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Notícias
11
nov
2009
(DESMATAMENTO)
Floresta pode pagar a conta no debate sobre cortes de emissão de gás
As negociações sobre a redução do desmatamento de florestas, nas quais o Brasil desempenha um papel fundamental, deve ser um dos grandes temas no encontro de Copenhague, em dezembro. Mas alguns especialistas temem a pressão dos países ricos sobre o assunto se sobreponha ao próprio esforço das nações industrializadas em reduzir suas emissões de carbono. Ou seja, a conta inicial acabaria sendo paga por países que têm grandes coberturas florestais.
O desmatamento seria responsável por 20% das emissões globais de gases do efeito estufa. O restante, 80%, seria consequência de emissões de carbono provenientes de outras fontes, como processos industriais – na conta, portanto, dos países mais ricos, especialmente os EUA.
O problema, segundo alguns especialistas, é a possibilidade de o acordo sobre desmatamento ser fechado em Copenhague, mas outras questões, como a redução de emissões de carbono, acabarem sem consenso.
– Um acordo sobre as florestas pode acabar como um exercício de propaganda verde se não houver um tratado juridicamente vinculante (obrigatório) para combater a mudança climática em Copenhague – alerta Nathaniel Dyer, da ONG britânica, Rainforest Foundation.
A Redução das Emissões Derivadas do Desmatamento e Degradação Florestal (REDD) tornou-se uma das questões-chave na negociação de um novo acordo internacional para combater as alterações climáticas – mas não a única. O Brasil pretende propor a redução em 80% do desmatamento da Amazônia até 2020. Para isso, seriam necessários recursos da ordem de R$ 4,5 bilhões até lá.
Para alguns especialistas, conter o desmatamento seria mais fácil que impor cotas de redução de emissão de carbono, não só de nações industrializadas como os EUA, mas de emergentes como a China.
– Reduzir o desmatamento é a forma mais rápida e mais barata de eliminar uma parte significativa das emissões de gases do efeito de estufa mundialmente, por essa razão há muitas possibilidades de se alcançar um acordo a respeito – comenta Paulo Adario, diretor da campanha Amazônia do Greenpeace Brasil.
Delegados de mais de 180 países que negociaram esta semana em Barcelona, na última rodada de discussões técnicas para a reunião de Copenhague, já reconhecem abertamente que a reunião na capital dinamarquesa, de 7 a 18 de dezembro, pode não criar um tratado definitivo – especialmente quanto ao compromisso de redução de emissões de carbono provocado por atividades econômicas.
Tudo aponta para uma declaração de intenções políticas e a decisão de se estabelecer um novo prazo para tentar se concluir um novo acordo climático internacional em 2010. Um dos principais obstáculos é a dificuldade dos EUA para se comprometer internacionalmente com números precisos da redução de suas emissões.
– Os países industrializados têm uma responsabilidade histórica pela mudança climática e um acordo sobre florestas não será eficaz sem compromissos desses países para reduzir suas emissões em pelo menos 40% – diz Alejandro Alemán, do Centro Humboldt da Nicarágua.
Mais cana-de-açúcar com mudanças no clima
As mudanças climáticas e o aumento da concentração de CO² aliados aos avanços tecnológicos poderão proporcionar um aumento significativo na produção de cana-de-açúcar no país, nos próximos 70 anos. Cientistas da USP estimam que a produção poderá atingir 120 toneladas por hectare em 2080.
A estimativa é feita no estudo “Mudanças climáticas e a expectativa de seus impactos na cultura da cana-de-açúcar na região de Piracicaba”, apresentado pela engenheira ambiental Júlia Ribeiro Ferreira Gouvea, como dissertação de mestrado.
– Nos últimos anos, a produtividade média vem atingindo cerca de 85 toneladas por hectare – diz o professor Paulo Cesar Sentelhas, que orientou o trabalho.
Cenários
Segundo ele, uma das principais fontes para a elaboração da pesquisa foi o quarto relatório do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC), de 2007, da ONU, que apresentou cenários futuros de mudanças climáticas.
– O efeito do aumento do CO² e o consequente aquecimento do clima vai favorecer o processo de fotossíntese da cana-de-açúcar – comenta o pesquisador.
De acordo com o cenário estimado no estudo do IPCC, a temperatura global deverá atingir um aumento médio de até 4 graus Celsius no ano de 2100. A pesquisa mostra uma escala de previsão de aquecimento em que 2020 o aumento poderá ser de 1 grau; e em 2050, até 2 graus.
De acordo com o estudo realizado pela pesquisadora da USP, em relação à condição atual, a produtividade aumentará cerca de 15% em 2020, 33% em 2050 e 47% em 2080.
O desmatamento seria responsável por 20% das emissões globais de gases do efeito estufa. O restante, 80%, seria consequência de emissões de carbono provenientes de outras fontes, como processos industriais – na conta, portanto, dos países mais ricos, especialmente os EUA.
O problema, segundo alguns especialistas, é a possibilidade de o acordo sobre desmatamento ser fechado em Copenhague, mas outras questões, como a redução de emissões de carbono, acabarem sem consenso.
– Um acordo sobre as florestas pode acabar como um exercício de propaganda verde se não houver um tratado juridicamente vinculante (obrigatório) para combater a mudança climática em Copenhague – alerta Nathaniel Dyer, da ONG britânica, Rainforest Foundation.
A Redução das Emissões Derivadas do Desmatamento e Degradação Florestal (REDD) tornou-se uma das questões-chave na negociação de um novo acordo internacional para combater as alterações climáticas – mas não a única. O Brasil pretende propor a redução em 80% do desmatamento da Amazônia até 2020. Para isso, seriam necessários recursos da ordem de R$ 4,5 bilhões até lá.
Para alguns especialistas, conter o desmatamento seria mais fácil que impor cotas de redução de emissão de carbono, não só de nações industrializadas como os EUA, mas de emergentes como a China.
– Reduzir o desmatamento é a forma mais rápida e mais barata de eliminar uma parte significativa das emissões de gases do efeito de estufa mundialmente, por essa razão há muitas possibilidades de se alcançar um acordo a respeito – comenta Paulo Adario, diretor da campanha Amazônia do Greenpeace Brasil.
Delegados de mais de 180 países que negociaram esta semana em Barcelona, na última rodada de discussões técnicas para a reunião de Copenhague, já reconhecem abertamente que a reunião na capital dinamarquesa, de 7 a 18 de dezembro, pode não criar um tratado definitivo – especialmente quanto ao compromisso de redução de emissões de carbono provocado por atividades econômicas.
Tudo aponta para uma declaração de intenções políticas e a decisão de se estabelecer um novo prazo para tentar se concluir um novo acordo climático internacional em 2010. Um dos principais obstáculos é a dificuldade dos EUA para se comprometer internacionalmente com números precisos da redução de suas emissões.
– Os países industrializados têm uma responsabilidade histórica pela mudança climática e um acordo sobre florestas não será eficaz sem compromissos desses países para reduzir suas emissões em pelo menos 40% – diz Alejandro Alemán, do Centro Humboldt da Nicarágua.
Mais cana-de-açúcar com mudanças no clima
As mudanças climáticas e o aumento da concentração de CO² aliados aos avanços tecnológicos poderão proporcionar um aumento significativo na produção de cana-de-açúcar no país, nos próximos 70 anos. Cientistas da USP estimam que a produção poderá atingir 120 toneladas por hectare em 2080.
A estimativa é feita no estudo “Mudanças climáticas e a expectativa de seus impactos na cultura da cana-de-açúcar na região de Piracicaba”, apresentado pela engenheira ambiental Júlia Ribeiro Ferreira Gouvea, como dissertação de mestrado.
– Nos últimos anos, a produtividade média vem atingindo cerca de 85 toneladas por hectare – diz o professor Paulo Cesar Sentelhas, que orientou o trabalho.
Cenários
Segundo ele, uma das principais fontes para a elaboração da pesquisa foi o quarto relatório do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC), de 2007, da ONU, que apresentou cenários futuros de mudanças climáticas.
– O efeito do aumento do CO² e o consequente aquecimento do clima vai favorecer o processo de fotossíntese da cana-de-açúcar – comenta o pesquisador.
De acordo com o cenário estimado no estudo do IPCC, a temperatura global deverá atingir um aumento médio de até 4 graus Celsius no ano de 2100. A pesquisa mostra uma escala de previsão de aquecimento em que 2020 o aumento poderá ser de 1 grau; e em 2050, até 2 graus.
De acordo com o estudo realizado pela pesquisadora da USP, em relação à condição atual, a produtividade aumentará cerca de 15% em 2020, 33% em 2050 e 47% em 2080.
Fonte: Agência USP
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