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Notícias
07
jan
2008
(EXPORTAÇÃO)
A balança da indústria
As exportações da indústria de transformação crescem a um ritmo superior a 12% ao ano em valor, o que parece mostrar que é tolerável o efeito da valorização do real em relação ao dólar sobre esse segmento da economia, considerado o mais suscetível às variações da taxa de câmbio.
Com o dólar barato, ficou mais difícil para a indústria brasileira competir no exterior, mas suas vendas externas continuam a crescer o que é bom para o setor.
Quando se examinam outros dados da balança comercial da indústria de transformação, porém, se vê com nitidez uma mudança de tendência. As exportações de bens industrializados crescem menos do que as exportações totais do País (28,3%) e menos ainda do que as importações de produtos industriais (30%). O resultado é que o saldo comercial desse segmento vem encolhendo rapidamente.
De janeiro a setembro de 2006, o superávit da balança comercial da indústria de transformação alcançou US$ 15,7 bilhões; nos primeiros nove meses de 2007, diminuiu para US$ 9,3 bilhões, segundo o jornal Valor. É uma redução de 41%, bem maior do que o encolhimento do superávit comercial total do País, que foi de 9,6%, de acordo com dados do governo.
O setor que registrou o maior déficit nos nove primeiros meses de 2007 foi o de material elétrico e de comunicações, com saldo negativo de US$ 6,2 bilhões, 24% mais do que em 2006. O segundo maior déficit, de US$ 6 bilhões (66% maior do que o de 2006), foi o da indústria química. Em porcentagem, os maiores crescimentos foram registrados pelas indústrias de materiais plásticos (124%) e têxteis (127%).
A indústria de material elétrico e de comunicações registra déficits comerciais volumosos há anos. As entidades representativas do setor calculam em mais de 60% a participação dos itens importados nos bens produzidos no País. Em tese, essa alta presença de componentes importados tornaria a desvalorização do dólar um fator favorável à indústria. Mas o que cresce não é só a importação de componentes; cresce também, e talvez em ritmo mais intenso, a importação de produtos acabados, especialmente os de uso doméstico.
Para compensar a perda ou o abandono - determinado pelas condições mais severas de competição em razão da taxa de câmbio desfavorável - de espaços no mercado exterior, muitas empresas expandem suas vendas no mercado interno. O bom ritmo da atividade econômica nos últimos meses, que tende a se manter no futuro próximo, estimula esse tipo de substituição de mercado. Mas o caso dos produtos eletroeletrônicos mostra que, também no plano doméstico, será preciso enfrentar uma concorrência dura - a dos produtos importados, que vêm aumentando sua fatia no mercado brasileiro.
Além disso, como observou o jornalista Rolf Kuntz em artigo publicado no caderno de Economia do Estado, o abandono do espaço conquistado no exterior não fica de graça para a empresa. Deixar o mercado externo é fácil. Mas ganhá-lo exigiu trabalho intenso e demorado e impôs custos, pois a concorrência é intensa e o grau de exigência do comprador, muito alto. Conquistar a confiança desse comprador exigiu o cumprimento rigoroso de condições como prazos, qualidade, preço e quantidades. Tudo isso se perde quando se interrompe a exportação.
Há, ainda, um benefício das exportações que não aparece nos números. É seu efeito sobre a empresa exportadora. Ela precisa manter-se tecnologicamente atualizada e, do ponto de vista mercadológica, estar sempre atenta às tendências internacionais. Esse tipo de preocupação ela tende a transferir para seus fornecedores, ampliando o esforço de modernização do parque produtivo, dos métodos gerenciais e do processo de desenvolvimento de produtos.
Se o governo estivesse efetivamente empenhado em melhorar a competitividade da economia brasileira - por meio da redução da burocracia, melhoria do sistema tributário, recuperação dos portos e do setor de infra-estrutura em geral -, a indústria de transformação e todo o setor produtivo enfrentariam em melhores condições a inevitável concorrência externa.
Com o dólar barato, ficou mais difícil para a indústria brasileira competir no exterior, mas suas vendas externas continuam a crescer o que é bom para o setor.
Quando se examinam outros dados da balança comercial da indústria de transformação, porém, se vê com nitidez uma mudança de tendência. As exportações de bens industrializados crescem menos do que as exportações totais do País (28,3%) e menos ainda do que as importações de produtos industriais (30%). O resultado é que o saldo comercial desse segmento vem encolhendo rapidamente.
De janeiro a setembro de 2006, o superávit da balança comercial da indústria de transformação alcançou US$ 15,7 bilhões; nos primeiros nove meses de 2007, diminuiu para US$ 9,3 bilhões, segundo o jornal Valor. É uma redução de 41%, bem maior do que o encolhimento do superávit comercial total do País, que foi de 9,6%, de acordo com dados do governo.
O setor que registrou o maior déficit nos nove primeiros meses de 2007 foi o de material elétrico e de comunicações, com saldo negativo de US$ 6,2 bilhões, 24% mais do que em 2006. O segundo maior déficit, de US$ 6 bilhões (66% maior do que o de 2006), foi o da indústria química. Em porcentagem, os maiores crescimentos foram registrados pelas indústrias de materiais plásticos (124%) e têxteis (127%).
A indústria de material elétrico e de comunicações registra déficits comerciais volumosos há anos. As entidades representativas do setor calculam em mais de 60% a participação dos itens importados nos bens produzidos no País. Em tese, essa alta presença de componentes importados tornaria a desvalorização do dólar um fator favorável à indústria. Mas o que cresce não é só a importação de componentes; cresce também, e talvez em ritmo mais intenso, a importação de produtos acabados, especialmente os de uso doméstico.
Para compensar a perda ou o abandono - determinado pelas condições mais severas de competição em razão da taxa de câmbio desfavorável - de espaços no mercado exterior, muitas empresas expandem suas vendas no mercado interno. O bom ritmo da atividade econômica nos últimos meses, que tende a se manter no futuro próximo, estimula esse tipo de substituição de mercado. Mas o caso dos produtos eletroeletrônicos mostra que, também no plano doméstico, será preciso enfrentar uma concorrência dura - a dos produtos importados, que vêm aumentando sua fatia no mercado brasileiro.
Além disso, como observou o jornalista Rolf Kuntz em artigo publicado no caderno de Economia do Estado, o abandono do espaço conquistado no exterior não fica de graça para a empresa. Deixar o mercado externo é fácil. Mas ganhá-lo exigiu trabalho intenso e demorado e impôs custos, pois a concorrência é intensa e o grau de exigência do comprador, muito alto. Conquistar a confiança desse comprador exigiu o cumprimento rigoroso de condições como prazos, qualidade, preço e quantidades. Tudo isso se perde quando se interrompe a exportação.
Há, ainda, um benefício das exportações que não aparece nos números. É seu efeito sobre a empresa exportadora. Ela precisa manter-se tecnologicamente atualizada e, do ponto de vista mercadológica, estar sempre atenta às tendências internacionais. Esse tipo de preocupação ela tende a transferir para seus fornecedores, ampliando o esforço de modernização do parque produtivo, dos métodos gerenciais e do processo de desenvolvimento de produtos.
Se o governo estivesse efetivamente empenhado em melhorar a competitividade da economia brasileira - por meio da redução da burocracia, melhoria do sistema tributário, recuperação dos portos e do setor de infra-estrutura em geral -, a indústria de transformação e todo o setor produtivo enfrentariam em melhores condições a inevitável concorrência externa.
Fonte: O Estado de São Paulo
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