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Notícias
05
mar
2008
(SETOR FLORESTAL)
Árvores que ameaçam florestas
Para uma floresta em perigo, nada como o nascimento de novas árvores. Pelo menos é isso o que o senso comum permite imaginar, mas a realidade não é bem essa. À lista de ameaças às florestas tropicais pode-se acrescentar uma nova: árvores.
Segundo um estudo feito por pesquisadores dos Estados Unidos, árvores não nativas ao ingressar em florestas tropicais provocam alterações na estrutura biológica básica encontrada nos locais. Ou seja, elas fazem com que a floresta se torne menos hospitaleira à miríade de plantas e espécies de animais que dela dependem.
O estudo será publicado esta semana no site e em breve na edição impressa da revista Proceedings of the National Academy of Sciences (Pnas).
O grupo, liderado por Gregory Asner, do Departamento de Ecologia Global do Instituto Carnegie, usou uma tecnologia inovadora para sensoriamento remoto. Por meio do Observatório Aéreo Carnegie, instalado em uma aeronave, os pesquisadores desenharam mapas tridimensionais para avaliar o impacto de espécies invasoras em uma área de mais de 220 mil hectares de floresta no Havaí.
“Espécies invasoras de árvores freqüentemente apresentam propriedades bioquímicas, fisiológicas e estruturais diferentes das espécies nativas. Nós combinamos essas “impressões digitais” com imagens tridimensionais para ver como essas árvores estão alterando a floresta”, disse Asner.
No Havaí, estima-se que metade de todos os organismos não seja nativa e que cerca de 120 espécies de plantas podem ser consideradas como altamente invasivas. Áreas de vegetação original em floresta tropical no arquipélago são geralmente dominadas pela ohia (Metrosideros polymorpha), mas essa espécie que cresce muito lentamente está perdendo terreno para outras mais novas no local, como a Morella faya, originária das Ilhas Canárias.
De acordo com os pesquisadores, árvores introduzidas também podem abrir caminho para mais invasores a partir da alteração da fertilidade do solo. A Falcataria moluccana, por exemplo, considerada uma das espécies mais invasoras, fixa nitrogênio da atmosfera, concentrando-o no solo, o que estimula a velocidade de crescimento de outra espécie invasiva e menor, a Psidium cattleianum.
A P. cattleianum, por sua vez, forma uma densa cobertura que evita que a maior parte da luz solar atinja o solo e promova o crescimento de plantas nativas jovens.
Os pesquisadores ressaltam que as análises foram feitas em reservas protegidas pelo governo. Ou seja, o cenário pode ser ainda pior. “Essas espécias conseguem se espalhar por áreas protegidas e sem a ajuda de alterações promovidas pelas atividades humanas. Isso sugere que as abordagens tradicionais de conservação não são suficientes para a sobrevivência a longo prazo das florestas”, disse Asner.
O artigo Invasive plants transform the three-dimensional structure of rain forests, de Gregory Asner e outros, poderá ser lido em breve por assinantes da Pnas em www.pnas.org.
Segundo um estudo feito por pesquisadores dos Estados Unidos, árvores não nativas ao ingressar em florestas tropicais provocam alterações na estrutura biológica básica encontrada nos locais. Ou seja, elas fazem com que a floresta se torne menos hospitaleira à miríade de plantas e espécies de animais que dela dependem.
O estudo será publicado esta semana no site e em breve na edição impressa da revista Proceedings of the National Academy of Sciences (Pnas).
O grupo, liderado por Gregory Asner, do Departamento de Ecologia Global do Instituto Carnegie, usou uma tecnologia inovadora para sensoriamento remoto. Por meio do Observatório Aéreo Carnegie, instalado em uma aeronave, os pesquisadores desenharam mapas tridimensionais para avaliar o impacto de espécies invasoras em uma área de mais de 220 mil hectares de floresta no Havaí.
“Espécies invasoras de árvores freqüentemente apresentam propriedades bioquímicas, fisiológicas e estruturais diferentes das espécies nativas. Nós combinamos essas “impressões digitais” com imagens tridimensionais para ver como essas árvores estão alterando a floresta”, disse Asner.
No Havaí, estima-se que metade de todos os organismos não seja nativa e que cerca de 120 espécies de plantas podem ser consideradas como altamente invasivas. Áreas de vegetação original em floresta tropical no arquipélago são geralmente dominadas pela ohia (Metrosideros polymorpha), mas essa espécie que cresce muito lentamente está perdendo terreno para outras mais novas no local, como a Morella faya, originária das Ilhas Canárias.
De acordo com os pesquisadores, árvores introduzidas também podem abrir caminho para mais invasores a partir da alteração da fertilidade do solo. A Falcataria moluccana, por exemplo, considerada uma das espécies mais invasoras, fixa nitrogênio da atmosfera, concentrando-o no solo, o que estimula a velocidade de crescimento de outra espécie invasiva e menor, a Psidium cattleianum.
A P. cattleianum, por sua vez, forma uma densa cobertura que evita que a maior parte da luz solar atinja o solo e promova o crescimento de plantas nativas jovens.
Os pesquisadores ressaltam que as análises foram feitas em reservas protegidas pelo governo. Ou seja, o cenário pode ser ainda pior. “Essas espécias conseguem se espalhar por áreas protegidas e sem a ajuda de alterações promovidas pelas atividades humanas. Isso sugere que as abordagens tradicionais de conservação não são suficientes para a sobrevivência a longo prazo das florestas”, disse Asner.
O artigo Invasive plants transform the three-dimensional structure of rain forests, de Gregory Asner e outros, poderá ser lido em breve por assinantes da Pnas em www.pnas.org.
Fonte: Agência FAPESP
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