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Notícias
05
mar
2008
(MADEIRA E PRODUTOS)
O fim do ciclo da extração madeireira
Pessoas que conhecem bem a realidade da região e do Estado, entre elas industriais do próprio setor florestal, estão convencidas de que chegou inapelavelmente ao fim o ciclo do extrativismo madeireiro, que, desde a década de 1970, vem alimentando a economia de Tailândia e que ainda hoje responde por cerca de 90% de toda a renda gerada no município.
Eles apostam também que o governo dificilmente levará até o fim o ímpeto fiscalizatório que, desde o dia 11 de fevereiro, mantém o município virtualmente paralisado pela suspensão das atividades da indústria madeireira. É unânime, entre as lideranças políticas e empresariais de Tailândia, o entendimento de que, se levar às conseqüências as ações de fiscalização que vêm mobilizando diversos organismos federais e estaduais, em ação conjunta, o governo estará jogando, em seu próprio colo, uma bomba de alto teor explosivo.
“Vem muita podridão por aí”, é a frase que costumam repetir os moradores locais com razoável nível de conhecimento da situação. Eles alertam que organismos como o Incra e o Ibama, para ficar apenas nestes na área do Executivo, não terão como explicar o acúmulo de crimes ambientais e a espantosa cronologia de irregularidades que, durante décadas, caracterizaram a atividade madeireira.
As origens de Tailândia remontam à década de 1970, quando foi aberta a rodovia PA-150 ligando a capital ao sul do Estado. As primeiras levas de desbravadores se concentraram, inicialmente, numa vila então pertencente ao município de Acará. A vila de Tailândia acabaria desmembrada e emancipada através do decreto-lei nº 5442, de 10 de maio de 1988.
Nos primeiros anos, à falta de ligação rodoviária, uma viagem entre Belém e as áreas ribeirinhas mais distantes do hoje município de Tailândia, feita em canoas e pequenas embarcações, demoravam em média de 10 a 12 dias. Naquele tempo, as terras de Tailândia, ocupando uma área de pouco mais de 4.400 quilômetros quadrados, eram ainda cobertas quase que integralmente por floresta densa. Em apenas trinta anos, graças em parte à facilidade de penetração aberta pela ligação rodoviária, que atraiu para a região dezenas de serrarias, mais de 60% da mata nativa – já há quem fale hoje em 70% - foi posta abaixo.
E isso, convém frisar, numa região onde a lei fixa em 20% o limite máximo de exploração da terra, ficando a floresta primária nos 80% de cada propriedade obrigatoriamente intocada como reserva legal. Ao desencadear a recente operação que está em curso no município de Tailândia, o governo se submete ao teste da verdade. Caberá a ele, através do Ibama – e antes ao antigo IBDF (Instituto Brasileiro de Desenvolvimento Florestal, já extinto) – explicar como e por quais motivos a lei foi desobedecida ano após ano, sem uma única providência efetiva para coibir a ilegalidade.
Do Incra deve-se também exigir explicações sobre a ligeireza na oferta de apoio e mesmo de cestas básicas aos grupos de invasores de terras que, agindo sob o rótulo dos chamados movimentos sociais, praticaram nestes últimos anos os mais devastadores ataques aos maciços florestais remanescentes, transformando-os em fontes de suprimento das serrarias que atuavam na clandestinidade.
Eles apostam também que o governo dificilmente levará até o fim o ímpeto fiscalizatório que, desde o dia 11 de fevereiro, mantém o município virtualmente paralisado pela suspensão das atividades da indústria madeireira. É unânime, entre as lideranças políticas e empresariais de Tailândia, o entendimento de que, se levar às conseqüências as ações de fiscalização que vêm mobilizando diversos organismos federais e estaduais, em ação conjunta, o governo estará jogando, em seu próprio colo, uma bomba de alto teor explosivo.
“Vem muita podridão por aí”, é a frase que costumam repetir os moradores locais com razoável nível de conhecimento da situação. Eles alertam que organismos como o Incra e o Ibama, para ficar apenas nestes na área do Executivo, não terão como explicar o acúmulo de crimes ambientais e a espantosa cronologia de irregularidades que, durante décadas, caracterizaram a atividade madeireira.
As origens de Tailândia remontam à década de 1970, quando foi aberta a rodovia PA-150 ligando a capital ao sul do Estado. As primeiras levas de desbravadores se concentraram, inicialmente, numa vila então pertencente ao município de Acará. A vila de Tailândia acabaria desmembrada e emancipada através do decreto-lei nº 5442, de 10 de maio de 1988.
Nos primeiros anos, à falta de ligação rodoviária, uma viagem entre Belém e as áreas ribeirinhas mais distantes do hoje município de Tailândia, feita em canoas e pequenas embarcações, demoravam em média de 10 a 12 dias. Naquele tempo, as terras de Tailândia, ocupando uma área de pouco mais de 4.400 quilômetros quadrados, eram ainda cobertas quase que integralmente por floresta densa. Em apenas trinta anos, graças em parte à facilidade de penetração aberta pela ligação rodoviária, que atraiu para a região dezenas de serrarias, mais de 60% da mata nativa – já há quem fale hoje em 70% - foi posta abaixo.
E isso, convém frisar, numa região onde a lei fixa em 20% o limite máximo de exploração da terra, ficando a floresta primária nos 80% de cada propriedade obrigatoriamente intocada como reserva legal. Ao desencadear a recente operação que está em curso no município de Tailândia, o governo se submete ao teste da verdade. Caberá a ele, através do Ibama – e antes ao antigo IBDF (Instituto Brasileiro de Desenvolvimento Florestal, já extinto) – explicar como e por quais motivos a lei foi desobedecida ano após ano, sem uma única providência efetiva para coibir a ilegalidade.
Do Incra deve-se também exigir explicações sobre a ligeireza na oferta de apoio e mesmo de cestas básicas aos grupos de invasores de terras que, agindo sob o rótulo dos chamados movimentos sociais, praticaram nestes últimos anos os mais devastadores ataques aos maciços florestais remanescentes, transformando-os em fontes de suprimento das serrarias que atuavam na clandestinidade.
Fonte: Diário do Pará
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