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Notícias
08
abr
2010
(BIOENERGIA)
Árvores pagam pela falta de eletricidade
A fumaça que se espalha sobre os subúrbios pobres da cidade de Bulawayo, no Zimbábue, ilustra o impacto ambiental da crise de energia elétrica que afeta este país. Em janeiro, a Estação de Energia Térmica de Hwange entrou em colapso. O porta-voz da Administração de Fornecimento de Eletricidade do Zimbábue, Fullard Gwasira, anunciou que a geração elétrica do país caíra apenas 750 megawatts, somente um terço da demanda nacional, de 2.200 megawatts.
Sofrendo frequentes apagões, milhões de pessoas de todo o país recorrem cada vez mais à lenha como fonte alternativa para cozinhar e para calefação durante o inverno. O desmatamento não é um fenômeno novo no Zimbábue. Entre 1995 e 2005, o país perdeu mais de 20% de sua cobertura florestal, o que representa uma perda média de 312.900 hectares, segundo dados do site ambiental Mongabay obtidos a partir de uma variedade de fontes, entre elas o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente e a Organização das Nações Unidas para a Agricultura e a Alimentação (FAO).
Ainda mais alarmante é o fato de a perda de florestas ter aumentado, entre 2000 e 2005, 16%, na medida em que a crise política e econômica dominava o país. A controvertida reforma agrária, que começou em 2000, ajudou a reduzir os rendimentos agrícolas e a degradação ambiental. Neste contexto, veteranos da guerra de libertação dos anos 70 ocuparam enormes estabelecimentos agrícolas que eram propriedade da minoria branca do Zimbábue.
Duas a três vezes por semana, James Chulu aluga um carro puxado por um burro para percorrer pequenas propriedades agrícolas nos arredores de Bulawayo, a fim de comprar lenha para vender na cidade. Alguns ambientalistas dizem que os novos ocupantes dessas terras, em áreas como Nyamandlovu e Plumtree, estão cortando árvores sem replantar nada para a próxima geração. “Há algum tempo vendo lenha”, disse Chulu. “Mas depois que, no ano passado, a Administração de Fornecimento de Eletricidade começou a cortar a luz durante horas (a cada vez), a demanda aumentou e praticamente esvaziamos as florestas”, acrescentou.
Como muitos outros observadores do assunto, Thabilisde Gumpo, da organização ambientalista Environment Africa, está preocupada. “Ficaremos sem florestas e sem árvores. Devemos imaginar o deserto que estamos criando com esse processo, e tudo por causa dos cortes no fornecimento de eletricidade. Mas é difícil fazer objeções quando esta é a única fonte de energia que as pessoas têm. O meio ambiente é a pior vítima aqui”, disse à IPS.
A lenha está esgotada a tal ponto que os moradores da área começaram a sacrificar valiosas árvores frutíferas. Judith Mwale, viúva e avó de 60 anos, não tem dinheiro para pagar a lenha vendida por Chulu e outros, a um dólar o feixe de três rolos pequenos. “Não tive outra escolha a não ser pedir a alguns homens mais novos da vizinhança que cortassem as árvores. De outro modo, como poderia alimentar estas crianças?”, perguntou Mwale. Chulu encolheu os ombros. “O que mais podemos fazer?”, perguntou. Ele e Mwale são claros exemplos da atitude reinante entre a população, que acredita que o meio ambiente se cuidará sozinho. Mas Gumpo teme que as futuras gerações “herdem apenas o vento”.
“É difícil de defender” a conservação, num momento em que um governo em crise não consegue manter suas próprias centrais elétricas ou pagar enormes contas pela eletricidade importada da África do Sul, República Democrática do Congo e Zâmbia, disse a ativista. Chulu não pode esperar por outro apagão. Para ele, trata-se de fazer negócios, como de costume.
Sofrendo frequentes apagões, milhões de pessoas de todo o país recorrem cada vez mais à lenha como fonte alternativa para cozinhar e para calefação durante o inverno. O desmatamento não é um fenômeno novo no Zimbábue. Entre 1995 e 2005, o país perdeu mais de 20% de sua cobertura florestal, o que representa uma perda média de 312.900 hectares, segundo dados do site ambiental Mongabay obtidos a partir de uma variedade de fontes, entre elas o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente e a Organização das Nações Unidas para a Agricultura e a Alimentação (FAO).
Ainda mais alarmante é o fato de a perda de florestas ter aumentado, entre 2000 e 2005, 16%, na medida em que a crise política e econômica dominava o país. A controvertida reforma agrária, que começou em 2000, ajudou a reduzir os rendimentos agrícolas e a degradação ambiental. Neste contexto, veteranos da guerra de libertação dos anos 70 ocuparam enormes estabelecimentos agrícolas que eram propriedade da minoria branca do Zimbábue.
Duas a três vezes por semana, James Chulu aluga um carro puxado por um burro para percorrer pequenas propriedades agrícolas nos arredores de Bulawayo, a fim de comprar lenha para vender na cidade. Alguns ambientalistas dizem que os novos ocupantes dessas terras, em áreas como Nyamandlovu e Plumtree, estão cortando árvores sem replantar nada para a próxima geração. “Há algum tempo vendo lenha”, disse Chulu. “Mas depois que, no ano passado, a Administração de Fornecimento de Eletricidade começou a cortar a luz durante horas (a cada vez), a demanda aumentou e praticamente esvaziamos as florestas”, acrescentou.
Como muitos outros observadores do assunto, Thabilisde Gumpo, da organização ambientalista Environment Africa, está preocupada. “Ficaremos sem florestas e sem árvores. Devemos imaginar o deserto que estamos criando com esse processo, e tudo por causa dos cortes no fornecimento de eletricidade. Mas é difícil fazer objeções quando esta é a única fonte de energia que as pessoas têm. O meio ambiente é a pior vítima aqui”, disse à IPS.
A lenha está esgotada a tal ponto que os moradores da área começaram a sacrificar valiosas árvores frutíferas. Judith Mwale, viúva e avó de 60 anos, não tem dinheiro para pagar a lenha vendida por Chulu e outros, a um dólar o feixe de três rolos pequenos. “Não tive outra escolha a não ser pedir a alguns homens mais novos da vizinhança que cortassem as árvores. De outro modo, como poderia alimentar estas crianças?”, perguntou Mwale. Chulu encolheu os ombros. “O que mais podemos fazer?”, perguntou. Ele e Mwale são claros exemplos da atitude reinante entre a população, que acredita que o meio ambiente se cuidará sozinho. Mas Gumpo teme que as futuras gerações “herdem apenas o vento”.
“É difícil de defender” a conservação, num momento em que um governo em crise não consegue manter suas próprias centrais elétricas ou pagar enormes contas pela eletricidade importada da África do Sul, República Democrática do Congo e Zâmbia, disse a ativista. Chulu não pode esperar por outro apagão. Para ele, trata-se de fazer negócios, como de costume.
Fonte: IPS/Envolverde
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