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Notícias
25
nov
2009
(IBAMA)
Maior siderúrgica do PA usa empresa fantasma para comprar carvão
Segundo instituto, documentos falsos permitiam comércio de carvão ilegal. Empresa nega acusação e diz que fiscaliza seus fornecedores.
O Ibama anunciou nesta terça-feira (24) que proibiu três siderúrgicas de Marabá (PA) Pará de comprarem carvão vegetal. Segundo o instituto, elas foram flagradas adquirindo carvão de origem ilegal por meio de um esquema que envolvia falsificação de documentos. Entre as empresas está a maior siderúrgica do Pará, a Cosipar.
De acordo com o Ibama, as empresas compraram 1.520 metros cúbicos de carvão de uma empresa de fachada, montada para falsificar documentos que autorizam a movimentação de madeira no sistema de controle estadual, o Sisflora. A Cosipar teria adquirido 1.130 m³, enquanto a Sidenorte teria comercializado 330 m³ e a Sidepar 60 m³.
Por meio de sua assessoria de comunicação, a Cosipar negou que tenha comprado produtos de empresas não legalizadas. “A Companhia adquire carvão vegetal de fornecedores cadastrados e constantemente auditados por equipe própria”, disse a empresa em nota enviada ao Globo Amazônia.
O gerente de suprimentos da Sidenorte, Luiz Antonio Aquino, afirma que ainda não recebeu notificação do Ibama, mas diz que o carvão vegetal comprado pela empresa é legal. “A nossa matéria prima só entra devidamente legalizada.”
A reportagem também contatou a Sidepar, mas seus representantes não retornaram as ligações até a publicação desta notícia.
Carvão da floresta
O esquema de venda de créditos no sistema Sisflora foi descoberto durante auditoria da operação Caça Fantasmas. Segundo o Ibama, os fiscais desconfiaram quando a empresa LA Baseggio, que tinha apenas três meses, havia movimentado 9 mil m³ de madeira e carvão.
Na última sexta-feira (20), agentes do instituto foram até a sede onde supostamente estaria a empresa, mas no lugar encontraram uma fábrica de carrocerias de caminhão.
De acordo com o coordenador da operação, Paulo Maués, ainda não é possível saber se as siderúrgicas negociavam diretamente com a empresa fantasma ou se eram seus fornecedores que ‘esquentavam’ a matéria prima utilizando a LA Baseggio.
“O que temos como afirmar é que o carvão utilizado por essas empresas foi oriundo de desmatamento ilegal. Elas vão ser autuadas, pois deveriam verificar os seus fornecedores nas questões trabalhistas e ambientais”, argumenta Maués.
Desmatamento
As três empresas autuadas pelo Ibama são guseiras – transformam o minério de ferro, retirado no Polo Carajás, em ferro gusa. Nesse processo, o carvão vegetal é utilizado como matéria prima dentro de seus fornos.
Como existe uma proporção entre o ferro gusa que sai das empresas e a quantidade de carvão utilizada, é fácil saber a o quanto de madeira as siderúrgicas consomem. Segundo o Ibama, não há autorizações suficientes de produção de carvão para tanto ferro gusa. “Essa conta nunca fechou”, afirma o superintendente do instituto no estado, Paulo Diniz.
Ao longo dos anos, o consumo de carvão da mata fez da região de Carajás uma das mais desmatadas da região Norte. O município de Marabá (PA), onde estão instaladas as guseiras paraenses, é o terceiro mais devastado da Amazônia. Dos seus 15 mil quilômetros quadrados, 7,9 mil já foram derrubados, segundo o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). A área equivale a cerca de cinco vezes o município de São Paulo.
Trabalho escravo
Além de prejudicar a floresta, o carvão ilegal do Pará também tem causado danos a trabalhadores. Na última lista empregadores que utilizaram mão de obra análoga à escravidão, publicada pelo Ministério do Trabalho, estão três carvoarias de Goianésia do Pará e Dom Eliseu (PA), ambos municípios fornecedores de carvão para siderúrgicas paraenses.
O Ibama anunciou nesta terça-feira (24) que proibiu três siderúrgicas de Marabá (PA) Pará de comprarem carvão vegetal. Segundo o instituto, elas foram flagradas adquirindo carvão de origem ilegal por meio de um esquema que envolvia falsificação de documentos. Entre as empresas está a maior siderúrgica do Pará, a Cosipar.
De acordo com o Ibama, as empresas compraram 1.520 metros cúbicos de carvão de uma empresa de fachada, montada para falsificar documentos que autorizam a movimentação de madeira no sistema de controle estadual, o Sisflora. A Cosipar teria adquirido 1.130 m³, enquanto a Sidenorte teria comercializado 330 m³ e a Sidepar 60 m³.
Por meio de sua assessoria de comunicação, a Cosipar negou que tenha comprado produtos de empresas não legalizadas. “A Companhia adquire carvão vegetal de fornecedores cadastrados e constantemente auditados por equipe própria”, disse a empresa em nota enviada ao Globo Amazônia.
O gerente de suprimentos da Sidenorte, Luiz Antonio Aquino, afirma que ainda não recebeu notificação do Ibama, mas diz que o carvão vegetal comprado pela empresa é legal. “A nossa matéria prima só entra devidamente legalizada.”
A reportagem também contatou a Sidepar, mas seus representantes não retornaram as ligações até a publicação desta notícia.
Carvão da floresta
O esquema de venda de créditos no sistema Sisflora foi descoberto durante auditoria da operação Caça Fantasmas. Segundo o Ibama, os fiscais desconfiaram quando a empresa LA Baseggio, que tinha apenas três meses, havia movimentado 9 mil m³ de madeira e carvão.
Na última sexta-feira (20), agentes do instituto foram até a sede onde supostamente estaria a empresa, mas no lugar encontraram uma fábrica de carrocerias de caminhão.
De acordo com o coordenador da operação, Paulo Maués, ainda não é possível saber se as siderúrgicas negociavam diretamente com a empresa fantasma ou se eram seus fornecedores que ‘esquentavam’ a matéria prima utilizando a LA Baseggio.
“O que temos como afirmar é que o carvão utilizado por essas empresas foi oriundo de desmatamento ilegal. Elas vão ser autuadas, pois deveriam verificar os seus fornecedores nas questões trabalhistas e ambientais”, argumenta Maués.
Desmatamento
As três empresas autuadas pelo Ibama são guseiras – transformam o minério de ferro, retirado no Polo Carajás, em ferro gusa. Nesse processo, o carvão vegetal é utilizado como matéria prima dentro de seus fornos.
Como existe uma proporção entre o ferro gusa que sai das empresas e a quantidade de carvão utilizada, é fácil saber a o quanto de madeira as siderúrgicas consomem. Segundo o Ibama, não há autorizações suficientes de produção de carvão para tanto ferro gusa. “Essa conta nunca fechou”, afirma o superintendente do instituto no estado, Paulo Diniz.
Ao longo dos anos, o consumo de carvão da mata fez da região de Carajás uma das mais desmatadas da região Norte. O município de Marabá (PA), onde estão instaladas as guseiras paraenses, é o terceiro mais devastado da Amazônia. Dos seus 15 mil quilômetros quadrados, 7,9 mil já foram derrubados, segundo o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). A área equivale a cerca de cinco vezes o município de São Paulo.
Trabalho escravo
Além de prejudicar a floresta, o carvão ilegal do Pará também tem causado danos a trabalhadores. Na última lista empregadores que utilizaram mão de obra análoga à escravidão, publicada pelo Ministério do Trabalho, estão três carvoarias de Goianésia do Pará e Dom Eliseu (PA), ambos municípios fornecedores de carvão para siderúrgicas paraenses.
Fonte: Globo Amazônia
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