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Notícias
13
jul
2007
(EXPORTAÇÃO)
Exportação cresce, mas importação derruba superávit da indústria
Nos primeiros cinco meses deste ano, o saldo comercial da indústria de transformação aprofundou a queda em relação ao ano passado. Depois de encerrar 2006 com um saldo 5% menor (primeira redução em cinco anos) e iniciar 2007 com um superávit 16% inferior ao de 2006, a perda aumentou para 19% no acumulado até maio. A queda resulta de um ritmo muito mais intenso de importações (28%) do que de exportações (17%). O detalhamento da balança comercial das 20 atividades analisadas em levantamento do Ministério do Desenvolvimento, mostra que, apesar do câmbio, apenas duas (material elétrico e de comunicações e indústrias diversas) registraram queda nas exportações e uma manteve o valor estável em relação aos cinco primeiros meses de 2006, em valor embarcado. Nas demais 17, as vendas ao exterior cresceram.
A abertura do saldo por setores permite vislumbrar diferentes estratégias que estão sendo adotadas pela indústria para conviver ou apenas se defender do câmbio valorizado. Alguns setores usam a importação de maneira complementar à produção, outros apenas sofrem com sua concorrência. E outros, ainda, convivem ao mesmo tempo com alta de importação e de produção local.
A indústria de bens de capital (mecânica) é um exemplo da primeira situação. As importações de máquinas e equipamentos aumentaram 28% até maio, mas a produção doméstica cresceu 16%, indicando que não há substituição do produto doméstico por bens importados, observa Fernando Puga, do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). Os sinais são negativos para o país, acrescenta ele, quando a produção local cai e a importação aumenta.
Para Bráulio Borges, da LCA Consultores, só é possível falar em complementaridade em setores que usam muitos componentes importados, como informática. Nesse segmento, produção e importação crescem a um ritmo de 30% em relação ao ano passado.
Nos primeiros quatro meses deste ano (período para o qual os dados do IBGE estão disponíveis para o conjunto da indústria), quatro setores produziram menos que em igual período do ano passado, e em quatro deles essa perda de dinamismo está associada à concorrência de importados e a uma perda na competitividade exportadora. São eles calçados, vestuário, madeira e material eletroeletrônico. "Nos setores intensivos em trabalho é onde o saldo da indústria realmente piora", acrescenta Puga. "Os problemas, insiste o economista do BNDES, são localizados".
A análise dos dados setoriais reflete, na avaliação de José Roberto Mendonça de Barros, sócio-diretor da MB Associados e ex-secretário-executivo da Câmara de Comércio Exterior (Camex), que os setores ligados à cadeia das commodities têm sido extremamente beneficiados. "Parte do resultado é um ganho veio para ficar", diz ele, em referência à cadeia do etanol e outros produtos da bioenergia. O saldo comercial da indústria de alimentos aumentou US$ 1,3 bilhão, o da metalurgia subiu US$ 800 milhões, e de álcool, US$ 300 milhões.
Estes setores, mais o de celulose, juntos melhoraram o saldo da indústria em US$ 2,6 bilhões. "A perda é mais generalizada, aconteceu em mais setores e ultrapassa US$ 3,7 bilhões", observa Fernando Montero, economista-chefe da corretora Convenção.
Apesar de alguns setores que ainda ganham - e vão ampliar - sua inserção externa, há um conjunto de setores com uma "redução lenta, porém segura, das vendas ao exterior", avalia Mendonça de Barros. Ele lista nesses setores desde os segmentos intensivos em mão-de-obra até segmentos que ensaiaram transformar o país em base exportadora e hoje estão perdendo essa capacidade. Nestes últimos, destacam-se a produção de automóveis e a de eletroeletrônicos, especialmente celulares. Nos 12 meses encerrados em maio, a produção de automóveis aumentou 3,5%, enquanto as vendas internas subiram 20,5%. A diferença, explica Mendonça de Barros, é explicada pela redução nas exportações líquidas do país.
Nos 12 meses encerrados em janeiro de 2006, o Brasil exportou 840 mil veículos, número que caiu para 750 mil no acumulado até maio. Nas contas da MB Associados, se a tendência for mantida até dezembro deste ano, o volume em 12 meses será de 685 mil veículos, indicando uma perda da capacidade anual de exportação de 160 mil veículos - 20% do total vendido pelo país em 2005. Fazendo a mesma conta para as importações, o volume que pode entrar no país este ano será de 238 mil carros, cerca de 150 mil a mais do que em 2005. Na conta final, serão 310 mil carros entre os que não serão exportados e os "novos" importados.
"O ganho é muito localizado e restrito às cadeias de commodities. Boa parte da indústria, contudo, enfrenta uma redução na exportação líquida [quando se desconta o aumento das importações] e compensa essa perda com o aquecimento do mercado interno", avalia Mendonça de Barros.
Borges, da LCA, observa que os setores que estão ganhando saldo na balança comercial (siderurgia, celulose, mineração, alimentos e refino de petróleo e álcool) são também os que aparecem na lista de desembolsos do BNDES. De janeiro a maio, a instituição liberou R$ 4,3 bilhões para a indústria de transformação. Estes setores, sozinhos, ficaram com 54% do total. "Quem está investindo mais pesadamente são os setores que fabricam commodities ou semicommodities", pondera Borges.
Para Puga, do BNDES, há setores cujos investimentos ainda estão em maturação - como o químico e petroquímico - e que, a médio prazo, ajudarão a reverter - ou pelo menos minimizar - déficits comerciais expressivos.
A abertura do saldo por setores permite vislumbrar diferentes estratégias que estão sendo adotadas pela indústria para conviver ou apenas se defender do câmbio valorizado. Alguns setores usam a importação de maneira complementar à produção, outros apenas sofrem com sua concorrência. E outros, ainda, convivem ao mesmo tempo com alta de importação e de produção local.
A indústria de bens de capital (mecânica) é um exemplo da primeira situação. As importações de máquinas e equipamentos aumentaram 28% até maio, mas a produção doméstica cresceu 16%, indicando que não há substituição do produto doméstico por bens importados, observa Fernando Puga, do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). Os sinais são negativos para o país, acrescenta ele, quando a produção local cai e a importação aumenta.
Para Bráulio Borges, da LCA Consultores, só é possível falar em complementaridade em setores que usam muitos componentes importados, como informática. Nesse segmento, produção e importação crescem a um ritmo de 30% em relação ao ano passado.
Nos primeiros quatro meses deste ano (período para o qual os dados do IBGE estão disponíveis para o conjunto da indústria), quatro setores produziram menos que em igual período do ano passado, e em quatro deles essa perda de dinamismo está associada à concorrência de importados e a uma perda na competitividade exportadora. São eles calçados, vestuário, madeira e material eletroeletrônico. "Nos setores intensivos em trabalho é onde o saldo da indústria realmente piora", acrescenta Puga. "Os problemas, insiste o economista do BNDES, são localizados".
A análise dos dados setoriais reflete, na avaliação de José Roberto Mendonça de Barros, sócio-diretor da MB Associados e ex-secretário-executivo da Câmara de Comércio Exterior (Camex), que os setores ligados à cadeia das commodities têm sido extremamente beneficiados. "Parte do resultado é um ganho veio para ficar", diz ele, em referência à cadeia do etanol e outros produtos da bioenergia. O saldo comercial da indústria de alimentos aumentou US$ 1,3 bilhão, o da metalurgia subiu US$ 800 milhões, e de álcool, US$ 300 milhões.
Estes setores, mais o de celulose, juntos melhoraram o saldo da indústria em US$ 2,6 bilhões. "A perda é mais generalizada, aconteceu em mais setores e ultrapassa US$ 3,7 bilhões", observa Fernando Montero, economista-chefe da corretora Convenção.
Apesar de alguns setores que ainda ganham - e vão ampliar - sua inserção externa, há um conjunto de setores com uma "redução lenta, porém segura, das vendas ao exterior", avalia Mendonça de Barros. Ele lista nesses setores desde os segmentos intensivos em mão-de-obra até segmentos que ensaiaram transformar o país em base exportadora e hoje estão perdendo essa capacidade. Nestes últimos, destacam-se a produção de automóveis e a de eletroeletrônicos, especialmente celulares. Nos 12 meses encerrados em maio, a produção de automóveis aumentou 3,5%, enquanto as vendas internas subiram 20,5%. A diferença, explica Mendonça de Barros, é explicada pela redução nas exportações líquidas do país.
Nos 12 meses encerrados em janeiro de 2006, o Brasil exportou 840 mil veículos, número que caiu para 750 mil no acumulado até maio. Nas contas da MB Associados, se a tendência for mantida até dezembro deste ano, o volume em 12 meses será de 685 mil veículos, indicando uma perda da capacidade anual de exportação de 160 mil veículos - 20% do total vendido pelo país em 2005. Fazendo a mesma conta para as importações, o volume que pode entrar no país este ano será de 238 mil carros, cerca de 150 mil a mais do que em 2005. Na conta final, serão 310 mil carros entre os que não serão exportados e os "novos" importados.
"O ganho é muito localizado e restrito às cadeias de commodities. Boa parte da indústria, contudo, enfrenta uma redução na exportação líquida [quando se desconta o aumento das importações] e compensa essa perda com o aquecimento do mercado interno", avalia Mendonça de Barros.
Borges, da LCA, observa que os setores que estão ganhando saldo na balança comercial (siderurgia, celulose, mineração, alimentos e refino de petróleo e álcool) são também os que aparecem na lista de desembolsos do BNDES. De janeiro a maio, a instituição liberou R$ 4,3 bilhões para a indústria de transformação. Estes setores, sozinhos, ficaram com 54% do total. "Quem está investindo mais pesadamente são os setores que fabricam commodities ou semicommodities", pondera Borges.
Para Puga, do BNDES, há setores cujos investimentos ainda estão em maturação - como o químico e petroquímico - e que, a médio prazo, ajudarão a reverter - ou pelo menos minimizar - déficits comerciais expressivos.
Fonte: Denise Neumann - Valor Econômico
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