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Notícias
04
mai
2009
(AQUECIMENTO GLOBAL)
Impacto humano vai além do clima, diz geólogo espanhol
A magnitude das mudanças climáticas deve nos preocupar, mas não podemos esquecer de outras alterações provocadas pela humanidade na natureza, alerta o professor Antônio Cendrero Uceda.
A ação humana é entre dez e cem vezes maior do que os processos naturais, com a formação de aproximadamente 50 mil quilômetros quadrados ao ano de novas ‘antropogeoformas’, ou formas geográficas terrestres, explica Uceda, que é professor pesquisador do Departamento de Ciencias de la Tierra y Física de la Materia Condensada da Universidad de Cantabria, Santander, Espanha.
A combinação de população, tecnologia e riqueza levam a impactos humanos sobre as formas dos terrenos (geomorfologia) de cerca de 7,5 m2/ano por pessoa, de acordo com Cendrero. E, com a tendência de aumento da população e da riqueza, esta taxa deve crescer ainda mais.
“É urgente atuar, mas não apenas na frente climática”, alerta o professor, que esteve no Brasil nesta semana discutindo mudanças climáticas, ações humanas e riscos naturais` em um evento na Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC).
Entre as mudanças causadas pelo homem no meio ambiente que nada tem a ver com o clima, Cendrero cita o caso de praias mediterrâneas que já não recebem mais a quantidade necessária de sedimentos, pois os rios que antes os carregavam foram canalizados e receberam barragens.
Cendrero relembra ainda os episódios de novembro do ano passado em Santa Catarina, quando enchentes e desmoronamentos tiraram a vida de mais de cem pessoas, com prejuízos econômicos milionários. Ele relaciona o aumento do número de episódios extremos com a crescente exposição humana e também às mudanças geomorfológicas causadas pela humanidade.
Mudanças Climáticas
Para o geólogo, estamos entrando em uma etapa sem precedentes. “O clima está mudando? Sem dúvida, como sempre aconteceu. A questão é, qual a causa? Há influência humana?”, indagou a um auditório lotado durante uma palestra realizada na noite desta terça-feira (28) em Florianópolis.
O professor exibiu gráficos e dados que mostram significativas variações no clima ocorridas nos últimos dois séculos em relação aos últimos mil anos. Esta conclusão é reforçada se levado em conta as tendências apresentadas por vários tipos de modelos e combiná-los com o que foi observado recentemente. “Vemos que existe alta correspondência, mas não certezas”, completa Cendrero.
A modelagem climática é realizada com o auxílio de tecnologias avançadas e representações matemáticas que a cada dia ganham uma melhor definição espacial. Ao relacionar dados como a dinâmica atmosférica e oceânica, este tipo de estudo simula o clima terrestre tanto do passado quanto do futuro. Mas, as variáveis são muitas, algumas até mesmo desconhecidas, e faltam informações em muitas partes do mundo.
O professor espanhol diz que em 2006 a concentração de dióxido de carbono (CO2) na atmosfera cresceu 35% alcançando 381 partes por milhão (ppm). O crescimento da atividade econômica global foi o grande responsável por este aumento, seguido pelo aumento da intensidade de carbono na produção e a redução da eficiência dos sumidouros naturais, cada fator representando, respectivamente, 65%, 17% e 18%.
Os sumidouros são os responsáveis pela estocagem do CO2, como a fotossíntese (30%), os oceanos (24%) e a própria atmosfera, que guarda cerca de 45% do CO2, de acordo com Cendrero. Ele destaca que as emissões registradas em 2006 foram maiores do que o cenário mais pessimista do último relatório do Painel Intergovernamental de Mudanças do Clima (IPCC).
Além dos modelos, outros dados analisados recentemente indicam uma mudança do padrão climático, como o aumento do conteúdo calorífico do oceano, o derretimento das geleiras (entre 1912 e 2003, a cobertura de gelo do Monte Kilimanjaro decresceu 80%) e o deslocamento de espécies da fauna e flora, como observado na Europa.
“As mudanças são claríssimas,” afirma Cendrero, “mas mudanças de magnitude superior já ocorreram na história da Terra, talvez não nesta escala”.
A ação humana é entre dez e cem vezes maior do que os processos naturais, com a formação de aproximadamente 50 mil quilômetros quadrados ao ano de novas ‘antropogeoformas’, ou formas geográficas terrestres, explica Uceda, que é professor pesquisador do Departamento de Ciencias de la Tierra y Física de la Materia Condensada da Universidad de Cantabria, Santander, Espanha.
A combinação de população, tecnologia e riqueza levam a impactos humanos sobre as formas dos terrenos (geomorfologia) de cerca de 7,5 m2/ano por pessoa, de acordo com Cendrero. E, com a tendência de aumento da população e da riqueza, esta taxa deve crescer ainda mais.
“É urgente atuar, mas não apenas na frente climática”, alerta o professor, que esteve no Brasil nesta semana discutindo mudanças climáticas, ações humanas e riscos naturais` em um evento na Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC).
Entre as mudanças causadas pelo homem no meio ambiente que nada tem a ver com o clima, Cendrero cita o caso de praias mediterrâneas que já não recebem mais a quantidade necessária de sedimentos, pois os rios que antes os carregavam foram canalizados e receberam barragens.
Cendrero relembra ainda os episódios de novembro do ano passado em Santa Catarina, quando enchentes e desmoronamentos tiraram a vida de mais de cem pessoas, com prejuízos econômicos milionários. Ele relaciona o aumento do número de episódios extremos com a crescente exposição humana e também às mudanças geomorfológicas causadas pela humanidade.
Mudanças Climáticas
Para o geólogo, estamos entrando em uma etapa sem precedentes. “O clima está mudando? Sem dúvida, como sempre aconteceu. A questão é, qual a causa? Há influência humana?”, indagou a um auditório lotado durante uma palestra realizada na noite desta terça-feira (28) em Florianópolis.
O professor exibiu gráficos e dados que mostram significativas variações no clima ocorridas nos últimos dois séculos em relação aos últimos mil anos. Esta conclusão é reforçada se levado em conta as tendências apresentadas por vários tipos de modelos e combiná-los com o que foi observado recentemente. “Vemos que existe alta correspondência, mas não certezas”, completa Cendrero.
A modelagem climática é realizada com o auxílio de tecnologias avançadas e representações matemáticas que a cada dia ganham uma melhor definição espacial. Ao relacionar dados como a dinâmica atmosférica e oceânica, este tipo de estudo simula o clima terrestre tanto do passado quanto do futuro. Mas, as variáveis são muitas, algumas até mesmo desconhecidas, e faltam informações em muitas partes do mundo.
O professor espanhol diz que em 2006 a concentração de dióxido de carbono (CO2) na atmosfera cresceu 35% alcançando 381 partes por milhão (ppm). O crescimento da atividade econômica global foi o grande responsável por este aumento, seguido pelo aumento da intensidade de carbono na produção e a redução da eficiência dos sumidouros naturais, cada fator representando, respectivamente, 65%, 17% e 18%.
Os sumidouros são os responsáveis pela estocagem do CO2, como a fotossíntese (30%), os oceanos (24%) e a própria atmosfera, que guarda cerca de 45% do CO2, de acordo com Cendrero. Ele destaca que as emissões registradas em 2006 foram maiores do que o cenário mais pessimista do último relatório do Painel Intergovernamental de Mudanças do Clima (IPCC).
Além dos modelos, outros dados analisados recentemente indicam uma mudança do padrão climático, como o aumento do conteúdo calorífico do oceano, o derretimento das geleiras (entre 1912 e 2003, a cobertura de gelo do Monte Kilimanjaro decresceu 80%) e o deslocamento de espécies da fauna e flora, como observado na Europa.
“As mudanças são claríssimas,” afirma Cendrero, “mas mudanças de magnitude superior já ocorreram na história da Terra, talvez não nesta escala”.
Fonte: Carbono Brasil
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