPA- Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária, o planejamento da rotação de culturas deve considerar, preferencialmente, espécies que produzam grandes quantidades de biomassa e não esgotem o solo com rapidez.
Nesse planejamento, é necessário que o agricultor utilize todas as tecnologias à sua disposição, entre as quais se destacam: técnicas específicas para controle de erosão; calagem, adubação; qualidade e tratamento de sementes, época e densidade de semeadura, cultivares adaptadas, controle de plantas daninhas, pragas e doenças: “tem que tratar o solo primeiro e depois escolher espécies que se adaptem a região para evitar prejuízos ecológicos e financeiros”, explica Guilherme.Segundo o professor, a implantação do sistema sustentável pode recuperar parte do solo devastado da floresta em até 5 anos, porém, não pode ser aplicado em toda a região, já que existem áreas pouco exploráveis na floresta, o que demanda fiscalização de outros agentes que aceleram a devastação como o controle de entrada e saída de pessoas da região. Guilherme alerta para os riscos da não implantação do sistema e afirma que caso ela não aconteça rápido, a Amazônia poderá se transformar em um enorme campo devastado sem flores ou animais para contar história.
Fonte: Portal Amazônia
Notícias em destaque
BNDES aprova R$ 43,8 milhões para planta de carvão vegetal da Ferbasa na Bahia
Unidade será instalada em Maracás (BA), terá capacidade de 20 mil toneladas por ano e usará madeira de florestas...
(BIOENERGIA)
A construção da sustentabilidade na silvicultura
O mês do meio ambiente é um convite à reflexão sobre como produzir e conservar ao mesmo tempo, um desafio cada vez mais...
(SILVICULTURA)
Brquetes de madeira prensada no inverno: por que superam a lenha tradicional
Quem aposta em madeira para se aquecer no inverno normalmente pensa na lenha tradicional comprada em loja de materiais de construção...
(BIOENERGIA)
Árvore, pasto e renda: eucalipto ganha espaço e fortalece a pecuária em AL
Produção de eucalipto em Alagoas saltou de pouco mais de 2 mil hectares para 27.296 hectares em uma década, aponta estudo da...
(SILVICULTURA)
Caixas de armazenamento de pellets: mais autonomia para fogões a pellets neste inverno
Cada vez mais lares contam com fogões a pellets para obter um calor limpo e constante - mas muita gente ainda precisa arrastar sacos...
(GERAL)
Relatório da FAO e da Bauhaus Earth destaca o papel da madeira na redução das emissões da construção civil
Um maior uso de madeira de origem sustentável pode ajudar a reposicionar o setor da construção civil, transformando-o de um...
(MADEIRA E PRODUTOS)














