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Notícias
08
nov
2007
(DESMATAMENTO)
Mercado de carbono pode reduzir 70% do desmatamento
Custa muito pouco reduzir 70% do desmatamento na Amazônia. Um novo cálculo feito por uma ONG, que será apresentado nesta quarta-feira em Brasília, estima que a maior parte da devastação --e das emissões de carbono dela decorrentes-- pode ser contida a menos de US$ 10 por tonelada de carbono.
Esse é o valor que deveria ser pago a produtores rurais em várias regiões do Norte do país para que deixar suas florestas em pé fosse mais lucrativo do que derrubá-las para dar lugar a pasto e lavoura.
A conta, explique-se, leva em consideração um fato econômico ainda inexistente: um mercado de carbono no qual a redução do desmatamento pudesse valer créditos para países como o Brasil, que detêm florestas tropicais e que têm na destruição destas uma fonte importante de emissões dos gases que causam o aquecimento global (dois terços das emissões brasileiras vêm dessa fonte).
Tal mercado, no entanto, não é um delírio de ambientalistas: uma coalizão de países tropicais deve colocar sua criação na mesa no mês que vem numa reunião na Indonésia que começará a definir os rumos da proteção ao clima depois de 2012, quando expira o Protocolo de Kyoto.
E o Banco Mundial lançou neste ano um fundo experimental para comercializar o carbono de florestas --baseado justamente na lógica de que, em algumas regiões, não desmatar faz muito mais sentido do ponto de vista econômico.
Estratégia
O novo cálculo foi feito por pesquisadores do Ipam (Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia) e do Woods Hole Research Center, nos EUA. Ele integra o relatório "Três Estratégias Fundamentais para a Redução do Desmatamento", que será lançado hoje na Câmara dos Deputados.
"Nós calculamos o chamado custo de oportunidade, ou o quanto se deveria pagar para um proprietário em terra privada com aptidão agrícola para não desmatar, mais um fomento a povos da floresta para a proteção de terras indígenas com dignidade e boa qualidade de vida [para os índios]", afirmou Paulo Moutinho, diretor de Pesquisa do Ipam.
O estudo econômico, do qual o Ipam prepara uma versão aprofundada, estabelece um teto para a chamada "redução factível" do desmatamento, ou seja, aquela que pode ser obtida sem prejuízo de atividades econômicas rentáveis.
"A curva de custo não é linear", diz Moutinho. "Para evitar emissões por fogo florestal e queimadas o custo é muito baixo. À medida que você adiciona nessa curva o custo de não formar pasto em áreas marginais, o custo é pequeno. Até que você entra numa parte onde o custo sobe exponencialmente, que é a região mais apta à soja, onde manter floresta por opção [econômica] seria burrice”.
Moutinho diz que o valor a ser pago é baixo --cerca de metade do preço da tonelada de carbono no mercado hoje--, o que tornaria o carbono de florestas uma opção atraente para países que tenham metas de redução a cumprir por Kyoto.
Esse é o valor que deveria ser pago a produtores rurais em várias regiões do Norte do país para que deixar suas florestas em pé fosse mais lucrativo do que derrubá-las para dar lugar a pasto e lavoura.
A conta, explique-se, leva em consideração um fato econômico ainda inexistente: um mercado de carbono no qual a redução do desmatamento pudesse valer créditos para países como o Brasil, que detêm florestas tropicais e que têm na destruição destas uma fonte importante de emissões dos gases que causam o aquecimento global (dois terços das emissões brasileiras vêm dessa fonte).
Tal mercado, no entanto, não é um delírio de ambientalistas: uma coalizão de países tropicais deve colocar sua criação na mesa no mês que vem numa reunião na Indonésia que começará a definir os rumos da proteção ao clima depois de 2012, quando expira o Protocolo de Kyoto.
E o Banco Mundial lançou neste ano um fundo experimental para comercializar o carbono de florestas --baseado justamente na lógica de que, em algumas regiões, não desmatar faz muito mais sentido do ponto de vista econômico.
Estratégia
O novo cálculo foi feito por pesquisadores do Ipam (Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia) e do Woods Hole Research Center, nos EUA. Ele integra o relatório "Três Estratégias Fundamentais para a Redução do Desmatamento", que será lançado hoje na Câmara dos Deputados.
"Nós calculamos o chamado custo de oportunidade, ou o quanto se deveria pagar para um proprietário em terra privada com aptidão agrícola para não desmatar, mais um fomento a povos da floresta para a proteção de terras indígenas com dignidade e boa qualidade de vida [para os índios]", afirmou Paulo Moutinho, diretor de Pesquisa do Ipam.
O estudo econômico, do qual o Ipam prepara uma versão aprofundada, estabelece um teto para a chamada "redução factível" do desmatamento, ou seja, aquela que pode ser obtida sem prejuízo de atividades econômicas rentáveis.
"A curva de custo não é linear", diz Moutinho. "Para evitar emissões por fogo florestal e queimadas o custo é muito baixo. À medida que você adiciona nessa curva o custo de não formar pasto em áreas marginais, o custo é pequeno. Até que você entra numa parte onde o custo sobe exponencialmente, que é a região mais apta à soja, onde manter floresta por opção [econômica] seria burrice”.
Moutinho diz que o valor a ser pago é baixo --cerca de metade do preço da tonelada de carbono no mercado hoje--, o que tornaria o carbono de florestas uma opção atraente para países que tenham metas de redução a cumprir por Kyoto.
Fonte: Folha de São Paulo
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