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Notícias
24
mai
2010
(AQUECIMENTO GLOBAL)
Agrobiodiversidade, chave para enfrentar a mudança climática
A mecanização, o maior uso de fertilizantes e as sementes híbridas potenciaram os rendimentos agrícolas mundiais nos últimos 40 anos. Mas agora é essencial voltar à sabedoria originária para enfrentar situações climáticas extremas, afirmam especialistas. Embora a biotecnologia seja a inovação mais recente em matéria de produção agrícola, alguns agrônomos alertam que a mudança climática pode eliminar esses avanços se não forem combinados com os conhecimentos tradicionais indígenas.
“O mundo caminha para um anticlímax. A mudança climática já está frustrando a produtividade agrícola em todas as partes”, disse Frank Attere, da Aliança para uma Revolução Verde na África (Agra). “E se isto continuar, o mundo ficará sem sementes autóctones que possam sobreviver a todas as condições meteorológicas, o que causará severa insegurança alimentar e perda de biodiversidade para as gerações que virão”, acrescentou. A Agra é uma organização não governamental que trabalha pela segurança alimentar na África, promovendo a agricultura sustentável entre os pequenos produtores.
A Aliança pretende cumprir esse objetivo garantindo disponibilidade de sementes de boa qualidade, proteção de solos saudáveis, e melhor acesso a informação, mercados e financiamento, além de armazenamento e transporte. Na medida em que aumentam os temores pelo impacto da mudança climática na produtividade agrícola, as comunidades tradicionais do mundo são algumas das que contam com menos mecanismos para resistir, revela um documento divulgado em Nairobi, capital do Quênia.
Precisamente nesta cidade, onde fica a sede do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma), terminou no dia 21 a 14ª Conferência do Órgão Subsidiário de Assessoria Cientifica, Técnica e Tecnológica (SBSTTA 14) do Convênio sobre a Diversidade Biológica.
O estudo “The use of agrobiodiversity by indigenous and traditional agricultural communities in adapting to climate change” (O uso da agrobiodiversidade por parte de comunidades agrícolas indígenas e tradicionais na adaptação à mudança climática), foi apresentado pela Plataforma para a Pesquisa da Agrobiodiversidade, um consórcio de pesquisadores, agricultores e políticos do mundo em desenvolvimento.
“Os agricultores do leste do Quênia empregam a permacultura, método tradicional no qual diferentes tipos de cultivos, que vão de videiras a árvores frutíferas, são plantados juntos como estratégia para enfrentar o errático clima”, disse Patrick Maundu, etnobotânico do Museu Nacional do Quênia e representante dos agricultores do leste desse país. Essa região é majoritariamente semiárida, com secas prolongadas que podem durar até três anos.
Para sobreviver a esta seca, que pode se agravar com a mudança climática, também trabalham com cultivos perenes que resistem à inclemência do tempo. Entre eles frutos originários e legumes, que várias gerações cultivaram com êxito nestas condições extremas. “Esses conhecimentos indígenas devem integrar-se com as novas tecnologias, para desenvolver uma resiliência à mudança climática, especialmente para as gerações futuras”, disse Attere.
Outro exemplo, de Burkina Faso, mostra como os agricultores enfrentaram a desertificação e recuperaram terras degradadas plantando árvores nos campos e ao redor das aldeias. Estes produtores também usam métodos de captação e armazenamento de água e técnicas de hidratação de solos como o “zai-pit”. Um “zai-pit” é um buraco de 60 centímetros de profundidade que se cava em solos secos e arenosos a partir de um quadrado de 60 centímetros de lado. Depois é preenchido com compost (adubo orgânico) misturado com terra da superfície.
Quando a mistura fica saturada, por exemplo, com a água da chuva ou pela irrigação, consegue reter a umidade por vários dias, enquanto o solo arenoso que a rodeia seca quase instantaneamente. Em regiões de Bangladesh propensas à seca, a resiliência das hortas domésticas tradicionais se fortalece com a combinação de cultivos de árvores frutíferas com verduras, irrigação de pequena escala e fertilizantes orgânicos. Em áreas inundadas, foram feitas hortas flutuantes que combinam cultivos tradicionais, como o amaranto vermelho e a couve-rábano.
Paul Bordoni, do Projeto de Mudança Climática da Plataforma para a Pesquisa da Agrobiodiversidade, disse que manter uma diversidade intra e interespécies, valendo-se de cultivos tradicionais, é uma boa maneira de adaptar-se à mudança climática. “Existe uma necessidade urgente de reviver as práticas agrícolas tradicionais. O contínuo processo de inovação exige a participação e o uso do conhecimento tradicional, combinado com o acesso a novos conhecimentos”, afirmou. Esta mensagem vai contra a corrente, num momento em que as forças do mercado, as políticas governamentais e os subsídios costumam promover as técnicas agrícolas que ameaçam a sobrevivências dos conhecimentos indígenas nesta área.
A promoção de sementes melhoradas, sejam híbridas, convencionais ou geneticamente modificadas, e a distribuição de fertilizantes produzidos industrialmente, costumam ser vistas como substituição das variedades e dos métodos tradicionais. “Enquanto destruímos as variedades originárias, esquecemos rapidamente de que as melhoradas tecnologicamente se desenvolveram a partir das mesmas variedades que estamos condenando. A sociedade deve dar um passo atrás e aprender novamente com as comunidades indígenas”, disse Attere.
“O mundo caminha para um anticlímax. A mudança climática já está frustrando a produtividade agrícola em todas as partes”, disse Frank Attere, da Aliança para uma Revolução Verde na África (Agra). “E se isto continuar, o mundo ficará sem sementes autóctones que possam sobreviver a todas as condições meteorológicas, o que causará severa insegurança alimentar e perda de biodiversidade para as gerações que virão”, acrescentou. A Agra é uma organização não governamental que trabalha pela segurança alimentar na África, promovendo a agricultura sustentável entre os pequenos produtores.
A Aliança pretende cumprir esse objetivo garantindo disponibilidade de sementes de boa qualidade, proteção de solos saudáveis, e melhor acesso a informação, mercados e financiamento, além de armazenamento e transporte. Na medida em que aumentam os temores pelo impacto da mudança climática na produtividade agrícola, as comunidades tradicionais do mundo são algumas das que contam com menos mecanismos para resistir, revela um documento divulgado em Nairobi, capital do Quênia.
Precisamente nesta cidade, onde fica a sede do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma), terminou no dia 21 a 14ª Conferência do Órgão Subsidiário de Assessoria Cientifica, Técnica e Tecnológica (SBSTTA 14) do Convênio sobre a Diversidade Biológica.
O estudo “The use of agrobiodiversity by indigenous and traditional agricultural communities in adapting to climate change” (O uso da agrobiodiversidade por parte de comunidades agrícolas indígenas e tradicionais na adaptação à mudança climática), foi apresentado pela Plataforma para a Pesquisa da Agrobiodiversidade, um consórcio de pesquisadores, agricultores e políticos do mundo em desenvolvimento.
“Os agricultores do leste do Quênia empregam a permacultura, método tradicional no qual diferentes tipos de cultivos, que vão de videiras a árvores frutíferas, são plantados juntos como estratégia para enfrentar o errático clima”, disse Patrick Maundu, etnobotânico do Museu Nacional do Quênia e representante dos agricultores do leste desse país. Essa região é majoritariamente semiárida, com secas prolongadas que podem durar até três anos.
Para sobreviver a esta seca, que pode se agravar com a mudança climática, também trabalham com cultivos perenes que resistem à inclemência do tempo. Entre eles frutos originários e legumes, que várias gerações cultivaram com êxito nestas condições extremas. “Esses conhecimentos indígenas devem integrar-se com as novas tecnologias, para desenvolver uma resiliência à mudança climática, especialmente para as gerações futuras”, disse Attere.
Outro exemplo, de Burkina Faso, mostra como os agricultores enfrentaram a desertificação e recuperaram terras degradadas plantando árvores nos campos e ao redor das aldeias. Estes produtores também usam métodos de captação e armazenamento de água e técnicas de hidratação de solos como o “zai-pit”. Um “zai-pit” é um buraco de 60 centímetros de profundidade que se cava em solos secos e arenosos a partir de um quadrado de 60 centímetros de lado. Depois é preenchido com compost (adubo orgânico) misturado com terra da superfície.
Quando a mistura fica saturada, por exemplo, com a água da chuva ou pela irrigação, consegue reter a umidade por vários dias, enquanto o solo arenoso que a rodeia seca quase instantaneamente. Em regiões de Bangladesh propensas à seca, a resiliência das hortas domésticas tradicionais se fortalece com a combinação de cultivos de árvores frutíferas com verduras, irrigação de pequena escala e fertilizantes orgânicos. Em áreas inundadas, foram feitas hortas flutuantes que combinam cultivos tradicionais, como o amaranto vermelho e a couve-rábano.
Paul Bordoni, do Projeto de Mudança Climática da Plataforma para a Pesquisa da Agrobiodiversidade, disse que manter uma diversidade intra e interespécies, valendo-se de cultivos tradicionais, é uma boa maneira de adaptar-se à mudança climática. “Existe uma necessidade urgente de reviver as práticas agrícolas tradicionais. O contínuo processo de inovação exige a participação e o uso do conhecimento tradicional, combinado com o acesso a novos conhecimentos”, afirmou. Esta mensagem vai contra a corrente, num momento em que as forças do mercado, as políticas governamentais e os subsídios costumam promover as técnicas agrícolas que ameaçam a sobrevivências dos conhecimentos indígenas nesta área.
A promoção de sementes melhoradas, sejam híbridas, convencionais ou geneticamente modificadas, e a distribuição de fertilizantes produzidos industrialmente, costumam ser vistas como substituição das variedades e dos métodos tradicionais. “Enquanto destruímos as variedades originárias, esquecemos rapidamente de que as melhoradas tecnologicamente se desenvolveram a partir das mesmas variedades que estamos condenando. A sociedade deve dar um passo atrás e aprender novamente com as comunidades indígenas”, disse Attere.
Fonte: IPS/Envolverde
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