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Notícias
21
mai
2007
(COMÉRCIO EXTERIOR)
Tamanho é documento na exportação
A fatia das pequenas empresas na venda externa é de 58% na Itália; aqui é de 2,7%. É estimulante o anúncio do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior de que o Brasil tem como meta alcançar US$ 152 milhões nas exportações em 2007. A estimativa, 10,5% superior ao resultado alcançado no último exercício, está baseada num número maior de quantidades embarcadas em relação a 2006 e não no aumento de preços lá fora dos produtos já exportados pelo País. Com isso, face aos bons resultados conquistados nos últimos tempos na área, crê-se agora que pode estar sendo consolidada uma cultura exportadora sólida nas empresas nacionais. Porém, uma questão incomoda quando se analisa a lista de quem está conseguindo negociar seus produtos com outras nações: a baixa participação das micro e pequenas empresas no valor total das vendas externas do Brasil.
Pesquisa divulgada, no final de 2006, pelo Sebrae e a Fundação Centro de Estudos do Comércio Exterior (Funcex) aponta que a presença das micro e pequenas empresas no total das exportações brasileiras caiu de 3,1% para 2,7%, entre 2004 e 2005. O mesmo trabalho indica uma diminuição desse tipo de firma nas negociações com o mercado externo, embora elas continuem sendo maioria entre todos os exportadores brasileiros. Há três anos, eram 12.376. Em 2005, caiu para 11.438 empresas. Um recuo de 7,6%.
Não é preciso estatística sobre a participação das micro e pequenas empresas na marca histórica de negócios do Brasil com o exterior, de US$ 137 bilhões, registrada em 2006. Mas, independentemente do resultado, é fato que, nesse momento de expansão do comércio internacional, as micro e pequenas empresas têm ainda contribuído muito pouco em termos de vendas para as exportações. Há muitas nações - inclusive desenvolvidas - em que esse grupo de empresas participa com cerca de 40% no total de negócios externos.
Na Itália, por exemplo, o índice de participação das empresas de pequeno porte nas vendas para outros países é de 58% (dados da Fiesp). Lá, as organizações contam com alto grau de especialização nisso, com forte estrutura organizacional - inclusive de marketing -, que, em sua grande maioria, estão constituídas em clusters (grupos de negócios), com forte incentivo do governo, para serem competitivas no exterior. Isso faz com que o diferenciado produto italiano seja muito bem explorado pelos seus produtores nos diversos continentes. Nesse aspecto, vale ressaltar que a Fiesp já criou sete Arranjos Produtivos Locais (APL), baseados no modelo de cluster italiano, para os setores de confecção (cama, mesa e banho), móveis e, mais recentemente, de plásticos, que têm sido estimulados a participar do mercado internacional.
Os altos custos para exportar, o escasso financiamento dos bancos oficiais para estimular a produção e venda para o exterior, o preço do seguro de crédito à exportação, a barreira da língua, a burocracia, a falta de divulgação da Marca Brasil e o retorno do investimento a longo prazo são as maiores reclamações das empresas nacionais quando a questão é se relacionar com o exterior. Soma-se a isso os entraves cambiais, que desestimula a competitividade, gerando, inclusive, uma reação em sentido contrário, com a entrada de produtos importados no País concorrentes de produtos nacionais fabricados pelas micro e pequenas empresas; além da dificuldade de se obter crédito a juros compatíveis para incrementar os negócios. Por outro lado, a isenção fiscal do produto exportado pelas empresas inscritas no Simples e o incentivo à criação de consórcios, previstos na Lei Geral das Micro e Pequenas Empresas, podem ajudar a incrementar a participação do País no mercado internacional. Porém, essa lei precisa ser urgentemente regulamentada.
Em termos do número de empresas brasileiras exportadoras, o ano de 2005 registrou um total de 17.110 que realizaram alguma operação de venda externa no ano. Isto significou redução de 853 empresas em comparação ao exercício anterior (menos 4,7%). Há projetos de incentivo e apoio de exportação para micro e pequenas empresas em diversos órgãos - públicos e privados (como já citado). Eles têm trabalhado bastante para superar tais barreiras.
Porém, constata-se que isso precisa ser ainda mais incentivado, principalmente na conscientização do trabalho a longo prazo. Verifica-se, na mesma pesquisa citada anteriormente, que entre as micro e pequenas empresas tem crescido ao longo dos últimos anos a prática de exportação de maneira sistemática e contínua. Isso é muito positivo e tem a ver com a conquista de cultura exportadora do empreendedor brasileiro. Talvez sejam exemplos a serem seguidos pelos pequenos empresários na conquista da estabilidade para fazer negócios com estrangeiros.
No Brasil, as micro e pequenas representam mais de 90% das empresas formais, absorvendo um contingente expressivo de mão-de-obra. O número é significativo e dá a dimensão do quanto elas podem participar deste promissor mercado internacional.
*Vice-presidente da Fiesp. Chefiou missão empresarial da entidade a Parma e Milão.
Pesquisa divulgada, no final de 2006, pelo Sebrae e a Fundação Centro de Estudos do Comércio Exterior (Funcex) aponta que a presença das micro e pequenas empresas no total das exportações brasileiras caiu de 3,1% para 2,7%, entre 2004 e 2005. O mesmo trabalho indica uma diminuição desse tipo de firma nas negociações com o mercado externo, embora elas continuem sendo maioria entre todos os exportadores brasileiros. Há três anos, eram 12.376. Em 2005, caiu para 11.438 empresas. Um recuo de 7,6%.
Não é preciso estatística sobre a participação das micro e pequenas empresas na marca histórica de negócios do Brasil com o exterior, de US$ 137 bilhões, registrada em 2006. Mas, independentemente do resultado, é fato que, nesse momento de expansão do comércio internacional, as micro e pequenas empresas têm ainda contribuído muito pouco em termos de vendas para as exportações. Há muitas nações - inclusive desenvolvidas - em que esse grupo de empresas participa com cerca de 40% no total de negócios externos.
Na Itália, por exemplo, o índice de participação das empresas de pequeno porte nas vendas para outros países é de 58% (dados da Fiesp). Lá, as organizações contam com alto grau de especialização nisso, com forte estrutura organizacional - inclusive de marketing -, que, em sua grande maioria, estão constituídas em clusters (grupos de negócios), com forte incentivo do governo, para serem competitivas no exterior. Isso faz com que o diferenciado produto italiano seja muito bem explorado pelos seus produtores nos diversos continentes. Nesse aspecto, vale ressaltar que a Fiesp já criou sete Arranjos Produtivos Locais (APL), baseados no modelo de cluster italiano, para os setores de confecção (cama, mesa e banho), móveis e, mais recentemente, de plásticos, que têm sido estimulados a participar do mercado internacional.
Os altos custos para exportar, o escasso financiamento dos bancos oficiais para estimular a produção e venda para o exterior, o preço do seguro de crédito à exportação, a barreira da língua, a burocracia, a falta de divulgação da Marca Brasil e o retorno do investimento a longo prazo são as maiores reclamações das empresas nacionais quando a questão é se relacionar com o exterior. Soma-se a isso os entraves cambiais, que desestimula a competitividade, gerando, inclusive, uma reação em sentido contrário, com a entrada de produtos importados no País concorrentes de produtos nacionais fabricados pelas micro e pequenas empresas; além da dificuldade de se obter crédito a juros compatíveis para incrementar os negócios. Por outro lado, a isenção fiscal do produto exportado pelas empresas inscritas no Simples e o incentivo à criação de consórcios, previstos na Lei Geral das Micro e Pequenas Empresas, podem ajudar a incrementar a participação do País no mercado internacional. Porém, essa lei precisa ser urgentemente regulamentada.
Em termos do número de empresas brasileiras exportadoras, o ano de 2005 registrou um total de 17.110 que realizaram alguma operação de venda externa no ano. Isto significou redução de 853 empresas em comparação ao exercício anterior (menos 4,7%). Há projetos de incentivo e apoio de exportação para micro e pequenas empresas em diversos órgãos - públicos e privados (como já citado). Eles têm trabalhado bastante para superar tais barreiras.
Porém, constata-se que isso precisa ser ainda mais incentivado, principalmente na conscientização do trabalho a longo prazo. Verifica-se, na mesma pesquisa citada anteriormente, que entre as micro e pequenas empresas tem crescido ao longo dos últimos anos a prática de exportação de maneira sistemática e contínua. Isso é muito positivo e tem a ver com a conquista de cultura exportadora do empreendedor brasileiro. Talvez sejam exemplos a serem seguidos pelos pequenos empresários na conquista da estabilidade para fazer negócios com estrangeiros.
No Brasil, as micro e pequenas representam mais de 90% das empresas formais, absorvendo um contingente expressivo de mão-de-obra. O número é significativo e dá a dimensão do quanto elas podem participar deste promissor mercado internacional.
*Vice-presidente da Fiesp. Chefiou missão empresarial da entidade a Parma e Milão.
Fonte: Gazeta Mercantil
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