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Notícias
26
fev
2008
(EXPORTAÇÃO)
Crise externa encarece o financiamento de exportações
Os reflexos da crise internacional no Brasil não se resumem a fortes oscilações na Bolsa de Valores e nos mercados de câmbio e juros.
As perdas geradas pelo calote em empréstimos imobiliários de má qualidade nos EUA já respinga na economia não-financeira brasileira, e as empresas e bancos que trabalham com financiamentos para exportação e importação estão pagando mais caro por essas operações.
Mesmo sem ter relação direta com o mercado imobiliário norte-americano, eles arcam com parte do custo porque recorrem a dinheiro externo para financiar o comércio com o exterior. Com isso, pagam pelo risco dos outros.
Levantamento feito pela Folha com instituições que operam com esses financiamentos mostra que o custo dos bancos que operam no Brasil para captar linhas lá fora subiu entre 0,5 a 0,76 pontos percentuais dependendo da operação e do prazo. Esse valor foi acrescido ao prêmio de risco que é cobrado nas transações além da taxa de juros. O aumento é repassado aos empresários brasileiros.
"O risco não é do Brasil, mas não nos separamos do mundo. Estamos no contexto", justifica Marlene Milan, diretora do Departamento de Câmbio do Bradesco. Ela lembra que até julho do ano passado havia dinheiro sobrando no mundo em busca de mais rendimento, mesmo que significasse mais risco. "A crise do subprime [empréstimos imobiliários de alto risco nos EUA] mudou tudo", explica, ressaltando que os bancos brasileiros não reduziram o volume de recursos para o comércio exterior e também não têm problema de conseguir dinheiro lá fora, mas o custo aumentou. O repasse para as empresas é automático.
Para financiar os exportadores e importadores brasileiros, os bancos instalados no país recorrem a dinheiro externo, mais barato do que as opções domésticas, já que o Brasil tem uma das taxas de juros mais altas do mundo.
Entre as opções de fonte de recursos, estão as linhas oferecidas por instituições estrangeiras (o que inclui a própria matriz para os bancos estrangeiros), lançamento de bônus no mercado de capitais internacional e depósitos de empresas e pessoas físicas nas agências no exterior.
A crise internacional fez com que os investidores ficassem mais receosos, e a quantidade de dinheiro disponível para empréstimos no mundo caiu. Segundo relato de um executivo de um grande banco nacional, alguns parceiros antigos lá fora sequer respondem mensagens ou atendem a telefonemas. Motivo: não têm dinheiro para repassar.
"As alternativas de captação no mercado ficaram limitadas, e os bancos estão mais dependentes das linhas banco-a-banco", diz Milan. Para Eduardo Dacache, vice-presidente de Corporate e Empresas do Santander no Brasil, parte desse aumento no prêmio de risco é compensada pela queda da Libor (taxa de juros londrina e referência para o comércio exterior). "O cenário de turbulência joga risco para todo mundo, mas, desde setembro do ano passado, a Libor vem caindo, e isso reduz parte do impacto negativo", afirma.
O vice-presidente da AEB (Associação de Comércio Exterior do Brasil), José Augusto de Castro, destaca que esse aumento no crédito se soma à elevação do IOF (Imposto sobre Operações Financeiras) anunciada pelo governo para compensar parte da perda de receita com o fim da CPMF.
"Antes, os contratos de câmbio eram isentos de IOF e pagavam CPMF. Agora, pagam duas vezes o IOF, quando fecha o contrato com o banco e, depois, quando recebe o dinheiro do exterior e liquida a operação".
As perdas geradas pelo calote em empréstimos imobiliários de má qualidade nos EUA já respinga na economia não-financeira brasileira, e as empresas e bancos que trabalham com financiamentos para exportação e importação estão pagando mais caro por essas operações.
Mesmo sem ter relação direta com o mercado imobiliário norte-americano, eles arcam com parte do custo porque recorrem a dinheiro externo para financiar o comércio com o exterior. Com isso, pagam pelo risco dos outros.
Levantamento feito pela Folha com instituições que operam com esses financiamentos mostra que o custo dos bancos que operam no Brasil para captar linhas lá fora subiu entre 0,5 a 0,76 pontos percentuais dependendo da operação e do prazo. Esse valor foi acrescido ao prêmio de risco que é cobrado nas transações além da taxa de juros. O aumento é repassado aos empresários brasileiros.
"O risco não é do Brasil, mas não nos separamos do mundo. Estamos no contexto", justifica Marlene Milan, diretora do Departamento de Câmbio do Bradesco. Ela lembra que até julho do ano passado havia dinheiro sobrando no mundo em busca de mais rendimento, mesmo que significasse mais risco. "A crise do subprime [empréstimos imobiliários de alto risco nos EUA] mudou tudo", explica, ressaltando que os bancos brasileiros não reduziram o volume de recursos para o comércio exterior e também não têm problema de conseguir dinheiro lá fora, mas o custo aumentou. O repasse para as empresas é automático.
Para financiar os exportadores e importadores brasileiros, os bancos instalados no país recorrem a dinheiro externo, mais barato do que as opções domésticas, já que o Brasil tem uma das taxas de juros mais altas do mundo.
Entre as opções de fonte de recursos, estão as linhas oferecidas por instituições estrangeiras (o que inclui a própria matriz para os bancos estrangeiros), lançamento de bônus no mercado de capitais internacional e depósitos de empresas e pessoas físicas nas agências no exterior.
A crise internacional fez com que os investidores ficassem mais receosos, e a quantidade de dinheiro disponível para empréstimos no mundo caiu. Segundo relato de um executivo de um grande banco nacional, alguns parceiros antigos lá fora sequer respondem mensagens ou atendem a telefonemas. Motivo: não têm dinheiro para repassar.
"As alternativas de captação no mercado ficaram limitadas, e os bancos estão mais dependentes das linhas banco-a-banco", diz Milan. Para Eduardo Dacache, vice-presidente de Corporate e Empresas do Santander no Brasil, parte desse aumento no prêmio de risco é compensada pela queda da Libor (taxa de juros londrina e referência para o comércio exterior). "O cenário de turbulência joga risco para todo mundo, mas, desde setembro do ano passado, a Libor vem caindo, e isso reduz parte do impacto negativo", afirma.
O vice-presidente da AEB (Associação de Comércio Exterior do Brasil), José Augusto de Castro, destaca que esse aumento no crédito se soma à elevação do IOF (Imposto sobre Operações Financeiras) anunciada pelo governo para compensar parte da perda de receita com o fim da CPMF.
"Antes, os contratos de câmbio eram isentos de IOF e pagavam CPMF. Agora, pagam duas vezes o IOF, quando fecha o contrato com o banco e, depois, quando recebe o dinheiro do exterior e liquida a operação".
Fonte: Folha de São Paulo
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