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Notícias
22
nov
2005
(GERAL)
Líder indígena denuncia invasão no Acre por madeireiros peruanos
Líder indígena denuncia invasão de terras no Acre por madeireiros peruanos Em entrevista ao Programa Amazônia Brasileira, da Rádio Nacional da Amazônia, o líder indígena Benki Pianco, da etnia Ashaninka, voltou a denunciar a invasão das terras de seu povo por madeireiros peruanos.
Benki, no entanto, pede pressa. “Dos 87 mil hectares que compreendem a nossa terra, eles já desmataram mais de 7 mil, nesse espaço de 5 anos. Enquanto trabalhamos para preservar, vemos o nosso povo, e não só o povo Ashaninka, mas todo povo brasileiro, ser roubado em suas riquezas por criminosos reincidentes. Precisamos do apoio do Governo Federal, da União. Esse é um território que nós estamos cuidando e usufruindo de seus frutos, mas que é na verdade terra do Brasil, terra brasileira.”
Situada no Estado do Acre, no vale do Juruá, fronteira com o Perú, a aldeia Apiwtxa desenvolve vários projetos de resgate da cultura do povo e restauração da floresta. Os Ashaninka que, por influência dos brancos, durante certo tempo tornaram-se criadores de gado, têm trabalhado para trazer de volta a floresta nativa. Em quinze anos de trabalho a selva volta a ocupar os espaços, antes abertos na mata para pastagens. Eles trabalham com manejo de animais silvestres. Alguns, muito tradicionais na vida deste povo, como os queixadas (espécie de porco selvagem) e as antas, haviam desaparecido completamente da área, mas com o projeto de manejo estão de volta, se reproduzindo e repovoando as terras reflorestadas.
Benki é agente agroflorestal do Acre e afirma que seu povo já poderia ter feito muito mais se não tivesse que cuidar da fronteira, para evitar a invasão de território brasileiro por madeireiros do Perú - “80 por cento do tempo do povo da aldeia têm sido usados para vigiar as fronteiras", disse o agente indígena, lembrando que a primeira denúncia de invasão foi feita em 1999. Segundo Benki, de lá para cá o processo tem se repetido. Retirados de um lado pelos índios, os madeireiros recuam e reaparecem em outra parte da reserva, obrigando o povo Ashaninka a manter vigilância contínua numa área de mais de 87 mil hectares.
A situação é especialmente preocupante agora, já que o acampamento encontrado fica a 8 km apenas da aldeia, onde estão as mulheres e crianças Ashaninka. Benki Pianco denuncia que os invasores são perigosos. ”Eles têm armas de grosso calibre e já nos ameaçaram de morte por várias vezes”, disse.
A terra indígena é rica em madeira nobre como mogno e cedro. O governo brasileiro, por meio do Ministério das Relações Exteriores, tem intensificado as conversas com o governo peruano, no sentido de, juntos, combaterem as atividades ilegais na região.
O governo do Acre também tem trabalhado nesse sentido. A Secretaria Extraordinária de Assuntos Indígenas orienta as lideranças e traça as medidas legais que possam aumentar a proteção da região.
Fonte: Agência Brasil – 06/05/2004
Benki, no entanto, pede pressa. “Dos 87 mil hectares que compreendem a nossa terra, eles já desmataram mais de 7 mil, nesse espaço de 5 anos. Enquanto trabalhamos para preservar, vemos o nosso povo, e não só o povo Ashaninka, mas todo povo brasileiro, ser roubado em suas riquezas por criminosos reincidentes. Precisamos do apoio do Governo Federal, da União. Esse é um território que nós estamos cuidando e usufruindo de seus frutos, mas que é na verdade terra do Brasil, terra brasileira.”
Situada no Estado do Acre, no vale do Juruá, fronteira com o Perú, a aldeia Apiwtxa desenvolve vários projetos de resgate da cultura do povo e restauração da floresta. Os Ashaninka que, por influência dos brancos, durante certo tempo tornaram-se criadores de gado, têm trabalhado para trazer de volta a floresta nativa. Em quinze anos de trabalho a selva volta a ocupar os espaços, antes abertos na mata para pastagens. Eles trabalham com manejo de animais silvestres. Alguns, muito tradicionais na vida deste povo, como os queixadas (espécie de porco selvagem) e as antas, haviam desaparecido completamente da área, mas com o projeto de manejo estão de volta, se reproduzindo e repovoando as terras reflorestadas.
Benki é agente agroflorestal do Acre e afirma que seu povo já poderia ter feito muito mais se não tivesse que cuidar da fronteira, para evitar a invasão de território brasileiro por madeireiros do Perú - “80 por cento do tempo do povo da aldeia têm sido usados para vigiar as fronteiras", disse o agente indígena, lembrando que a primeira denúncia de invasão foi feita em 1999. Segundo Benki, de lá para cá o processo tem se repetido. Retirados de um lado pelos índios, os madeireiros recuam e reaparecem em outra parte da reserva, obrigando o povo Ashaninka a manter vigilância contínua numa área de mais de 87 mil hectares.
A situação é especialmente preocupante agora, já que o acampamento encontrado fica a 8 km apenas da aldeia, onde estão as mulheres e crianças Ashaninka. Benki Pianco denuncia que os invasores são perigosos. ”Eles têm armas de grosso calibre e já nos ameaçaram de morte por várias vezes”, disse.
A terra indígena é rica em madeira nobre como mogno e cedro. O governo brasileiro, por meio do Ministério das Relações Exteriores, tem intensificado as conversas com o governo peruano, no sentido de, juntos, combaterem as atividades ilegais na região.
O governo do Acre também tem trabalhado nesse sentido. A Secretaria Extraordinária de Assuntos Indígenas orienta as lideranças e traça as medidas legais que possam aumentar a proteção da região.
Fonte: Agência Brasil – 06/05/2004
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