Voltar
Notícias
06
abr
2009
(MEIO AMBIENTE)
Estudo mostra fronteira agropecuária na Amazônia
Por meio de mapas foi possível traçar um perfil da ocupação territorial do país e perceber a expansão agropecuária na região amazônica.
Analisar os problemas da questão agrária sob a ótica da geografia, esse foi o objetivo do geógrafo Eduardo Girardi ao desenvolver o estudo "Proposição teórico-metodológica de uma Cartografia Geográfica Crítica e sua aplicação no desenvolvimento do Atlas da Questão Agrária Brasileira". "(A metodologia do estudo) permite procurar e identificar esses sujeitos territoriais, suas ações e configurações no território nacional no que se refere à questão agrária. Um exemplo é a territorialização do agronegócio nos cerrados e na fronteira agropecuária da Amazônia", explica Girardi.
Com mais de 300 mapas que identificam geograficamente a luta pela terra no Brasil, a pesquisa leva em consideração aspectos de problemas como pobreza, desflorestamento, concentração fundiário, violência no campo, luta pela terra, produção agropecuária, dentre outros. Estas questões, de acordo com o geógrafo, foram desenvolvidas usando conceitos da geografia crítica, buscando identificar os atores da sociedade que geram conflitos, além de servir de subsídio para a elaboração de soluções.
Por meio do mapeamento, Girardi pôde confirmar a relação entre grandes estabelecimentos e sub-utilização das terras na fronteira agropecuária. Outra constatação importante em relação à Amazônia é o mapeamento do que o autor denomina de assentamentos "não reformadores"- unidades de conservação consideradas pelos governos como assentamentos, projetos de colonização e reconhecimento de posse que são predominantes na Amazônia.
Segundo o geógrafo, esses assentamentos "não reformadores" fortalecem o campesinato amazônico, que são formados, pela "presença marcante dos camponeses nordestinos, que migraram para a região em busca de melhores condições de produção e vida. Populações ribeirinhas caboclas e migrantes do Sul também são representativas neste campesinato", conta Girardi. Também fazem parte dessa formação assentamentos rurais e pequenas posses e as atividades extrativistas e a pequena produção agropecuária para abastecimento regional.
Reforma Agrária
Com base em seus estudos, Girardi afirma que "(um dos) posicionamentos que assumo é de que a reforma agrária deve ser conduzida pela priorização incondicional do campesinato pelas políticas do Estado, preterindo o agronegócio". Para ele é preciso promover outro tipo de desenvolvimento com proteção contra o capitalismo no campo e reconhecimento da função social dos camponeses.
Analisando o caso da Amazônia especificamente, ele afirma que não é necessário derrubar mais nenhuma árvore não só da Amazônia, mas de nenhum outro bioma, pois existe áreas já devastadas milhões de hectares, passíveis de crescimento da produção agropecuária e suscetíveis de reforma agrária. "A ocupação da Amazônia deve ser cessada imediatamente e deve-se proceder com a promoção da melhoria de vida das pessoas que aí se estabeleceram, promovendo assim o desenvolvimento".
Segundo Girardi, para que aconteça uma reforma Agrária é necessária vontade política Ele afirma que "todos os governos brasileiros ignoraram, por opção política, as indicações dos camponeses, trabalhadores rurais e estudiosos da questão que demonstram ser indispensável realizar a reforma agrária no país. Esta opção tem como objetivo manter as características estruturais de concentração de poder econômico e político".
Para ele o modelo atual resulta na continuação da exploração, violência e devastação ambiental que configuram a questão agrária brasileira. E entende a Amazônia como um espaço onde se produz sem um planejamento efetivo voltado ao desenvolvimento social "e se configura como um espaço ainda mais desigual do restante do país".
Estudo
O trabalho é resultado da tese de doutorado de Girardi, feita pela Universidade Estadual Paulista (Unesp). No estudo foram mapeadas ainda as violências no campo e as ocupações e assentamentos desde o fim da década de 1970 e início da década de 1980, para também servir de como um banco de informações geográfica.
Analisar os problemas da questão agrária sob a ótica da geografia, esse foi o objetivo do geógrafo Eduardo Girardi ao desenvolver o estudo "Proposição teórico-metodológica de uma Cartografia Geográfica Crítica e sua aplicação no desenvolvimento do Atlas da Questão Agrária Brasileira". "(A metodologia do estudo) permite procurar e identificar esses sujeitos territoriais, suas ações e configurações no território nacional no que se refere à questão agrária. Um exemplo é a territorialização do agronegócio nos cerrados e na fronteira agropecuária da Amazônia", explica Girardi.
Com mais de 300 mapas que identificam geograficamente a luta pela terra no Brasil, a pesquisa leva em consideração aspectos de problemas como pobreza, desflorestamento, concentração fundiário, violência no campo, luta pela terra, produção agropecuária, dentre outros. Estas questões, de acordo com o geógrafo, foram desenvolvidas usando conceitos da geografia crítica, buscando identificar os atores da sociedade que geram conflitos, além de servir de subsídio para a elaboração de soluções.
Por meio do mapeamento, Girardi pôde confirmar a relação entre grandes estabelecimentos e sub-utilização das terras na fronteira agropecuária. Outra constatação importante em relação à Amazônia é o mapeamento do que o autor denomina de assentamentos "não reformadores"- unidades de conservação consideradas pelos governos como assentamentos, projetos de colonização e reconhecimento de posse que são predominantes na Amazônia.
Segundo o geógrafo, esses assentamentos "não reformadores" fortalecem o campesinato amazônico, que são formados, pela "presença marcante dos camponeses nordestinos, que migraram para a região em busca de melhores condições de produção e vida. Populações ribeirinhas caboclas e migrantes do Sul também são representativas neste campesinato", conta Girardi. Também fazem parte dessa formação assentamentos rurais e pequenas posses e as atividades extrativistas e a pequena produção agropecuária para abastecimento regional.
Reforma Agrária
Com base em seus estudos, Girardi afirma que "(um dos) posicionamentos que assumo é de que a reforma agrária deve ser conduzida pela priorização incondicional do campesinato pelas políticas do Estado, preterindo o agronegócio". Para ele é preciso promover outro tipo de desenvolvimento com proteção contra o capitalismo no campo e reconhecimento da função social dos camponeses.
Analisando o caso da Amazônia especificamente, ele afirma que não é necessário derrubar mais nenhuma árvore não só da Amazônia, mas de nenhum outro bioma, pois existe áreas já devastadas milhões de hectares, passíveis de crescimento da produção agropecuária e suscetíveis de reforma agrária. "A ocupação da Amazônia deve ser cessada imediatamente e deve-se proceder com a promoção da melhoria de vida das pessoas que aí se estabeleceram, promovendo assim o desenvolvimento".
Segundo Girardi, para que aconteça uma reforma Agrária é necessária vontade política Ele afirma que "todos os governos brasileiros ignoraram, por opção política, as indicações dos camponeses, trabalhadores rurais e estudiosos da questão que demonstram ser indispensável realizar a reforma agrária no país. Esta opção tem como objetivo manter as características estruturais de concentração de poder econômico e político".
Para ele o modelo atual resulta na continuação da exploração, violência e devastação ambiental que configuram a questão agrária brasileira. E entende a Amazônia como um espaço onde se produz sem um planejamento efetivo voltado ao desenvolvimento social "e se configura como um espaço ainda mais desigual do restante do país".
Estudo
O trabalho é resultado da tese de doutorado de Girardi, feita pela Universidade Estadual Paulista (Unesp). No estudo foram mapeadas ainda as violências no campo e as ocupações e assentamentos desde o fim da década de 1970 e início da década de 1980, para também servir de como um banco de informações geográfica.
Fonte: Envolverde/Amazônia.org.br
Notícias em destaque
Espécie nativa de árvore melhora saúde do solo ao ser integrada a pastagens
Espécie conhecida como bordão-de-velho ocorre em quase todas as regiões do país e pode ser alternativa ao...
(GERAL)
Em 2025, considerando somente o componente florestal, a área ocupada por sistemas de ILPF no Brasil alcançou 71,2 mil hectares.
Integração Lavoura-Pecuária-Floresta (ILPF) é uma estratégia de uso sustentável da terra que...
(SILVICULTURA)
Quais são as árvores mais valiosas nas florestas americanas?
Uma nogueira-preta ao pôr do sol no Parque Lutz, município de Deerfield, condado de Livingston, Michigan. Foto: Shutterstock /...
(INTERNACIONAL)
A produção brasileira de painéis de madeira totalizou 9,7 milhões de metros cúbicos
Em 2025, a produção brasileira de painéis de madeira manteve se no maior patamar da série histórica,...
(MADEIRA E PRODUTOS)
Quais as principais pragas do eucalipto?
Em um plantio de eucalipto, uma desfolha que avança em poucos dias, a alteração de cor na copa ou mudas que deixam de crescer...
(GERAL)
A área de árvores cultivadas para fins industriais no Brasil alcançou 10,73 milhões de hectares
A área de árvores cultivadas para fins industriais no Brasil manteve trajetória de expansão em 2025, alcançando...
(SILVICULTURA)














