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Notícias
02
dez
2009
(SETOR FLORESTAL)
Agronegócio:"Eles querem florestas"
E não é na Amazônia. Investidores do mundo todo estão de olho no crescente mercado de madeira e o Brasil é um de seus alvos.
O paulista Eduardo Schubert, de 52 anos, passa boa parte do seu dia pensando em florestas. Não que ele seja um tree hugger (em português, "abraçador de árvore"), termo debochado que ingleses e americanos usam para descrever aquele tipo de ambientalista caricato e muitas vezes inconveniente. Formado em administração e ex-dono de uma empresa de pesquisas de marketing, Schubert se encantou por árvores há dois anos, quando criou, em parceria com um amigo (ex-sócio da consultoria McKinsey), a Timber Value, empresa dedicada a plantar florestas de eucalipto e de pinus.
A Timber Value já recebeu 40 milhões de dólares de investidores — sobretudo fundos de pensão dos Estados Unidos e da Europa, seguradoras, endowments de universidades (fundos formados por doações) e family offices (administradores de recursos de controladores de grandes empresas e dos de seus herdeiros) — e é dona de 6 500 hectares de florestas nos estados de São Paulo e Minas Gerais. Até o final do ano, a meta é que a área administrada pela Timber Value alcance 50 000 hectares, o equivalente a pouco mais que o tamanho da cidade de Porto Alegre. Para isso, Schubert espera receber investimentos de 60 milhões de dólares até o final de 2008. Os estrangeiros estão especialmente interessados em negócios que envolvam o meio ambiente — sobretudo sua conservação — e isso também tem estimulado investidores brasileiros.
Em dezembro de 2007, o fundo brasileiro de investimentos Stratus comprou uma participação na Timber Value (os valores do negócio não são revelados). "Os investimentos florestais vão crescer absurdamente nos próximos anos e o Brasil tem vantagens competitivas únicas para sair na frente", diz Wagner Duduch, executivo do Stratus. Embora a declaração de Duduch pareça entusiasmada demais, pesquisas indicam que ele pode estar certo. Hoje, as empresas americanas que investem em madeira (conhecidas como Timos) já possuem cerca de 40 bilhões de dólares aplicados em florestas. Impulsionada pelo consumo de países emergentes como China e Índia, porém, a demanda não pára de crescer.
Levantamento realizado pelo banco Merrill Lynch com os 80 maiores fundos de pensão dos Estados Unidos e 45 dos mais vultosos endowments de universidades revelou que os aportes desses investidores institucionais em madeira poderão somar até 4 bilhões de dólares nos próximos cinco anos. Nesse cenário, o Brasil desponta como um fornecedor quase natural: possui abundância de terras, clima propício para o plantio de árvores e conta com alta tecnologia de gestão de florestas, desenvolvida graças à forte indústria de papel e celulose. "A oportunidade que o país oferece é única e os estrangeiros já perceberam isso", diz Aldo de Cresci Neto, advogado do Fleury Malheiros, Gasparini, De Cresci e Nogueira de Lima, escritório paulista que assessora a maioria dos fundos estrangeiros interessados em aplicar recursos no Brasil.
Estima-se que até 2012 os investidores estrangeiros injetem por aqui algo em torno de 2 bilhões de dólares. Nesse novo mercado, um produto vem se destacando. Trata-se da teca, madeira nobre usada na fabricação de móveis de alto padrão, cujo metro cúbico pode chegar a custar 3 000 dólares no mercado internacional — seu principal concorrente, o mogno, exportado por países como Peru, custa cerca de 30% menos. Foi principalmente raças ao plantio de teca que a Nemus, com sede em Cuiabá, no Mato Grosso, conseguiu atrair o fundo de investimento europeu Phaunos. Atualmente, a Nemus possui 2 530 hectares de florestas de teca e de eucalipto no estado. A área de plantio, porém, deve ser ampliada graças aos investimentos de 150 milhões de dólares que a Phaunos fará até o final do ano. A teca, uma árvore de origem asiática, seduziu também Guilherme Frering, o herdeiro e ex-controlador da Caemi, mineradora adquirida pela Vale em 2001. Frering é hoje o principal investidor da Companhia Vale do Araguaia, empresa criada discretamente em 2005 para investir no plantio da madeira.
O paulista Eduardo Schubert, de 52 anos, passa boa parte do seu dia pensando em florestas. Não que ele seja um tree hugger (em português, "abraçador de árvore"), termo debochado que ingleses e americanos usam para descrever aquele tipo de ambientalista caricato e muitas vezes inconveniente. Formado em administração e ex-dono de uma empresa de pesquisas de marketing, Schubert se encantou por árvores há dois anos, quando criou, em parceria com um amigo (ex-sócio da consultoria McKinsey), a Timber Value, empresa dedicada a plantar florestas de eucalipto e de pinus.
A Timber Value já recebeu 40 milhões de dólares de investidores — sobretudo fundos de pensão dos Estados Unidos e da Europa, seguradoras, endowments de universidades (fundos formados por doações) e family offices (administradores de recursos de controladores de grandes empresas e dos de seus herdeiros) — e é dona de 6 500 hectares de florestas nos estados de São Paulo e Minas Gerais. Até o final do ano, a meta é que a área administrada pela Timber Value alcance 50 000 hectares, o equivalente a pouco mais que o tamanho da cidade de Porto Alegre. Para isso, Schubert espera receber investimentos de 60 milhões de dólares até o final de 2008. Os estrangeiros estão especialmente interessados em negócios que envolvam o meio ambiente — sobretudo sua conservação — e isso também tem estimulado investidores brasileiros.
Em dezembro de 2007, o fundo brasileiro de investimentos Stratus comprou uma participação na Timber Value (os valores do negócio não são revelados). "Os investimentos florestais vão crescer absurdamente nos próximos anos e o Brasil tem vantagens competitivas únicas para sair na frente", diz Wagner Duduch, executivo do Stratus. Embora a declaração de Duduch pareça entusiasmada demais, pesquisas indicam que ele pode estar certo. Hoje, as empresas americanas que investem em madeira (conhecidas como Timos) já possuem cerca de 40 bilhões de dólares aplicados em florestas. Impulsionada pelo consumo de países emergentes como China e Índia, porém, a demanda não pára de crescer.
Levantamento realizado pelo banco Merrill Lynch com os 80 maiores fundos de pensão dos Estados Unidos e 45 dos mais vultosos endowments de universidades revelou que os aportes desses investidores institucionais em madeira poderão somar até 4 bilhões de dólares nos próximos cinco anos. Nesse cenário, o Brasil desponta como um fornecedor quase natural: possui abundância de terras, clima propício para o plantio de árvores e conta com alta tecnologia de gestão de florestas, desenvolvida graças à forte indústria de papel e celulose. "A oportunidade que o país oferece é única e os estrangeiros já perceberam isso", diz Aldo de Cresci Neto, advogado do Fleury Malheiros, Gasparini, De Cresci e Nogueira de Lima, escritório paulista que assessora a maioria dos fundos estrangeiros interessados em aplicar recursos no Brasil.
Estima-se que até 2012 os investidores estrangeiros injetem por aqui algo em torno de 2 bilhões de dólares. Nesse novo mercado, um produto vem se destacando. Trata-se da teca, madeira nobre usada na fabricação de móveis de alto padrão, cujo metro cúbico pode chegar a custar 3 000 dólares no mercado internacional — seu principal concorrente, o mogno, exportado por países como Peru, custa cerca de 30% menos. Foi principalmente raças ao plantio de teca que a Nemus, com sede em Cuiabá, no Mato Grosso, conseguiu atrair o fundo de investimento europeu Phaunos. Atualmente, a Nemus possui 2 530 hectares de florestas de teca e de eucalipto no estado. A área de plantio, porém, deve ser ampliada graças aos investimentos de 150 milhões de dólares que a Phaunos fará até o final do ano. A teca, uma árvore de origem asiática, seduziu também Guilherme Frering, o herdeiro e ex-controlador da Caemi, mineradora adquirida pela Vale em 2001. Frering é hoje o principal investidor da Companhia Vale do Araguaia, empresa criada discretamente em 2005 para investir no plantio da madeira.
Fonte: Planeta Sustentável
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