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Notícias
07
mai
2007
(MEIO AMBIENTE)
Salvar planeta custa US$ 862 bilhões
Salvar o planeta dos efeitos da mudança climática perigosa já tem um preço: cerca de 2% do PIB mundial (aproximadamente US$ 862 bilhões). O número é do IPCC, o painel do clima das Nações Unidas, que apresentou em Bancoc, Tailândia, a terceira e última parte de seu Quarto Relatório de Avaliação. O texto, cujo sumário executivo é dirigido aos formuladores de políticas públicas, trata da mitigação do efeito estufa.
Embora não recomende aos governos que caminho tomar, o IPCC apresenta três futuros possíveis para a humanidade, na forma de três cenários de redução de emissões de gases de efeito estufa, em especial o dióxido de carbono (CO2).
No mais otimista, a concentração de CO2 na atmosfera é limitada a 450 ppm (partes por milhão) - o dobro do que havia no ar antes da Revolução Industrial. No mais pessimista, ela fica em 650 ppm.
"Se você mirar em uma estabilização de 450 ppm, você consegue evitar que a temperatura suba 2 ºC, o que causaria uma mudança climática perigosa. Mas vai ser um pouco mais caro: cerca de 2% do PIB mundial", disse à Folha Mohan Munasinghe, vice-presidente do IPCC.
"Para 550 ppm é menos de 1%, e para 650 ppm é algo desprezível [cerca de 0,2% do PIB]", disse o pesquisador. Este último cenário colocaria o planeta no rumo de um aumento de 4 ºC na temperatura em 2100, com os efeitos catastróficos decorrentes disso - secas, cheias, furacões e fome.
"Há tecnologias existentes e conhecidas para estabilizar em 450 ppm a 550 ppm, mas elas implicam em um custo significativo", disse Munasinghe. "O que falta é vontade política."
Entre essas tecnologias, uma interessa especialmente ao Brasil: os biocombustíveis.
Aqui, o IPCC traz uma boa notícia para o governo Lula e sua diplomacia. Somados, todos os biocombustíveis - em especial o etanol de cana - poderão ocupar de 3% a 10% da matriz do setor de transportes em 2030. Isso significa um potencial de reduzir até 1,5 bilhão de toneladas anuais de gás carbônico, e isso a menos de US$ 25 por tonelada cortada.
"Eles foram destacados no sumário executivo como uma das tecnologias de mitigação já disponíveis no mercado com os maiores potenciais de mitigação no setor de transporte", disse Suzana Kahn Ribeiro, professora da Coppe (Coordenação dos Programas de Pós-Graduação em Engenharia) da Universidade Federal do Rio de Janeiro e autora do capítulo de transportes do relatório.
Não só no setor de transportes: o IPCC também os considera uma boa alternativa para geração de energia e até mesmo no setor de florestas - com o álcool de celulose, um combustível de segunda geração produzido a partir de restos de madeira e serragem (ainda em escala piloto, fora do mercado).
Menção honrosa
Esta é a segunda menção favorável do IPCC a estratégias de mitigação do clima propostas pelo Brasil. A outra foi o reconhecimento do potencial do setor florestal (e da redução do desmatamento, uma bandeira levantada pelo país) como ferramenta de mitigação que pode ser usada já a baixo custo.
O álcool de cana chega a merecer um destaque no texto do capítulo de transportes (fora do sumário executivo), que aponta suas vantagens comparativas em relação a outros tipos de etanol, como o de milho. A principal dessas vantagens é o chamado balanço energético, ou seja, a proporção de matéria-prima que vira combustível, mais favorável na cana.
"Tentei puxar a brasa para a nossa sardinha", confessa a pesquisadora da Coppe.
Síndrome de Fidel
O IPCC teve, no entanto, cuidado de não trombetear as maravilhas dos biocombustíveis no texto destinado aos tomadores de decisão, por duas razões.
Primeiro, existe uma controvérsia em torno da chamada "síndrome de Fidel Castro", ou seja, a limitação da agricultura energética devido a uma competição com a agricultura para a produção de alimentos. "Isso já é um fato com o milho e alimentos derivados de milho nos EUA e México. Assim, por não haver consenso a respeito, pouco pode ser afirmado, principalmente no sumário executivo", diz Ribeiro.
A outra é a absoluta falta de dados sobre o potencial de expansão dos biocombustíveis. Ribeiro diz que no Brasil, que é um dos maiores produtores de cana, há apenas "um ou dois" estudos demonstrando a potencialidade de expansão da produção de álcool.
Setores inteiros, como o de transporte público e veículos pesados, acabaram ficando de fora da análise também por falta de referências científicas. Pode ser até que o real potencial do álcool e do biodiesel esteja subestimado.
"Não temos como fundamentar cientificamente", afirma a pesquisadora brasileira.
Embora não recomende aos governos que caminho tomar, o IPCC apresenta três futuros possíveis para a humanidade, na forma de três cenários de redução de emissões de gases de efeito estufa, em especial o dióxido de carbono (CO2).
No mais otimista, a concentração de CO2 na atmosfera é limitada a 450 ppm (partes por milhão) - o dobro do que havia no ar antes da Revolução Industrial. No mais pessimista, ela fica em 650 ppm.
"Se você mirar em uma estabilização de 450 ppm, você consegue evitar que a temperatura suba 2 ºC, o que causaria uma mudança climática perigosa. Mas vai ser um pouco mais caro: cerca de 2% do PIB mundial", disse à Folha Mohan Munasinghe, vice-presidente do IPCC.
"Para 550 ppm é menos de 1%, e para 650 ppm é algo desprezível [cerca de 0,2% do PIB]", disse o pesquisador. Este último cenário colocaria o planeta no rumo de um aumento de 4 ºC na temperatura em 2100, com os efeitos catastróficos decorrentes disso - secas, cheias, furacões e fome.
"Há tecnologias existentes e conhecidas para estabilizar em 450 ppm a 550 ppm, mas elas implicam em um custo significativo", disse Munasinghe. "O que falta é vontade política."
Entre essas tecnologias, uma interessa especialmente ao Brasil: os biocombustíveis.
Aqui, o IPCC traz uma boa notícia para o governo Lula e sua diplomacia. Somados, todos os biocombustíveis - em especial o etanol de cana - poderão ocupar de 3% a 10% da matriz do setor de transportes em 2030. Isso significa um potencial de reduzir até 1,5 bilhão de toneladas anuais de gás carbônico, e isso a menos de US$ 25 por tonelada cortada.
"Eles foram destacados no sumário executivo como uma das tecnologias de mitigação já disponíveis no mercado com os maiores potenciais de mitigação no setor de transporte", disse Suzana Kahn Ribeiro, professora da Coppe (Coordenação dos Programas de Pós-Graduação em Engenharia) da Universidade Federal do Rio de Janeiro e autora do capítulo de transportes do relatório.
Não só no setor de transportes: o IPCC também os considera uma boa alternativa para geração de energia e até mesmo no setor de florestas - com o álcool de celulose, um combustível de segunda geração produzido a partir de restos de madeira e serragem (ainda em escala piloto, fora do mercado).
Menção honrosa
Esta é a segunda menção favorável do IPCC a estratégias de mitigação do clima propostas pelo Brasil. A outra foi o reconhecimento do potencial do setor florestal (e da redução do desmatamento, uma bandeira levantada pelo país) como ferramenta de mitigação que pode ser usada já a baixo custo.
O álcool de cana chega a merecer um destaque no texto do capítulo de transportes (fora do sumário executivo), que aponta suas vantagens comparativas em relação a outros tipos de etanol, como o de milho. A principal dessas vantagens é o chamado balanço energético, ou seja, a proporção de matéria-prima que vira combustível, mais favorável na cana.
"Tentei puxar a brasa para a nossa sardinha", confessa a pesquisadora da Coppe.
Síndrome de Fidel
O IPCC teve, no entanto, cuidado de não trombetear as maravilhas dos biocombustíveis no texto destinado aos tomadores de decisão, por duas razões.
Primeiro, existe uma controvérsia em torno da chamada "síndrome de Fidel Castro", ou seja, a limitação da agricultura energética devido a uma competição com a agricultura para a produção de alimentos. "Isso já é um fato com o milho e alimentos derivados de milho nos EUA e México. Assim, por não haver consenso a respeito, pouco pode ser afirmado, principalmente no sumário executivo", diz Ribeiro.
A outra é a absoluta falta de dados sobre o potencial de expansão dos biocombustíveis. Ribeiro diz que no Brasil, que é um dos maiores produtores de cana, há apenas "um ou dois" estudos demonstrando a potencialidade de expansão da produção de álcool.
Setores inteiros, como o de transporte público e veículos pesados, acabaram ficando de fora da análise também por falta de referências científicas. Pode ser até que o real potencial do álcool e do biodiesel esteja subestimado.
"Não temos como fundamentar cientificamente", afirma a pesquisadora brasileira.
Fonte: Cláudio Ângelo / Folha de S.Paulo
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