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Notícias
19
out
2009
(DESMATAMENTO)
Indígenas pedem por espaço e preservação de florestas
Na abertura do XIII Congresso Mundial de Florestas, a manifestação de povos que perderam seu modo de vida com o desmatamento ressalta a importância de olhar para todas as pessoas envolvidas com as matas.
No meio do burburinho de uma das grandes salas de expositores do XIII Congresso Mundial de Florestas, iniciado neste domingo (18) em Buenos Aires, o canto indígena de Gregório Segundo e Yoli Martinez quase não chamava a atenção dos muitos participantes do evento, que estavam mais ocupados com os diversos pratos da culinária local servidos no coquetel de abertura. Uma espécie de violino bastante rústico, chamado Nviké, ajudava a dar o ritmo à música cantada em língua Toba, falada pelo povo de mesmo nome que habita a região do Chaco, no norte da Argentina.
“Queremos que plantem mais árvores e devolvam a natureza o que retiraram dela”, diz Yoli, pedindo na verdade que algo fosse feito para recuperar as florestas no qual viviam.
Os Tobas são hoje um dos maiores grupos indígenas na Argentina, com estimados 12 mil famílias segundo estimativas da Associação NAM QOMPI que, assim como outros povos, dependiam da floresta para viver, principalmente da caça.
Porém Yoli conta que o processo de ocupação da terra, com desmatamento que deu lugar a grandes plantações agrícolas e a expansão das cidades, levou grande parte dos indígenas a perderem suas terras. A alternativa foi partir para bairros nas novas áreas urbanas, como Rosário, na província vizinha de Santa Fe. “Não podemos viver lá porque nos falta alimentos, água e dependemos de doações”, afirma.
Denúncias feitas em 2007 sobre as condições precárias que viviam estes povos e, conseqüentemente, o elevado número de mortes por causa de desnutrição e outras doenças levaram a Suprema Corte da Argentina a exigir no início deste ano do governo federal que fizesse um “acordo de desenvolvimento” com o estado de Chaco para fornecer alimentação e infra-estrutura às comunidades expulsas da sua terra original.
Florestas perdidas
Segundo o diretor geral da Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO), Jacques Diouf, 0,2% das florestas mundiais foram perdidas anualmente entre 1990 a 2005 – cerca de 8, 8 milhões de hectares. A estimativa da FAO é que 30% da superfície terrestres esteja coberta por florestas ( cerca de 4 bilhões de hectares).
Diouf avaliou o ritmo como “desesperador”, dizendo que os países em desenvolvimento precisam de ajuda para coordenar ações de combate às mudanças climáticas. “O desafio é obter novos dados, já que são poucos países que realmente tem inventários florestais. Os processos são lentos, principalmente porque os recursos financeiros são escassos. É preciso reforçá-los”, afirmou durante a abertura do evento.
Cerca de 4,5 mil participantes são esperados para o Congresso, que acontece a cada seis anos e tem como objetivo a troca de experiências, novas pesquisas e soluções para o desenvolvimento das florestas.
Monoculturas de Pinus e Eucaliptus
Enquanto os músicos Tobas pediam mais árvores, movimentos do lado de fora do evento protestavam contra projetos de reflorestamento que visam a obtenção de créditos de carbono, pouco antes da fala de Diouf. Integrantes da Via Campesina, representantes de índios mapuche do Chile e da ONG Amigos da Terra reivindicavam o fim de projetos de reflorestamento de espécies como Pinus e Eucaliptos, desenvolvidos por indústrias de Celulose e Papel, por exemplo. O grupo argumenta que muitos povos indígenas estão sendo expulsos de suas terras para dar lugar às plantações de árvores e critica o uso de tais projetos como tendo benefícios ambientais.
“Os resultados da utilização das plantações de árvores como sumidouros (de carbono) são um tanto incertos, que sua contribuição para a redução das mudanças climáticas não podem ser verificadas. Novas propostas como o REDD correm o risco de seguir o mesmo caminho e provocar mais impactos negativos em todo o mundo”, afirmam em uma carta de manifesto.
Projetos de reflorestamento hoje podem receber créditos de carbono pois estocam o dióxido de carbono, por isso são considerados sumidouros. Tais projetos são mais comum no mercado voluntário de carbono, já que praticamente não avançaram dentro do Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (MDL) ligado ao Protocolo de Kyoto, que é muito mais rígido.
Já a iniciativa de Redução de Emissões por Desmatamento e Degradação (REDD) é um dos pontos centrais da agenda de discussão internacional em torno da nova fase de compromissos de Kyoto, a partir de 2012, que tem seu momento alto no final do ano na Conferência do Clima de Copenhague. A idéia é obter recursos financeiros, através de fundos nacionais ou projetos no mercado de carbono, para manter intactas áreas florestais em risco.
No meio do burburinho de uma das grandes salas de expositores do XIII Congresso Mundial de Florestas, iniciado neste domingo (18) em Buenos Aires, o canto indígena de Gregório Segundo e Yoli Martinez quase não chamava a atenção dos muitos participantes do evento, que estavam mais ocupados com os diversos pratos da culinária local servidos no coquetel de abertura. Uma espécie de violino bastante rústico, chamado Nviké, ajudava a dar o ritmo à música cantada em língua Toba, falada pelo povo de mesmo nome que habita a região do Chaco, no norte da Argentina.
“Queremos que plantem mais árvores e devolvam a natureza o que retiraram dela”, diz Yoli, pedindo na verdade que algo fosse feito para recuperar as florestas no qual viviam.
Os Tobas são hoje um dos maiores grupos indígenas na Argentina, com estimados 12 mil famílias segundo estimativas da Associação NAM QOMPI que, assim como outros povos, dependiam da floresta para viver, principalmente da caça.
Porém Yoli conta que o processo de ocupação da terra, com desmatamento que deu lugar a grandes plantações agrícolas e a expansão das cidades, levou grande parte dos indígenas a perderem suas terras. A alternativa foi partir para bairros nas novas áreas urbanas, como Rosário, na província vizinha de Santa Fe. “Não podemos viver lá porque nos falta alimentos, água e dependemos de doações”, afirma.
Denúncias feitas em 2007 sobre as condições precárias que viviam estes povos e, conseqüentemente, o elevado número de mortes por causa de desnutrição e outras doenças levaram a Suprema Corte da Argentina a exigir no início deste ano do governo federal que fizesse um “acordo de desenvolvimento” com o estado de Chaco para fornecer alimentação e infra-estrutura às comunidades expulsas da sua terra original.
Florestas perdidas
Segundo o diretor geral da Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO), Jacques Diouf, 0,2% das florestas mundiais foram perdidas anualmente entre 1990 a 2005 – cerca de 8, 8 milhões de hectares. A estimativa da FAO é que 30% da superfície terrestres esteja coberta por florestas ( cerca de 4 bilhões de hectares).
Diouf avaliou o ritmo como “desesperador”, dizendo que os países em desenvolvimento precisam de ajuda para coordenar ações de combate às mudanças climáticas. “O desafio é obter novos dados, já que são poucos países que realmente tem inventários florestais. Os processos são lentos, principalmente porque os recursos financeiros são escassos. É preciso reforçá-los”, afirmou durante a abertura do evento.
Cerca de 4,5 mil participantes são esperados para o Congresso, que acontece a cada seis anos e tem como objetivo a troca de experiências, novas pesquisas e soluções para o desenvolvimento das florestas.
Monoculturas de Pinus e Eucaliptus
Enquanto os músicos Tobas pediam mais árvores, movimentos do lado de fora do evento protestavam contra projetos de reflorestamento que visam a obtenção de créditos de carbono, pouco antes da fala de Diouf. Integrantes da Via Campesina, representantes de índios mapuche do Chile e da ONG Amigos da Terra reivindicavam o fim de projetos de reflorestamento de espécies como Pinus e Eucaliptos, desenvolvidos por indústrias de Celulose e Papel, por exemplo. O grupo argumenta que muitos povos indígenas estão sendo expulsos de suas terras para dar lugar às plantações de árvores e critica o uso de tais projetos como tendo benefícios ambientais.
“Os resultados da utilização das plantações de árvores como sumidouros (de carbono) são um tanto incertos, que sua contribuição para a redução das mudanças climáticas não podem ser verificadas. Novas propostas como o REDD correm o risco de seguir o mesmo caminho e provocar mais impactos negativos em todo o mundo”, afirmam em uma carta de manifesto.
Projetos de reflorestamento hoje podem receber créditos de carbono pois estocam o dióxido de carbono, por isso são considerados sumidouros. Tais projetos são mais comum no mercado voluntário de carbono, já que praticamente não avançaram dentro do Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (MDL) ligado ao Protocolo de Kyoto, que é muito mais rígido.
Já a iniciativa de Redução de Emissões por Desmatamento e Degradação (REDD) é um dos pontos centrais da agenda de discussão internacional em torno da nova fase de compromissos de Kyoto, a partir de 2012, que tem seu momento alto no final do ano na Conferência do Clima de Copenhague. A idéia é obter recursos financeiros, através de fundos nacionais ou projetos no mercado de carbono, para manter intactas áreas florestais em risco.
Fonte: Carbono Brasil
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