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Notícias
29
mai
2009
(SETOR FLORESTAL)
Pecuária sustentável na Amazônia é inviável
É impossível existir produção agropecuária sem impactar a Amazônia. É essa a opinião do professor titular da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade da Universidade de São Paulo (USP), Guilherme Leite da Silva Dias, que falou sobre as dificuldades da implementação de um sistema sustentável de produção na Amazônia Legal durante uma conferência de imprensa, realizada pela Oboré, na USP.
De acordo com diferentes estudos apresentados por Dias, a Amazônia não é um caso isolado, seguindo uma tendência de toda a América do Sul no que diz respeito às dificuldades para a implantação de produções sustentáveis. “Setenta por cento da área da América do Sul tem problemas sérios para a implantação de uma agropecuária sustentável”, explicou o pesquisador. Para ele, a situação é ainda um pouco mais complicada na floresta.
Dias explicou que o principal problema para a “produção verde” na região é a extrema pobreza dos solos da floresta. A falta de terras mais ricas torna inviável uma cultura intensiva baseada em alta produtividade em pequenos espaços, exigindo maior abertura da cobertura vegetal nativa. “Existem restrições sérias na área amazônica para mexer com aquele ambiente. Os desafios são grandes para uma agricultura sustentável nestas condições”, afirmou.
Além disso, há também um problema de recursos. Segundo dados apresentados pelo pesquisador, um sistema agropecuário que possa ser rotulado sustentável acaba tornando-se muito mais caro do que o sistema tradicional. “O processo da agropecuária sustentável é caro, chegando a uma ordem de R$ 1.500 a R$ 3 mil reais por hectare”, explicou.
Para Dias, diante destas grandes dificuldades, o sistema produtivo deveria ser removido do bioma amazônico e as novas tecnologias aplicadas às áreas que já são cultivadas no restante do país, como o eixo Sul-Sudeste, ampliando suas capacidades produtivas. “Para atender demanda a produção bovina tem que crescer 35% a cada dez anos. Se continuarmos neste ritmo, em 20 anos não teremos mais Amazônia”, afirmou o pesquisador.
Alternativas
Apesar da suposta inviabilidade de aplicação para um modelo sustentável de exploração agropecuária na floresta, é necessário a busca por diferenciadas atividade econômica que tragam melhoria na qualidade de vida das populações amazônicas. Grande parte do setor ambientalista entusiasmado tem apostado na exploração sustentável de recursos naturais da floresta aliados a programas de pagamento por serviços ambientais, isto é, a transferência de dinheiro para populações da região que se comprometam a não degradar a mata.
Dias, no entanto, é bastante duro ao tratar do assunto. “O Brasil não tem estrutura para fazer isso”. Para o pesquisador a renda gerada pelos manejos sustentáveis para a exploração de produtos da floresta é insuficiente e o pagamento por serviço ambiental, impraticável em um país como o nosso. “Não existe estrutura governamental ou rural e não temos um braço de atuação capilar do Estado para gerenciar um sistema como este”, criticou o pesquisador.
O professor acredita que o potencial de captura deste sistema de distribuição de recursos pelo poder público regional para uso político é imensa. Apesar das desvantagens, Dias afirma que o sistema torna-se necessário para alcançar um caráter sustentável. “Este sistema de pagamentos será necessário para a agropecuária sustentável. Vamos ter de enfrentar algo deste tipo”, concluiu.
De acordo com diferentes estudos apresentados por Dias, a Amazônia não é um caso isolado, seguindo uma tendência de toda a América do Sul no que diz respeito às dificuldades para a implantação de produções sustentáveis. “Setenta por cento da área da América do Sul tem problemas sérios para a implantação de uma agropecuária sustentável”, explicou o pesquisador. Para ele, a situação é ainda um pouco mais complicada na floresta.
Dias explicou que o principal problema para a “produção verde” na região é a extrema pobreza dos solos da floresta. A falta de terras mais ricas torna inviável uma cultura intensiva baseada em alta produtividade em pequenos espaços, exigindo maior abertura da cobertura vegetal nativa. “Existem restrições sérias na área amazônica para mexer com aquele ambiente. Os desafios são grandes para uma agricultura sustentável nestas condições”, afirmou.
Além disso, há também um problema de recursos. Segundo dados apresentados pelo pesquisador, um sistema agropecuário que possa ser rotulado sustentável acaba tornando-se muito mais caro do que o sistema tradicional. “O processo da agropecuária sustentável é caro, chegando a uma ordem de R$ 1.500 a R$ 3 mil reais por hectare”, explicou.
Para Dias, diante destas grandes dificuldades, o sistema produtivo deveria ser removido do bioma amazônico e as novas tecnologias aplicadas às áreas que já são cultivadas no restante do país, como o eixo Sul-Sudeste, ampliando suas capacidades produtivas. “Para atender demanda a produção bovina tem que crescer 35% a cada dez anos. Se continuarmos neste ritmo, em 20 anos não teremos mais Amazônia”, afirmou o pesquisador.
Alternativas
Apesar da suposta inviabilidade de aplicação para um modelo sustentável de exploração agropecuária na floresta, é necessário a busca por diferenciadas atividade econômica que tragam melhoria na qualidade de vida das populações amazônicas. Grande parte do setor ambientalista entusiasmado tem apostado na exploração sustentável de recursos naturais da floresta aliados a programas de pagamento por serviços ambientais, isto é, a transferência de dinheiro para populações da região que se comprometam a não degradar a mata.
Dias, no entanto, é bastante duro ao tratar do assunto. “O Brasil não tem estrutura para fazer isso”. Para o pesquisador a renda gerada pelos manejos sustentáveis para a exploração de produtos da floresta é insuficiente e o pagamento por serviço ambiental, impraticável em um país como o nosso. “Não existe estrutura governamental ou rural e não temos um braço de atuação capilar do Estado para gerenciar um sistema como este”, criticou o pesquisador.
O professor acredita que o potencial de captura deste sistema de distribuição de recursos pelo poder público regional para uso político é imensa. Apesar das desvantagens, Dias afirma que o sistema torna-se necessário para alcançar um caráter sustentável. “Este sistema de pagamentos será necessário para a agropecuária sustentável. Vamos ter de enfrentar algo deste tipo”, concluiu.
Fonte: Amazônia.org.br
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