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Notícias
13
jul
2007
(GERAL)
México vai plantar 250 milhões de árvores
No México serão plantadas a partir de amanhã e até novembro 250 milhões de árvores, em um programa que converterá o país no primeiro “reflorestador do mundo”, segundo o governo. Mas vozes independentes alertam que continua a destruição de florestas. Ambientalistas e especialistas consideram que a meta das autoridades é pouco relevante diante do progressivo desmatamento que, insistem, colocam o México também como um dos campeões mundiais neste campo. O governo do Presidente Felipe Calderón divulga com entusiasmo a jornada de reflorestamento, que começa na mesma data em que se comemora localmente o Dia da Árvore e coincidindo com o início da temporada de chuvas.
Os críticos afirmam que somente a metade, ou menos, das árvores que forem plantadas sobreviverão. Além disso, dizem que essa estratégia, apesar de recuperadora, não solucionará os problemas das florestas mexicanas, que cobrem apenas 56 milhões de hectares e produizem dois terços da água doce consumida no país. As autoridades argumentam que plantar 250 milhões de árvores em 500 mil hectares ajudará a superar o nível de desmatamento anual estimado, oficialmente, em 250 mil hectares. Em sua lógica, isso equilibrará e no final, mantido o plano nos anos seguintes, reverterá o problema.
Héctor Magallón, encarregado da questão das florestas do Greenpeace, disse à IPS que sobreviverão, no melhor dos casos, 125 mil árvores que serão plantadas, as quais, por serem pequenas, não cumprirão as funções das árvores adultas, com reter água, carbono e proteger a biodiversidade. Segundo esta organização, as zonas florestais mexicanas, em sua maioria antigas e, portanto, de alto valor ambiental, desaparecem ao ritmo de 600 mil hectares, ou mais, por ano, isto é, mais do que o dobro do que afirma o governo. Sergio Madrid, engenheiro especialista em florestas e porta-voz da organização G-Florestas, coalizão de 14 grupos sociais e produtores florestais, compartilha dessa opinião.
“Os dados oficiais de desmatamento são questionados e não têm nenhuma confiança, como este programa de reflorestamento que, certamente, rende muito em imagem pública’, afirmou Madrid à IPS. “Plantar árvores não é a solução, é apenas uma pequena parte. O assunto grave no México agora é a mudança de uso de solo das zonas florestais, o que prevalece graças a muitos incentivos e sem que se faça algo definitivo a respeito”, ressaltou o especialista.
Diversos estudos indicam que 80% das florestas que se perdem no México têm origem na mudança de uso do solo por parte de seus proprietários para plantar produtos que consideram mais rentáveis ou para criar gado. O restante da destruição se deve ao corte ilegal, contra o qual o governo de Calderón diz agir com dureza. Com o ProÁrvore (reflorestamento), o combate ao desmatamento ilegal e apoio dos donos de florestas, o México se coloca entre os países de vanguarda na defesa e proteção do meio ambiente, afirma o governo de Calderón, que assumiu em dezembro.
Quanto ao primeiro item, que é o mais divulgado, um comunicado do Ministério de Meio Ambiente afirma que, “assim, o México se soma à campanha de reflorestamento lançada pelo Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma) para este ano, denominada Plantemos para o Planeta: Campanha de um bilhão de árvores”. O comunicado diz que “a compromisso mexicano talvez seja a meta mais ambiciosa apresentada por um governo em toda a história. Desta forma, uma em cada quatro árvores que forem plantadas este ano no mundo estarão no México”.
Magallón observou que não há dúvidas de que o governo colocou grande interesse no reflorestamento. Nesse sentido, lembrou que mais da metade dos cerca de US$ 370 milhões do orçamento da estatal Comissão Nacional Florestal para este ano estão destinados a esse setor. “Trata-se de um enfoque muito perigoso, pois, embora sejam plantadas novas árvores, continua-se perdendo as mais antigas e valiosas do ponto de vista da biodiversidade e captura de água”, afirmou o representante do Greenpeace. Por sua vez, Madrid diz que o governo dá ênfase ao reflorestamento por lhe proporcionar benefícios “em relação à opinião pública”, mas, da mesma forma que Magallón, critica o fato de as autoridades não se preocuparem mais com a causa central do desmatamento, que é a mudança de uso do solo.
Com o aval do Fundo das Nações Unidas para a Agricultura e a Alimentação, máxima autoridade no mundo sobre a questão do desmatamento global, o governo assegura que a perda de floresta no México está em retrocesso. Seus números indicam que caiu de 401 mil hectares ao ano, entre 1990-2000 para 314 mil hectares, entre 2000 e 2005, e para cerca de 250 mil atualmente. “Não há elementos objetivos que indiquem que esses dados sejam corretos, tal como alertam muitos pesquisadores”, disse Magallón.
Segundo o Greenpeace, o México é um dos cinco principais desflorestadores do mundo, lista que tem o Brasil em primeiro lugar, seguido da Índia. De acordo com Madrir, existe uma dança de números “duvidosa” e é “muito curioso que existindo toda uma tecnologia via satélite não tenhamos um estudo contundente sobre o desmatamento no México”. As estatísticas oficiais geram desconfiança entre ativistas e especialistas, pois em 2001 o próprio governo falou em desmatamento anual de 1,1 milhão de hectare, embora depois se contradisse. Agora, a cifra é de 250 mil hectares.
Os críticos afirmam que somente a metade, ou menos, das árvores que forem plantadas sobreviverão. Além disso, dizem que essa estratégia, apesar de recuperadora, não solucionará os problemas das florestas mexicanas, que cobrem apenas 56 milhões de hectares e produizem dois terços da água doce consumida no país. As autoridades argumentam que plantar 250 milhões de árvores em 500 mil hectares ajudará a superar o nível de desmatamento anual estimado, oficialmente, em 250 mil hectares. Em sua lógica, isso equilibrará e no final, mantido o plano nos anos seguintes, reverterá o problema.
Héctor Magallón, encarregado da questão das florestas do Greenpeace, disse à IPS que sobreviverão, no melhor dos casos, 125 mil árvores que serão plantadas, as quais, por serem pequenas, não cumprirão as funções das árvores adultas, com reter água, carbono e proteger a biodiversidade. Segundo esta organização, as zonas florestais mexicanas, em sua maioria antigas e, portanto, de alto valor ambiental, desaparecem ao ritmo de 600 mil hectares, ou mais, por ano, isto é, mais do que o dobro do que afirma o governo. Sergio Madrid, engenheiro especialista em florestas e porta-voz da organização G-Florestas, coalizão de 14 grupos sociais e produtores florestais, compartilha dessa opinião.
“Os dados oficiais de desmatamento são questionados e não têm nenhuma confiança, como este programa de reflorestamento que, certamente, rende muito em imagem pública’, afirmou Madrid à IPS. “Plantar árvores não é a solução, é apenas uma pequena parte. O assunto grave no México agora é a mudança de uso de solo das zonas florestais, o que prevalece graças a muitos incentivos e sem que se faça algo definitivo a respeito”, ressaltou o especialista.
Diversos estudos indicam que 80% das florestas que se perdem no México têm origem na mudança de uso do solo por parte de seus proprietários para plantar produtos que consideram mais rentáveis ou para criar gado. O restante da destruição se deve ao corte ilegal, contra o qual o governo de Calderón diz agir com dureza. Com o ProÁrvore (reflorestamento), o combate ao desmatamento ilegal e apoio dos donos de florestas, o México se coloca entre os países de vanguarda na defesa e proteção do meio ambiente, afirma o governo de Calderón, que assumiu em dezembro.
Quanto ao primeiro item, que é o mais divulgado, um comunicado do Ministério de Meio Ambiente afirma que, “assim, o México se soma à campanha de reflorestamento lançada pelo Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma) para este ano, denominada Plantemos para o Planeta: Campanha de um bilhão de árvores”. O comunicado diz que “a compromisso mexicano talvez seja a meta mais ambiciosa apresentada por um governo em toda a história. Desta forma, uma em cada quatro árvores que forem plantadas este ano no mundo estarão no México”.
Magallón observou que não há dúvidas de que o governo colocou grande interesse no reflorestamento. Nesse sentido, lembrou que mais da metade dos cerca de US$ 370 milhões do orçamento da estatal Comissão Nacional Florestal para este ano estão destinados a esse setor. “Trata-se de um enfoque muito perigoso, pois, embora sejam plantadas novas árvores, continua-se perdendo as mais antigas e valiosas do ponto de vista da biodiversidade e captura de água”, afirmou o representante do Greenpeace. Por sua vez, Madrid diz que o governo dá ênfase ao reflorestamento por lhe proporcionar benefícios “em relação à opinião pública”, mas, da mesma forma que Magallón, critica o fato de as autoridades não se preocuparem mais com a causa central do desmatamento, que é a mudança de uso do solo.
Com o aval do Fundo das Nações Unidas para a Agricultura e a Alimentação, máxima autoridade no mundo sobre a questão do desmatamento global, o governo assegura que a perda de floresta no México está em retrocesso. Seus números indicam que caiu de 401 mil hectares ao ano, entre 1990-2000 para 314 mil hectares, entre 2000 e 2005, e para cerca de 250 mil atualmente. “Não há elementos objetivos que indiquem que esses dados sejam corretos, tal como alertam muitos pesquisadores”, disse Magallón.
Segundo o Greenpeace, o México é um dos cinco principais desflorestadores do mundo, lista que tem o Brasil em primeiro lugar, seguido da Índia. De acordo com Madrir, existe uma dança de números “duvidosa” e é “muito curioso que existindo toda uma tecnologia via satélite não tenhamos um estudo contundente sobre o desmatamento no México”. As estatísticas oficiais geram desconfiança entre ativistas e especialistas, pois em 2001 o próprio governo falou em desmatamento anual de 1,1 milhão de hectare, embora depois se contradisse. Agora, a cifra é de 250 mil hectares.
Fonte: Envolverde/ IPS
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