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Notícias
18
abr
2010
(MEIO AMBIENTE)
Lavouras de soja no MT devastam 40% da Floresta Amazônica
A expansão das lavouras de soja em Mato Grosso já consumiu 40% da Floresta Amazônica existente no estado. Mas o desmatamento vem caindo principalmente por causa da pressão internacional. Esse é o assunto da reportagem desta quinta-feira na série sobre a exploração econômica da Amazônia.
Mato Grosso é de longe o maior produtor de soja do país. A tecnologia, a experiência e o pioneirismo de agricultores, que vieram do Sul do país, mudaram a paisagem do estado.
“Eu venho do Paraná, um estado colonizado há muitos anos. Aqui eu refiz aquilo que nossos pais fizeram no Paraná na década de 30, 40, 50”, lembrou o produtor de soja Ademir Macorin.
O sucesso, no entanto, foi precedido pelo desmatamento, com tratores e fogo. “Colocamos as esteiras, correntões, derrubamos o cerrado, queimamos”, admitiu ele.
Mato Grosso perdeu quase 40% da mata nativa. Mas, quando a situação parecia fora de controle, algumas medidas passaram a estancar a destruição. Em cinco anos, o desmatamento caiu cerca de 90%.
Uma das forças que impulsionaram esta queda, sem dúvida alguma, foi uma iniciativa chamada moratória da soja. Ela surgiu em 2006, quando a associação que reúne as principais empresas que processam soja no Brasil, tomou a decisão de não comprar um só grão de soja que venha de áreas desmatadas em regiões de florestas da Amazônia. Como estas empresas processam 72% da soja brasileira, tiveram condições de impor a moratória.
As plantações são vigiadas por satélites. O produtor sabe que se desmatar para plantar, terá dificuldades para vender a produção.
“Então ele pensa duas vezes antes de fazer isso. Talvez ele faça outra coisa, tudo bem, a gente está monitorando soja. Mas é o começo de uma conscientização de preservação da Amazônia”, disse o presidente da Associação Brasileira da Indústria de Óleos Vegetais, Carlo Lovatelli.
A conscientização vem com a pressão dos mercados internacionais, principalmente da Europa, que querem saber a origem dos produtos que consomem. É por isso que Blairo Maggi, grande produtor de soja, que acaba de deixar o governo de Mato Grosso, tenta mudar sua imagem de destruidor da floresta para a de amigo do meio ambiente.
“A minha mudança vem disso. É mudança de consciência, que acho que é necessário e importante, e segundo porque também os mercados assim exigem e hoje não há como você produzir de forma diferente”, destacou.
O ex-governador criou o programa MT legal, que está no início, com resultados ainda pequenos. Pelo programa, quem desmatou acima do limite, terá de reflorestar ou fazer uma compensação.
Elso Pozzobon desmatou 50% da área, e o limite máximo é 20%. Para evitar multa milionária, vai comprar uma área de mata virgem e doar para um parque do estado a um custo de R$ 680 mil.
Elso reclama: “Difícil porque a gente se sente acuado mesmo. Você sabe como é um bicho acuado? Ele fica lá no cantinho dele e espera acontecer. Nós fizemos tudo errado? Nós viemos aqui e só fizemos coisa errada?”, questiona.
O desmatamento está em queda, mas muitos acreditam que a pressão por abertura de novas áreas vai aumentar se o mercado de soja crescer.
“Está se falando que daqui há dez anos vamos precisar de 100 milhões a mais de toneladas de soja. De onde vai vir essa soja? Se não vier de lugar nenhum, o preço da soja vai triplicar, quadruplicar, a gente não sabe até onde vai isso. Daí vai ficar altamente viável fazer o desmatamento aqui. Então, como vou impedir o desmatamento? Só tem uma forma: eu pagando para que as pessoas não desmatem”, explicou o presidente da Associação de Produtores de Soja e Milho do MT, Glauber Silveira da Silva.
É aí que entra um mecanismo chamado Redd, sigla para Redução de Emissões por Desmatamento e Degradação. A ideia é criar um valor para a floresta nativa. O proprietário vai receber uma compensação financeira por fundos internacionais, públicos ou privados. Terá o seu capital será remunerado, não abrindo pastos ou plantando soja, mas deixando tudo como está.
“No último painel da ONU, se discutiu muito essa questão do Redd. Há uma consciência no mundo inteiro de que as florestas em pé devem valer mais do que as florestas deitadas ou derrubadas, portanto o produtor deve receber por isso”, disse Blairo Maggi.
É um mecanismo para quem ainda tem mata nativa. Produtores que já desmataram e querem voltar a legalidade, como Elso, terão de se conformar e pagar pelo que destruíram.
“A lei é pra todos. Enquanto eu não conseguir alterar a lei, eu tenho que me enquadrar”, ressaltou.
Mato Grosso é de longe o maior produtor de soja do país. A tecnologia, a experiência e o pioneirismo de agricultores, que vieram do Sul do país, mudaram a paisagem do estado.
“Eu venho do Paraná, um estado colonizado há muitos anos. Aqui eu refiz aquilo que nossos pais fizeram no Paraná na década de 30, 40, 50”, lembrou o produtor de soja Ademir Macorin.
O sucesso, no entanto, foi precedido pelo desmatamento, com tratores e fogo. “Colocamos as esteiras, correntões, derrubamos o cerrado, queimamos”, admitiu ele.
Mato Grosso perdeu quase 40% da mata nativa. Mas, quando a situação parecia fora de controle, algumas medidas passaram a estancar a destruição. Em cinco anos, o desmatamento caiu cerca de 90%.
Uma das forças que impulsionaram esta queda, sem dúvida alguma, foi uma iniciativa chamada moratória da soja. Ela surgiu em 2006, quando a associação que reúne as principais empresas que processam soja no Brasil, tomou a decisão de não comprar um só grão de soja que venha de áreas desmatadas em regiões de florestas da Amazônia. Como estas empresas processam 72% da soja brasileira, tiveram condições de impor a moratória.
As plantações são vigiadas por satélites. O produtor sabe que se desmatar para plantar, terá dificuldades para vender a produção.
“Então ele pensa duas vezes antes de fazer isso. Talvez ele faça outra coisa, tudo bem, a gente está monitorando soja. Mas é o começo de uma conscientização de preservação da Amazônia”, disse o presidente da Associação Brasileira da Indústria de Óleos Vegetais, Carlo Lovatelli.
A conscientização vem com a pressão dos mercados internacionais, principalmente da Europa, que querem saber a origem dos produtos que consomem. É por isso que Blairo Maggi, grande produtor de soja, que acaba de deixar o governo de Mato Grosso, tenta mudar sua imagem de destruidor da floresta para a de amigo do meio ambiente.
“A minha mudança vem disso. É mudança de consciência, que acho que é necessário e importante, e segundo porque também os mercados assim exigem e hoje não há como você produzir de forma diferente”, destacou.
O ex-governador criou o programa MT legal, que está no início, com resultados ainda pequenos. Pelo programa, quem desmatou acima do limite, terá de reflorestar ou fazer uma compensação.
Elso Pozzobon desmatou 50% da área, e o limite máximo é 20%. Para evitar multa milionária, vai comprar uma área de mata virgem e doar para um parque do estado a um custo de R$ 680 mil.
Elso reclama: “Difícil porque a gente se sente acuado mesmo. Você sabe como é um bicho acuado? Ele fica lá no cantinho dele e espera acontecer. Nós fizemos tudo errado? Nós viemos aqui e só fizemos coisa errada?”, questiona.
O desmatamento está em queda, mas muitos acreditam que a pressão por abertura de novas áreas vai aumentar se o mercado de soja crescer.
“Está se falando que daqui há dez anos vamos precisar de 100 milhões a mais de toneladas de soja. De onde vai vir essa soja? Se não vier de lugar nenhum, o preço da soja vai triplicar, quadruplicar, a gente não sabe até onde vai isso. Daí vai ficar altamente viável fazer o desmatamento aqui. Então, como vou impedir o desmatamento? Só tem uma forma: eu pagando para que as pessoas não desmatem”, explicou o presidente da Associação de Produtores de Soja e Milho do MT, Glauber Silveira da Silva.
É aí que entra um mecanismo chamado Redd, sigla para Redução de Emissões por Desmatamento e Degradação. A ideia é criar um valor para a floresta nativa. O proprietário vai receber uma compensação financeira por fundos internacionais, públicos ou privados. Terá o seu capital será remunerado, não abrindo pastos ou plantando soja, mas deixando tudo como está.
“No último painel da ONU, se discutiu muito essa questão do Redd. Há uma consciência no mundo inteiro de que as florestas em pé devem valer mais do que as florestas deitadas ou derrubadas, portanto o produtor deve receber por isso”, disse Blairo Maggi.
É um mecanismo para quem ainda tem mata nativa. Produtores que já desmataram e querem voltar a legalidade, como Elso, terão de se conformar e pagar pelo que destruíram.
“A lei é pra todos. Enquanto eu não conseguir alterar a lei, eu tenho que me enquadrar”, ressaltou.
Fonte: Jornal Nacional
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