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Notícias
01
jun
2010
(SETOR FLORESTAL)
Solos e nutrição florestal: contribuição para a silvicultura
O rápido desenvolvimento da ciência florestal e da silvicultura no Brasil não encontra paralelo no mundo.
O expressivo aumento da produtividade florestal, em especial do eucalipto, que passou de, aproximadamente, 15 m3/ha/ano, no início da década de 70, para valores próximos de 40 m3/ha/ano, atualmente, e a competitividade dos produtos derivados de florestas plantadas no mercado mundial são dois indicadores da competência dos profissionais do setor.
A área de solos e nutrição florestal tem contribuição marcante para o alcance desses indicadores, pois, por meio do manejo do solo e da nutrição das plantações, disponibilizam-se os dois principais recursos demandados pelas árvores para seu crescimento: água e nutrientes.
Com o advento dos incentivos fiscais, os plantios florestais avançaram para a região de cerrados, onde os solos são ácidos e pobres em nutrientes minerais. Por isso a utilização de fertilizantes tornou-se necessária, conforme demonstrado pelo professor Heládio do Amaral Mello em sua tese de livre-docência. Por algum tempo, o uso da formulação NPK 8-28-16 foi generalizada, pois não havia critérios de interpretação das análises de solo.
Perguntas sobre a tolerância do eucalipto ao alumínio e sua demanda por nutrientes ficavam sem respostas, o que caracterizava a irracionalidade das correções e adubações, ainda que se conseguissem ganhos com seu uso. A sistematização dos estudos sobre adubação começou em 1974, com experimentos sobre o efeito de doses de calcário, de N, P, K e micronutrientes.
Os estudos se solidificaram em 1982 por meio do convênio UFV/IBDF, com a extensão dessa rede para as principais regiões de plantio de eucalipto no estado de Minas Gerais, culminando com uma série de trabalhos, por meio dos quais ficou demonstrada a grande tolerância do eucalipto ao alumínio e que a aplicação de calcário se justificaria, quando necessária, para fornecimento de Ca e Mg às plantas.
A essas alturas, já estava clara a grande dependência da produção à aplicação de fósforo e fortes evidências de que o potássio seria o próximo nutriente que limitaria a produção do eucalipto, pela quantidade absorvida pela planta e seus baixos teores nos solos para os quais o cultivo avançava.
Em 1982, foram publicados Níveis Críticos de Implantação e, em 1986, os Níveis Críticos de Manutenção, estes com base no conteúdo de nutrientes em plantações e no conceito de eficiência de utilização de nutriente (CUB). Esse conceito permitiu o desenvolvimento de um sistema para recomendação de corretivos e fertilizantes para o plantio de eucalipto - Nutricalc, que calcula o balanço de nutrientes no sistema e recomenda ou não fertilizantes.
Esse software é, atualmente, utilizado por várias empresas florestais para orientar o manejo nutricional de seus plantios de eucalipto. O início do Programa Cooperativo em Solos e Nutrição do Eucalipto em 1990, envolvendo as principais empresas florestais do Brasil, foi outra marca importante nos estudos sobre o assunto. Nesse mesmo ano, foi lançado o primeiro livro específico no assunto, Relação Solo-Eucalipto, que registrou as principais informações obtidas até aquela época.
Dentre os avanços da década de 90, registram-se os ganhos adicionais em produção pela utilização de fosfatos naturais, inicialmente aplicados em área total e, depois, na linha ou sulco de plantio, o que permitiu melhor aproveitamento do fósforo pelas árvores, maior produção de madeira e, consequentemente, utilização de menores quantidades do insumo. Os plantios realizados em regiões com períodos de seca prolongados devem receber, obrigatoriamente, boro para evitar a seca de ponteiros das árvores e perdas de produção que chegam a mais de 30%.
A sustentabilidade da produção florestal é outra preocupação que merece atenção. A matéria orgânica do solo é tida como um dos principais indicadores da saúde de solos florestais e um dos principais depositórios de CO2 da atmosfera. Ela tem sido profundamente pesquisada na UFV por meio do Programa Temático Solos e Nutrição Florestal (Nutree), avaliando-se o efeito de técnicas de manejo do solo e de povoamentos florestais na dinâmica do carbono em plantações de eucalipto. O plantio de eucalipto continua avançando para áreas com fortes restrições hídricas.
O estudo dos mecanismos que facultam diferentes materiais genéticos a resistirem a períodos de seca prolongados e o possível envolvimento nutricional em aliviar as plantas de estresse hídrico constituem temas de relevância fundamental para a pesquisa nos próximos anos. O uso de técnicas de biotecnologia parece ser uma das opções para avanços mais rápidos e seguros na seleção de genótipos adequados para plantios em áreas sujeitas às secas prolongadas, determinadas por razões das condições naturais da região ou pelas mudanças climáticas, tão discutidas nos anos recentes.
Por fim, sendo o cultivo florestal uma atividade de longo prazo, as informações geradas pela pesquisa devem permitir predizer e não constatar fatos. Para isso, o desenvolvimento de modelos e sua conversão em ferramentas de gestão facilitam a tomada de decisão na empresa. Ferramentas tais como o Nutreecalc (para a recomendação de corretivos e fertilizantes) e o Nutreelyptus (para diagnose de distúrbios nutricionais) são bons exemplos de transformação de conhecimento em tecnologia para uso pelo setor produtivo.
Nairam Félix de Barros e Roberto Ferreira de Novais - Professores do Departamento de Solos da UFV
O expressivo aumento da produtividade florestal, em especial do eucalipto, que passou de, aproximadamente, 15 m3/ha/ano, no início da década de 70, para valores próximos de 40 m3/ha/ano, atualmente, e a competitividade dos produtos derivados de florestas plantadas no mercado mundial são dois indicadores da competência dos profissionais do setor.
A área de solos e nutrição florestal tem contribuição marcante para o alcance desses indicadores, pois, por meio do manejo do solo e da nutrição das plantações, disponibilizam-se os dois principais recursos demandados pelas árvores para seu crescimento: água e nutrientes.
Com o advento dos incentivos fiscais, os plantios florestais avançaram para a região de cerrados, onde os solos são ácidos e pobres em nutrientes minerais. Por isso a utilização de fertilizantes tornou-se necessária, conforme demonstrado pelo professor Heládio do Amaral Mello em sua tese de livre-docência. Por algum tempo, o uso da formulação NPK 8-28-16 foi generalizada, pois não havia critérios de interpretação das análises de solo.
Perguntas sobre a tolerância do eucalipto ao alumínio e sua demanda por nutrientes ficavam sem respostas, o que caracterizava a irracionalidade das correções e adubações, ainda que se conseguissem ganhos com seu uso. A sistematização dos estudos sobre adubação começou em 1974, com experimentos sobre o efeito de doses de calcário, de N, P, K e micronutrientes.
Os estudos se solidificaram em 1982 por meio do convênio UFV/IBDF, com a extensão dessa rede para as principais regiões de plantio de eucalipto no estado de Minas Gerais, culminando com uma série de trabalhos, por meio dos quais ficou demonstrada a grande tolerância do eucalipto ao alumínio e que a aplicação de calcário se justificaria, quando necessária, para fornecimento de Ca e Mg às plantas.
A essas alturas, já estava clara a grande dependência da produção à aplicação de fósforo e fortes evidências de que o potássio seria o próximo nutriente que limitaria a produção do eucalipto, pela quantidade absorvida pela planta e seus baixos teores nos solos para os quais o cultivo avançava.
Em 1982, foram publicados Níveis Críticos de Implantação e, em 1986, os Níveis Críticos de Manutenção, estes com base no conteúdo de nutrientes em plantações e no conceito de eficiência de utilização de nutriente (CUB). Esse conceito permitiu o desenvolvimento de um sistema para recomendação de corretivos e fertilizantes para o plantio de eucalipto - Nutricalc, que calcula o balanço de nutrientes no sistema e recomenda ou não fertilizantes.
Esse software é, atualmente, utilizado por várias empresas florestais para orientar o manejo nutricional de seus plantios de eucalipto. O início do Programa Cooperativo em Solos e Nutrição do Eucalipto em 1990, envolvendo as principais empresas florestais do Brasil, foi outra marca importante nos estudos sobre o assunto. Nesse mesmo ano, foi lançado o primeiro livro específico no assunto, Relação Solo-Eucalipto, que registrou as principais informações obtidas até aquela época.
Dentre os avanços da década de 90, registram-se os ganhos adicionais em produção pela utilização de fosfatos naturais, inicialmente aplicados em área total e, depois, na linha ou sulco de plantio, o que permitiu melhor aproveitamento do fósforo pelas árvores, maior produção de madeira e, consequentemente, utilização de menores quantidades do insumo. Os plantios realizados em regiões com períodos de seca prolongados devem receber, obrigatoriamente, boro para evitar a seca de ponteiros das árvores e perdas de produção que chegam a mais de 30%.
A sustentabilidade da produção florestal é outra preocupação que merece atenção. A matéria orgânica do solo é tida como um dos principais indicadores da saúde de solos florestais e um dos principais depositórios de CO2 da atmosfera. Ela tem sido profundamente pesquisada na UFV por meio do Programa Temático Solos e Nutrição Florestal (Nutree), avaliando-se o efeito de técnicas de manejo do solo e de povoamentos florestais na dinâmica do carbono em plantações de eucalipto. O plantio de eucalipto continua avançando para áreas com fortes restrições hídricas.
O estudo dos mecanismos que facultam diferentes materiais genéticos a resistirem a períodos de seca prolongados e o possível envolvimento nutricional em aliviar as plantas de estresse hídrico constituem temas de relevância fundamental para a pesquisa nos próximos anos. O uso de técnicas de biotecnologia parece ser uma das opções para avanços mais rápidos e seguros na seleção de genótipos adequados para plantios em áreas sujeitas às secas prolongadas, determinadas por razões das condições naturais da região ou pelas mudanças climáticas, tão discutidas nos anos recentes.
Por fim, sendo o cultivo florestal uma atividade de longo prazo, as informações geradas pela pesquisa devem permitir predizer e não constatar fatos. Para isso, o desenvolvimento de modelos e sua conversão em ferramentas de gestão facilitam a tomada de decisão na empresa. Ferramentas tais como o Nutreecalc (para a recomendação de corretivos e fertilizantes) e o Nutreelyptus (para diagnose de distúrbios nutricionais) são bons exemplos de transformação de conhecimento em tecnologia para uso pelo setor produtivo.
Nairam Félix de Barros e Roberto Ferreira de Novais - Professores do Departamento de Solos da UFV
Fonte: Revista Opiniões
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