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Notícias
31
ago
2009
(MEIO AMBIENTE)
Floresta Amazônica registra recuperação de 20% da área derrubada
O primeiro mapa da regeneração florestal na Amazônia traz uma notícia boa e outra má. A boa é que 20% de tudo o que foi desmatado na região entre 1988 e 2007 se recuperou, formando matas secundárias (capoeiras). A má é que essas matas secundárias têm meia-vida curta: em menos de cinco anos metade da área regenerada volta a virar lavoura e pasto.
Assim, dos estimados 132 mil km² de florestas secundárias que existiam na região em 2006, 60 mil terão sido reconvertidos em 2011. Segundo o pesquisador do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais) que elaborou a estimativa, entender a dinâmica de perda e ganho dessas capoeiras é crucial para saber quais são as reais emissões de CO2 do Brasil por desmatamento: afinal, enquanto se regenera, a floresta sequestra carbono do ar. O atual inventário brasileiro de emissões considera uma regeneração de 12%.
Os cálculos sobre a regeneração foram feitos por Claudio Almeida, diretor do Centro Regional da Amazônia do Inpe, inaugurado ontem em Belém. São estimativas ainda preliminares, feitas com base em 26 imagens de satélite (cenas) do Prodes, o sistema de sensoriamento remoto que calcula a taxa oficial de desmatamento.
"Vamos concluir até novembro um levantamento de porta a porta, com quanto entrou e quanto saiu (se perdeu) de vegetação secundária em 2008", disse Almeida à Folha.
O dado deverá vir acompanhado de uma estimativa de quanto carbono essas novas vegetações conseguem absorver, em comparação com o que é emitido pelo corte raso.
Tapete amarelo - O Prodes mapeia desde o fim dos anos 1980 a perda de floresta na Amazônia, mas ninguém sabe direito o que acontece com a vegetação depois. "A gente não olha mais para a cena depois que ela entra no tapete amarelo", diz Almeida. "Tapete amarelo" é como os técnicos do Inpe chamam as áreas desmatadas, marcadas nos mapas do Prodes com essa cor.
O primeiro mergulho no tapete amarelo tem revelado um ciclo de abandono e retomada das pastagens. "Num dado momento, o proprietário fica descapitalizado e abandona o pasto. Dali a três, quatro anos, ele vende a área e o pasto é limpo de novo, ou ele mesmo refaz a pastagem", afirma o cientista.
Ontem Almeida divulgou os dados de regeneração para Amapá, Mato Grosso e Pará. Mato Grosso detém o pior índice. Cerca de 11% dos 201,7 mil km2 derrubados no Estado voltaram a ter algum tipo de floresta. No Pará, foram 22%, dos 233,4 mil km2 desmatados. No Amapá, um quarto (ou 25%) dos 2.440,3 km 2 destruídos pelo homem se regenerou.
Segundo Paulo Barreto, do Imazon (Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia), os números são positivos. "Se você considerar que as áreas foram desmatadas para serem usadas, é bastante coisa", diz. Segundo ele, as diferenças regionais se devem aos fatores econômicos e naturais que limitaram o desenvolvimento da pecuária ou da agricultura.
Ainda não se sabe o estágio dessas florestas secundárias, nem há por enquanto a diferenciação entre reflorestamento e crescimento natural.
As informações devem ser captadas ao longo do levantamento, que se tornará anual. Com ele, será possível aferir, além da regeneração florestal, quais áreas se tornaram pastos e quais são lavouras. Hoje, o dado é compilado pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), mas com base só em declarações dos fazendeiros. É tido como inexato.
Assim, dos estimados 132 mil km² de florestas secundárias que existiam na região em 2006, 60 mil terão sido reconvertidos em 2011. Segundo o pesquisador do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais) que elaborou a estimativa, entender a dinâmica de perda e ganho dessas capoeiras é crucial para saber quais são as reais emissões de CO2 do Brasil por desmatamento: afinal, enquanto se regenera, a floresta sequestra carbono do ar. O atual inventário brasileiro de emissões considera uma regeneração de 12%.
Os cálculos sobre a regeneração foram feitos por Claudio Almeida, diretor do Centro Regional da Amazônia do Inpe, inaugurado ontem em Belém. São estimativas ainda preliminares, feitas com base em 26 imagens de satélite (cenas) do Prodes, o sistema de sensoriamento remoto que calcula a taxa oficial de desmatamento.
"Vamos concluir até novembro um levantamento de porta a porta, com quanto entrou e quanto saiu (se perdeu) de vegetação secundária em 2008", disse Almeida à Folha.
O dado deverá vir acompanhado de uma estimativa de quanto carbono essas novas vegetações conseguem absorver, em comparação com o que é emitido pelo corte raso.
Tapete amarelo - O Prodes mapeia desde o fim dos anos 1980 a perda de floresta na Amazônia, mas ninguém sabe direito o que acontece com a vegetação depois. "A gente não olha mais para a cena depois que ela entra no tapete amarelo", diz Almeida. "Tapete amarelo" é como os técnicos do Inpe chamam as áreas desmatadas, marcadas nos mapas do Prodes com essa cor.
O primeiro mergulho no tapete amarelo tem revelado um ciclo de abandono e retomada das pastagens. "Num dado momento, o proprietário fica descapitalizado e abandona o pasto. Dali a três, quatro anos, ele vende a área e o pasto é limpo de novo, ou ele mesmo refaz a pastagem", afirma o cientista.
Ontem Almeida divulgou os dados de regeneração para Amapá, Mato Grosso e Pará. Mato Grosso detém o pior índice. Cerca de 11% dos 201,7 mil km2 derrubados no Estado voltaram a ter algum tipo de floresta. No Pará, foram 22%, dos 233,4 mil km2 desmatados. No Amapá, um quarto (ou 25%) dos 2.440,3 km 2 destruídos pelo homem se regenerou.
Segundo Paulo Barreto, do Imazon (Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia), os números são positivos. "Se você considerar que as áreas foram desmatadas para serem usadas, é bastante coisa", diz. Segundo ele, as diferenças regionais se devem aos fatores econômicos e naturais que limitaram o desenvolvimento da pecuária ou da agricultura.
Ainda não se sabe o estágio dessas florestas secundárias, nem há por enquanto a diferenciação entre reflorestamento e crescimento natural.
As informações devem ser captadas ao longo do levantamento, que se tornará anual. Com ele, será possível aferir, além da regeneração florestal, quais áreas se tornaram pastos e quais são lavouras. Hoje, o dado é compilado pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), mas com base só em declarações dos fazendeiros. É tido como inexato.
Fonte: Folha Online
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