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Notícias
21
ago
2009
(QUEIMADAS)
Paisagens espetaculares de Cânions e araucárias estão cobertas com fumaça de queimadas
Fala-se diariamente sobre os desmatamentos e incêndios na região amazônica. Poucos se importam com o que ocorre em outros biomas, ou grandes ecossistemas do país, mesmo naqueles que já estão nos seus estertores finais. O Brasil tem pouco mais de 100 mil hectares de araucárias restantes, quase exclusivamente nos estados de Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul.
Nestes dias resolvemos passear até São José dos Ausentes e mostrar as maravilhas que por lá existem a dois turistas: uma norueguesa e um peruano. Escolhemos ir por Urubici, Bom Jardim da Serra e finalmente para o município de São José dos Ausentes, onde ficamos em uma pousada perto do Cachoeirão dos Rodrigues, dos rios que correm paralelos e do cânion de Monte Negro, já no estado do Rio Grande do Sul.
A viagem de Florianópolis até Bom Jardim da Serra esteve como sempre maravilhosa, pois a natureza neste trecho já nos brinda com paisagens espetaculares. Mas o trecho que eu mais gostava era de Bom Jardim da Serra, em Santa Catarina, até São José dos Ausentes no estado do Rio Grande do Sul. Infeliz escolha. Só o que vimos, especialmente no lado do Rio Grande do Sul, foram incêndios, mais incêndios e muita fumaça. Poder-se-ia pensar que agora é época de se queimar os pastos, pois é mesmo, mas o trágico foi que também se queimavam araucárias, capões de araucárias em várias frentes, a tal ponto que ficamos apreensivos de continuar, pois em alguns locais o fogo atravessava a estrada.
Comecei a chorar de pena e também por culpa da fumaça, mas chorar não adianta. Então, nos limites de Santa Catarina com o Rio Grande do Sul, justo antes da travessia do rio Pelotas onde há um posto singelo de fiscalização, eu fiz parar o carro e fui conversar com a senhora que lá estava de guarda. Ela me disse que tinha medo de que o fogo chegasse a uma roça de milho, junto ao posto, e que também queimasse o posto. Identifiquei-me e pedi que ela ligasse para o IBAMA de Santa Catarina, mas ela não tinha telefone. Meu celular não funcionou. Assim a nossa denúncia só pôde ser feita no dia seguinte.
Por incrível que pareça, no dia seguinte começou a chover e meu celular continuava a não funcionar, mas na pousada onde dormimos havia um celular com antena e pude ligar para o IBAMA de Santa Catarina e fazer a denúncia. Não liguei para o responsável no Rio Grande do Sul porque não tinha seu telefone, no momento. Ainda não sei se alguma providência foi tomada.

O absolutamente inaceitável é que mesmo que autorizados a queimar seus pastos, os proprietários não podem deixar queimar capões de araucárias justamente na região que abriga 48% do pouquíssimo que resta de araucárias em todo o país. As autoridades constituídas têm de exigir que façam aceiros para protegerem-se os capões de araucária e seu sub-bosque, bem como as matas ciliares. Mas é óbvio que os proprietários ficam felizes em queimar araucárias jovens, pois como o corte está proibido, na cabeça deles é melhor matar as juvenis, antes que virem adultas.
Já os tão criticados plantios de pinheiros exóticos não pegam fogo. Seus donos fazem aceiros e têm vigias montando guarda para cuidarem que o fogo não destrua seus valiosos plantios.
Mesmo com toda a feiúra provocada pelos incêndios, nós tínhamos de mostrar aos nossos visitantes os monumentos mais belos da região, pois para isso estávamos lá. Fomos então ver, no estado do Rio Grande do Sul, seu ponto culminante, o cânion do Monte Negro, que é um espetáculo. Ele lá estava pouco visível por causa da fumaça. Havia fumaça por todos os lados que se olhava. E mesmo no acesso ao cânion tudo estava torrado.
Documentamos tudo e espero fazer um ruído com a ajuda de ONGs, principalmente com a SPVS, que se notabiliza pela defesa das matas de araucárias, cientistas e até mesmo com os donos de pousadas no local, que não sendo burros, percebem que, se continuar assim, vão perder seus turistas. Sem ruído não vamos conseguir mobilizar as autoridades responsáveis. No final de semana que chegamos os donos de pousadas estavam inconformados, pois ficaram dois dias sem eletricidade porque os incêndios consumiram também postes e fios. Também fazia muito frio. Pobres dos turistas e pescadores que lá foram para se divertir, ou fazer eco turismo.

A região, embora seja das mais belas do Brasil, ainda tem outros problemas sérios, como a previsão de pequenas centrais hidroelétricas (PCHs) que vão acabar com as belas cachoeiras do local, com a terra boa das fazendas e com a pesca de trutas, o esporte mais procurado do pedaço. Este é um assunto para a próxima coluna, porque algo precisa ser dito e feito para se salvar o cânion do Monte Negro, que deve ser um Parque Estadual, os rios que correm paralelos, o que parece ser um fenômeno único, além do formidável Cachoeirão dos Rodrigues, as matas de araucárias e as suas formações quase puras de enormes samambaiaçus.
Todo ambientalista que conheço quer visitar São José dos Ausentes pela sua fama já bem estabelecida, não obstante ser de difícil acesso, porque a estrada para lá se chegar é de terra e não muito boa. Conselho de amiga: evitem a época do fogo, ou seja, agosto, pois para quem ama a natureza e as belas paisagens, a visita pode se tornar um verdadeiro inferno.
Nestes dias resolvemos passear até São José dos Ausentes e mostrar as maravilhas que por lá existem a dois turistas: uma norueguesa e um peruano. Escolhemos ir por Urubici, Bom Jardim da Serra e finalmente para o município de São José dos Ausentes, onde ficamos em uma pousada perto do Cachoeirão dos Rodrigues, dos rios que correm paralelos e do cânion de Monte Negro, já no estado do Rio Grande do Sul.
A viagem de Florianópolis até Bom Jardim da Serra esteve como sempre maravilhosa, pois a natureza neste trecho já nos brinda com paisagens espetaculares. Mas o trecho que eu mais gostava era de Bom Jardim da Serra, em Santa Catarina, até São José dos Ausentes no estado do Rio Grande do Sul. Infeliz escolha. Só o que vimos, especialmente no lado do Rio Grande do Sul, foram incêndios, mais incêndios e muita fumaça. Poder-se-ia pensar que agora é época de se queimar os pastos, pois é mesmo, mas o trágico foi que também se queimavam araucárias, capões de araucárias em várias frentes, a tal ponto que ficamos apreensivos de continuar, pois em alguns locais o fogo atravessava a estrada.
Comecei a chorar de pena e também por culpa da fumaça, mas chorar não adianta. Então, nos limites de Santa Catarina com o Rio Grande do Sul, justo antes da travessia do rio Pelotas onde há um posto singelo de fiscalização, eu fiz parar o carro e fui conversar com a senhora que lá estava de guarda. Ela me disse que tinha medo de que o fogo chegasse a uma roça de milho, junto ao posto, e que também queimasse o posto. Identifiquei-me e pedi que ela ligasse para o IBAMA de Santa Catarina, mas ela não tinha telefone. Meu celular não funcionou. Assim a nossa denúncia só pôde ser feita no dia seguinte.
Por incrível que pareça, no dia seguinte começou a chover e meu celular continuava a não funcionar, mas na pousada onde dormimos havia um celular com antena e pude ligar para o IBAMA de Santa Catarina e fazer a denúncia. Não liguei para o responsável no Rio Grande do Sul porque não tinha seu telefone, no momento. Ainda não sei se alguma providência foi tomada.

O absolutamente inaceitável é que mesmo que autorizados a queimar seus pastos, os proprietários não podem deixar queimar capões de araucárias justamente na região que abriga 48% do pouquíssimo que resta de araucárias em todo o país. As autoridades constituídas têm de exigir que façam aceiros para protegerem-se os capões de araucária e seu sub-bosque, bem como as matas ciliares. Mas é óbvio que os proprietários ficam felizes em queimar araucárias jovens, pois como o corte está proibido, na cabeça deles é melhor matar as juvenis, antes que virem adultas.
Já os tão criticados plantios de pinheiros exóticos não pegam fogo. Seus donos fazem aceiros e têm vigias montando guarda para cuidarem que o fogo não destrua seus valiosos plantios.
Mesmo com toda a feiúra provocada pelos incêndios, nós tínhamos de mostrar aos nossos visitantes os monumentos mais belos da região, pois para isso estávamos lá. Fomos então ver, no estado do Rio Grande do Sul, seu ponto culminante, o cânion do Monte Negro, que é um espetáculo. Ele lá estava pouco visível por causa da fumaça. Havia fumaça por todos os lados que se olhava. E mesmo no acesso ao cânion tudo estava torrado.
Documentamos tudo e espero fazer um ruído com a ajuda de ONGs, principalmente com a SPVS, que se notabiliza pela defesa das matas de araucárias, cientistas e até mesmo com os donos de pousadas no local, que não sendo burros, percebem que, se continuar assim, vão perder seus turistas. Sem ruído não vamos conseguir mobilizar as autoridades responsáveis. No final de semana que chegamos os donos de pousadas estavam inconformados, pois ficaram dois dias sem eletricidade porque os incêndios consumiram também postes e fios. Também fazia muito frio. Pobres dos turistas e pescadores que lá foram para se divertir, ou fazer eco turismo.

A região, embora seja das mais belas do Brasil, ainda tem outros problemas sérios, como a previsão de pequenas centrais hidroelétricas (PCHs) que vão acabar com as belas cachoeiras do local, com a terra boa das fazendas e com a pesca de trutas, o esporte mais procurado do pedaço. Este é um assunto para a próxima coluna, porque algo precisa ser dito e feito para se salvar o cânion do Monte Negro, que deve ser um Parque Estadual, os rios que correm paralelos, o que parece ser um fenômeno único, além do formidável Cachoeirão dos Rodrigues, as matas de araucárias e as suas formações quase puras de enormes samambaiaçus.
Todo ambientalista que conheço quer visitar São José dos Ausentes pela sua fama já bem estabelecida, não obstante ser de difícil acesso, porque a estrada para lá se chegar é de terra e não muito boa. Conselho de amiga: evitem a época do fogo, ou seja, agosto, pois para quem ama a natureza e as belas paisagens, a visita pode se tornar um verdadeiro inferno.
Fonte: O Eco
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