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Notícias
17
out
2007
(MADEIRA E PRODUTOS)
Tora que iria para exposição provoca conflito no Pará
Uma tora de castanheira derrubada na floresta amazônica e que seria levada para exposições em São Paulo e no Rio de Janeiro provocou um conflito entre ativistas do grupo ecológico Greenpeace e moradores de Castelo de Sonhos, no sudoeste do Pará, nesta terça-feira, 16.
O caminhão contratado pelo Greenpeace para transportar a tora de 13 metros foi impedido de seguir viagem após ter sido cercado por um grupo de pessoas formado por moradores, madeireiros, sem-terra e comerciantes do local, que é um subdistrito do município de Altamira. Os sete integrantes do Greenpeace que acompanhavam a retirada da tora de um assentamento sob litígio se refugiaram no posto do Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis), onde estão protegidos por policiais e soldados do Exército.
Segundo os relatos feitos por telefone ao portal estadao.com.br na madrugada desta quarta-feira, o princípio de tumulto foi controlado, mas teme-se que o clima volte a ficar tenso pela manhã. De acordo com o policial militar Antônio Alves de Souza, que esteve no posto do Ibama, os integrantes do Greenpeace estão seguros e poucas pessoas estavam em frente ao posto do Ibama para pressionar os ecologistas no final da noite. Em comunicado enviado à imprensa, o Greenpeace afirmou que sete integrantes do grupo ecológico estavam sem comida e que vários caminhões bloqueavam a saída do local. De acordo com o Greenpeace, o tenente-coronel do Exército Dovanin Ferraz Camargo Jr. informou que não permitiria a permanência do grupo na base durante a noite para garantir a segurança do local.
O Greenpeace obteve autorização do Ibama para retirar a castanheira derrubada ilegalmente na região e levá-la para exposição no sudeste. A intenção do grupo é utilizar a tora, que está parcialmente queimada, na exposição itinerante "Aquecimento Global: Apague essa Idéia", que pretende chamar a atenção sobre desmatamento e emissão de gases.
"Eles chegam sem dizer bom dia"
Integrantes da comunidade local afirmam não ser contra o movimento ecológico, mas disseram estar ressentidos com atuação do grupo, que segundo eles não deu explicações sobre a retirada da tora para a exposição. "Eles chegam sem dizer bom dia, boa tarde e não procuram ninguém para esclarecer", disse por telefone o comerciante de material de construção Vilson Kettermann, que faz parte do movimento de emancipação do subdistrito. Segundo ele, há um sentimento na região de que o grupo ecológico é privilegiado em suas demandas, enquanto vários projetos locais de manejo sustentável não conseguem autorização para funcionar. "Não somos contra a preservação, mas não somos ouvidos pelas autoridades."
Segundo Kettreman, também há um revolta contra o que consideram promiscuidade do grupo ecológico com o Ibama: "Eles ficam hospedados nas instalações do Ibama e não pagam nada, enquanto várias empresas locais pagam altos valores de caução por danos ambientais e não recebem a licença do governo para atuar." Questionado se os manifestantes estariam dispostos a liberar o caminhão do Greenpeace nesta quarta-feira, o comerciante disse ser difícil, por causa dos "ânimos alterados" dos moradores com a situação.
"Esse incidente prova que a presença do Estado na região amazônica é débil e não consegue sequer garantir direitos constitucionais básicos, como a segurança e a locomoção das pessoas. Sem governança, a floresta Amazônica continua vulnerável à destruição", afirmou Marcelo Marquesini, do Greenpeace, coordenador da expedição, que está em Castelo de Sonhos.
Tensão
Localizado a quase mil quilômetros da sede do município e administrado por um sub-prefeito, o subdistrito de Castelo de Sonhos é palco constante de tensão por causa de terras. O Projeto de Desenvolvimento Sustentável Brasília, coordenado pelo Incra (Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária) está suspenso judicialmente. Recentemente, um bloqueio da BR-163 (Santarém - Cuiabá) por trabalhadores rurais terminou em pancadaria. De acordo com o jornal Província do Tapajós, os sem-terra haviam fechado a estrada em protesto contra a interdição pela justiça de 99 assentamentos na região e foram agredidos por um grupo de moradores e empresários de Castelo de Sonhos, "que acabaram com o bloqueio na marra".
O caminhão contratado pelo Greenpeace para transportar a tora de 13 metros foi impedido de seguir viagem após ter sido cercado por um grupo de pessoas formado por moradores, madeireiros, sem-terra e comerciantes do local, que é um subdistrito do município de Altamira. Os sete integrantes do Greenpeace que acompanhavam a retirada da tora de um assentamento sob litígio se refugiaram no posto do Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis), onde estão protegidos por policiais e soldados do Exército.
Segundo os relatos feitos por telefone ao portal estadao.com.br na madrugada desta quarta-feira, o princípio de tumulto foi controlado, mas teme-se que o clima volte a ficar tenso pela manhã. De acordo com o policial militar Antônio Alves de Souza, que esteve no posto do Ibama, os integrantes do Greenpeace estão seguros e poucas pessoas estavam em frente ao posto do Ibama para pressionar os ecologistas no final da noite. Em comunicado enviado à imprensa, o Greenpeace afirmou que sete integrantes do grupo ecológico estavam sem comida e que vários caminhões bloqueavam a saída do local. De acordo com o Greenpeace, o tenente-coronel do Exército Dovanin Ferraz Camargo Jr. informou que não permitiria a permanência do grupo na base durante a noite para garantir a segurança do local.
O Greenpeace obteve autorização do Ibama para retirar a castanheira derrubada ilegalmente na região e levá-la para exposição no sudeste. A intenção do grupo é utilizar a tora, que está parcialmente queimada, na exposição itinerante "Aquecimento Global: Apague essa Idéia", que pretende chamar a atenção sobre desmatamento e emissão de gases.
"Eles chegam sem dizer bom dia"
Integrantes da comunidade local afirmam não ser contra o movimento ecológico, mas disseram estar ressentidos com atuação do grupo, que segundo eles não deu explicações sobre a retirada da tora para a exposição. "Eles chegam sem dizer bom dia, boa tarde e não procuram ninguém para esclarecer", disse por telefone o comerciante de material de construção Vilson Kettermann, que faz parte do movimento de emancipação do subdistrito. Segundo ele, há um sentimento na região de que o grupo ecológico é privilegiado em suas demandas, enquanto vários projetos locais de manejo sustentável não conseguem autorização para funcionar. "Não somos contra a preservação, mas não somos ouvidos pelas autoridades."
Segundo Kettreman, também há um revolta contra o que consideram promiscuidade do grupo ecológico com o Ibama: "Eles ficam hospedados nas instalações do Ibama e não pagam nada, enquanto várias empresas locais pagam altos valores de caução por danos ambientais e não recebem a licença do governo para atuar." Questionado se os manifestantes estariam dispostos a liberar o caminhão do Greenpeace nesta quarta-feira, o comerciante disse ser difícil, por causa dos "ânimos alterados" dos moradores com a situação.
"Esse incidente prova que a presença do Estado na região amazônica é débil e não consegue sequer garantir direitos constitucionais básicos, como a segurança e a locomoção das pessoas. Sem governança, a floresta Amazônica continua vulnerável à destruição", afirmou Marcelo Marquesini, do Greenpeace, coordenador da expedição, que está em Castelo de Sonhos.
Tensão
Localizado a quase mil quilômetros da sede do município e administrado por um sub-prefeito, o subdistrito de Castelo de Sonhos é palco constante de tensão por causa de terras. O Projeto de Desenvolvimento Sustentável Brasília, coordenado pelo Incra (Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária) está suspenso judicialmente. Recentemente, um bloqueio da BR-163 (Santarém - Cuiabá) por trabalhadores rurais terminou em pancadaria. De acordo com o jornal Província do Tapajós, os sem-terra haviam fechado a estrada em protesto contra a interdição pela justiça de 99 assentamentos na região e foram agredidos por um grupo de moradores e empresários de Castelo de Sonhos, "que acabaram com o bloqueio na marra".
Fonte: Estadão
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