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Notícias
23
fev
2008
(AQUECIMENTO GLOBAL)
Gerenciamento sustentável de florestas receberá atenção especial da presidência do G8
O gerenciamento sustentável de florestas será o tema chave durante a presidência japonesa do G8, anunciou o primeiro-ministro japonês, Yasuo Fukuda, durante o Fórum de Mudanças Climáticas, que se encerra hoje em Brasília.
"Enquanto promovemos “gerenciamento sustentável de florestas”, precisamos tentar frear o desmatamento e a degradação florestal. Eu pretendo promover esta discussão com outros países para promover um progresso importante em direção a uma resolução", disse Fukuda na abertura do encontro de legisladores do G8+5.
O Brasil abriga a maior floresta tropical do mundo, porém tem recebido olhares de desconfiança da comunidade internacional por mostrar incapacidade em controlar as queimadas e degradação ambiental da Amazônia.
Durante o Fórum, o ministro da Agricultura, Reinhold Stephanes, disse que o comércio ilegal de madeira é a questão crucial do desmatamento vivido hoje no país. O ministro reafirmou que a produção agrícola brasileira não precisa derrubar árvores dentro do bioma amazônico para avançar.
Operação Guardiões da Amazônia
Bem longe do encontro dos legisladores em Brasília, agentes do Ibama e do governo estadual do Pará enfrentaram ontem mais manifestações de pessoas contrárias a fiscalização de madeireiras em Tailândia, na chamada Operação Guardiões da Amazônia. Iniciada na semana passada no município, a operação já multou cinco das dez serrarias já fiscalizadas (entre as 140 da cidade) por terem em estoque madeira sem origem comprovada e por comércio de madeira sem autorização.
A governadora, Ana Júlia Carepa, disse ontem que a operação vai continuar, "doa a quem doer". "Vamos continuar a operação contra o desmatamento ilegal, nem que eu tenha de andar de colete à prova de bala", afirmou durante o lançamento do programa Extinção Zero em Belém. O programa estadual pretende assegurar a preservação e proteção das espécies da flora e da fauna ameaçadas de extinção. "Vamos mostrar que somos capazes de cuidar da nossa biodiversidade e da nossa Amazônia", finalizou Ana Júlia.
O combate à extração ilegal aliado ao gerenciamento sustentável das florestas é uma das saídas para o desmatamento na Amazônia. E, apesar de ainda raros, alguns exemplos de projetos de gerenciamento florestal emergem como modelos de conservação no Brasil. É o caso do gerenciamento da maior área privada de floresta tropical do mundo, da empresa de papel e celulose ORSA.
Segundo reportagem da agência de notícias Reuters, o Grupo Orsa retira apenas 30 metros cúbicos de madeira por hectares a cada 30 anos, a taxa de regeneração natural da floresta. As árvores são derrubadas, transportadas e contabilizadas em um inventário computadorizado.
Na propriedade, de 1,7 milhões de hectares (o equivalente a metade do tamanho da Bélgica), cerca de 80% da floresta está de pé e um terço é gerenciado e certificado pelo Conselho de Administração de Florestas (FSC, na sigla em inglês). "Madeira ilegal mata 30 árvores para conseguir uma. Este projeto protege mais árvores do que extrai", afirmou Ana Yang, do FSC do Brasil.
O FSC, uma entidade observatória da indústria internacional, certifica e inspeciona o projeto a cada seis meses. O corte de madeira começou em 2003.
"Se o governo se esforçasse pelo gerenciamento sustentável de florestas da mesma maneira que o fez pelo desenvolvimento da agricultura nos anos 70 e 80, nós poderíamos preservar muito mais a Amazônia", disse à Reuters o pesquisador da Embrapa, Judson Ferreira.
Em março, o governo selecionará três empresas para gerenciar 96 mil hectares de floresta, a primeira oferta de terras federais. "O gerenciamento florestal é uma ótima alternativa e ORSA está dando um bom exemplo disto, mas queremos fazer as coisas com calma", disse o diretor do Programa Nacional de Florestas do MMA, Tasso Rezende de Azevedo. Azevedo disse à Reuters que a propriedade privada de terras na Amazônia é, no entanto, controversa.
Madeira ilegal versus certificação
Cerca de 80% da madeira extraída da Amazônia tem origem ilegal e a venda de madeira certificada é hoje uma das melhores saídas para o problema. Deste total, 64% vai para o consumo interno, sendo 15% só para o estado de São Paulo e 27% para o Sul e os outros estados do Sudeste, segundo dados do Greenpeace.
O próprio governo é responsável pelo financiamento da extração ilegal, uma vez que 1/3 do total brasileiro é consumido pelo setor público, em obras e no consumo direto. Para tentar reduzir estes números, o Greenpeace lançou o programa Cidade Amiga da Amazônia que incentiva municípios e consumidores a adquirirem madeira de origem legal e sustentável. "As prefeituras adotam critérios que impedem o consumo de madeira ilegal", explica o coordenador do programa, MárcioAstrini.
O governo do estado de São Paulo, a capital e outras 23 cidades paulistas, Porto Alegre e quatro cidades gaúchas, Recife, Olinda, Fortaleza, Salvador, Manaus e Apucarana (PR) participam do programa. Porto Alegre terá em março uma obra piloto com madeira adquirida pelo programa. "A compra de madeira ilegal por parte do governo contribui muito mais do que permitir 20% de desmatamento", afirma Astrini.
Mudanças Climáticas no Fórum do Itamaraty
No Fórum, que reúne países do G8 e do bloco de cinco países de economia emergente, o primeiro-ministro japonês enfatizou também a importância de combater as mudanças climáticas e lembrou que o Japão recentemente lançou o programa "Promoção do Resfriamento da Terra", o qual pretende fortalecer a imagem de país como líder em eficiência energética e inclui o emprego de 10 bilhões de dólares para ajudar os países em desenvolvimento no esforço de mitigação e adaptação.
É a primeira vez que a reunião é realizada em um país de economia emergente. Na avaliação do porta-voz do Banco Mundial para a América Latina e Caribe, Sergio Jellinek, isto se deve ao papel do Brasil no cenário mundial como "provedor de soluções para a questão das mudanças climáticas", em referência à matriz energética limpa e aos investimentos brasileiros em biocombustíveis.
Quer saber mais sobre o Programa Cidade Amiga da Amazônia? Acesse o site
http://www.greenpeace.org.br/cidadeamiga/
"Enquanto promovemos “gerenciamento sustentável de florestas”, precisamos tentar frear o desmatamento e a degradação florestal. Eu pretendo promover esta discussão com outros países para promover um progresso importante em direção a uma resolução", disse Fukuda na abertura do encontro de legisladores do G8+5.
O Brasil abriga a maior floresta tropical do mundo, porém tem recebido olhares de desconfiança da comunidade internacional por mostrar incapacidade em controlar as queimadas e degradação ambiental da Amazônia.
Durante o Fórum, o ministro da Agricultura, Reinhold Stephanes, disse que o comércio ilegal de madeira é a questão crucial do desmatamento vivido hoje no país. O ministro reafirmou que a produção agrícola brasileira não precisa derrubar árvores dentro do bioma amazônico para avançar.
Operação Guardiões da Amazônia
Bem longe do encontro dos legisladores em Brasília, agentes do Ibama e do governo estadual do Pará enfrentaram ontem mais manifestações de pessoas contrárias a fiscalização de madeireiras em Tailândia, na chamada Operação Guardiões da Amazônia. Iniciada na semana passada no município, a operação já multou cinco das dez serrarias já fiscalizadas (entre as 140 da cidade) por terem em estoque madeira sem origem comprovada e por comércio de madeira sem autorização.
A governadora, Ana Júlia Carepa, disse ontem que a operação vai continuar, "doa a quem doer". "Vamos continuar a operação contra o desmatamento ilegal, nem que eu tenha de andar de colete à prova de bala", afirmou durante o lançamento do programa Extinção Zero em Belém. O programa estadual pretende assegurar a preservação e proteção das espécies da flora e da fauna ameaçadas de extinção. "Vamos mostrar que somos capazes de cuidar da nossa biodiversidade e da nossa Amazônia", finalizou Ana Júlia.
O combate à extração ilegal aliado ao gerenciamento sustentável das florestas é uma das saídas para o desmatamento na Amazônia. E, apesar de ainda raros, alguns exemplos de projetos de gerenciamento florestal emergem como modelos de conservação no Brasil. É o caso do gerenciamento da maior área privada de floresta tropical do mundo, da empresa de papel e celulose ORSA.
Segundo reportagem da agência de notícias Reuters, o Grupo Orsa retira apenas 30 metros cúbicos de madeira por hectares a cada 30 anos, a taxa de regeneração natural da floresta. As árvores são derrubadas, transportadas e contabilizadas em um inventário computadorizado.
Na propriedade, de 1,7 milhões de hectares (o equivalente a metade do tamanho da Bélgica), cerca de 80% da floresta está de pé e um terço é gerenciado e certificado pelo Conselho de Administração de Florestas (FSC, na sigla em inglês). "Madeira ilegal mata 30 árvores para conseguir uma. Este projeto protege mais árvores do que extrai", afirmou Ana Yang, do FSC do Brasil.
O FSC, uma entidade observatória da indústria internacional, certifica e inspeciona o projeto a cada seis meses. O corte de madeira começou em 2003.
"Se o governo se esforçasse pelo gerenciamento sustentável de florestas da mesma maneira que o fez pelo desenvolvimento da agricultura nos anos 70 e 80, nós poderíamos preservar muito mais a Amazônia", disse à Reuters o pesquisador da Embrapa, Judson Ferreira.
Em março, o governo selecionará três empresas para gerenciar 96 mil hectares de floresta, a primeira oferta de terras federais. "O gerenciamento florestal é uma ótima alternativa e ORSA está dando um bom exemplo disto, mas queremos fazer as coisas com calma", disse o diretor do Programa Nacional de Florestas do MMA, Tasso Rezende de Azevedo. Azevedo disse à Reuters que a propriedade privada de terras na Amazônia é, no entanto, controversa.
Madeira ilegal versus certificação
Cerca de 80% da madeira extraída da Amazônia tem origem ilegal e a venda de madeira certificada é hoje uma das melhores saídas para o problema. Deste total, 64% vai para o consumo interno, sendo 15% só para o estado de São Paulo e 27% para o Sul e os outros estados do Sudeste, segundo dados do Greenpeace.
O próprio governo é responsável pelo financiamento da extração ilegal, uma vez que 1/3 do total brasileiro é consumido pelo setor público, em obras e no consumo direto. Para tentar reduzir estes números, o Greenpeace lançou o programa Cidade Amiga da Amazônia que incentiva municípios e consumidores a adquirirem madeira de origem legal e sustentável. "As prefeituras adotam critérios que impedem o consumo de madeira ilegal", explica o coordenador do programa, MárcioAstrini.
O governo do estado de São Paulo, a capital e outras 23 cidades paulistas, Porto Alegre e quatro cidades gaúchas, Recife, Olinda, Fortaleza, Salvador, Manaus e Apucarana (PR) participam do programa. Porto Alegre terá em março uma obra piloto com madeira adquirida pelo programa. "A compra de madeira ilegal por parte do governo contribui muito mais do que permitir 20% de desmatamento", afirma Astrini.
Mudanças Climáticas no Fórum do Itamaraty
No Fórum, que reúne países do G8 e do bloco de cinco países de economia emergente, o primeiro-ministro japonês enfatizou também a importância de combater as mudanças climáticas e lembrou que o Japão recentemente lançou o programa "Promoção do Resfriamento da Terra", o qual pretende fortalecer a imagem de país como líder em eficiência energética e inclui o emprego de 10 bilhões de dólares para ajudar os países em desenvolvimento no esforço de mitigação e adaptação.
É a primeira vez que a reunião é realizada em um país de economia emergente. Na avaliação do porta-voz do Banco Mundial para a América Latina e Caribe, Sergio Jellinek, isto se deve ao papel do Brasil no cenário mundial como "provedor de soluções para a questão das mudanças climáticas", em referência à matriz energética limpa e aos investimentos brasileiros em biocombustíveis.
Quer saber mais sobre o Programa Cidade Amiga da Amazônia? Acesse o site
http://www.greenpeace.org.br/cidadeamiga/
Fonte: Carbono Brasil
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