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Notícias
31
ago
2009
(BIOENERGIA)
Energia no país ficou 30% mais suja, diz ministério
A emissão de gás carbônico na geração de energia elétrica no Brasil cresceu 30% acima da oferta de luz entre 1994 e 2007. O aumento, registrado em estudo do Ministério do Meio Ambiente, explica-se pela atividade de usinas térmicas a óleo diesel e carvão no país.
O estudo indica as termelétricas como próximo alvo da política de redução de emissão de gases de efeito estufa, ao lado dos transportes, da indústria e do desmatamento. Também acende um sinal amarelo em relação às ambições do Brasil de posar como potência verde nas negociações do clima em Copenhague, em dezembro.
"Nossa matriz energética ficou mais suja", comentou o ministro Carlos Minc ao divulgar as estimativas de emissões de CO2 pela queima de combustíveis fósseis e processos industriais. "Os dados ainda estão muito bons, comparados ao resto do mundo, mas a direção é ruim", destacou. Entre 1994 e 2007, a geração de energia elétrica no país cresceu 71%, enquanto as emissões de carbono na geração aumentaram 122%.
O percentual de aumento supera o registrado pelo setor de transportes, o que mais queima combustíveis fósseis no Brasil.
Para ajudar a reduzir as emissões deste setor --que cresceram 56%, sobretudo devido a veículos movidos a diesel-- o Conama (Conselho Nacional do Meio Ambiente) votará na semana que vem novos limites de emissões para os carros de passeio e camionetes fabricados a partir de 2013.
Uma resolução em estudo no Conama exigirá a inspeção veicular em todo o país. Hoje só o Estado do Rio de Janeiro e o município de São Paulo fazem esse tipo de controle. "São necessárias medidas para conter as emissões em outros setores e não apenas pelo desmatamento", observou o ministro.
As termelétricas deverão ocupar cada vez mais a matriz energética relativamente limpa do Brasil. O Plano Decenal de Energia do governo prevê a construção de 66 térmicas movidas a combustíveis fósseis.
Apesar disso, Minc afirmou que a exigência de compensar o lançamento de CO2 na atmosfera pelas usinas é objeto de negociação no governo e deverá ser atenuada. "Tem aquela queda de braço e estamos negociando: a exigência de plantar árvores aumenta o custo dos empreendimentos", ponderou. Em maio, ele dissera à Folha que não abriria mão da compensação: "Não tem volta".
Construção civil
Enquanto a economia brasileira cresceu 45,1% em 13 anos, as emissões da indústria cresceram 22% a mais entre 1994 e 2007. Os 77% de aumento no setor não incluem a queima de combustíveis fósseis. O crescimento foi liderado pela indústria de cimento, insumo da construção civil, um dos setores-chave do pacote de estímulo do governo federal para conter a crise econômica.
Os efeitos da crise não aparecem nos dados do ministério, no entanto. As estimativas anunciadas ontem são baseadas em dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), da EPE (Empresa de Pesquisa Energética) e dados da indústria até 2007.
Os números devem ser atualizados uma vez por ano e não seguem a mesma metodologia do inventário oficial de emissões, em elaboração pelo Ministério de Ciência e Tecnologia. O primeiro e único inventário do gênero, que estimou as emissões totais do Brasil em 1 bilhão de toneladas --colocando o país entre os seis maiores emissores de CO2 do mundo-- usa os dados de 1994. O próximo, a ser publicado no fim deste ano, tem 2000 como base.
Minc prevê que as emissões da indústria e da queima de combustíveis fósseis deverão alcançar entre 25% e 30% das emissões totais do país. Esse crescimento será acompanhado pela redução das emissões do desmatamento de 75% do total para algo entre 55% e 60%. O desmate segue como principal emissor do país.
O estudo indica as termelétricas como próximo alvo da política de redução de emissão de gases de efeito estufa, ao lado dos transportes, da indústria e do desmatamento. Também acende um sinal amarelo em relação às ambições do Brasil de posar como potência verde nas negociações do clima em Copenhague, em dezembro.
"Nossa matriz energética ficou mais suja", comentou o ministro Carlos Minc ao divulgar as estimativas de emissões de CO2 pela queima de combustíveis fósseis e processos industriais. "Os dados ainda estão muito bons, comparados ao resto do mundo, mas a direção é ruim", destacou. Entre 1994 e 2007, a geração de energia elétrica no país cresceu 71%, enquanto as emissões de carbono na geração aumentaram 122%.
O percentual de aumento supera o registrado pelo setor de transportes, o que mais queima combustíveis fósseis no Brasil.
Para ajudar a reduzir as emissões deste setor --que cresceram 56%, sobretudo devido a veículos movidos a diesel-- o Conama (Conselho Nacional do Meio Ambiente) votará na semana que vem novos limites de emissões para os carros de passeio e camionetes fabricados a partir de 2013.
Uma resolução em estudo no Conama exigirá a inspeção veicular em todo o país. Hoje só o Estado do Rio de Janeiro e o município de São Paulo fazem esse tipo de controle. "São necessárias medidas para conter as emissões em outros setores e não apenas pelo desmatamento", observou o ministro.
As termelétricas deverão ocupar cada vez mais a matriz energética relativamente limpa do Brasil. O Plano Decenal de Energia do governo prevê a construção de 66 térmicas movidas a combustíveis fósseis.
Apesar disso, Minc afirmou que a exigência de compensar o lançamento de CO2 na atmosfera pelas usinas é objeto de negociação no governo e deverá ser atenuada. "Tem aquela queda de braço e estamos negociando: a exigência de plantar árvores aumenta o custo dos empreendimentos", ponderou. Em maio, ele dissera à Folha que não abriria mão da compensação: "Não tem volta".
Construção civil
Enquanto a economia brasileira cresceu 45,1% em 13 anos, as emissões da indústria cresceram 22% a mais entre 1994 e 2007. Os 77% de aumento no setor não incluem a queima de combustíveis fósseis. O crescimento foi liderado pela indústria de cimento, insumo da construção civil, um dos setores-chave do pacote de estímulo do governo federal para conter a crise econômica.
Os efeitos da crise não aparecem nos dados do ministério, no entanto. As estimativas anunciadas ontem são baseadas em dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), da EPE (Empresa de Pesquisa Energética) e dados da indústria até 2007.
Os números devem ser atualizados uma vez por ano e não seguem a mesma metodologia do inventário oficial de emissões, em elaboração pelo Ministério de Ciência e Tecnologia. O primeiro e único inventário do gênero, que estimou as emissões totais do Brasil em 1 bilhão de toneladas --colocando o país entre os seis maiores emissores de CO2 do mundo-- usa os dados de 1994. O próximo, a ser publicado no fim deste ano, tem 2000 como base.
Minc prevê que as emissões da indústria e da queima de combustíveis fósseis deverão alcançar entre 25% e 30% das emissões totais do país. Esse crescimento será acompanhado pela redução das emissões do desmatamento de 75% do total para algo entre 55% e 60%. O desmate segue como principal emissor do país.
Fonte: Folha de São Paulo
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